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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Justiça nega pedido para tirar do ar TV que só transmite religião


Rede 21 vende 22 horas por dia
para evangélicos

A Justiça Federal negou ao MPF (Ministério Público Federal) de São Paulo pedido urgente (liminar) para a retirada do ar da Rede 21, do Grupo Band, por transmitir 22 horas por dia de programa religioso, da Igreja Universal do Reino de Deus.

Pela regulamentação do setor de telecomunicação, rádio e TV podem vender no máximo 25% de sua programação.

Como a decisão é provisória, agora a Justiça vai examinar o mérito do pedido.

O MPF tomou iniciativa semelhante em relação à CNT. A Justiça ainda não se manifestou sobre essa segunda ação civil pública.

Para o MPF-SP, as emissoras que estão extrapolando “os limites da concessão do serviço de radiofusão” agem contra o “interesse nacional” porque deveriam dedicar sua programação à cultura e à educação.

Assim, segundo o órgão, essas emissoras incorrerem na prática de “enriquecimento sem causa”.

As emissoras alegam que não transgridem a lei porque os programas religiosos não são anúncios.

Trata-se de uma argumentação difícil de sustentar porque somente em 2014 as igrejas injetaram nas emissoras pelo menos R$ 1 bilhão, de acordo com estimativa do site “Notícias da TV”. Só a Globo e o SBT não fazem esse tipo de negócio.

A TV Band, a principal emissora do grupo da família Saad, fatura por mês R$ 8,5 milhões com a venda de uma hora na faixa nobre ao pastor R.R. Soares, chefe da Igreja Internacional da Graça de Deus.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Marina, teologia e política

Marina Silva no culto em que foi ordenada como Evangelista da Assembleia de Deus


Ricardo Gondim, no seu site.
A dias da eleição em primeiro turno fui convidado, por via indireta, para um encontro de líderes evangélicos com Marina. A reunião aconteceu em plena avenida Paulista. Sem saber quem também compareceria, achei que deveria ir.
Estranhei, de princípio, os que encontrei: pastores-presidentes de denominações e líderes neopentecostais, alguns auto-proclamados apóstolos e apóstolas e vários bispos e bispas. A faixa etária me chamou a atenção: a maioria era semi-idosa – iguais a mim. Faltavam jovens. Observei que uma gerontocracia sacerdotal continua a dar as cartas entre os crentes.
Depois, não podia deixar de notar a baixa frequência. Os organizadores não conseguiram lotar as cerca de 500 cadeiras dispostas no clube Homs. Murmurei para mim mesmo em tom crítico: dá para promover um evento gospel, mas é muito pouco para eleger um presidente – no caso, presidenta – do Brasil.
Antes mesmo de cantarmos o hino nacional, eu já conseguia suspeitar as percepções de mundo que inspiravam o encontro. Vi expoentes de uma onda que se popularizou no final da década de 1980 pelo Brasil conhecida como teologia da guerra espiritual – que procura combater demônios que se encastelam, desde os ares, em áreas geográficas definidas. Com textos bem alegorizados da Bíblia hebraica – Antigo Testamento – esse pessoal afirma que há príncipes diabólicos e potestadesinfernais designadas pelo próprio Satanás para reger, aprisionar e destruir bairros, cidades, estados e até o Brasil. A percepção fica entre o primitivo e o medieval: uma batalha entre forças espirituais antagônicas – anjos versus demônios – exige que os crentes se engajem através da oração. Sem a força das preces, os demônios vencem, mas, quando a igreja ora, os anjos triunfam. Identifiquei esses teólogos (grandes aspas aqui) nos corredores do encontro. Constatei, inclusive, que alguns se dirigiram para a coxia do salão e não voltaram mais. Minha intuição evangélica me avisa que foram interceder por Marina.
A candidata evangélica estaria vulnerável não ao constante bombardeio de marqueteiros de outros partidos, sequer desgastada pelo assédio e intimidação de certos televangelistas, mas por ataques satânicos. A vitória de Marina se daria, portanto, com jejum e oração; jamais por sua capacidade de transmitir boas propostas políticas ao povo brasileiro. Marina aconteceria no cenário político como encarnação de saias de Dom Sebastião, vinda dos joelhos dobrados em oração para a salvação do Brasil. Ela é guerreira do Senhor. Ela é ungida por Deus e capacitada pela intercessão dos crentes para conquistar, nas esferas espirituais, os territórios, as cidades e a própria nação do domínio que Satanás conseguiu exercer.
Marina entrou na reunião, cumprimentou a todos e se sentou. Um apóstolo fez a prece da abertura. Antes de orar, discursou por uns 10 minutos – que pareceram uma hora. Deixou claro: ele empenhava os votos de sua comunidade com dois milhões de membros – exagero que, sem juízo, pode ser creditado como mentira. Expressou outro ponto teológico que explicava o primeiro e, talvez, mais importante porquê de os evangélicos apoiarem Marina: uma reivindicação moralista.
Ficou nítida a força que animava aquele auditório: eles queriam que Marina combatesse o avanço nas conquistas civis dos homossexuais, impedisse o aborto e, num conceito mais difuso, protegesse a família. Com a bancada evangélica, notoriamente, manchada por enormes desvios éticos, o grupo sabe da conveniência de enxergar, nessas causas, a ruína do Brasil. Algumas grandes igrejas nacionais – seus líderes estavam no encontro – já foram investigadas até por assassinato. Se contar o número de processos contra políticos evangélicos no STF, fica ridículo os próprios evangélicos identificarem nos homossexuais, e na insistência da comunidade LGBT de ter seus direitos civis reconhecidos, a desgraça do país.
Convidaram um pastor para representar o presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (ausente da reunião e que apoiou Aécio Neves). Lembro quase ipsis litteris de suas palavras: - A candidatura de Marina Silva nasceu no coração de Deus. Deus tem tudo, rigorosamente, sob seu controle. E ele levará sua serva à vitória. O ambiente, que vinha morno, se acendeu. Aleluia, glória a Deus e amém se repetiram entre mãos levantadas e salva de palmas. Minha reação imediata: E se ela não for eleita?
Eu acabava de escutar a tolice mais repetida em púlpitos, debates e nas frases de efeito que se espalham pelas redes sociais. Ela soa interessante, mas não passa de um disparate. Se Deus tem mesmo tudo sob seu mais absoluto e rigoroso controle e Marina perde, já no primeiro turno, restam duas alternativas: o pastor falou asneira ou os dois adversários que a suplantaram em votos – Dilma e Aécio – burlaram o Todo-Poderoso; isto é, foram mais astutos. O pastor e aquele auditório, com raríssimas exceções, não pensam nos desdobramentos de suas afirmações. A frase não se sustenta. E essa piedade mostra o quanto o movimento evangélico nacional prescinde de bom senso.
Além do mais, se Deus tem tudo sob seu mais absoluto e rigoroso controle e a candidatura de Marina nasceu no seu coração, aquela reunião devia ser uma celebração antecipada da posse. E todo o esforço do comitê de campanha, todo o dinheiro gasto e toda rouquidão da candidata não passavam de teatro, com o fim do espetáculo anteriormente definido.
Depois, o telão exibiu um pequeno vídeo com Marina em comícios, com um trecho de seu testemunho de menina pobre, sem comida em casa. A música da peça publicitária era, obviamente, gospel no melhor estilo triunfalista. Não lembro a letra toda, mas o refrão repetia sem parar a palavra vitória. Marina havia descido do palco para assistir ao vídeo de frente. Uma das protagonistas do movimento “O Brasil é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso” se pôs em pé, acenou com as mãos, pedindo palmas efusivas.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Mãe evangélica reescreve Harry Potter, com medo de seus filhos virarem bruxos


