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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Mãe evangélica reescreve Harry Potter, com medo de seus filhos virarem bruxos


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Duda Delmas Campos, no Literatortura (via Livros e Pessoas)
No presente momento de frenesi eleitoral e acirradas discussões políticas, muito se diz a respeito do conservadorismo religioso, que não só no Brasil, mas mundo afora, afeta as vidas de muitas pessoas, assim como se debate acerca da validade do fundamentalismo. E é nesse contexto que surge Grace-Ann, nos EUA. A texana, amedrontada ante a possibilidade de seus filhos tornarem-se bruxos ao lerem Harry Potter, decidiu reescrever a saga, retirando-lhe as partes mágicas. Pois é.
A nota que precede essa releitura de Harry Potter, que você pode conferir aqui, lê: “Olá, amigos! Meu nome é Grace Ann. Sou nova nessa coisa de fanfic; mas, recentemente, encontrei um problema para o qual acredito que essa seja a solução. Meus pequenos têm pedido para ler os livros de Harry Potter, e é claro que fico feliz que estejam lendo, mas não quero que se transformem em bruxos! Então pensei… por que não fazer algumas pequenas mudanças para que esses livros sejam familiares? E depois pensei, por que não compartilhar isso com todas as outras mães que estão enfrentando o mesmo problema?”
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Segundo a autora, a história de Harry Potter tem muito potencial, já que trata de amizade e coragem, mas, pela existência de bruxaria, seus filhos não podem ler, de forma a ter sido necessário que ela a reescrevesse mantendo toda a aventura e a “boa moral”, mas eliminando todas as coisas ruins, ou seja, a magia. Você pode estar perguntando-se: e como ela simplesmente retira a magia de um livro que é fundamentalmente sobre isso? Bom, então vamos a uma breve sinopse desse novo mundo.
Basicamente, o bom e obediente órfão Harry Potter mora com seus tios, evolucionistas que negam a existência divina, até que um dia é visitado por Hagrid, um pregador cristão que bate na casa dos Dursley para perguntar se eles querem ser salvos. Harry, puro e pleno de “santa energia”, aceita e parte para a Escola de Orações e Milagres de Hogwarts, a fim de aprender a ser cristão. Lá é recebido pelo Reverendo Dumbledore e sua esposa, Minerva, pais de Hermione Granger. A menina lhe explica sobre Voldemort, um homem que deseja destruir tudo por que eles lutam, pressionando o Congresso a aprovar uma pauta que os impediria de expressar livremente sua religião.
Temos também Rony, um sonserino que deixa Harry bastante intrigado por estar rezando a uma estátua. O Rev. Dumbledore explica que, como tempos difíceis estão chegando, a escola é inclusiva em relação a todos aqueles que acreditam n’O Senhor, independentemente de como, de modo que as divisões do cristianismo funcionam como as Casas Grifinória, Sonserina, Lufa-Lufa e Corvinal. A esta última casa pertence Draco, que crê que mulheres são inferiores a homens, por isso não devem trabalhar, o que incomoda profundamente nosso herói Harry, para quem mulheres não devem ter uma carreira porque devem cuidar dos filhos. Já Luna pertence à Lufa-Lufa, pregando Mateus 7:1:“Não julgueis, para que não sejais julgados”.
Outra alteração é que Snape é o professor responsável pela Grifinória e defende que existem forças malignas que querem a derrocada dessa Casa, já que as outras ou estão conspirando com Voldemort, ainda que isso contrarie a 1ª Emenda Constitucional, ou simplesmente acreditam em tudo. E isso é o que temos até agora. Não há muita aventura ainda, contrariando o que a autora afirmou, mas quem sabe nos próximos capítulos? Talvez…?
Finda a nossa sinopse, é preciso constatar: claramente há alguns problemas aí. Pelo menos alguns. Dentre eles, os mais imediatos seriam: Dumbledore e McGonnagall, casados? E pais de Hermione? Rony, aluno da Sonserina? Pelas barbas de Merlin! Snape, professor da Grifinória??! Um pouquinho de verossimilhançacom o mundo fictício, por favor! Já em termos de qualidade literária, a “obra” peca pela monotonia das cenas, sempre marcadas por discussões religiosas e pensamentos castos, corretos e puritanos do herói, tornando-a uma leitura bastante chata, principalmente se considerarmos o público alvo.
No entanto, a fanfic evidencia outros problemas muito mais graves, obviamente. Evidencia o quanto as artes ainda são censuradas e revisadas com intuito doutrinário. Evidencia como o fundamentalismo religioso não é restrito apenas a jihadistas do Oriente Médio. Evidencia como a intolerância religiosa é perigosa para a sociedade. E ratifica uma visão errada sobre a religião, perpetuando o equivocado estereótipo de instituição arcaica e ignorantemente extremista.
Em primeiro lugar, é preciso deixar bem claro que Grace-Ann tem todo o direito de fazer isso. Ela não está falando em nome de um governo ou instituição laica, nem mesmo obrigando ninguém a ler. Mas isso não quer dizer que possamos tão somente ignorar iniciativas como as dela, pois, assim como cabe a apologia por ela feita, cabe também a crítica. Crítica porque ela se utiliza de um discurso falacioso segundo o qual religião e Teoria Evolutiva são excludentes; crítica porque ela confunde religião com misoginia e esvazia o papel da mulher na sociedade; crítica porque ela hierarquiza as religiões de acordo com a proximidade de Deus ao invés de colocá-las em patamar de igualdade; crítica porque ela crê que ficção e magia possam ser demoníacas e não sensibilizantes, libertadoras e enriquecedoras (imagine o que ela deve não fazer com contos de fada). Enfim, como todo projeto polêmico, a Escola de Orações e Milagres de Hogwarts invariavelmente atrai críticas. E tanto a desaprovação quanto a defesa, você deve expressar nos comentários – vamos aquecer a discussão!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

