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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Congresso reúne opositores da teoria da evolução; biólogos criticam 'novo criacionismo'

por Reinaldo José Lopes, na Folha de S.Paulo

O químico Marcos Eberlin, 55, tem um currículo muito parecido com o de outros pesquisadores de alto nível do país. Com centenas de artigos publicados em revistas especializadas, ele é membro da Academia Brasileira de Ciências e professor titular da Unicamp, chefiando um laboratório especializado em espectrometria de massa (grosso modo, uma técnica que permite "pesar" moléculas).

Para consternação de vários de seus colegas, porém, Eberlin também é um dos organizadores do 1º Congresso Brasileiro do Design Inteligente, que começa em 14 de novembro, em Campinas, reunindo os principais adversários da teoria da evolução entre cientistas do Brasil.

Os defensores da TDI (Teoria do Design Inteligente) apresentam uma versão atual de argumentos que chegaram a seduzir o próprio Charles Darwin (1809-1882) antes que o naturalista formulasse a ideia de seleção natural e se tornasse fundador da biologia evolutiva.

Eles defendem que seres vivos são complexos demais para terem surgido a partir de matéria não viva, pela ação de leis naturais.

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress 

Essa complexidade seria, na verdade, sinal de um design, ou "projeto", embutido nos seres vivos por algum tipo de inteligência avançada.

"Cientificamente, eu sei quais são os meus limites, sei que nunca será possível demonstrar que inteligência seria essa", diz Eberlin.

"Tem gente que vai dizer que é o Deus bíblico, tem gente que vai dizer que são os ETs, ou que é uma força que permeia o Universo. Mas mostrar que houve essa ação inteligente é uma proposta científica válida", afirma o pesquisador.

A grande maioria da comunidade científica discorda, porém –em especial os biólogos, principais responsáveis por estudar a trajetória da vida na Terra. Nos EUA, onde surgiu, a TDI é vista como uma tentativa de misturar ciência com convicções religiosas. Por lá, de fato, os defensores mais importantes da tese costumam ser cristãos conservadores.

"No nosso caso, não vejo esse viés. Tem agnóstico, tem espírita, tem católico e, lógico, tem evangélico também", afirma Eberlin, que é batista.

QUESTÃO DE QUÍMICA

Entre as dezenas de membros do comitê científico do congresso, há desde biólogos até historiadores, mas os químicos, tal como o professor da Unicamp, predominam. Dois dos membros mais destacados do comitê, Kelson de Oliveira, da Universidade Federal do Amazonas, e Brenno da Silveira Neto, da Universidade de Brasília, também cursaram teologia (ambos são presbiterianos).

Segundo Oliveira, a forte presença de químicos entre adeptos da TDI é motivada, em parte, pelos modelos sobre a origem da vida na Terra, que "podem ser facilmente entendidos por um químico". "Isso nos permite ver falhas que muitas vezes escapam a integrantes de outras áreas", diz o pesquisador.

Mais especificamente, eles dizem que a probabilidade de reações químicas naturais levarem à formação de células primitivas seria praticamente nula. Para Eberlim, a complexidade bioquímica das células atuais, com mecanismos de correção de DNA, é indício de design inteligente.

Para Brenno da Silveira Neto, o congresso será um foro de debate científico sobre o tema. "Acho errado que grupos religiosos se tornem adeptos da TDI só porque ela valida sua visão de fé."

O congresso deve ser palco da criação da Sociedade Brasileira do Design Inteligente e da divulgação de um manifesto sobre o ensino da evolução e da TDI nas escolas públicas. Eberlin, porém, diz que a ideia não é pressionar o Ministério da Educação.

"O que a gente quer é que a teoria da evolução seja ensinada de maneira certa e na idade certa. É um absurdo usar nas escolas revistinha da Turma da Mônica mostrando o macaquinho virando homem para crianças pequenas", diz o químico.

"Queremos que o professor não esqueça de informar aos alunos que há outra teoria que quer entrar na briga. E que não se ensine nada sobre TDI, pois ainda não se sabe bem o que falar. Deixe apenas os alunos cientes de sua existência."


O professor de química da Unicamp Marcos Eberlin, adepto da tese
do design inteligente (TDI) - 
Davi Ribeiro/Folhapress 

SEM SENTIDO

A tentativa de dar verniz científico e educacional à Teoria do Design Inteligente costuma esbarrar na semelhança entre a tese e o tradicional criacionismo –a crença numa divindade que teria criado diretamente os seres vivos como são hoje, em geral idêntica ao Deus da Bíblia.

Foi essa a conclusão do juiz americano John Jones ao decidir contra a secretaria de educação de Dover, na Pensilvânia, que defendia que a TDI fosse ensinada ao lado teoria da evolução nas escolas públicas. Jones concluiu que um currículo escolar assim violaria a separação entre religião e Estado estabelecida na Constituição dos EUA.

No Brasil, em 2004, o Estado do Rio de Janeiro, governado por Rosinha Matheus, chegou a propor a inclusão do criacionismo no ensino público, embora não tenha havido alteração nas aulas.

A maioria dos biólogos, porém, diz não ver sentido na TDI, mesmo quando se analisam os dados do DNA com técnicas modernas.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Casamento é melhor do que apenas morar junto


casorio

Publicado na Super Interessante


Dizem que morar junto antes de casar aumenta o risco de divórcio. E, além disso, causa depressão. Pois é, nada bom. E o pior: os benefícios que o casamento traz à saúde não valem para os casais que apenas foram morar juntos, sem assinar a papelada, trocar alianças e aquilo tudo.

É o que acreditam os pesquisadores da Universidade de Virginia. Eles convidaram alguns casais “juntados” e outros casados de verdade para passar por um teste. Todos passaram pelo mesmo procedimento: uma pessoa deitava dentro de um aparelho de ressonância magnética e lá recebiam avisos sobre a probabilidade de levar um choque ou não.

Durante o processo, os voluntários podiam segurar a mão do parceiro, ou de um estranho ou de ninguém. Quando os casados pegavam na mão do companheiro, o hipotálamo, que desempenha um papel importante no reconhecimento de emoções e reações às ameaças, desacelerava. Era imediato. Como se fosse mais fácil lidar com o perigo com o amante por perto.

Já os “juntados” não tinham essa mesma reação: o perigo era tão estressante com ou sem o parceiro. Alguns, na verdade, até tinham, mas só entre aqueles se consideravam casados, apesar de não terem nunca assinado papéis ou feito uma grande cerimônia de casamento. “Há um efeito regulador forte e previsível entre os casados e nenhum efeito nos casais que apenas moram juntos”, explica Jim Coan, um dos autores da pesquisa.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Noé e os dinossauros

O fóssil batizado Ebenezer, que seria ‘contemporâneo de Noé’, é a
 ‘Mona Lisa’ do Museu da Criação (foto: divulgação)
Anna Virgínia, no Religiosamente

Homens e dinossauros caminhando lado a lado. Se você acha que já viu esse filme, pode tirar o tiranossaurozinho da chuva.

No Museu da Criação, essa ideia não é uma fábula ficcional à la “Jurassic Park”.

O espaço, gerenciado pela igreja Answer in Genesis (“Resposta na Gênesis”), reproduz a noção bíblica de que Deus fez o mundo em seis dias e tirou uma folga no sétimo, há provavelmente 6.000 anos.

Os lagartões não seriam incoerentes com o “design inteligente”, como é chamado o planejamento divino da gênese: teriam brotado no sexto dia, junto com gado, répteis, feras, Adão e Eva.