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Duda Delmas Campos, no Literatortura (via Livros e Pessoas)
No presente momento de frenesi eleitoral e acirradas discussões políticas, muito se diz a respeito do conservadorismo religioso, que não só no Brasil, mas mundo afora, afeta as vidas de muitas pessoas, assim como se debate acerca da validade do fundamentalismo. E é nesse contexto que surge Grace-Ann, nos EUA. A texana, amedrontada ante a possibilidade de seus filhos tornarem-se bruxos ao lerem Harry Potter, decidiu reescrever a saga, retirando-lhe as partes mágicas. Pois é.
A nota que precede essa releitura de Harry Potter, que você pode conferir aqui, lê: “Olá, amigos! Meu nome é Grace Ann. Sou nova nessa coisa de fanfic; mas, recentemente, encontrei um problema para o qual acredito que essa seja a solução. Meus pequenos têm pedido para ler os livros de Harry Potter, e é claro que fico feliz que estejam lendo, mas não quero que se transformem em bruxos! Então pensei… por que não fazer algumas pequenas mudanças para que esses livros sejam familiares? E depois pensei, por que não compartilhar isso com todas as outras mães que estão enfrentando o mesmo problema?”
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Segundo a autora, a história de Harry Potter tem muito potencial, já que trata de amizade e coragem, mas, pela existência de bruxaria, seus filhos não podem ler, de forma a ter sido necessário que ela a reescrevesse mantendo toda a aventura e a “boa moral”, mas eliminando todas as coisas ruins, ou seja, a magia. Você pode estar perguntando-se: e como ela simplesmente retira a magia de um livro que é fundamentalmente sobre isso? Bom, então vamos a uma breve sinopse desse novo mundo.
Basicamente, o bom e obediente órfão Harry Potter mora com seus tios, evolucionistas que negam a existência divina, até que um dia é visitado por Hagrid, um pregador cristão que bate na casa dos Dursley para perguntar se eles querem ser salvos. Harry, puro e pleno de “santa energia”, aceita e parte para a Escola de Orações e Milagres de Hogwarts, a fim de aprender a ser cristão. Lá é recebido pelo Reverendo Dumbledore e sua esposa, Minerva, pais de Hermione Granger. A menina lhe explica sobre Voldemort, um homem que deseja destruir tudo por que eles lutam, pressionando o Congresso a aprovar uma pauta que os impediria de expressar livremente sua religião.
Temos também Rony, um sonserino que deixa Harry bastante intrigado por estar rezando a uma estátua. O Rev. Dumbledore explica que, como tempos difíceis estão chegando, a escola é inclusiva em relação a todos aqueles que acreditam n’O Senhor, independentemente de como, de modo que as divisões do cristianismo funcionam como as Casas Grifinória, Sonserina, Lufa-Lufa e Corvinal. A esta última casa pertence Draco, que crê que mulheres são inferiores a homens, por isso não devem trabalhar, o que incomoda profundamente nosso herói Harry, para quem mulheres não devem ter uma carreira porque devem cuidar dos filhos. Já Luna pertence à Lufa-Lufa, pregando Mateus 7:1:“Não julgueis, para que não sejais julgados”.
Outra alteração é que Snape é o professor responsável pela Grifinória e defende que existem forças malignas que querem a derrocada dessa Casa, já que as outras ou estão conspirando com Voldemort, ainda que isso contrarie a 1ª Emenda Constitucional, ou simplesmente acreditam em tudo. E isso é o que temos até agora. Não há muita aventura ainda, contrariando o que a autora afirmou, mas quem sabe nos próximos capítulos? Talvez…?
Finda a nossa sinopse, é preciso constatar: claramente há alguns problemas aí. Pelo menos alguns. Dentre eles, os mais imediatos seriam: Dumbledore e McGonnagall, casados? E pais de Hermione? Rony, aluno da Sonserina? Pelas barbas de Merlin! Snape, professor da Grifinória??! Um pouquinho de verossimilhançacom o mundo fictício, por favor! Já em termos de qualidade literária, a “obra” peca pela monotonia das cenas, sempre marcadas por discussões religiosas e pensamentos castos, corretos e puritanos do herói, tornando-a uma leitura bastante chata, principalmente se considerarmos o público alvo.
No entanto, a fanfic evidencia outros problemas muito mais graves, obviamente. Evidencia o quanto as artes ainda são censuradas e revisadas com intuito doutrinário. Evidencia como o fundamentalismo religioso não é restrito apenas a jihadistas do Oriente Médio. Evidencia como a intolerância religiosa é perigosa para a sociedade. E ratifica uma visão errada sobre a religião, perpetuando o equivocado estereótipo de instituição arcaica e ignorantemente extremista.
Em primeiro lugar, é preciso deixar bem claro que Grace-Ann tem todo o direito de fazer isso. Ela não está falando em nome de um governo ou instituição laica, nem mesmo obrigando ninguém a ler. Mas isso não quer dizer que possamos tão somente ignorar iniciativas como as dela, pois, assim como cabe a apologia por ela feita, cabe também a crítica. Crítica porque ela se utiliza de um discurso falacioso segundo o qual religião e Teoria Evolutiva são excludentes; crítica porque ela confunde religião com misoginia e esvazia o papel da mulher na sociedade; crítica porque ela hierarquiza as religiões de acordo com a proximidade de Deus ao invés de colocá-las em patamar de igualdade; crítica porque ela crê que ficção e magia possam ser demoníacas e não sensibilizantes, libertadoras e enriquecedoras (imagine o que ela deve não fazer com contos de fada). Enfim, como todo projeto polêmico, a Escola de Orações e Milagres de Hogwarts invariavelmente atrai críticas. E tanto a desaprovação quanto a defesa, você deve expressar nos comentários – vamos aquecer a discussão!

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Em quem vou votar pra presidente?



Nunca na história desse país se viveu um momento tão crítico diante de uma nação dominada pelo engano de “um prato de comida na mesa”

Depois de tudo que assisti ontem (23.09.14) e da declaração da PresidentE Dilma Russef nas nações Unidas, ainda estou pasmo, acordei pasmo, vou passar o dia pasmo porque de alguma forma, o desabafo do israelita quanto ao nanismo diplomático do Brasil se mostra agora, um ato “profético” que se concretiza oficialmente nas palavras da PresidentE diante do plenário das Nações Unidas.
Aconselhar o diálogo com o grupo do “estado islâmico” é uma atitude tão esdrúxula e tão ignorante que não leva em consideração que de tudo já se foi tentado e que esse grupo não pretende dialogar com ninguém, que seu diálogo é degolar pessoas, crucificar cristãos em praças públicas, enterrar mulheres vivas ou faze-las de escravas sexuais para seus “soldados”. Que seu diálogo é um genocídio premeditado e que sua luta, não tem sequer uma fundamentação racional senão dominar o mundo com este tipo de desgoverno totalitário, teocrático e déspota.
    Com essa atitude, Dilma Russef entra definitivamente para o time de Hugo Chaves e de Mahmoud Ahamadinejad, desce a estatura da peronista Cristina Kirchner e envergonha a nação brasileira com sua atitude murista de ocasião. Ela destoou até do ditador Sírio Bashar al-Assad, que claro, com seus interesses apoiou as ações de combate, mas destoou também de Ban Ki-moon secretário geral da ONU, que apoiou a ação e apenas pediu que fossem minimizadas as baixas civis.
    Vergonha, Vergonha, Vergonha de minha representante, vou dizer a todos através de todos os meios, vou pedir desculpas e dizer aos cristãos de todo mundo que essa não é a posição do Brasil e que com muita esperança esse tipo de governo se encerrará no Brasil a partir de 5 de Outubro
Por isso venho a Público, depois dessa “gota d’água” dizer que...