‘Não me sinto segura para voltar à escola. Colegas dizem que mereci agressão’







Casos de meninas agredidas por serem “bonitas demais” se espalham. Aluna de Sorocaba teme mais violênciapor Marina Cohen
originalmente publicado em O Globo

RIO - “Quero ver quem vai te querer, quero ver você ser bonita agora”. Com essas palavras, uma menina de 16 anos deu início a uma série de agressões físicas a Júlia Apocalipse, de 13 anos, dentro da Escola Estadual Hélio Del Cístia, em Sorocaba (SP), na semana passada. Assim como ela, outras duas adolescentes foram recentemente atacadas nos arredores de escolas, em São Paulo e Santa Catarina, em atos que, segundo testemunhas, foram motivados pela “inveja” da beleza das vítimas. Em comum ainda aos casos, a exposição nas redes sociais — “palco” de discussões prévias entre as envolvidas e da publicação de vídeos dos espancamentos —, no que especialistas classificam como um novo tipo de espetacularização da humilhação.

Júlia perdeu dois dentes e ficou com hematomas no rosto depois do episódio, no último dia 9. O inchaço na boca ainda a incomoda, e ela tem dificuldade para comer. Por conta do trauma, não quer voltar para a escola. Aluna do sétimo ano, corre o risco de ser reprovada por faltas.

— Não me sinto segura para voltar. Tenho recebido nas redes sociais mensagens de colegas que acham que eu mereci a agressão. Sei que nada mudou lá dentro e que, se alguém se aproximar de novo, não vou ter socorro — afirma.

Ela conta que, dias antes do embate, recebeu uma ameaça no celular pelo aplicativo WhatsApp. A agressora, que só a conhecia por redes sociais, avisara que a atacaria na saída da escola.

— Ela já chegou falando que eu era muito metida e que não gostava de mim. Pediu para eu ajoelhar e pedir desculpas. Eu me recusei. Foi aí que veio o primeiro soco — lembra Júlia, que correu para a escola, onde a agressão continuou. — Apanhei mais na escola do que na rua. Lá dentro, nenhum inspetor interferiu. Só recebi ajuda quando já estava desmaiada.

A menina atribui à “inveja” dos selfies que posta no Facebook a ira da agressora:

— Tirar fotos era meu passatempo, mas agora tenho vergonha do meu rosto e medo de despertar raiva nas pessoas.

A garota que a espancou alega que defendia uma amiga chamada de “macaca” pela adolescente. Júlia nega.

Num caso parecido em Florianópolis, além de dar socos e chutes em uma estudante de 13 anos, duas jovens cortaram o cabelo dela em frente à Escola Estadual Padre Anchieta, no bairro de Agronômica, no fim do mês passado. O vídeo da agressão circulou pelas redes sociais. Enquanto uma adolescente segurava o cabelo da vítima, outra fazia os cortes. É possível ouvir as agressoras xingando a vítima de “vagabunda”. O pai da menina, Alcerir Weirich, pediu que o nome da filha não fosse publicado. Ele diz que o ataque foi por ciúmes:

— Dizem que o namorado da menina que bateu nela arrasta asa para a minha filha. Foi uma vingança mesmo. Ela tem um cabelo lindo, e elas queriam deixá-la feia e colocar na internet para todo mundo ver.

As agressoras não estudam na mesma escola da vítima e a emboscaram no portão de saída. Com hematomas no rosto, ela só voltou a estudar 20 dias depois.

— Preciso levá-la e buscá-la todos os dias. Ela ficou traumatizada — lamenta o pai, que aguarda uma audiência marcada para novembro para que o caso seja resolvido judicialmente.