“Nós usamos os dinossauros em todo o museu para proclamar as verdades da ‘Gênesis’ [livro inicial da Bíblia] e rejeitar a evolução darwiniana”, diz Mark Looy, diretor de comunicação do ministério evangélico, por e-mail.

A atual “Mona Lisa” da construção em Peterburg, Kentucky (EUA), é o fóssil de um Alossauro, tipo carnívoro com cerca de nove metros de cumprimento.

Segundo a curadoria criacionista, o animal morreu há aproximadamente 4.350 anos, no grande dilúvio dos 40 dias e das 40 noites, em que poucas e sortudas espécies se salvaram na arca de Noé.

O que vai por água abaixo, nesse caso, é a hipótese de que o último dinossauro desapareceu cerca de 60 milhões de anos atrás. As ferramentas científicas que corroboram a tese são vistas com desconfiança pelo grupo religioso.

“Esses ossos não têm rótulos anexados dizendo quão velhos eles são. A ideia de milhões de anos de evolução é apenas uma visão dos evolucionistas sobre o passado. Nenhum cientista estava lá para ver”, diz um texto no site do museu.

Os dinossauros, por outro lado, teriam deixado suas pegadas na Bíblia. Na “Gênesis”, Deus fala com Jó, aquele da paciência, sobre Behemoth, uma besta gigante que possui ossos “como tubo de bronze” e não treme nem “se o rio trasborda”.

Estudiosos das Escrituras costumam associar essa criatura a um hipopótamo, mas criacionistas acreditam se tratar de um braquiossauro –dino herbívoro e pescoçudo.

Para desqualificar a teoria propagada por Charles Darwin, o museu questiona por que fósseis não revelam “dinossauros em transição”, ou seja, ossadas que mostrem como “répteis gigantes” teriam se transformado aos poucos em outro animal.

“Na verdade, se entrar em qualquer museu, você vai ver fósseis de dinossauros que são 100% dinossauro, e não algo entre os dois. Não há 25%, 50%, 75% ou mesmo 99% dinossauros. Eles são todos 100% dinossauros!”

‘O CARA DA CIÊNCIA’

Em fevereiro, um debate exibido pela internet opôs Ken Ham, presidente da Answer in Genesis, e Bill Nye, vencedor do Emmy pelo programa infantil em que se apresenta como “The Science Guy” (“o cara da ciência”).

A cena a seguir é relatada por um ex-criacionista: David MacMillan, blogueiro do site Huffington Post.

Nye foi disposto a mostrar uma verdade que estava o tempo todo aos pés do rival. Trouxe um pedaço de rocha do estrato que fica bem embaixo do Museu da Criação. Apontou camadas de criaturas fósseis microscópicas que só poderiam ter vivido e morrido em águas calmas e rasas. Ou seja, demoraram milhões de anos para se formar e jamais passaram por uma fulminante inundação global, como a enfrentada por Noé.

“Mas o criacionismo não é bem-sucedido porque ignora a evidência. O criacionismo é bem-sucedido porque sempre encontra maneiras de reinterpretar a evidência para encaixá-la em seus pressupostos”, escreve MacMillan.

“Ao longo do debate, Ham insistentemente repetiu que, enquanto a pesquisa científica do presente é testável e reproduzível, a investigação científica sobre o passado, o que ele chama de ‘ciência histórica’, nunca pode ser provada.”

MACACADA

Ken Ham, contudo, não está só. Cerca de um terço da população estadunidense não acredita, por exemplo, que o homem evoluiu de outra espécie, de acordo com uma pesquisa do Pew Research Center feita com 1.983 adultos em 2013 (a margem de erro é de 3%).

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Ter fé na ciência pode ser tão bom quanto acreditar em Deus

Já existe um movimento que prega a união do conhecimento com a crença (foto: Getty Images)
Já existe um movimento que prega a união do conhecimento 
com a crença (foto: Getty Images)

Marina Oliveira e Rita Trevisan, no UOL Mulher (via Pavablog)
No meio científico, o preconceito com a religião ficou no passado. Atualmente, há milhares de estudos que avaliam a influência da religiosidade no bem-estar físico e mental. E a conclusão é sempre a mesma: a de que os religiosos, ao darem significado ao que é caótico e aparentemente incontrolável, não só lidam melhor com os momentos de crise, como sofrem menos de ansiedade, depressão e estresse, assim como são menos vulneráveis adoenças diversas, a exemplo das cardíacas.
Há também quem defenda que não é preciso seguir uma religião para colher esses benefícios, mas apenas vivenciar a espiritualidade. E é desse movimento, que prega a união do conhecimento com a crença, que nasceu uma nova corrente de estudos, a que investiga a fé na ciência.
Deriva dessa vertente o estudo divulgado em 2013, conduzido pelo Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de Oxford, nos Estados Unidos, que apontou que os mesmos benefícios encontrados pelos religiosos nos cultos ou na vivência da espiritualidade também podem ser usufruídos por aqueles que acreditam na ciência, no poder explicativo e revelador da soma dos conhecimentos humanos.

Endeusamento da ciência

De acordo com o pesquisador Miguel Farias, líder desse grupo de estudos, a crença na ciência pode ajudar as pessoas não-religiosas a lidarem com a adversidade, oferecendo conforto e tranquilidade.
Para o especialista Ricardo Monezi, do Centro de Estudos em Medicina Comportamental da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o estudo condiz com a realidade. “Hoje em dia, temos uma pluralidade de religiões. Você tem até a liberdade de não ter uma, se não quiser”, diz. Isso possibilita que um agnóstico enxergue na medicina uma base onde pode depositar sua confiança. “Ao acreditar na ciência, o cérebro faz uma construção, entende o conhecimento como algo maior, que pode ajudar”, afirma.
Segundo Monezi, os avanços tecnológicos propiciaram, inclusive, um “endeusamento” da ciência, que passou a ser vista como algo que pode salvar o ser. “Quando alguém pergunta a um religioso o que dá segurança a ele, a resposta provável será ‘Deus’. Já para o ateu, o importante é saber que a medicina está tão avançada que poderá socorrê-lo em um momento complicado”, explica. “Os benefícios nas dimensões biológica, psicológica e social do indivíduo estão presentes em qualquer dessas situações, porque o que faz a diferença é acreditar”, diz.

A escolha de cada um

Ser religioso ou espiritualizado tem a ver com as experiências pessoais e individuais. Quem cresceu em uma família na qual a religião faz parte da tradição, por exemplo, poderá se influenciar por essa experiência. Da mesma forma, há pessoas que, por terem passado por vivências traumáticas, adotaram as práticas espirituais.
“Já quem não teve experiências dessa ordem, tende a crer mais no âmbito material das ocorrências, em algo que converse com métodos de investigação”, explica o psicólogo Julio Fernando Prieto Peres, que realizou o seu pós-doutorado no Centro de Espiritualidade e Mente da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Cientistas simulam a evolução do universo em computador