1.     Lamento quem o Brasil tenha chegado a esta situação, em que muitos estão votando, pelo menos uma classe mais esclarecida, não necessariamente em um candidato, mas em tirar o PT do poder.
2.     A decepção das tradicionais “esquerdas” do tempo ditatorial é muito grande, quando todos estavam “unidos” em torno de um projeto: acabar com a ditadura, mas que depois, ao que parece, “cada cá”, como dizia minha vovó, quis formar a sua própria ditaturazinha. A esponja ideológica que foi o MDB e depois o PMDB se tornou a grande prostituta, compõe com todos de acordo com seus interesses. E esse é um dos “canceres” da nação, aliado ao desvio ou o que me parece mais lógico, revelação das intenções do PT e seus “paladinos da justiça”.
3.     A Social Democracia, que parecia ser na origem, uma boa opção de centro esquerda em busca do equilíbrio, nunca saiu de cima do muro e se perde, como bem disse Luciano Pires, não sabe se comunicar com o povo, não tem a “manha” de um Lula e seus marqueteiros. Me impressiona a incompetência deles nessa área. E por fim, se couber julgamentos, escolhe um candidato dado às “noitadas” para não dizer outra coisa, para comandar uma nação. Mas até aí, fazer o quê? O iluminado graças a Deus EX presidente Lula é um adepto da cana destilada de marca maior, houve um governador em PE que se dizia que depois das 16h não atendia mais por conta do seu “sagrado” Whisky... isso não pode ser mais parâmetro!!
4.     Os demais candidatos não são dignos nem de uma análise, meu tempo é valioso demais para isso... meu Deus escutar aquela Gaúcha no debate me lembrou que a revolução farroupilha deveria ter sido bem sucedida...
5.    Surge Marina Silva e aqui me defronto com a “exclusividade dos inclusivos” os “libertários” e “democratas” que proclamam a liberdade mas execram quem se coloca em seu caminho, que não admitem “largar o osso” e que entram em uma disputa suja, mentirosa contra essa senhora, lançando calunias que me lembram o que Collor e sua equipe fizeram com Lula naquela primeira eleição, a arma é a mesma.
Nunca fiz e não faço campanha política, sou um Bispo da Igreja, pastor por vocação e profeta por ofício. Represento a fé que mais positivamente influenciou a humanidade desde que se tem conhecimento, o credo que lutou contra a escravidão, libertou nações, criou instrumentos dentro de seus monastérios que influenciaram revolução industrial, fez da Bíblia o livro que moldou a alma da civilização ocidental pelos seus princípios em prol da dignidade humana, enquanto no oriente muitos monges estavam meditando para esvaziar as suas mentes os monges cristãos estavam enchendo suas mentes de ideias que libertassem o povo. Esse é o meu credo, essa é a minha fé. Nunca usei minha posição de pessoa pública para ser cabo eleitoral de ninguém, não defendo qualquer candidato publicamente, no entanto, como líder cristão que sou, me coloco em denúncia de tudo que entendo ser corrupto, injusto e ameaçador da liberdade entre outras coisas. Tenho falado publicamente do atual governo, como falei de tantos outros (vide meu blog), porque entendo que eles traíram a confiança da nação e estão levando o Brasil para um Caos, mas, como disse não sou Cabo eleitoral, sequer revelo meu voto. Nesse sentido, sou profeta, teologicamente e historicamente, os profetas estavam ao lado do Rei nas decisões sábias e contra eles nas decisões sem sabedoria e que implicariam em prejuízo para a nação.
Não sou cabo eleitoral de Marina Silva, mas pelas circunstancias de minha atividade, tive a oportunidade, no início desse ano, de recebe-la em meu gabinete, conversar sobre vários assuntos e em seguida a entrevistei em uma conferência de líderes diante de mais de 500 pessoas durante 40 minutos. O tema não era política e sim, liderança diante das adversidades da vida. Li a Biografia de Marina e de fato me impressionou a sua história de vida.
O que posso dizer é que a campanha petista consegue fazer dela uma pessoa diferente do que ela é, a campanha petista é mentirosa isso posso garantir, é sanguinolenta pois se veem, pela primeira vez ameaçados de perder o poder. Antes de subir nas pesquisas Marina era tratada pelo PT como a boa moça que se desviou...
Alguém, recentemente colocou uma frase que me motivou a sair em defesa dessa senhora chamada Marina Silva. A frase mostra a percepção pessoal de alguém que respeito, mas que, democraticamente posso comentar pelo menos, sabendo que também sou respeitado.
A frase que menciono é essa:
Marina é uma carola, fundamentalista, preconceituosa, sem bancada e apoio parlamentar sem experiência e dominada por evangélicos como Malafaia. Um retrocesso para as conquistas que o Brasil alcançou.            
O que tenho a dizer sobre essa frase de alguém que já decidiu pelo voto nulo? Me permita:
Marina é uma carola, fundamentalista _ O fundamentalismo cristão é uma expressão que hoje se usa de forma deturpada. No início do século 20, com a chegada da teologia liberal, da alta crítica cristã e os escritos de Charles Darwin foi publicado um livro de muitos autores chamado “Os Fundamentos” que tratava de colocar claramente os fundamentos da fé cristã. Mas hoje se tem como fundamentalismo uma generalização sinônimo de intolerância e pelo que percebi em Marina Silva, nunca a enquadraria nesse rótulo pejorativo.
Essa expressão, me permita, está revelando sim preconceito. Por que carola? porque ela usa um pitó? um lenço, um vestuário diferente? Por que ela confessa uma fé? O Dalai Lama viaja o mundo com suas roupas exóticas para nossos costumes, fala de paz e justiça, tem seus fundamentos firmes na sua fé budista e se você perguntar a ele sobre a sua fé, o que ninguém faz, provavelmente se defrontará com alguém que não abre mão de seus fundamentos. Nesse sentido eu sou também carola e sei que não sou nem um pouco, porque carola é uma expressão preconceituosa para caracterizar aquelas senhoras católicas romanas, beatas, assíduas à igrejas e intolerantes fechadas em suas rezas e liturgias. Nesse sentido, posso dizer que Marina Silva não é nem carola, nem fundamentalista. Mas que como eu e como cristãos verdadeiros e mesmo como Dalai lama, não abre mão de seus fundamentos.
PreconceituosaPreconceito é algo que caminha numa linha tênue entre preconceito e ter um conceito. Seter um conceito é ser preconceituoso(a) Qualquer um é preconceituoso por não concordar com algo que o outro concorda. O preconceito, é uma ideia preconcebida de algo que não se conhece. É ai que entra o pré... o antes de saber. Por que Marina é preconceituosa? Porque ela tem um conceito formado por suas convicções, que se baseiam em um credo? Ela seria preconceituosa se não admitisse os direitos de quem quer que seja e isso, até onde sei, não aconteceu, pelo menos até onde eu saiba. Eu tenho dito que como cristão, eu tenho um conceito de mundo e, claro, procuro viver de acordo com ele e isso me leva a tomar posições bem definidas em relação aos aspectos sociais e morais da vida. O que faço baseia-se em meu conceito de mundo, respeitando quem pensa diferente, mas garantindo o meu direito de ter um conceito sem ser chamado de preconceituoso. Quem me chama de preconceituoso por isso, ai sim, manifesta preconceito. Não vi em Marina elementos que possam me levar a chama-la de preconceituosa. Como disse, pelo menos até aqui.
sem bancada e apoio parlamentar _ Sem bancada e apoio parlamentar por que? Porque as bancadas estão todas comprometidas com seus projetos de poder, se for por ter bancada, teríamos que votar mesmo em Dilma, e em seu congresso prostituto que levou o Brasil a ter 40 ministérios, quase um para cada partido da chamada base aliada do congresso. Acho que Marina Silva, em sendo eleita, em mantendo suas posições, encontrará sim dificuldades pois enfrentará o PT na oposição, que é outro partido, que voltará às origens do ser contra por ser contra, que não assinou a constituição e que foi contra o plano real por exemplo etc.
sem experiência_ é algo relativo, sua experiência como ministra e parlamentar não são consideradas. não há um curso para presidente, mas há uma história que dá lastro à vida de quem pleiteia e isso em  Marina Silva ninguém pode negar.