Já a agressão a Ágatha Luana Roque, em abril, deixou sequelas neurológicas. A menina de 16 anos sofreu traumatismo craniano e, segundo sua mãe, “pisca sem parar, por conta da pancada forte”. Ela também teve os cabelos cortados. O espancamento, a cargo de duas outras garotas, ocorreu dentro da sala de aula na Escola Estadual Castelo Branco, no bairro Vila Cláudia, em Limeira (SP). Depois de quase um mês em casa para se recuperar das lesões, ela voltou às aulas, desta vez em outra escola, onde ainda sofre com o bullying dos colegas.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Mais da metade das pessoas se arrepende de divórcio


foto: Luciola Villela / EXTRA
foto: Luciola Villela / EXTRA
Camilla Muniz, no Extra

Decidir pelo divórcio é sempre difícil. Tanto que, passado o calor do momento, mais da metade das pessoas se arrepende. Foi o que mostrou uma pesquisa realizada no Reino Unido com 2 mil pessoas: nada menos do que 54% admitiram que ficaram se perguntando se fizeram mesmo a escolha certa, e a resposta foi “não”.

Para alguns, o arrependimento foi tão grande que 42% consideraram dar uma nova chance ao relacionamento. Desses, 21% estão juntos do ex-parceiro novamente.

Segundo a psicóloga e terapeuta de casais Daniela Ervolino, do Psicolink, situações como essas são comuns também no Brasil.

— Muitos casais se separam por impulso. Cada vez mais as pessoas querem resolver tudo instantaneamente e têm menos paciência para se dedicar ao relacionamento — avalia.

Para a especialista, em geral, o arrependimento no divórcio se deve à falta de flexibilidade e de abertura para o diálogo enquanto a relação existia — dois erros que levam à separação precipitada.

— As pessoas não conversam sobre os problemas por medo de iniciar uma discussão, por preguiça e por achar que o outro já deveria saber determinada coisa. Falar e ouvir é fundamental — afirma a psicóloga.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

O que o amor significa para crianças de 4 até 8 anos


Todo mundo fala dele, todo mundo o quer, mas, afinal, o que é o amor? Para o poeta português Luís de Camões, é o fogo que arde sem se ver, já para o sertanejo, amor é o que mexe com a cabeça, é o que faz pensar no outro e esquecer de si. Faz sentido?

publicado no Hypeness

Educadores resolveram, então, fazer essa pergunta a um grupo de crianças que tinham de 4 a 8 anos. E as respostas são de deixar poeta, sertanejo, nós e você arrepiados.

Confira algumas delas e, como dizem os muros por aí, mais amor, por favor!

Crianças definem o amor

Crianças definem o amor

Crianças definem o amor

Crianças definem o amor

Crianças definem o amor

Crianças definem o amor

Crianças definem o amor

sábado, 31 de maio de 2014

Sem perdão não existe amanhã


Ed René Kivitz no Facebook

A família é o lugar dos maiores amores e dos maiores ódios. Compreensível: quem mais tem capacidade de amar, mais tem capacidade de ferir. A mão que afaga é aquela de quem ninguém se protege, e quando agride, causa dores na alma, pois toca o ponto mais profundo de nossas estruturas afetivas. Isso vale não apenas para a família nuclear: pais e filhos, mas também para as relações de amizade e parceria conjugal, por exemplo.

Nos anos de experiência pastoral observei que poucos sofrimentos se comparam às dores próprias de relacionamentos afetivos feridos pela maldade e crueldade consciente ou inconsciente. Os males causados pelas pessoas que amamos e acreditamos que também nos amam são quase insuperáveis. O sofrimento resultado das fatalidades, como doenças fatais e acidentes naturais, são acolhidos como vindos de forças cegas, aleatórias e inevitáveis. Às vezes encaradas como vindas de Deus. Mas a traição do cônjuge, a opressão dos pais, a ingratidão dos filhos, a rixa entre irmãos, nos chegam dos lugares menos esperados: a peçonha mortal está justamente no ninho onde deveríamos nos sentir protegidos.

Poucas são minhas conclusões, mas enxerguei pelo menos três aspectos dessa infeliz realidade das dores do amar e ser amado. Primeiro, percebo que a consciência da mágoa e do ressentimento nos chega inesperada, de súbito, como que vindo pronta, completa, de algum lugar, mas quando chega nos permite enxergar uma longa história de conflitos, mal entendidos, agressões veladas, palavras e comentários infelizes, atos e atitudes danosos, que foram minando a alegria da convivência, criando ambientes de estranhamento e tensões e promovendo distâncias abissais. Quando nos percebemos longe das pessoas que amamos é que nos damos conta dos passos necessários para que a trilha do estranhamento fosse percorrida: um passo de cada vez, muitos deles pequenos e que na ocasião foram considerados irrelevantes, mas somados explicam as feridas profundas dos corações.