Herton Escobar, no O Estado de S. Paulo
A revista Nature divulgou hoje a nova versão de um modelo científico que simula todo o processo de evolução do universo, desde o seu início (mais especificamente, 12 milhões de anos após o Big Bang) até o dias atuais, 13,8 bilhões de anos depois. O modelo, desenvolvido por um time internacional de cientistas, reproduz de maneira bastante fidedigna a distribuição atual de galáxias e de diferentes tipos de matéria (incluindo a matéria escura) no universo observável, o que atesta sua aplicabilidade como ferramenta de pesquisa para tentar entender como as coisas chegaram a ser do jeito que são hoje e porquê; assim como prever o que vai acontecer com elas no futuro.
Trata-se de um modelo matemático computacional, cujos resultados estão representados visualmente neste vídeo acima (http://youtu.be/SY0bKE10ZDM). Para entender o conceito científico por trás dele, imagine o seguinte: As previsões do tempo e do clima na Terra também são baseadas em modelos matemáticos, rodados em supercomputadores, que simulam o funcionamento dos ventos, das correntes oceânicas, das nuvens, etc, e produzem, com base nisso, uma previsão de qual será o resultado da combinação de todos esses fatores funcionando ao mesmo tempo num determinado período de tempo para uma determinada região.
A melhor maneira de medir a acurácia de um modelo é rodá-lo para um período no passado e ver se a previsão gerada por ele é compatível com o que foi observado na vida real para aquele período (por exemplo, alimentar o modelo com dados referentes à década de 2003-2012 e ver se a previsão dele para 2013 combina com o que o vivenciamos de fato no clima daquele ano). Se ele funcionar bem para o passado, podemos imaginar que as previsões dele para o futuro serão igualmente confiáveis. Todas as previsões de mudança climática para as próximas décadas e séculos, por exemplo, são feitas com base nesse tipo de modelagem matemática.
O que os pesquisadores fizeram neste caso foi mais ou menos a mesma coisa; só que em vez de simular a evolução do clima no nosso pequenino planeta (o que já é um desafio imenso, diga-se de passagem), eles simularam a evolução de toda a matéria no universo por quase 14 bilhões de anos. E o resultado final do modelo é bem parecido com o que enxergamos lá fora hoje no espaço através dos nossos telescópios. O tamanho da “amostra” simulada pelo modelo foi um cubo de 350 milhões de anos-luz de diâmetro, que os pesquisadores consideraram representativo do universo como um todo.
Segundo a narração do vídeo da Nature, rodar essa simulação num computador caseiro levaria cerca de 2 mil anos. Já os autores usaram os maiores supercomputadores do planeta, consumindo 16 milhões de horas de processamento de CPU para isso. Imagine só!
FOTO: Imagem da simulação mostra uma comparação entre a
distribuição de matéria escura (esquerda) e a densidade de
gás visível (direita). Crédito: Illustris Collaboration

Assim como os modelos meteorológicos levam em conta vários fatores climáticos e geofísicos (ventos, correntes, nuvens, montanhas, desertos, variações de temperatura e umidade, etc), esse novo modelo do universo incorpora vários fenômenos cosmológicos e astrofísicos, como aglomerações de galáxias, explosões estelares (supernovas) e radiação de buracos-negros, entre outros. A proposta é que, assim como os meteorologistas usam seus modelos para prever o clima, os astrônomos poderão usar esse e outros modelos do universo para entender e prever o funcionamento do cosmo.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Análises apontam que papiro que fala da esposa de Jesus não é falso


 Imagem mostra inscrição em papiro do século 2 que causou polêmica em 2012. O texto menciona
 que Jesus foi casado, segundo pesquisa da Universidade de Harvard divulgada na ocasião.
Agora, uma nova análise atesta que o documento não é falso. "Nenhuma evidência de
fabricação moderna ('falsificação') foi encontrada", declarou a Harvard Divinity School
em um comunicado. O fragmento provavelmente remonta a uma data entre os séculos 6 e 9,
mas poderia ter sido escrito até mesmo no segundo século da Era Comum,
segundo os resultados do estudo publicados na Harvard Theological Review
publicado no UOL Ciências


Um pedaço de papiro antigo que contém uma menção à esposa de Jesus não é uma falsificação, de acordo com uma análise científica do controverso texto, declararam nesta quinta-feira (10) pesquisadores americanos.

Acredita-se que o fragmento seja proveniente do Egito e contém escritos na língua copta, que afirmam: "Jesus disse-lhes: 'Minha esposa...'". Outra parte diz ainda: "Ela poderá ser minha discípula".

A descoberta do papiro, em 2012, provocou um rebuliço. Pelo fato de a tradição cristã afirmar que Jesus não era casado, o documento atiçou os debates sobre o celibato e o papel das mulheres na Igreja.

O jornal do Vaticano declarou que o papiro era uma farsa, juntamente com outros estudiosos, que duvidaram de sua autenticidade baseados em sua gramática pobre, texto borrado e origem incerta.

Nunca antes um evangelho se referiu a Jesus como casado, ou tendo mulheres como discípulos.

Mas uma nova análise científica do papiro e da tinta, bem como da escrita e da gramática, mostrou que o documento é antigo.

"Nenhuma evidência de fabricação moderna ('falsificação') foi encontrada", declarou a Harvard Divinity School em um comunicado.

O fragmento provavelmente remonta a uma data entre os séculos 6 e 9, mas poderia ter sido escrito até mesmo no segundo século da Era Comum, segundo os resultados do estudo publicados na Harvard Theological Review.

A datação por radiocarbono do papiro e uma análise da tinta utilizando espectroscopia Micro-Raman foram realizadas por especialistas da Universidade de Columbia, da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

"A equipe concluiu que a composição química do papiro e os padrões de oxidação são consistentes com papiros antigos, ao comparar o fragmento do Evangelho da Esposa de Jesus (Gospel of Jesus' Wife - GJW, em inglês) com um fragmento do Evangelho de João", declarou o estudo.

"O teste atual suporta, assim, a conclusão de que o papiro e a tinta do GJW são antigos", esclareceu.

Origem desconhecida

A origem do papiro é desconhecida. Karen King, historiadora da Harvard Divinity School, o recebeu de um colecionador - que pediu para permanecer anônimo - em 2012.

King, uma historiadora do cristianismo primitivo, declarou que a ciência mostrar que o papiro é antigo não prova que Jesus era casado.

"A questão principal do fragmento é afirmar que as mulheres que são mães e esposas podem ser discípulas de Jesus - um tema que foi muito debatido no início do cristianismo, num momento em que a virgindade celibatária se tornou cada vez mais valorizada", explicou King em um comunicado.

"Este fragmento do evangelho fornece uma razão para reconsiderar o que pensávamos que sabíamos, ao se perguntar o papel que as declarações sobre o estado civil de Jesus desempenharam historicamente nas controvérsias cristãs sobre casamento, celibato e família".

O fragmento mede quatro por oito centímetros.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Entenda por que o mundo não impediu o genocídio de Ruanda

Em 100 dias, 800 mil pessoas morreram no país africano. Caso é exemplo de omissão de potências internacionais.

Giovana Sanchez
Do G1, em São Paulo

As mortes de ruandeses da etnia tutsi pela maioria hutu começaram antes de 1994, quando ocorreu o genocídio que deixou 800 mil mortos em 100 dias no país. Desde 1990, agências humanitárias e a ONU vinham documentando matanças isoladas e a deterioração da situação no país. Quando o genocídio efetivamente começou, as lideranças políticas foram também avisadas. Então por que, dias depois da retirada de estrangeiros, a ONU não aprovou uma intervenção militar? Por que, ao invés disso, diminuiu o número das forças de paz?



Há muitas respostas para a questão da omissão das potências no caso de Ruanda(veja abaixo a cronologia dos eventos em Ruanda e no mundo). De fato, houve pedidos posteriores de desculpa de governos, como o americano, que tentaram se redimir com uma boa ajuda para a reconstrução.

Segundo a historiadora Cíntia Ribeiro, que pesquisou o tema no mestrado, Ruanda não despertava o mesmo interesse nas grandes potências que a Bósnia, em guerra na época. "A Bósnia, por se tratar de uma região que é importante para a Europa, teve muito mais preocupação das grandes potências do que Ruanda, um país pequeno no centro da África, que não tem nenhum recurso mineral, nenhum interesse econômico, não é nem zona de influência."