O respeitado cineasta Fernando Meireles no prefácio de sua biografia colocou-a como alguém voltada para o amanhã, alguém que enxerga a possibilidade de um outro futuro para o Brasil, mas principalmente para o mundo...


Porque todo evangélico deve conhecer a mitologia africana

Igreja do Paissandu, no centro de SP.

Talita Ribeiro, especial para o Pavablog

Nasci em um lar evangélico, meu nome, Talita, é bíblico, me batizei aos 13 anos, porém, tive idas e vindas na religião, ainda que Deus tenha sido sempre presente na minha vida, o que me faz muito grata. Não é de se estranhar, então, que eu tenha entrado em uma igreja católica pela primeira vez aos 8 anos, após insistir muito com a minha mãe. Não era nenhuma data especial, eu havia acabado de sair do meu pediatra e estava a caminho do ponto do ônibus para voltar para casa.

Aquela construção, no meio do Largo do Paissandu, em São Paulo, chamava a minha atenção há algum tempo, porém, me dava medo quase na mesma medida que despertava curiosidade, isso porque estava cheia de “santos”, que, para muitas pessoas com as quais eu convivia, eram representações de demônios.

Ao pisar dentro da igreja sozinha, demorei para conseguir olhar as paredes com aquelas imagens, mas, passo a passo, fui a desvendando, até chegar ao púlpito. Lembro que não voltei correndo para a praça, mas foi quase isso, pois estava receosa que algo ruim acontecesse, afinal, aquele era um lugar proibido até então.

Mais de 10 anos depois, fui ao Santuário de Fátima, em Portugal, para fazer uma matéria sobre um dos principais destinos religiosos do mundo. Católico, dedicado e inspirado em uma santa.

No ônibus, senhoras já rezavam com seus terços em mãos, carregavam fotos de conhecidos, velas, entre outras lembranças de milagres, realizados ou pedidos para Fátima. Se aos 8 anos eu não tivesse entrado na igreja do Paissandu e saído “ilesa”, talvez não conseguisse me emocionar tanto com a fé de quem crê no que eu não creio, mas respeito.

No Santuário, ao observar devotos de joelhos, percorrendo uma imensidão branca até a basílica, meus olhos ficaram cheios de lágrimas. É tocante ver como os outros se relacionam com o sagrado e se entregam àquilo que acreditam. Escrevi a reportagem com base no que vi, mas também naquilo que ouvi, de mente e coração abertos, de quem foi curada de um câncer com a ajuda de sua fé, que é tão bonita e válida quanto a minha.

Através de um livro, especificamente o primeiro da trilogia Deuses de Dois Mundos, de PJ Pereira, fui apresentada à mitologia africana e, não se assustem, à história dos orixás, que servem como base para religiões como o candomblé e a umbanda.

O Livro do Silêncio mistura o misticismo africano com uma ficção atual, sobre um jornalista que, sem querer, entra em contato com esse mundo mágico e vai, aos poucos, descobrindo os orixás. Alguns, confesso, já me eram familiares, por serem repreendidos em cultos, principalmente neopentecostais, como Exu e Xangô. Outros eu conhecia das músicas de Maria Bethânia e cantores da MPB, como Oxum e Iansã. Porém, nunca havia parado para ler sobre eles, talvez pelo mesmo medo infantil que eu tinha dos santos.

Após devorar o livro, fiquei pensando no quanto nos distanciamos dos outros e da nossa própria cultura, como brasileiros e filhos-netos-bisnetos de africanos, por puro preconceito. O quanto é absurdo ainda demonizar a mitologia africana, mas utilizar a mitologia greco-romana em nossas pregações, em nosso dia a dia.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Bianca Toledo, seu novo casamento e o divórcio a luz da Bíblia



Mais de um milhão de pessoas curtiram a fanpage de Bianca Toledo, hoje autora de dois livros que relatam os milagres que viveu após coma e falência múltipla de órgãos, além dos que ela chama de “Milagres Invisíveis”, que inclusive é o título do seu segundo livro.

Mas a fama de Bianca Toledo tem despertado também curiosidade, já que em seu primeiro livro um personagem que deveria ser um dos principais, parece meio apagado, seu ex-marido, Renato Pimentel, que ainda era esposo na época dos problemas de saúde da escritora.

Movidos pela curiosidade, centenas de pessoas que acompanham a história de Bianca começaram a procurar mais informações sobre Renato Pimentel e a tentar entender o motivo de ele não fazer parte do livro com veemência, além do questionamento que surgiu depois da leitura do segundo livro, no qual Bianca fala sobre o divórcio: como um homem abandona uma mulher de Deus num estado de saúde tão delicado?

Os curiosos encontraram Renato Pimental no facebook e descobriram que ele estava ressentido por ter sido apagado de fatos tão importantes na história do milagre e por ter sido apontado como o culpado da tragédia do divórcio.

Em sua página no facebook, Pimentel costuma postar lamentações sobre o que ele chama de mentiras da sua ex-esposa e pede retratação pública, alegando que não abandonou Bianca. Alguns acusam Pimentel de viver em função de acusador de Bianca.

Muitos internautas comentam, julgam e até discutem a relação do ex-casal, já que Toledo casou com o pastor Felipe Heiderich há poucos meses e muitas outras mulheres estão vendo a história de Bianca como um modelo a ser seguido quando seus casamentos estiverem naufragando. Apesar de Bianca ter postado em sua página que é contra o divórcio, ela se divorciou, então muitos acreditam que o poder de Deus pode ser limitado quando a questão é casamento, porque Deus ressuscitou Bianca Toledo, mas não poderia ressuscitar seu casamento, portanto, ela teve que desistir.

Outro fato intrigante é que o pastor Felipe, atual esposo de Bianca, conta seu testemunho de oração e espera em Deus por uma esposa. Então todos questionam: o pastor orava e Deus preparava para ele uma mulher que estava casada enquanto ele orava?