Outro aspecto das dores do amar e ser amado está no paradoxo das razões de cada uma das partes. Acostumados a pensar em termos da lógica cartesiana: 1 + 1 = 2 e B vem depois de A e antes de C, nos esquecemos que a vida não se encaixa no padrão “se–então” do mundo das ciências exatas. Pessoas não são máquinas, emoções e sentimentos não são números, relacionamentos não são engrenagens. Imaginar que as relações afetivas podem ser enquadradas na simplicidade dos conceitos certo e errado, verdade e mentira, preto e branco é uma ingenuidade. A vida é zona cinzenta, pessoas podem estar certas e erradas ao mesmo tempo, cada uma com sua razão, e a verdade de um pode ser a mentira do outro. Os sábios ensinam que “todo ponto de vista é a vista de um ponto”, e considerando que cada pessoa tem seu ponto, as cores de cada vista serão sempre ou quase sempre diferentes. Isso me leva ao terceiro aspecto.

Justamente porque as feridas dos corações resultam de uma longa história, lida de

terça-feira, 27 de maio de 2014

Antes de morrer, pai grava vídeo emocionante de despedida para filha de 7 meses


publicado no Razões para Acreditar

Essa é uma daquelas histórias que nos fazem repensar na vida e em nossas atitudes. , a gravar uma mensagem de adeus para sua filha Austin, de 7 meses.
Nick Magnotti, 27 anos, de Washington, EUA, já vinha lutando contra um câncer no apêndice há quase 3 anos, e as sessões de quimioterapia já não estavam mais melhorando seu quadro clínico e sua cirurgia de remoção do câncer não havia saído como o previsto. Durante esse momento dramático, Nick e sua esposa resolveram encarar tudo de uma forma mais forte e corajosa e resolveram ter um filho, que 9 meses depois nasceu com o lindo nome da menina Austin.
Seu câncer continuou agindo internamente, então Nick resolveu parar com a quimioterapia, pois a doença estava espalhando-se mais rápido que a cura, e decidiu aproveitar todos os momentos possíveis com sua família: “cada dia que posso passar com ela, é a maior de todas as bênçãos”, diz Nick.
Nick se sente abençoado, pois ele pôde deixar um vídeo de despedida para sua filha e conseguiu aproveitar intensamente de forma intensa, verdadeira, plena e com muito amor. Vale a pena assistir(ative a legenda em português):

despedida despedida2 despedida3 

sexta-feira, 7 de março de 2014

O dia em que parei de dizer “Anda Logo”

Por Rachel Macy Stafford, Revista Crescer
filha de Rachel se diverte com sombra (Foto: reprodução / Hands Free Mama)

Quando você leva uma vida distraída, cada minuto precisa ser contabilizado. Parece que você está sempre riscando alguma coisa da lista, olhando para uma tela ou correndo para o próximo compromisso. E por mais que tente dividir seu tempo e atenção de um jeito ou de outro, por mais deveres que tente equilibrar ao mesmo tempo, o dia nunca dura o suficiente para correr atrás do prejuízo.

Essa foi minha vida durante dois anos de correria. Meus pensamentos e minhas ações eram controlados por alertas eletrônicos, toques de celular e agendas abarrotadas. Apesar de cada gota do meu sargento interior me mandar chegar a tempo para cada compromisso em meus dias superlotados, eu não conseguia.

Acontece que seis anos atrás, eu fui abençoada com uma filha calma e despreocupada, daquelas que sabe relaxar um pouco e aproveitar o mundo.

Quando eu precisava já estar fora de casa, ela escolhia uma bolsa e uma tiara com todo o tempo do mundo.

Quando precisava estar em algum lugar cinco minutos atrás, ela insistia em colocar seu bichinho de pelúcia na cadeirinha do carro e apertar o cinto de segurança.

Quando eu precisava pegar um almoço rápido no Subway, ela queria conversar com a velhinha que parecia sua avó.
Quando eu tinha 30 minutos para dar uma corridinha, ela queria que eu parasse o carrinho para acariciar todos os cachorros do caminho.

Quando eu tinha um dia cheio que começava às seis da manhã, ela pedia para quebrar os ovos e mexê-los bem devagarinho.
filha de Rachel se diverte com flor (Foto: reprodução / Hands Free Mama) Minha filha calma e despreocupada foi uma dádiva para minha natureza workaholic e frenética, mas eu não enxergava isso. Não, nem de perto.

Quem leva a vida distraída está sempre usando viseiras, sempre de olho no próximo item da agenda. E tudo que não pode ser riscado da lista é pura perda de tempo.

Sempre que minha filha me forçava a desviar do meu cronograma, eu pensava “Não temos tempo para isso”. Por consequência, as duas palavras que mais dizia para minha pequena amante da vida eram: “Anda logo”.

Eu começava minhas frases com elas.
Anda logo, vamos chegar atrasados.

Eu terminava minhas frases com elas.
Vamos perder tudo se você não andar logo.

Eu começava meu dia com elas.
Anda logo e come esse café da manhã de uma vez.
Anda logo e vai se vestir.
Eu terminava meu dia com elas.