Outro fator, segundo ela, foi o fracasso de uma intervenção militar americana pouco tempo antes na Somália. "Eles tentaram uma intervenção [na Somália], mas entram no país sem um conhecimento profundo do que acontece, muito por conta de uma certa arrogância militar. [...] Eles tinham a ideia de que aquilo ia durar três meses, iam sair de lá com uma vitória completa. Um filme que retrata bem isso é 'Falcão negro em perigo'. Eles foram fazer uma operação no centro da capital e um dos helicópteros caiu. O episódio foi televisionado e a comunidade americana ficou chocada. Tudo caiu em cima do [ex-presidente Bill] Clinton. Logo depois disso ficou decidido que eles só interviriam se houvesse extremo interesse, porque ficar fazendo missão de paz só pela questão de direitos humanos não interessava, porque a vida de um soldado americano é muito mais importante. Então quando eles entram no Oriente Médio, por exemplo, é porque existe um interesse efetivo lá, é legitimada a morte de um soldado, ainda que cause grande problemática", disse a historiadora cuja dissertação “O genocídio de Ruanda e a dinâmica da omissão estadunidense” analisa a resposta americana no país africano.

Nigel Eltringham, professor de antropologia da Universidade de Sussex, no Reino Unido, também cita o fracasso da investida americana na Somália no ano anterior como um dos fatores. "Os americanos ficaram chocados com o que aconteceu em Mogadishu e o governo achou que não havia apoio da opinião pública para uma intervenção, então não apoiou o chamado de outras nações para intervir."

Segundo Eltringham, outro fator foi "uma completa falta de entendimento de que o genocídio era um ataque planejado aos tutsis (e hutus moderados) com um objetivo político claro (a manutenção do poder). Em vez de mostrar essa realidade, a imprensa reportou que o conflito era 'tribal' com 'raízes de ódio'. Ao despolitizar o conflito, a mídia deu a impressão de que era um confronto que não poderia ser resolvido, o que era incorreto."

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Deus (deus?) de Einstein

Einstein na fase gatinho, só pra variar um pouco. 
(Crédito: Reprodução)

Reinaldo José Lopes, no blog Darwin e Deus

“Sem religião, a ciência é manca; sem ciência, a religião é cega.” A frase, caso você não saiba, é de autoria do físico alemão Albert Einstein(1879-1955), e as pessoas adoram usá-la para 1) mostrar como o pai da teoria da relatividade defendia a conciliação e o meio-termo entre visões científicas e religiosas do mundo e 2) usar a suposta crença de Einstein em Deus como a arma definitiva contra cientistas ateus radicais. A verdadeira visão do mais famoso gênio do século 20 sobre o tema, porém, é bem mais complicada.

De origem judaica, Einstein nem chegou a fazer o bar-mitzvah, a iniciação social e religiosa pela qual todo adolescente judeu deveria passar, lendo trechos das Escrituras na sinagoga ao completar 13 anos. Mais ou menos nessa idade, vivenciou uma breve fase de fervor religioso, estudando hebraico bíblico e tudo o mais. Mas passou rapidinho, e ele passou o resto da vida sem praticar os rituais do judaísmo.

Deixemos que o próprio Einstein explique, afinal de contas, qual sua visão sobre aexistência/inexistência de Deus:

“Não posso provar para você que não existe um Deus pessoal, mas, se eu fosse falar dele, seria um mentiroso. Não acredito no Deus da teologia, que recompensa o bem e pune o mal. Meu Deus criou as leis que resolvem esse problema. O Universo dele não é regido por nossos pensamentos e desejos, mas por leis imutáveis.”

Ao mesmo tempo, Einstein se dizia um sujeito extremamente religioso — mas no sentido de que era tomado por um “sentimento religioso cósmico”, que ele comparava ao pensamento de São Francisco de Assis (erradamente, desconfio) e do filósofo judeu holandês Baruch Spinoza (1632-1677). O indivíduo que adota essa perspectiva, diz Einstein, “sente a futilidade dos desejos e objetivos humanos e a sublimidade e maravilhosa ordem que se revelam tanto na natureza quanto no mundo do pensamento”, chegando ao desejo de “experimentar o Universo como um todo único e significativo”. Esse estado de espírito seria a “evolução” máxima das religiões primitivas, desde que se permitisse que a ciência “purificasse o impulso religioso do peso de seu antropomorfismo”, ou seja, da tentação de enxergar o divino com características humanas.

Com base nessa visão, Einstein chegou até a afirmar, de modo aparentemente paradoxal: “Se você reza e pede benefícios a Deus, não é um homem religioso”.

E AQUELE PAPO DOS DADOS?
É verdade que, muitas vezes, o físico curtia fazer referências misteriosas e com ar profético a Deus que podiam ser mal interpretadas. O que será que ele queria dizer com frases como “Deus não joga dados”, “Sutil é o Senhor, mas malicioso ele não é” ou, pior ainda, “Quero saber como Deus criou este mundo. Não estou interessado neste ou naquele fenômeno, no espectro deste ou daquele momento. Quero conhecer os pensamentos divinos, o resto é detalhe”?

sexta-feira, 7 de março de 2014

Dispositivo inusitado promete transformar água em vinho com ajuda de app


por Maven Costa, no TechTudo

Um curioso gadget promete trazer uma revolução para os amantes de vinho. Chamada de The Miracle Machine, a "máquina de milagre" trabalha em conjunto com um aplicativo para dispositivos móveis que sugere os ingredientes necessários para fabricação de diversos tipos da bebida.

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The Miracle Machine: um dispositivo inusitado que promete transformar água em vinho
(Foto: Divulgação/The Miracle Machine)

Criada pelos inventores Kevin Boyer e Philip James, a The Miracle Machine é uma câmara termoplástica de fermentação que contém um aquecedor termoelétrico, um monitor de temperatura, um motor para mistura dos ingredientes, um microprocessador e uma antena Bluetooth utilizada para ser conectar com smartphones.


Após receber informações sobre todos os ingredientes necessários e acrescentá-los a receita, o aplicativo passa a monitorar o andamento do preparo do vinho assim que ele amadurece. A bebida fica pronta entre três ou mais dias de acordo com o tipo escolhido.


Com funcionamento simples, o dispositivo precisa ser sincronizado via Bluetooth com seu aplicativo para smartphones onde o usuário escolherá o tipo de vinho que deseja fabricar.

Site do The Miracle Machine mostra como o protótipo funciona (Foto: Reprodução/The Miracle Machine)
Site do The Miracle Machine mostra como o protótipo funciona
(Foto: Reprodução/The Miracle Machine)

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O que acontece quando morremos?

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 Publicado no Hype Science
Há apenas um grupo de pessoas que realmente sabe o que acontece quando você morre: os mortos. E uma vez que os mortos não irão revelar os seus segredos tão cedo, cabe aos cientistas tentar explicar o que acontece quando uma pessoa morre.
A morte, como a vida, é um processo, dizem os pesquisadores. A primeira etapa deste processo é conhecida como morte clínica. Ela dura de quatro a seis minutos, começando quando uma pessoa para de respirar e o coração deixa de bombear sangue. Durante esse tempo, pode haver oxigênio suficiente no cérebro para que não ocorra alguma lesão cerebral permanente. Outros órgãos, como os rins e os olhos, também permanecem vivos ao longo da morte clínica.
Na segunda etapa da morte, conhecida como morte biológica, as células do corpo começam a se degenerar e os órgãos do corpo – incluindo o cérebro – se desligam. Os médicos às vezes são capazes de parar a morte biológica através da indução de hipotermia – resfriamento do corpo abaixo de sua temperatura normal. Este método pode parar a degeneração das células e tem sido usado para reanimar pacientes com parada cardiorrespiratória.
Esses estágios da morte são bem compreendidos, porém o que permanece indefinido é o que acontece a uma pessoa uma vez que ele ou ela está clínica e biologicamente morta. Para obter algumas dicas sobre este mistério, os pesquisadores se voltam para o estudo das experiências de quase-morte (EQMs).