Bianca afirma ter sido infeliz durante o tempo que passou casada, disse, em uma carta enviada a alguns membros de sua página, que Pimentel é perigoso e sociopata, mas em seu testemunho relata que queria ter um filho e lutou por isso durante todo o casamento. Como alguém está infeliz, separando e voltando com um marido perigoso e quer a todo custo ter um filho com ele?

Enfim, são muitos os questionamentos e a página de Renato Pimentel tem virado um cenário de discussões. Na página de Bianca os questionamentos não permanecem, são excluídos imediatamente. Na pagina de Bianca, é possivel ver pessoas inconformadas com o recasamento, e também muitas que acreditam que casar de novo para ser feliz não tem problema à luz da Bíblia.
Apesar de ser esta uma questão pessoal, ela é relevante para nós, justamente por tratar de algo tão importante como o divorcio. É licito, à luz da Biblia, divorciar-se por qualquer motivo? Nos dias de Jesus, alguns homens fizeram a mesma pergunta. A resposta do mestre foi enfatica:

"Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe". Perguntaram eles: "Então, por que Moisés mandou dar uma certidão de divórcio à mulher e mandá-la embora" Jesus respondeu: "Moisés lhes permitiu divorciar-se de suas mulheres por causa da dureza de coração de vocês. Mas não foi assim desde o princípio. Eu lhes digo que todo aquele que se divorciar de sua mulher, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra mulher, estará cometendo adultério".
Mateus 19:3-9, NVI

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Jovem faz selfie pró-gay com Silas Malafaia em avião e vira sucesso na web



  • Reprodução/Instagram/muriellefacure
    A jovem contou em seu perfil no Instagram que o pastor implicou com o registro e a chamou de "estúpida"
    A jovem contou em seu perfil no Instagram que o pastor implicou com o registro e a chamou de "estúpida"
publicado no BOL Notícias

Uma foto que mostra o pastor Silas Malafaia ao fundo de uma mensagem de apoio à causa LGBT viralizou na internet e ganhou status de "selfie do ano". A imagem, com uma plaquinha com os dizeres "Abra sua mente, gay também é gente" - refrão de uma música do grupo Mamonas Assassinas –, foi feita por Murielle Facure, dentro de um avião, na sexta-feira (5).  A foto foi compartilhada milhares de vezes nas redes sociais. Malafaia ficou conhecido por suas declarações de cunho homofóbicos "Fui tirar um selfie e olha quem tava atrás, Ops! (Gente que quer poder casar)", escreveu Murielle na publicação.

O registro da jovem rendeu elogios de internautas, que parabenizaram Murielle "por ter levado uma mensagem de tolerância a Malafaia", cujas opiniões sobre os direitos LGBT têm causado polêmica na internet.

A jovem contou em seu perfil no Instagram que o pastor implicou com o registro e a chamou de "estúpida". Na foto, Malafaia aparece ao lado da esposa, Elizete, e demonstra insatisfação.
Nas redes sociais, Murielle narrou como foi a reação do pastor.

"Ele falou que eu sou estúpida, que eu podia ter pedido pra tirar foto com ele e ele tiraria de boa! Mas aí depois teve um longo diálogo. Aí eu falei "vamos tirar" e eles ficaram ironizando e rindo de mim, falando "depois a gente é que é ignorante". Aí eu falei "eu não sou a ignorante aqui. Pelo menos não fico impedindo a felicidade das pessoas." Aí ele falou que não impedia a felicidade de ninguém, ele tinha uma posição. Aí ele ficou resmungando e ironizando, eu deixei pra lá, porque a mulher dele começou a tipo dar aqueles tapinhas de ironia em mim, tipo 'senta lá Claudia' e eu fiquei meio p... com isso".
Depois que a selfie viralizou, uma amiga da jovem comentou. "O Malafa se ferrou. Roubei a foto, postei no face e geral tá disseminando. Morro e não vejo tudo! Mandou bem. Na ousadia, no texto, na foto e no "diálogo". hahaha". Outra questionou as atitudes do pastor. "Eu não sei se esse cara é um gênio empreendedor ou se ele é maluco de verdade".

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Afinal, quem são “os evangélicos”?

De tanto que se falou sobre os evangélicos nas últimas semanas, nos jornais e nas redes sociais, talvez caiba uma pergunta: afinal, quem são “os evangélicos”?

Silas Malafaia e Martin Luther King: duas faces da mesma moeda?

por Ricardo Alexandre, na Carta Capital

Homofóbicos, cortejados pela presidente, fundamentalistas. Massa de manobra de Silas Malafaia, conservadores, determinantes no segundo turno das eleições. De tanto que se falou sobre os evangélicos nas últimas semanas, nos jornais e nas redes sociais, talvez caiba uma pergunta: afinal, quem são “os evangélicos”?

A resposta mais honesta não poderia ser mais frustrante: os evangélicos são qualquer pessoa, todo mundo, ou, mais especificamente, ninguém. São uma abstração, uma caricatura pintada a partir do que vemos zapeando pelos canais abertos misturado ao que lemos de bizarro nos tabloides da internet com o que nosso preconceito manda reforçar. Dizer que “o voto dos evangélicos decidirá a eleição” é tão estúpido quanto dizer a obviedade de que 22,2% dos brasileiros decidirão a eleição. Dizer que “os evangélicos são preconceituosos”, significa dizer o ser humano é preconceituoso. É não dizer nada, na verdade.

Acreditar que há uma hegemonia de pensamento, de comportamento ou de doutrina evangélica é, em parte, exatamente acreditar no que Silas Malafaia gosta de repetir, mas é, em parte, desconhecer a história. A diversidade de pensamento é a razão de existir da reforma protestante. E continuou sendo pelos séculos seguintes, quando as igrejas reformadas do século 16 deram origem ao movimento evangélico, estes aos pentecostais e estes aos neopentecostais, todos microdivididos até o limite do possível, graças, novamente, à diversidade de pensamento – sobre forma de governo, vocação e pequenos pontos doutrinários. Boa parte destas, sem organização central, sem “presidência” nem representante, com as decisões sendo tomadas nas comunidades locais, por votação democrática.

Assim como não existe “os evangélicos” também não existe “os pentecostais”, nem “os assembleianos”: dizer que Malafaia é o “papa da Marina Silva” como disse Leonardo Boff, apenas porque ambos são membros da Assembléia de Deus, é ignorar que, por trás dos 12,3 milhões de membros detectados pelo IBGE, a Assembleia de Deus é rachada entre ministérios Belém, Madureira, Santos, Bom Retiro, Ipiranga, Perus e diversos outros, cada um com seu líder, sua politicagem e sua aplicação doutrinária. A Assembleia de Deus Vitória em Cristo de Malafaia, aliás, sequer pertence à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil.

Ignorância parecida se manifesta em relação ao uso do termo “fundamentalista”, como sinônimo de “literalista”, aquele incapaz de metaforizar as verdades morais dos textos sagrados. A teologia cristã debate há dois mil anos sobre a observação, interpretação e aplicação dos escritos sagrados, quais são alegóricos e quais são históricos, quais são “poesias” e quais são literais. O deputado Jean Wyllys, colunista daCarta Capital, do alto de alguma autoridade teológica presumida, já chegou à sua conclusão: o que não for leitura liberal, é fundamentalista e, portanto, uma ameaça às minorias oprimidas. (Liberalismo teológico é uma corrente teológica do final do século 19 que lançou uma leitura crítica das escrituras, completamente alegorizada, negando sua autoridade sobrenatural, a existência dos milagres, e separando história e teologia).