Anda logo e vai escovar os dentes.
Anda logo e vai dormir.
E apesar das palavras “anda logo” não fazerem nada para acelerar minha filha, eu as repetia ainda assim. Talvez até mais do que aquelas outras palavrinhas, “eu te amo”.

A verdade dói, mas a verdade cura... e me deixa mais próxima da mãe que quero ser.

Até que chegou o dia fatídico e tudo mudou. Havíamos acabado de buscar minha filha mais velha do jardim de infância e estávamos saindo do carro. Como a menor não estava saindo rápido o suficiente, a mais velha disse para a irmãzinha: “Você é tão lenta”. E então ela cruzou os braços e soltou um suspiro de frustração. Foi como me ver no espelho, e a sensação foi horrível.

Eu estava fazendo bullying com minha própria filha, pressionando e apressando uma criancinha que simplesmente queria aproveitar a vida.

Meus olhos se abriram. Eu enxerguei os danos que minha existência apressada estavam causando em minhas duas filhas.

Minha voz tremeu, mas eu olhei nos olhos da minha pequenininha e disse: “Desculpa por estar fazendo você se apressar tanto. Eu adoro que você faz as coisas com calma e queria ser mais parecida com você”.

Minhas duas filhas pareceram igualmente surpresas com minha admissão dolorosa, mas o rosto da mais novo tinha um brilho inconfundível de validação e aceitação.

“Prometo que vou ser mais paciente a partir de hoje”, eu disse, abraçando minha menininha de cabelo cacheado, que agora sorria com a promessa da mãe.

Foi fácil riscar a expressão “anda logo” do meu vocabulário. Mais difícil foi adquirir a paciência para esperar minha filha mais descansada. Para ajudar nós duas, comecei a dar a ela mais tempo para se preparar quando tínhamos que ir a algum lugar. Às vezes, ainda assim chegávamos atrasadas. Eram os momentos em que eu repetia para mim mesma que só teria mais alguns poucos anos de atraso, enquanto ela fosse jovem.

Quando saíamos para caminhar ou íamos ao mercado, eu deixava minha filha determinar o ritmo. E quando ela parava para admirar alguma coisa, eu tentava esquecer minha agenda e simplesmente assistia o que ela estava fazendo. Vi expressões no rosto dela que nunca tinha encontrado antes. Estudei as covinhas em suas mãos e o jeito que seus olhos se enrugavam quando ela sorria. Vi o modo como as outras pessoas reagiam quando minha filha parava para conversar com elas. Vi o modo como ela encontrava insetos interessantes e flores bonitas. Ela era uma Percebedora, e logo descobri que os Percebedores são dádivas raras e belas. Foi quando finalmente entendi que ela era um presente dos céus para minha alma frenética.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A emocionante história da mãe com câncer terminal que escreve cartas para o filho ler no futuro

Voltamos das férias com esta emocionante história... 

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Publicado no Hypeness
O sonho de Rowena sempre foi ter 4 filhos. Quando casou com Phil, não esperaram muito para ter o primeiro: Freddie. Mas, infelizmente, logo após dar a luz, ela foi diagnosticada com câncer no intestino.
HYPENESS_Cancer_1Depois de dois anos lutando contra a doença, duas cirurgias e várias sessões de quimioterapia, em agosto de 2012 ela soube que não teria mais chances de viver, pois seu câncer estava avançado demais. Foi quando ela se deu conta que não queria passar seus últimos meses de vida lamentando o que tinha acontecido: “Eu não posso desperdiçar o meu tempo chorando. É claro que já passei por maus momentos, pois a última coisa que quero é deixar o Freddie. Por isso, eu não posso deixar que meu tempo seja absorvido pela tristeza já que isso não fará bem algum. O mais importante é passar o maior tempo possível com o meu filho, deixando memórias incríveis para que ele se lembre de mim quando eu não estiver mais por perto”.
HYPENESS_Cancer_2jpgDesde então, Rowena tem dedicado sua vida a imaginar os mais diferentes jeitos de fazer com que ele sempre se lembre dela. Ela gravou um CD com suas músicas favoritas e outras canções de ninar. Deixou uma conta de e-mail com vários e-mails falando sobre como ela era, suas falhas, o que a deixava feliz ou aborrecida e fez cartões de aniversário e Natal até que ele complete 21 anos. Outros momentos importantes como o primeiro dia de aula, a graduação e até o casamento também vão ter o seu cartão especial.
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Menina escreve carta para Deus e ‘recebe’ resposta emocionante