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Cientista descobre que o amor o impediu de ser um psicopata

James Fallon (foto: Daniel Anderson)

Título original: Pesquisador se descobre psicopata ao analisar o próprio cérebro

Mônica Vasconcelos, BBC Brasil [via Cristianismo subversivo]

Neurocientista americano descobriu que tinha "cérebro de psicopata" ao estudar criminosos

Um neurocientista americano que fazia estudos com criminosos violentos descobriu, por acaso, que ele próprio tinha "cérebro de psicopata".

Casado e pai de três filhos, James Fallon, professor de psiquiatria e comportamento humano da University of California, Irvine (UCI), disse à BBC Brasil que a descoberta fez com que ele reavaliasse seus conceitos a respeito de quem era. E transformou suas convicções enquanto cientista.

A experiência de Fallon, descrita no livro The Psychopath Inside, teve grande repercussão na internet.

Comentando o caso, um neurologista ouvido pela BBC disse que estamos interpretando os conhecimentos gerados pela genética de maneira "perigosa".

"Os profissionais estão atribuindo importância excessiva para a carga genética de uma pessoa, como se isso, por si só, fosse capaz de determinar o futuro de um ser humano", disse Eduardo Mutarelli, professor do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

Para ele, a experiência de Fallon ajuda a reequilibrar o debate que contrapõe a influência da herança genética à do meio (nesse caso em particular, a influência civilizadora da família e da sociedade sobre o indivíduo).

Revelação Perturbadora


A descoberta de Fallon aconteceu em 2005, quando ele analisava tomografias de cérebros de assassinos em série na universidade. Ele queria ver se encontrava alguma relação entre os padrões anatômicos dos cérebros desses pacientes e seu comportamento.

Fallon explicou que, para ter uma base de comparação, tinha colocado na pilha tomografias de membros de sua própria família – a ideia era usá-los como modelos de cérebros "normais".

Ao chegar ao fim da pilha, onde estavam os exames de sua família, o cientista viu uma tomografia que mostrava um padrão claro de patologia. "O exame mostrava baixa atividade em certas áreas dos lobos frontal e temporal que estão associadas à empatia, moralidade e ao auto-controle".

Fallon contou que, no começo, pensou que fosse um engano. Mas feitas as checagens, o neurocientista, que estudava psicopatas há mais de duas décadas, viu-se às voltas com uma realidade um tanto quanto incômoda: o cérebro representado naquele exame era seu.

"As mesmas áreas do cérebro estavam completamente apagadas, como nos piores casos que eu tinha visto", disse Fallon.

Para se certificar, Fallon fez mais algunas investigações.

Exames do seu DNA confirmaram que ele tinha genes alelos associados à ausência de empatia e comportamento agressivo e violento.

Fallon também se submeteu a um teste usado por muitos pesquisadores e psicólogos para avaliar tendências antisociais e psicopáticas, a Robert Hare Checklist.

"Psicopatas alcançam acima de 30 pontos no teste de Robert Hare", disse Fallon. "A pontuação máxima é 40. Eu alcanço 18, 20 ou 22. Tenho vários traços em comum com psicopatas, só não sou criminoso. Nunca matei nem estuprei ninguém e prefiro vencer uma discussão com argumentos do que com força física", diz.

Charme Perigoso
Imagem de exame do cérebro de Fallon em comparação a um exame de controle

Análise mostrou que cérebro de Fallon tinha traços em comum com psicopatas

Fallon contou que quando compartilhou suas descobertas com a família e com amigos, eles não se surpreenderam. Gradualmente, o neurologista começou a se ver do ponto de vista das pessoas que o conheciam bem.

"Tive várias conversas reveladoras com minha mãe. Ela me disse que sempre percebeu um lado sombrio em mim e tomava cuidado especial para neutralizar essas tendências e incentivar outras, mais positivas", conta.

Nessas conversas, a mãe também contou ao filho que vários antepassados dele pelo lado paterno tinham sido criminosos temidos. Entre eles, Lizzie Borden, acusada de matar o pai e a madrasta em 1892.

Para a esposa, era como se existissem dois James Fallon convivendo num único homem.

"Sou casada com duas pessoas, uma é inteligente, engraçada e afetuosa. A outra é um sujeito perverso, de quem eu não gosto", disse a mulher do neurologista em uma entrevista para a TV.

"Tenho muito jeito para lidar com estranhos, faço muita caridade. Mas sou uma decepção como marido. Posso ver um bebê que não conheço e ficar com os olhos cheios de lágrimas, mas não sinto uma conexão emocional profunda com minha própria família", diz.

Fallon descreveu alguns dos traços típicos de um psicopata: "Psicopatas possuem um narcisismo agressivo, charme, desenvoltura aliada a superficialidade, senso de superioridade, tendência a manipular, são emocionalmente rasos, não sentem culpa, remorso ou vergonha".

"Podem ser magnânimos e generosos, mas são emocionalmente frios", afirma.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Um professor de física querendo provas da existência de Deus

imagem: Internet

Willian Douglas, no seu blog

Um amigo meu, professor de física a quem admiro muito, era cético em relação a Deus. Ele conta:
"Não havia nada nem ninguém, naquela época, que me fizesse crer nas ações de Deus em nossas vidas. Acreditava que avançávamos às cegas e por meio de tentativa e erro. Deus estava muito ocupado com seus projetos pessoais e jamais um ser insignificante como eu de mente inquieta, alma precária, e atrelado ao reino patético da futilidade, teria privilégios em formar laços de afeto com o nosso Pai Celestial. Entre servo e Senhor não há diálogo, pensava. Com uma pontinha de arrogância imaginava-me semelhante a Fernando Pessoa: 'Se Deus quer mesmo me conhecer que se me apresente'. E de mais a mais, eu estava muito ocupado com os negócios e com a vida, só mesmo um milagre para provocar uma mudança de ideia e de comportamento."
A história de meu amigo é longa, não vou contá-la toda, contarei só um pedacinho. Achei o máximo, pois a história é contada por um professor de Física, homem de ciência. Certa feita ele, católico só por tradição, foi à igreja durante um louvor na Festa da Misericórdia, em uma tarde de domingo.  Vejam o que ele conta:
“O início da cerimônia se deu em torno das 15 horas e o término estava previsto para as 19 horas. Em torno das 15h30min, o padre da minha paróquia desceu do altar, com o ostensório envolvido em sua batina, dizendo que Jesus estava ali. Olhei para a cena e disse: Jesus, se o senhor estiver aqui mesmo me dê um sinal! Em seguida, coloquei a mão no ostensório justamente sobre o vidro que cobre a hóstia. Imediatamente veio um calor do metal para a minha mão, semelhante à imersão do braço em um balde com água morna, algo em torno de 80° C. O calor fluiu lentamente pela mão, subiu pelo braço e foi parar no peito. Fiquei terrivelmente incomodado com aquela sensação. Ele sapecava. Não sabia o que estava acontecendo. Comecei a chorar de forma descontrolada e compulsiva até o final da celebração. Por fim, subi no altar e falei sobre o acontecido. As pessoas ficaram boquiabertas. Não poderia deixar de compartilhar aquele momento de graça com o restante da assembleia.
O fato de o calor fluir espontaneamente do ostensório (um corpo em torno de 25°C) para o meu braço (aproximadamente 36°C) é fisicamente impossível, pois de acordo com as leis da termodinâmica, o calor flui espontaneamente do corpo quente para o corpo frio; e não de um corpo frio para um corpo quente. Isso pode acontecer se o ostensório estivesse ligado numa fonte externa de energia. É o que acontece nos refrigeradores das nossas casas. Diante desse enigma, só existem duas atitudes: uma nos conduz ao absurdo, a outra, ao mistério. Como nada estava ligado a nada e o fluxo de calor aconteceu, é porque a fonte externa de energia era ELE. Enfim, tive a prova definitiva e científica de Sua presença. E minha forma de ver e de viver a vida alterou radicalmente.
Havia distorções graves entre as minhas crenças e a ciência. O milagre força os limites de nossa credulidade. A fé em Deus exige a morte da teimosia. Acreditar em Deus, para mim, acenou uma perspectiva satisfatória, consistente e enriquecedora. Seria a coisa mais patética se eu me comportasse diferente, pois é inconcebível a um homem depois de ter recebido essa graça e essa misericórdia, não agir de acordo.
Quando revelei tudo isso ao padre, ele disse:
"Meu filho, você está tão perto de Deus quanto escolhe estar.”