Só que isso simplesmente não é verdade. Dentro da multifacetação das igrejas de tradição evangélicas, há as chamadas “inclusivas”, mas há diversas igrejas históricas, tradicionais, teologicamente ortodoxas, que acreditam nos absolutos da “sola scriptura” da Reforma Protestante, mas que têm política acolhedora e amorosa com as minorias. Algumas criaram pastorais para tratar da questão homossexual, outras trabalham para integrá-los em seus quadros leigos; outros, como disse o pastor batista Ed René Kivitz, estão mais dispostos a aprender como tratar “uma pessoa que está diante de mim dizendo ter sido rejeitado por sua família, pelo meu pai, pela minha igreja” do que discutir a literalidade dos textos do Velho Testamento.

O panorama da questão pode ser melhor entendido em Entre a cruz e o arco-íris: A complexa relação dos cristãos com a Homoafetividade (Editora Autêntica), livro qual tive a honra de editar. Nele, o pastor batista e sociólogo americano Tony Campolo, ex-conselheiro do presidente Bill Clinton, diz: “Se você vai dizer à comunidade homossexual que em nome de Jesus você a ama (...) não teria que lutar por políticas públicas que demonstrem que você as ama? Pode haver amor sem justiça? Eu luto pela justiça em favor de gays e lésbicas, porque em nome de Jesus Cristo eu os amo.” Campolo, entretanto, faz distinção entre direitos e casamento: “O governo não deve se envolver nem declarar, de forma alguma, o que é casamento, quem pode ou não se casar”, ele disse. “Governo existe para garantir os direitos das pessoas. Casamento é um sacramento da igreja – governos não devem decidir quem deve ou não receber esse sacramento.” Campolo acredita que esta será a visão dominante entre cristãos americanos “em cinco ou seis anos”.

Entre os evangélicos brasileiros há quem pense desde já como Campolo – distinguindo união civil de casamento. Há quem pense de forma ainda mais radical: que a união civil, com implicações patrimoniais e status de família, deveria valer não apenas para casais homossexuais, mas para irmãos, primos ou quem quer que se entenda como família. Há quem defenda o acolhimento dos gays nas igrejas, mas o celibato para eles. Quem, embora sabendo que mais da metade das famílias brasileiras já não são no formato pai-mãe-filhos, ainda luta para restabelecer esse padrão idealizado. Há, sim, quem acredite que o seu conjunto de doutrinas e o seu modo de vida são fundamentais. Há aqueles que, enquanto estamos discutindo aqui, está mais preocupado se a melhor tradução do grego é a João Ferreira de Almeida ou a Nova Versão Internacional. E há quem acorde diariamente acreditando ser porta-voz do “povo de Deus”, pague espaço em redes de televisão para multiplicar esse delírio (mas, a julgar pelo 1% de intenção de voto do Pastor Everaldo, somente ativistas gays e jornalistas desmotivados acreditam nesse discurso). Esses são “os evangélicos”.

Na fatídica sexta-feira em que o PSB divulgou seu programa de governo, enquanto Malafaia gritava no Twitter em CAPSLOCK furibundo, o pastor presbiteriano Marcos Botelho, postou: “Marina, que bom que vc recebeu os líderes do movimento LGBTs, receba as reivindicações com a tua coerência e discernimento de sempre e um compromisso com o estado laico que é sua bandeira. Vamos colocar uma pedra em cima dessa polarização ridícula entre gays e evangélicos que só da IBOPE para líderes políticos e pastores oportunistas.”

Botelho não representa “os evangélicos” porque não existe “os evangélicos”. Mas Marcos Botelho existe e é evangélico. Assim como existe William Lane Craig, o filósofo que convida periodicamente Richard Dawkins para um debate público, do qual este sempre se esquiva; existe o geneticista Francis Collins vencendo o William Award da Sociedade Americana de Genética Humana; existe Jimmy Carter, dando aula na escola bíblica no domingo e sendo entrevistado para a capa da Rolling Stone por Hunter Thompson na segunda-feira; existe o pastor congregacional inglês John Harvard tirando dinheiro do próprio bolso para fundar uma universidade “para a honra de Deus” nos Estados Unidos que leva seu sobrenome; existe o pastor batista Martin Luther King como o maior ativista de todos os tempos; existe o jovem paulista Marco Gomes, o “melhor profissional de marketing do mundo”, pedindo licença para “falar uma coisa sobre os evangélicos”. E existe o Feliciano, o Edir Macedo, a Aline Barros, o Thalles Roberto, o Silas Malafaia e o mercado gospel. Como existe bancada evangélica, mas existem os que lutaram pela “separação entre igreja e estado” na constituição, e existem os que acreditam que levar Jesus Cristo para a política é trabalhar não para si, mas para os menos favorecidos.

Existe o amor e existe a justiça, como existe o preconceito, o dogmatismo, o engano, o medo, a vaidade e a corrupção. Não porque somos evangélicos, mas porque somos humanos.


* Ricardo Alexandre é jornalista e escritor, radialista e blogueiro, Prêmio Jabuti 2010, ex-diretor de redação das revistas Bizz, Época São Paulo e Trip. E é membro da Igreja Batista Água Viva em Vinhedo, interior de São Paulo.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Evangélica concorre ao título de Miss Bumbum: 'Julgarão como pecado'



Publicado em Ego Globo.

Recentemente o portal ego (globo) publicou a matéria “Evangélica concorre ao título de Miss Bumbum: 'Julgarão como pecado' que diz respeito a candidata Rebeka Francis a miss bumbum 2014. Leia o que o portal escreveu sobre:
Rebeka Francis, a candidata de Rondônia ao título de Miss Bumbum 2014, vem sofrendo com uma pichação ofensiva no muro do prédio onde mora, em São Paulo. Recentemente, a moça - que divide apartamento com a amiga Andressa Urach (vice miss bumbum 2012) - se deparou com a frase ‘Miss Bumbum do Capeta’ em letras garrafais na entrada do prédio.

Inicialmente foi especulado que a mensagem seria para Urach, a mais famosa participante do concurso, mas isso foi logo desmentido pela própria Rebeka, que segue a religião evangélica. “Aquilo foi pra mim, pois há dias tinham uns perfis fakes em minhas redes sociais falando sobre minha religião. Como é algo que realmente me ofende, eles acharam meu ponto fraco e quiseram me humilhar. As pessoas são maldosas e acabam não tendo noção de seus atos”, disse a Miss Bumbum Rondônia.

Rebeka contou ao EGO que sempre sonhou participar de um concurso de beleza, mas que a sua família, que segue a mesma religião, não apoia. “Mas eles aceitaram”, garantiu ela, antes de completar: “Quando entrei no concurso, foi para ir até o fim. Posso sensualizar, sim, sem problema nenhum, mas uma coisa é o concurso, outra é a minha religião. Jamais vou sensualizar em uma igreja".

Em São Paulo, a candidata ao Miss Bumbum 2014 tem frequentado a Igreja Universal com a amiga Andressa Urach, a quem é só elogios. “Conheço uma Andressa que poucas pessoas conhecem, uma pessoa batalhadora, amiga, sincera e também temente a Deus. Sinto que Deus está fazendo a obra na vida dela e me sinto muito abençoada por estar participando disso”, declarou.