Meredith de apenas 4 anos, perdeu sua cadelinha de 14 anos, Abbey. A menina ficou muito triste e pediu para sua mãe se podia escrever uma carta para Deus e como a menina não parava de chorar, sua mãe acabou escrevendo pela garota. Meredith ditou as seguintes palavras:
“Querido Deus.
O Senhor poderia tomar conta da minha cadela? Ela morreu ontem e está aí no céu com o Senhor. Estou com muitas saudades dela. Fico feliz porque o Senhor a deixou conosco mesmo que ela tenha ficado doente. Espero que o  Senhor brinque com ela. Ela gosta de nadar e de jogar bola. Estou mandando uma foto dela para que assim que a veja, o Senhor reconheça logo que é a minha cadela. Eu sinto muita saudade dela. Meredith.”
Abbey-Meredith
A mãe de Meredith endereçou para “Deus no céu”, endereçando o remetente para seu próprio endereço.
Passado alguns dias, a família se deparou com uma surpresa, um pacote com um cartão endereçado à Meredith em uma caligrafia desconhecida. Seu conteúdo era o livro escrito por Mr. Rogers, intitulado “Quando um animal de estimação morre” com um bilhete cor de rosa, escrito à mão:
“Querida Meredith,
A Abbey chegou bem ao Céu. A foto, que você me enviou, ajudou muito e eu a reconheci imediatamente. Abbey não está mais doente. O espírito dela está aqui comigo assim como está no seu coração. Ela adorou ter sido seu animal. Como não precisamos de nossos corpos no Céu, não tenho bolso para guardar a sua foto. Assim, a estou devolvendo dentro do livro para você guardar como uma lembrança da Abbey. Obrigado por sua linda carta e agradeça à sua mãe por tê-la ajudado a escrevê-la e enviá-la a mim. Que mãe maravilhosa você tem! Eu a escolhi especialmente para você. Eu envio minhas bençãos todos os dias e lembre-se que amo muito vocês. A propósito, sou fácil de encontrar: estou em todos os lugares onde exista amor. Com amor, Deus”.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Onda de suicídio de pastores assustam fiéis


Por Hermes C. Fernandes, no Cristianismo Subversivo

Nos últimos trinta dias, três pastores americanos famosos cometeram suicídio. O primeiro deles foi Teddy Parker Jr., de 42 anos, pastor da Igreja Batista Bibb Mount Zion, na Geórgia, que se matou com um tiro na cabeça, após ter ministrado no culto matinal de sua igreja. Na última semana, o pastor Ed Montgomery, líder da Assembleia Internacional do Evangelho Pleno, em Illinois, ainda em luto pela morte da esposa, atirou em si mesmo na frente de sua mãe e filho. No dia 10 de dezembro, foi a vez do Pr. Isaac Hunter, fundador da mega igreja Summit em Orlando, Flórida. Este caso em particular chamou a atenção da mídia secular, pois o pai de Isaac, o também pastor Joel Hunter, é conselheiro espiritual de Barack Obama. Joel é líder da Northland, uma das igrejas que mais crescem nos EUA, e tem sofrido severas críticas por parte de líderes mais conservadores devido à sua aproximação do presidente. Conheci-o pessoalmente durante minha estada na América. Em nosso longo papo em seu gabinete, Joel demonstrou ser um homem visionário e humilde, totalmente comprometido com a agenda do reino de Deus.

Apesar de mais recentes, estes não são casos isolados de suicídios envolvendo pastores e familiares. O mundialmente conhecido tele-evangelista Oral Roberts, considerado um dos gurus do neopentecostalismo, também perdeu seu filho em suicídio depois de ter sido severamente repreendido pelo pai ao declarar-se homossexual em rede nacional. Recentemente, o pastor Franck Page, ex-presidente da Convenção Batista do Sul dos EUA também perdeu sua filha Melissa em função de um suicídio.

Mas, provavelmente, o caso mais célebre foi o do filho caçula de Rick Warren, considerado o pastor mais influente deste início de século nos EUA. Matthew Warren tinha apenas 27 anos, e, segundo seus pais, lutou a vida inteira contra a depressão. Em abril deste ano, Mattew resolveu por um fim em sua luta, suicidando-se com um tiro após uma reunião familiar.

O que estaria por trás desta onda de suicídios? Corremos o risco de vê-la chegar em nosso país? Estaríamos prontos para lidar com isso? Talvez Deus esteja permitindo isso para chamar nossa atenção para a gravidade do problema. Afinal, não somos uma classe privilegiada, imunde a este tipo de coisas.

As estatísticas não são nada animadoras. De acordo com o Instituto Schaeffer, 70% dos pastores lutam constantemente com a depressão, e 71% se dizem esgotados. Além disso, 80% acredita que o ministério pastoral afeta negativamente as suas famílias, e 70% dizem não ter um “amigo próximo”. Talvez estes dados nos forneçam um retrato da condição emocional da maioria daqueles que ocupam nossos púlpitos.

Recentemente, deparei-me com uma frase postada no facebook que dizia: "É melhor um fim honroso do que um horror sem fim." Seria isso que se passa na mente de quem resolve dar cabo de sua existência terrena?