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Os ideais revolucionários de Jesus

RESUMO Livro de autor norte-americano de origem iraniana defende que as pregações de Jesus convocando o "Reino de Deus" sejam lidas de forma mais literal e revolucionária que espiritual. Embora a tese não seja totalmente inovadora,"Zelota" popularizou-se após seu autor, muçulmano, ser atacado em entrevista à TV nos EUA.

*
Reinaldo José Lopes, na Folha de S.Paulo

"Não penseis que vim trazer paz à Terra; não vim trazer paz, mas espada. Vim trazer divisão entre o homem e seu pai, entre a filha e sua mãe", declara Jesus no capítulo dez do Evangelho de Mateus.

Durante séculos, a maioria dos cristãos interpretou a frase belicosa do Nazareno de modo espiritual. Afinal, se levadas ao pé da letra, as exigências de Cristo para abandonar riquezas, casa, pais e filhos para segui-lo não estão entre os assuntos mais agradáveis para um almoço familiar de domingo.

Para o escritor norte-americano de origem iraniana Reza Aslan, no entanto, está na hora de voltar a ler os versículos em seu contexto original -no qual a ideia era desembainhar uma espada literal, e não metafórica.

Eis, em essência, a premissa de "Zelota: a Vida e a Época de Jesus de Nazaré" [trad. Marlene Suano, Zahar, R$ 36,90, 308 págs.], novo livro de Aslan, 41, que acaba de ser lançado no Brasil: Jesus não era um mestre pacifista, que só pensava em exaltar as virtudes dos lírios do campo e oferecer a outra face.

O principal objetivo do profeta de Nazaré, fomentar a vinda do "Reino de Deus", equivalia a um programa político (e revolucionário), que envolvia a expulsão dos romanos da Palestina e a recriação da antiga e gloriosa monarquia israelita, com o próprio Jesus no trono, sob as bênçãos de Deus.

Daí o nome do livro: zelota (do grego "zelotes") é como os autores bíblicos denominavam os judeus especialmente zelosos das prerrogativas religiosas do Deus de Israel -uma divindade que, ao menos no Antigo Testamento, era capaz de uma aterrorizante fúria militar contra os inimigos dos israelitas. Mais tarde, o termo seria usado para designar uma seita revolucionária judaica.

"Vamos colocar a coisa da seguinte forma: há aqueles que acham que Jesus era total e absolutamente único, diferente de todos os judeus do seu tempo. E há os que acham que, embora ele fosse extraordinário e inovador, ainda assim seu pensamento tinha muito em comum com o de outros judeus. Eu faço parte desse segundo grupo", explicou Aslan, à Folha, em entrevista por telefone.

"Os demais judeus do século 1º d.C. acreditavam que o Messias era um descendente do rei Davi cujo trabalho seria derrotar os inimigos de Israel e implantar o Reino de Deus na Terra. Acredito que essa era a visão que Jesus tinha sobre si mesmo."

Aslan é um acadêmico, com mestrado em teologia na Universidade Harvard e doutorado em história das religiões na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara, mas seu livro conquistou o grande público. Razões alheias ao seu conteúdo contribuíram para que a obra tivesse virado best-seller nos nos EUA.

No dia 26 de julho, dez dias após o lançamento norte-americano do livro, Aslan foi hostilizado por uma entrevistadora do canal conservador Fox News, que exigiu que ele explicasse por que um muçulmano iria querer escrever um livro sobre Jesus. "Ser atacado de falta de 'jesusidade' por uma âncora da Fox Nex é aparentemente um bom caminho para conduzir seu livro ao número 1 das listas", comentou Adam Gopnik, na revista "New Yorker".

O que a âncora de TV provavelmente não sabia era que o histórico religioso de Aslan é mais complexo do que ela deu a entender. Nascido numa família iraniana secular, ele tornou-se evangélico na adolescência e, mais tarde, retornou à fé de seus ancestrais.

O escritor Reza Aslan 
(Larry D. Moore/Wikimedia Commons )


"O ponto mais importante, que muito gente não conseguiu entender, é que o livro não é sobre o cristianismo -Jesus, afinal, não era cristão, mas judeu. Meu tema é o judaísmo de veia revolucionária que existia no século 1º d.C., do qual Jesus era um representante", sustenta Aslan, que hoje é professor da Universidade da Califórnia em Riverside.

O BÁSICO

A abordagem do escritor é, em grande medida, uma espécie de "retorno ao básico" na pesquisa histórica sobre a figura de Jesus Cristo.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Pesquisador: história de Jesus é farsa criada por romanos

Historiador americano afirma que a figura de Jesus foi usada como propaganda pelos romanos para acalmar os povos sob seu domínio
JoeAtwill
Publicado no Terra
O pesquisador americano Joseph Atwill, que afirma que a figura de Jesus Cristo foi fabricada pela aristocracia romana, diz ter encontrado novos dados que confirmam sua teoria. O historiador diz que um relato da Judeia do século I contém diversos paralelos entre Jesus e o imperador romano Tito Flávio. As informações são do site do jornal britânico Daily Mail.
Atwill afirma que essas “confissões” são “clara evidência” de que a história de Jesus é “na verdade construída, ponta à ponta, baseada em histórias anteriores, mas especialmente na biografia de um César romano”.​
James Crossley, da Universidade de Sheffield, diz ao jornal que a teoria de Atwill é como os livros de Dan Brown. “Esse tipo de teoria é muito comum fora do mundo acadêmico e são normalmente reservadas à literatura sensacionalista.”
“Cidadãos alertas precisam saber a verdade sobre nosso passado para podermos entender como e por que governos criam falsas histórias e falsos deuses”, diz Atwill. O americano irá apresentar seus dados em uma palestra em Londres. A entrada custa 25 libras (cerca de R$ 87).
Segundo o pesquisador, a criação de uma figura foi usada como propaganda pelos romanos para acalmar os povos sob seu domínio. “As facções de judeus na Palestina da época, que aguardavam por um messias guerreiro profetizado, eram uma constante fonte de insurreição violenta durante o primeiro século”, diz o historiador.
“Quando os romanos exauriram os meios convencionais de anular rebeliões, eles mudaram para a guerra psicológica. Eles pensaram que o meio de parar a atividade missionária fervorosa era de criar um sistema de crença adversário. Foi quando a história do messias ‘pacífico’ foi inventada”, diz Atwill.
O pesquisador diz que, ao invés de encorajar a guerra, o messias inspirava a paz e ainda dizia aos judeus darem a “César o que é de César” e, assim, pagar suas taxas para Roma.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Pessoas mudam?

imagem: Internet

A religião não nos cura de fato. Nós nos curamos, também pela religião, se for o caso, se quisermos nos curar, se realmente nos entendemos como doentes.