Preconceito e ensaio nu
Rebeka sabe que sua opção pode não ser bem aceita pela comunidade evangélica. A candidata, porém, está dedicada a seguir seu sonho. “Não estou me vendendo, nem nada parecido. Sou empresária, estudante e participante de um concurso, mas as pessoas com certeza vão me julgar como pecadora. Quem não tem pecado que atire a primeira pedra. Sei que Deus sabe meu coração e meus sonhos, o que me importa é ir buscar a palavra e alimento para meu espírito”, afirmou.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Record intima artistas a inaugurar templo da Universal e cria mal-estar


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ANTONIO CHAHESTIAN/TV RECORD
Publicado no Notícias da TV
A Record está convidando apresentadores, atores e jornalistas para a inauguração do templo de Salomão, projeto faraônico da Igreja Universal do Reino de Deus, no próximo dia 31, em São Paulo. Os convites, no entanto, estão sendo interpretados como intimação, porque a Universal é liderada pelo bispo Edir Macedo, dono da Record. “Não se recusa convite do dono da empresa”, justifica um jornalista, que pede para não ser identificado.
A iniciativa da Record gerou constrangimentos nos bastidores da emissora. Elenco e executivos contrários à convocação argumentam que não se deve misturar religião com trabalho. Profissionais temem se “queimar” no mercado se aparecerem em fotos e reportagens sobre a inauguração do templo, que deverá contar com a presença da presidente Dilma Rousseff, contrariando conselhos de assessores do PT. Alguns artistas já estão providenciando viagens e compromissos fora de São Paulo no dia 31 para terem uma boa desculpa para a ausência.
Todos os apresentadores, os principais jornalistas e algumas dezenas de atores já foram ou serão convocados para irem à inauguração da igreja, que terá lugar para 10 mil pessoas sentadas. Vários nomes de peso já são dados como certos no evento, entre eles os apresentadores Rodrigo Faro, Ana Hickmann e Edu Guedes e os jornalistas Celso Freitas e Adriana Araújo, do Jornal da Record.
Em construção desde 2010, o templo é uma réplica ampliada da lendária igreja construída pelo bíblico rei Salomão em Jerusalém, há mais de 2.500 anos, com o interior e o altar cobertos de ouro. O templo de Edir Macedo está sendo erguido no bairro do Brás, na zona leste de São Paulo. Com 74 mil metros quadrados de área construída e 56 metros de altura, o equivalente a um prédio de 18 andares.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

A influência evangélica na política dos USA




Isabel e Fernando receberam do papa Alexandre VI o título de Los Reyes Católicos em 1494. Os soberanos espanhóis eram, de fato, profundamente religiosos. Os dois demonstravam ao mundo que viviam uma piedade pessoal admirável. O historiador Will Durant conta que em 1492, Isabel escolheu o cardeal Ximenes como confessor pessoal. Devido a proximidade que Ximenes dizia ter com Deus e com a rainha, ele se tornou tão importante e poderoso quanto o próprio rei. O cardeal pertencia a uma das mais severas ordens monásticas espanholas – os Franciscanos Observantes. Ascético, dormia no chão ou em tábua dura, jejuava frequentemente, flagelava-se e vestia uma bata de pelo de crina sobre a pele. Nenhuma dessas observâncias religiosas ajudou Ximenes a tornar-se um homem compassivo.
No reinado de Fernando e Isabel a Inquisição ganhou espaço. Na intolerância espanhola, milhões sofreram. Judeus, mouros, hereges – ou qualquer pessoa mal querida – podiam ser indiciados nos autos inquisitórios. Na Inquisição, não havia defesa. Uma vez indiciado, a pessoa já estava condenada. Ou morriam no torniquete, na fogueira ou abandonados nas masmorras imundas.
Os dois monarcas patrocinaram os Conquistadores que, sob o pretexto de levarem salvação saquearam a América. Quando os Conquistadores chegaram às nações do que se conhece hoje como América Latina, prometiam libertação. Fé no Deus verdadeiro abria o caminho para a salvação. Sob o pretexto de evangelizar, queriam ouro. E nessa voracidade, trucidaram e espoliaram. Dizimaram culturas milenares. Rapinaram uma prata limpa e deixaram o legado de uma cruz suja. Depois de séculos, quando se reviu a história, Isabel, a católica, foi responsável por mais horrores em nome da fé, do que Nero em nome dos vícios. Não sobrou nenhum bem espiritual da Inquisição, apenas vergonha. As incursões espanholas na América se desdobram em miséria mesmo depois de tantos anos.
Durante os anos de George W. Bush, a revista Newsweek publicou matéria de capa sobre a fé do presidente. O mundo tomou conhecimento dos conteúdos de sua devoção pessoal como crente nascido de novo. Bush frequentava grupos de oração e afirmava orar todos os dias. O mundo laico ficou estarrecido: para cada decisão, ele reunia uma pequena célula de oração e pedia que Deus o orientasse.
Criticou-se a influência de Dick Cheney, Donald Rumsfeld, Condoleezza Rice, Colin Powel e Paul Wolfwitz na política externa. Falou-se do poder que os militaristas do Pentágono exerceram sobre a Casa Branca. Especulou-se sobre a influência da cultura do Texas – sempre cowboy – nos momentos em que Bush definia doutrina geo-política para o mundo. Alguns acusaram, dizendo que a família Bush tinha interesses bilionários com petróleo.
Todavia, uma dimensão exige maior reflexão. Até que ponto a mentalidade evangélica influenciou Bush? Alguns anos depois, é preciso refletir sobre os desdobramentos dessa influência no Oriente Médio e no futuro da humanidade. Nenhum estadista advogaria uma guerra pelo simples desejo de invadir e matar. Como grupos de oração se formaram também no Congresso e no Pentágono, o fator religiosos tem que ser levado em conta. O preconceito contra muçulmanos, tratados como os responsáveis pelo eixo do mal, certamente vazou dos grupos religiosos para o presidente. Na véspera da invasão do Iraque, Bush se valeu de uma linguagem claramente religiosa para justificar a decisão: o bem contra o mal; quem não é por nós é contra nós, etc. A partir dessas frases, pastores, evangelistas e teólogos se revezaram em afirmar que a Bíblia chancela guerras justas. O Iraque foi bombardeado, milhares morreram, o povo americano gastou trilhões de dólares e a região se complica com o passar do tempo. É preciso entender a mentalidade evangélica para perceber o aval religioso que Bush e os falcões militares receberam para uma aventura bélica desastrada e sanguinária.
1. O mundo islâmico como obstáculo.
Por anos a comunidade evangélica enxergava no comunismo o inimigo a ser destruído. Eu ouvi inúmeros sermões sugerindo que o Anticristo viria de algum país marxista. A dificuldade de enviar missionários para o que se tratava como Cortina de Ferro era o maior desafio dos crentes. Quando o muro de Berlin caiu em 1989, muito da mobilização esvaziou. Para estrategistas missionários, restou um último obstáculo: o islamismo parecia inexpugnável. Como abrir uma brecha na hermética cultura árabe, nas práticas radicais do Islam? Ora, ora, a propaganda de guerra prometia um Iraque livre e democrático. Não é preciso muito exercício de imaginação para ver os olhos das lideranças evangélicas brilhando. Chegaremos, seremos recebidos como libertadores, podemos ganhar milhares de pessoas para Cristo; juntos conseguiremos minar o último obstáculo que impede a evangelização do  mundo. Imagino o frisson: que missão chegará junto com as tropas? No competitivo mercado religioso importa despontar como líder. Quem vai tirar as primeiras fotos de enorme cruzada evangelística? Sonhamos com milhares de iraquianos de mãos levantadas, atendendo ao apelo de salvação.  O padrão religioso se repetiu nos Estados Unidos, da mesma maneira que na América Latina. Muitas igrejas e líderes ficaram calados quando outros denunciavam tortura e assassinato nas ditaduras. A justificativa dos crentes brasileiros foi a mesma dos americanos: os militares combatem o comunismo e nos dão ampla liberdade para pregar o evangelho.
2. Demonologia territorial
Alguns escritores se notabilizaram nos Estados Unidos com uma teologia bizarra: demônios dominam continentes, países, cidades e até bairros – acreditam existirem príncipes satânicos governando sobre determinados hemisférios. Crêem, inclusive, que essas entidades retardam as ações históricas de Deus. Obviamente tais potestades precisam ser destronadas. Nas últimas décadas do século XX, conferências aconteceram ao redor do mundo alertando para o que chamavam Janela 10×40. Missiólogos identificaram entre latitude 10 e longitude 40 do mapa do mundo, as menores percentagens de cristãos. Repetiram até cansar que esses buracos com poucos cristãos eram devido à opressão de algum anjo demoníaco responsável pelo islamismo.  Ora, se conseguirmos ‘desdemonizar’ a Mesopotâmia, berço da civilização babilônica, escancaramos o que bloqueava a evangelização de todo aquele pedaço de mundo”.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Digão, do Raimundos, sobre Rodolfo: “100% arrependido e usufruindo 100% dos direitos autorais”