Duas coisas me preocupam quanto a isso. Primeiro, precisamos buscar maneiras de evitar que aconteçam mais suicídios entre pastores e familiares. Segundo, temos que consolar às famílias que perderam entes queridos pelo suicídio.

Se dermos atenção excessiva ao primeiro ponto, poderemos evitar alguns suicídios, ao passo que traremos um jugo insuportável sobre famílias que perderam alguém desta maneira tão cruel. Por exemplo: se insisto com a tese de que suicidas estarão irremediavelmente condenados ao inferno, talvez consiga evitar que alguns cheguem a este ato extremo, fazendo-os preocupar-se com o destino de suas almas. Todavia, isso produzirá um sofrimento ainda maior à família. Imagine ter que conviver com a ideia de que seu familiar querido foi condenado ao inferno por haver se suicidado. Sinceramente, penso que não é por aí que evitaremos o problema.

Não há nenhum passagem bíblica que seja clara quanto a isso. Particularmente, creio ser possível a salvação de um suicida. Se tiver dúvidas quanto a isso, sugiro que assista ao vídeo postado abaixo, bem como às suas continuações disponíveis em nosso canal no Youtube. Neles apresento bases teológicas para o que digo aqui.

Então, como podemos evitar que alguém, no auge de uma depressão, incorra numa decisão tão drástica?

Primeiro, precisamos rever a maneira como temos pregado o evangelho, geralmente centrado no bem-estar do indivíduo. A proposta encontrada no evangelho da graça é de que haja um deslocamento do eixo de nossa vida, ao que as Escrituras chamam de conversão. Nosso ego é crucificado com Cristo, de forma que, deixamos de viver em função de nosso aprazimento, passando a viver para Deus e para o bem daqueles que nos cercam.

Quando o indivíduo decide suicidar-se, seu objetivo é por fim à sua dor, sem importar-se com a dor que provocará naqueles que o cercam. Todo suicida deveria considerar que o fim de sua dor será o início de uma dor sem fim para aqueles que o amam. O problema se agrava quando o suicida chega à conclusão de que ninguém se importa. Ainda que não se sinta devidamente amado, se ele ama conforme Jesus ordenou, certamente não vai querer ser motivo de dor para ninguém.

Segundo, temos que combater o preconceito que muitos cristãos têm contra a psicologia e a psiquiatria. Oração, leitura da Bíblia, adoração, são disciplinas importantes na caminhada cristã. Entretanto, não se pode prescindir de ajuda profissional quando o problema parece agravar-se. Assim como procuramos o dentista para resolver o problema da dor de dente, e o cardiologista para tratar de cardiopatias, deveríamos procurar ajuda psicológica para tratar de nossas crises e depressões.

Terceiro, devemos cultivar em nossos lares, bem como em nossas igrejas, um ambiente em que cada um tenha liberdade para externar seus conflitos internos, sem receio de ser rejeitado. Como disse o apóstolo, onde está o Espírito de Deus, aí há liberdade. Não se trata de liberdade para fazer o que quiser, mas de liberdade para ser o que é. Sem máscaras. Sem mentiras ou meias verdades.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Assim surgiu a brincadeira da Girafa

imagem: Reprodução/DesktopNexus
imagem: Reprodução/DesktopNexus
David Castillo, no Facebook [via Pavablog]
Diabo: Precisamos pensar em uma nova estratégia para dominar a mente das pessoas.
Sub-Diabo: Hum… deixa eu ver se descubro algo novo no Google.
Diabo: Tá… mas antes deixa eu ver meu face.
Sub Diabo: Isso chefe, o Face!
Diabo: Que tem o Face? Deixei o meu aberto?
Sub Diabo: Não chefe, o que eu quero dizer é que a gente tem q usar o Face pra conquistar a galera.
Diabo: Interessante, fale-me mais sobre isso!
Sub Diabo: Vamos criar uma charadinha com uma mensagem subliminar no meio, aí quem não acertar a gente domina a mente e faz ele fazer coisas imbecis…
Diabo: Ae… curti, pode entrar no meu face pra gente começar.
Sub Diabo: Vou entrar… opa, já tava logado… mas pera aí, esse é o perfil do Rafinha Bastos.
Diabo: Droga, esqueci de sair do meu fake… sai e entra de novo!
Sub Diabo: Beleza chefe, oq a gente faz agora?
Diabo: Antes de mais nada deixa eu cutucar o Feliciano… adorooo.
Sub Diabo: Boa.
Diabo: Bom, escreve ai uma historinha que se passa às 3 da manhã.
Sub Diabo: Mas chefe… assim o senhor está revelando o horário ultra-secreto em que os portais do inferno são abertos para nossos enviados espalhar a impureza sobre as vidas e…
Diabo: Heim?
Sub Diabo: Tá… depois não diga que eu avisei?
Diabo: Escreve aí que às 3 da manhã chega alguém pra tomar café na sua casa…
Sub Diabo: Até parece… a essa hora eu só abro a porta se for meus pais.
Diabo: Boa, escreve aí que quem chega são seus pais!
Sub Diabo: Meus pais?
Diabo: Não sua besta… os pais de quem ta lendo!
Sub Diabo: Ah tá…

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

'Síndrome do celibato': por que os jovens do Japão não fazem mais sexo?