A ciência (em suas múltiplas expressões) não nos cura de fato. Nós nos curamos, também pela ciência, se for o caso, se quisermos nos curar, se realmente nos entendemos como doentes.

Mas podemos permanecer quem de fato somos, sem qualquer transformação, por toda a vida - não importa em que ambiente nos encontremos: trocamos a roupa, mas não a alma...

Pessoas mudam? Raramente. Não diria não, não mudam - ainda que por uma questão utópica. Direi raramente, para reservar a mim mesmo a possibilidade de mudar, de curar-me, de tornar-me alguém melhor...

Osvaldo Luiz Ribeiro, no Peroratio

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Seis maneiras cientificamente comprovadas de ser mais feliz

Você sabe o que diz a sabedoria popular: não existe uma fórmula para a felicidade. E a sabedoria popular tem razão - de fato, não existe uma fórmula, mas várias

por Ana Freitas, na Revista Galileu
Editora Globo
Crédito: Shutterstock

Nos últimos anos, cientistas sociais têm chegado a várias conclusões sobre a felicidade. Eles identificam comportamentos, hábitos e maneiras de enxergar o mundo que são mais observados em gente que se declara mais feliz e que desencadeiam sentimentos relacionados à felicidade. Baseando-se nesses estudos, redigimos uma lista de seis atitudes que devem te deixar mais satisfeito consigo mesmo, mais calmo, mais concentrado e, no fim do dia, mais feliz:
6. Levante do sofá e mexa-se...
Muitos estudos mostram que quem pratica exercícios físicos é mais feliz - trata-se, inclusive, de uma estratégia comprovada para superar a depressão. No livro The Happiness Advantage, o autor Shawn Achor menciona um estudo feito com pacientes que trataram depressão e o grupo que associou medicação com exercícios físicos teve apenas 9% de recaída, contra 38% dos que só tomaram remédio e não se mexeram.
Além disso, um estudo de 2012 do Journal of Health Psychology confirmou que gente que se exercita se sente muito mais satisfeita com o corpo, mesmo quando não há mudanças físicas aparentes. Sem contar a parte que você já conhece: exercício físico desencadeia no cérebro a liberação da endorfina, que alivia a sensação de dor muscular e cujo nome vem de endo + morfina. É conhecido, não à toa, como hormônio do prazer: uma droga natural.
5. ...mas também descanse um pouco
A maioria de nós trabalha demais, passa o resto do tempo livre vendo TV e usando o Facebook e dorme menos do que deveria. Esse hábito não só influencia negativamente sua saúde, mas também impacta na sua felicidade. É que quem dorme mais é mais positivo e encara emoções negativas com menos sensibilidade. Um estudo publicadonesse livro observou que quem dorme pouco tem mais facilidade em acessar memórias felizes, mas não tem problema nenhum em se lembrar das ideias e memórias com conotação negativa. Desnecessário dizer que a quantidade e a qualidade do seu sono à noite afetam seu humor e produtividade pelo dia todo, né?
4. Medite
Meditar não apenas te deixa mais focado, calmo e produtivo. Parar alguns minutos por dia para esvaziar o cérebro, comprovadamente, pode te fazer mais feliz, imediatamente e a longo prazo. Estudos mostram que, minutos depois de meditar, há um aumento nas sensações de calma, contentamento, na percepção e na empatia. E uma pesquisa do Hospital Geral de Massachusetts, publicada na revista Psychiatric Research: Neuroimaging, concluiu que depois de participar de um curso de meditação, os cérebros dos voluntários do estudo pareceram reprogramados para a felicidade: aumentaram as atividades nas áreas associadas com compaixão e diminuíram nas áreas relacionadas ao stress.
Essa matéria da Psychology Today reúne diversos estudos parecidos, e o que todos eles parecem concluir é que meditar vai te deixar mais gentil, mais calmo e mais satisfeito consigo mesmo. Ou seja: mais feliz.
3. Seja grato
Apenas o sentimento de gratidão é capaz de aumentar sua satisfação geral com a própria vida. Um dos exercícios mais recomendados é anotar, diariamente, três coisas pelas quais você ficou grato naquele dia. Nesse estudo, o humor e o bem-estar geral dos sujeitos pesquisados melhorou só com esse hábito diário. Gratidão te ajuda a lembrar dos aspectos positivos da sua vida, além de contribuir para te deixar mais otimista por transformar coisas ruins em boas e te lembra do que realmente importa.
2. Seja solidário
Fazer os outros felizes é fórmula garantida para aumentar seus níveis de satisfação e felicidade. Em vários estudos, conduzidos em épocas e por pesquisadores diferentes (como esse, por exemplo) cientistas observaram que participantes eram mais felizes depois de comprar algo para outra pessoa do que para si mesmo. Outra passagem do livro The Happiness Advantage menciona que gastar dinheiro com outras pessoas aumenta a felicidade. Mas isso, obviamente, não significa que você não pode ser mais feliz se a grana estiver curta e você não puder pagar coisas para os outros. Ajudar os outros de qualquer maneira é um método comprovado de trazer satisfação pessoal e felicidade.
No livro Flourish: A Visionary New Understanding of Happiness and Well-being, o autor Martin Seligman, que é professor da Universidade da Pensilvânia, diz ter concluído que ser gentil e solidário é o ato mais provável de produzir um aumento na sensação de bem estar, de todos os exercícios testados durante estudos conduzidos por ele. Outro estudo observou dois grupos de pessoas: as que faziam trabalham voluntário e foram obrigados a parar e outras que continuavam com a atividade voluntária. Os resultados mostraram que aqueles que continuavam voluntários mostravam um nível maior de satisfação com a vida.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Escola proíbe mãe de alunos de orar contra a violência na instituição porque suas orações não eram “inclusivas”


Por Dan Martins, no Gospel+

Escola proíbe mãe de alunos de orar contra a violência na instituição porque suas orações não eram “inclusivas”
Recentemente uma escola publica de New Hampshire, nos Estados Unidos, proibiu uma mãe de alunos de realizar orações públicas contra a violência na escola. As orações, que eram proferidas nas escadarias da instituição de ensino, foram proibidas sob alegação de que a temática cristã das preces não incluía todos os alunos.
Depois de uma reclamação enviada pela organização ‘Freedom From Religion Foundation’ [FFRF], a Concord High School, escola secundária localizada na capital de New Hampshire, decidiu pedir que Lizarda Urena, mãe de dois alunos da escola, parasse de orar pela paz em frente à escola, o que ela fazia todas as manhãs.
De acordo com o The Christian Post, Urena começou a orar na escadaria da escola em fevereiro, após dois projéteis de armas de fogo terem sido encontrados nos banheiros da instituição. Ela ficava nos degraus em frente à entrada da escola todas as manhãs por cerca de 15 minutos onde, vestida de branco e usando um crucifixo pendurado no pescoço, ela citava versículos da Bíblia e orava pela segurança das crianças.
Após a proibição, Urena disse ao site de notícias norte-americano Concord Monitor que suas orações diárias não eram uma tentativa de doutrinar religiosamente os alunos, mas sim uma forma de levar a eles uma sensação de paz e amor.
- O que eu estou fazendo aqui é pela paz e por amor, porque a Bíblia diz ‘ame a seu próximo como a si mesmo’, e estar aqui simboliza paz e amor e carinho – explicou.
O distrito escolar recebeu uma carta da Freedom From Religion Foundation no início de julho, depois que um dos pais de aluno se queixou na organização, afirmando que Urena estava orando em voz alta e estendendo suas mãos em direção os alunos quando eles entravam no prédio. A carta argumenta que ela estava interrompendo o processo de aprendizagem dos estudantes.
Na carta, a FFRF exortou a escola a fazer com que a mãe interrompesse suas orações matinais, argumentando que “tal ambiente não é propício para educar jovens mentes, e pode até ser hostil para aqueles que discordam com a mensagem emitida por terceiros”.
- Ao permitir que a Sra. Urena ore em voz alta diariamente na entrada da escola, o Distrito Escolar de Concord coloca um “selo de aprovação” na mensagem religiosa contida em suas orações – acrescentou a carta.
O advogado Matthew Sharp, da Alliance Defending Freedom, um grupo legal que protege a expressão religiosa, afirma que a proibição das orações feitas pela escola se enquadra como discriminação.