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Publicado no Whiplash [via Pavablog]
Em entrevista à Trip publicada horas atrás, Rodolfo, ex-vocalista do RaimundoS, comentou estar 100% arrependido das letras que escreveu para o grupo. Leia aqui.
O guitarrista Digão postou no Facebook sobre o depoimento de Rodolfo:
Que pena que a base de sua vida seja a hipocrisia…
“100% arrependido” mas usufruindo 100% da sua parte dos direitos autorais e que não é uma “merreca” que ele gosta de falar para os desinformados… Se ele pode se dar ao luxo de sair de casa pra “trabalhar” e não receber nada, quem banca isso!? O Raimundos é claro, a sua eterna previdência privada, assim como o chamariz de seus testemunhos “Eterno EX-RAIMUNDOS”.
Sem contar o fato dele não ter respeitado os nossos direitos quando saiu da banda, o que me cansa é essa insistência em associar o Raimundos às coisas ruins e o seu uso de pó e outras drogas pesadas em sua vida! Amparado pela verdade e Deus é minha testemunha, isso foi FORA do Raimundos com as “nega” dele! Muito me admirei quando vi suas declarações, pois nunca tinha visto isso dentro da banda!
Dizer que estava com “Câncer” e se curou na fé é no mínimo CHARLATANISMO, pois ele nunca fez um exame para provar tal enfermidade, mas alegou que “se conhecia”… Se pelo menos fosse formado em medicina mas nem o 2º Grau terminou…

segunda-feira, 9 de junho de 2014

O amor Universal


Não vai ter Copa, mas vai dar casamento.
por Anna Virginia, no Religiosamente

O casal Cristiane e Renato Cardoso, filha e genro do bispo Edir Macedo, irão liderar um casório coletivo na Igreja Universal do Reino de Deus da avenida João Dias, na zona sul de São Paulo. A reunião, marcada para o Dia dos Namorados, 12 de junho, coincide com a abertura do Mundial.

“Vai ser excelente para mostrar onde está sua fidelidade: ao futebol ou à sua esposa”, disse o bispo Renato.
Renato e Cristiane Cardoso no lançamento de ‘Casamento Blindado’,
em 2012 (Greg Salibian/Folhapress)


O desafio foi feito durante culto na quinta passada (29). Na ocasião, ele e a mulher davam dicas de “como se tornar uma pessoa atraente”, conforme prometido no convite postado por Cristiane no Instagram, com marca de batom vermelho.

O evento está em sintonia com o “Jejum de Jesus”, lançado na mesma semana por um barbado bispo Macedo.

A proposta: fiéis devem abstrair por 40 dias da “secularidade das informações”. Só está liberado, segundo o regulamento, “alimentar-se espiritualmente de conteúdos de fé” postados no site da igreja.

Adeus, “rádio, televisão, distrações”. Adeus, Fred passando a bola para Neymar nos jogos exibidos com exclusividade pela Rede Globo.

O “Jejum” começa a dois dias da Copa e a 40 dias da inauguração do Templo de Salomão, complexo de 74 mil m² que replicará no Brás o monumento destruído pela Babilônia no século 6º a.C..

Em 2013, Macedo prometeu deixar as barbas de molho até que o projeto fosse concluído (a inauguração será em 31 de julho, com presença da presidente Dilma). Há mais de um ano não apara os fios da face.

Reproduz em seu blog texto que diz: “Na Copa, ganham os jogadores. No Jejum, ganha VOCÊ. Para assistir à Copa tem que pagar. O Jejum é GRÁTIS”.

A igreja se adianta a eventuais críticas sobre o “timing” da iniciativa.

O bispo é dono da Record. Por um lado, a emissora já criticou a Fifa por não abrir licitação para os direitos de transmissão das Copas de 2018 e 2022 (mais uma vez garantidos à Globo). Por outro, acabou de estrear “Vitória”, sua nova novela das nove.

“A Universal não toma decisões espirituais baseadas na audiência de qualquer canal de televisão”, diz nota no portal da igreja.

VAI DAR NAMORO?

Com ou sem jejum, Katilyn quer perder peso. Na consciência e na silhueta. Vendedora de loja com 27 anos “e quase isso de quilinhos a mais” (exagero puro), a morena de cabelos aloirados usa uma legging jeans, jaqueta de couro sintético marrom e camiseta onde se lê “keep calm and trust God”.

Está na Universal pela segunda vez, “trazida pela tia Sandra”, ela conta enquanto sorve uma Coca-Cola Zero e bebe da fonte do casal Cardoso.

Cristiane e Renato, aposta, vão ajudá-la a encontrar seu “hómi”, que precisa ser “bonitão, fiel e não beber muito”.

Os dois são especialistas em relacionamento. Coassinam livros como “Casamento Blindado” (prefácio de Oscar Schmidt) e “120 Minutos para Blindar seu Casamento” (prefácio de Ana Hickmann), ambos vendidos a R$ 20 no culto. Na Record, apresentam “The Love School”, programa com orientações para a vida conjugal.

Em breve, serão 23 anos desde que disseram “sim” um ao outro. Completam bodas de palha, segundo a sabedoria popular.

Já a vida a dois, insistem sr. e sra. Cardoso, não pode ser fogo de palha –é preciso lutar pela cara metade. Katilyn está justamente trás de alguém que queira se comprometer.

Ela joga a latinha de refrigerante no lixo e entra no banheiro do templo, com mensagens do tipo “Jesus is everything!” e “only God can judge us!!!” talhadas a estilete na porta das cabines.

Diz-se animada com o culto que começará em poucos minutos. Logo, o telão da igreja exibe a imagem de um imã em forma de ferradura para ilustrar a pergunta: “Como ser atraente?”.

Cristiane e Renato vão te contar.

TERAPIA DO AMOR
O discurso do casal é magnético, e os fiéis respondem com entusiasmo às dicas de como não agir numa relação.

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