Australiana ressuscita depois de passar 42 minutos clinicamente morta



publicado no UOL Saúde

Uma australiana retornou à vida depois de passar 42 minutos clinicamente morta, informaram os médicos que trabalharam no caso.

Vanessa Tanasio, 41 anos, que tem dois filhos, foi levada para o Centro Médico Monash de Melbourne na semana passada, depois de sofrer um ataque cardíaco e com uma das artérias completamente bloqueadas.

Tanasio sofreu uma parada cardíaca e foi declarada clinicamente morta pouco depois.

A expressão clinicamente morto é um termo médico que se aplica a uma pessoa que deixou de respirar e na qual o sangue parou de circular.

Mas os médicos não desistiram e usaram um dispositivo de compressão chamado Lucas 2, o único deste tipo que existe na Austrália, para manter o fluxo de sangue até o cérebro, enquanto o cardiologista Wally Ahmar abriu a artéria para desbloqueá-la.

Uma vez desbloqueada, o coração de Tanasio voltou a bater em ritmo normal.

"Utilizei múltiplas descargas, muitos medicamentos para ressuscitá-la", disse Ahmar.

"Certamente isto é um milagre. Não esperava que ela estivesse tão bem".

Tanasio afirmou que não tinha antecedentes de doenças cardíacas e declarou estar muito agradecida.

"Recordo de estar no meu sofá, depois no chão, depois chegando ao hospital e depois dois dias desapareceram", contou Vanessa Tanasio.

"Estive morta por quase uma hora e apenas uma semana depois me sinto bem. É surreal", completa.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Estudo aponta cinco características dos bons alunos

Eles driblam a bagunça dos colegas e ‘aprendem a aprender’, mostra levantamento de pesquisador da Laspau, organização afiliada à Universidade Harvard


Lecticia Maggi, na Veja  - Via Livros e Pessoas

Por que alunos que frequentam a mesma escola e têm aulas com os mesmos professores obtêm desempenho escolar diferente? Para tentar esclarecer essa questão, o antropólogo James Ito-Adler, presidente do Instituto Cambridge para Estudos Brasileiros e pesquisador da Laspau, organização afiliada à Universidade Harvard, nos Estados Unidos, entrevistou 24 estudantes do 9º ano do ensino fundamental em três estados brasileiros.
Embora não tenha valor estatístico, a pesquisa, realizada entre março e junho deste ano, foi a fundo na conversa com os estudantes, em entrevistas que duraram horas. O produto do levantamento ajuda a compreender a diferença de performance. Por exemplo: estudantes que possuem boas notas, em geral, sabem lidar melhor com a bagunça dos colegas em sala de aula, “aprenderam a aprender”, dominam a internet, planejam o futuro e recebem motivação dos pais.
A pesquisa foi encomendada pelo Instituto Positivo, organização sem fins lucrativos voltada à promoção da educação, e teve caráter qualitativo. Isso significa que seu resultado não é válido para toda a população brasileira. Mas suas observações trazem insights que podem ajudar pais e educadores.
Para o estudo, os estudantes foram divididos em três grupos, conforme o desempenho obtido em avaliações: baixo, médio e alto. Confira a seguir diferenças apontadas entre alunos de alto e baixo desempenhos:
Cinco características dos bons alunos
1 – Driblam a bagunça na sala de aula
Todos os alunos ouvidos na pesquisa, sem exceção, apontaram a bagunça em sala de aula como um empecilho ao aprendizado. Se o problema atinge todos, por que alguns apresentam bom rendimento e outros não? A resposta, segundo James Ito-Adler, está na forma como os estudantes lidam com essa bagunça. Alguns criam estratégias para driblá-la: esses obtêm bom desempenho.
“As meninas, principalmente, disseram que trocam de lugar e sentam na frente quando o barulho do ‘fundão’ começa a incomodar. Outros alunos procuram o professor após a aula para tirar dúvidas ou complementar a explicação que foi prejudicada por conversas. Há ainda os que buscam auxílio dos colegas ou pesquisam por conta própria para entender o conteúdo da aula. Isso não se verifica entre os demais alunos. Ou eles se integram à bagunça ou ficam reféns dela, não entendem o conteúdo e vão mal nas avaliações.”
2 – Aprenderam a aprender
É evidente que, ao estudar, todos têm capacidade de aprender. Há um fator, no entanto, que é importantíssimo para o sucesso escolar: aprender a aprender. A maioria dos alunos com bom desempenho gosta de ler livros e publicações variadas, tem prazer em realizar pesquisas e procurar explicações para questões complexas.
Um aluno passa mais tempo fora da escola, em situações informais de aprendizagem, do que em situações formais — diante do professor ou consultando um livro. Por essa razão, os pesquisadores afirmam que é fundamental que os alunos desenvolvam consciência da necessidade de “aprender a aprender” — não apenas na escola, é claro, mas em qualquer situação.
“Não nascemos com a habilidade de aprender a aprender, mas podemos desenvolvê-la ao longo dos anos. Podemos verificar que os melhores alunos levam vantagem nesse item: eles estabelecem metas e criam estratégias para atingi-las. Ao mesmo tempo, sabem se autoavaliar e conhecem os métodos de estudo mais eficientes para eles próprios. Quem adquire essa habilidade tem vantagens enormes, tanto na vida acadêmica e profissional quanto na vida privada.”
3 – Dominam a internet
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O estudo indica que alunos com boas notas utilizam a internet para fazer pesquisas, tirar dúvidas com os colegas e também assistir a videoaulas. O mesmo não se pode dizer dos alunos com desempenho inferior à média. Não raro, para eles, a internet é vista como uma chance de escape do mundo real. A pesquisa cita a fala de uma aluna para exemplificar o bom uso da web: “Temos uma comunidade no Facebook: sempre que tem prova a gente compartilha informações por lá. A gente se ajuda neste grupo (sic).”
“Alguns dos estudantes com desempenho ruim são escravizados pela internet: chegam a ficar oito horas por dia em frente ao computador. Para os que têm rendimento melhor, a rede não deixa de ser instrumento de lazer, mas é também ferramenta eficiente de aprendizado.”
4 – Planejam o futuro
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Outra diferença entre os alunos está na relação que eles estabelecem com o futuro: os de melhor desempenho acadêmico mostram-se mais otimistas que os demais. Além disso, aceitam responsabilidades, acreditando que elas servirão para o seu próprio progresso e criam relações de apoio mútuo com colegas de classe e adultos para o planejamento e realização de seus sonhos.
“Eles planejam a vida, conversam sobre sonhos, viagens e cursos e vão em busca de ações para atingir aquilo que almejam.”

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