  • Japoneses hoje preferem investir na carreira a casar ou ter um relacionamento;
    pesquisa mostra que, no Japão, um terço das pessoas com menos de 30
    anos nunca teve qualquer tipo de experiência amorosa. Taxa de natalidade em 2012
    foi a menor de que se tem registro no país (Reprodução/The Guardian)

    no UOL.

    Japoneses com menos de 40 anos de idade parecem estar perdendo o interesse nos relacionamentos convencionais. De acordo com reportagem publicada pelo jornal britânico "The Guardian", a mídia do Japão tem tratado o fenômeno como "síndrome do celibato".

    Para o governo japonês, essa síndrome pode significar uma catástrofe iminente. O Japão já tem uma das menores taxas de natalidade do mundo, e a atual população de 126 milhões de pessoas --que vem diminuindo nos últimos dez anos-- pode ser reduzida em 30% até 2060, segundo projeções feitas no país.

    Milhões de japoneses não estão sequer namorando, e o número de pessoas solteiras atingiu seu recorde. Uma pesquisa realizada em 2011 constatou que 61% dos homens e 49% das mulheres com idade entre 18 e 34 anos não mantinham qualquer tipo de relação romântica com outra pessoa. Outra pesquisa mostrou que um terço das pessoas com menos de 30 anos nunca havia tipo uma experiência amorosa --na vida.

    Dados oficiais mostram, ainda, que o número de bebês nascidos no Japão em 2012 é o menor de que se tem registro. Além disso, com o aumento da população de idosos, as vendas de fraldas geriátricas ultrapassaram as de fraldas para bebês pela primeira vez em 2012. Para Kunio Kitamura, da Associação de Planejamento Familiar, a crise demográfica é tão grave que o Japão "pode eventualmente acabar em extinção".

    Nesse cenário, surgiu, então, o profissional que trabalha como conselheiro de sexo e relacionamento, a fim de tentar curar a chamada "síndrome do celibato". Ai Aoyama, 52 --que cerca de 15 anos atrás ganhou a vida como dominatrix profisisonal-- é uma dessas conselheiras. Ela diz que, hoje, seu trabalho é muito mais desafiador.
    A ex-dominatrix Ai Aoyama, 52, conselheira de sexo e relacionamento, e
    um de seus clientes

    "Recebo mais homens, mas a presença das mulheres está aumentando", disse Aoyama, que trabalha em Tóquio. "Eu uso terapias como ioga e hipnose para relaxá-los e ajudá-los a entender o modo como o corpo do ser humano real funciona", disse ela, que às vezes --por uma taxa extra-- pode ficar nua para seus clientes do sexo masculino, a fim de guiá-los fisicamente em torno da forma feminina. "Mas sem absolutamente qualquer relação sexual", afirma. Como exemplo, ela cita um cliente de 30 anos, virgem, que só fica excitado quando vê robôs femininos em games, algo semelhante àqueles da série Power Rangers.


    Aoyama afirma que, além do sexo casual, vê o crescimento da procura por pornografia online e "namoradas virtuais". Ou então, opina, estão substituindo o sexo por outras formas de relaxamento e diversão.

    A pressão para se conformar ao modelo de família anacrônico do Japão --marido assalariado que trabalha 20 horas por dia e mulher dona de casa-- permanece forte, e talvez essa seja uma das explicações para o fenômeno do celibato. Ironicamente, o sistema que produziu papéis conjugais segregados também criou o ambiente ideal para aqueles que querem ficar só, sem qualquer incômodo, como costumam falar. "As pessoas não sabem para onde ir. Elas vêm até mim porque pensam que, por querer algo diferente, há algo de errado com elas", conta Aoyama.

Família X Trabalho


Embora as mulheres japonesas sejam cada vez mais independentes e ambiciosas, no mundo corporativo japonês é quase impossível que a mulher consiga combinar carreira e família. Assim, as mulheres japonesas hoje encaram o casamento como o "túmulo" da carreiras conquistada --cerca de 70% das mulheres japonesas deixam seus empregos depois de seu primeiro filho, e o Fórum Econômico Mundial classifica o Japão como um dos piores países do mundo para a igualdade de gênero no trabalho.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Fundamentalismo gera trauma religioso


foto: Arquivo pessoal
foto: Arquivo pessoal
Grazieli Gotardo, no Jornal Extra Classe [via Pavablog]
Marlene Winell, norte-americana, é psicóloga, educadora e escritora, com 28 anos de experiência tanto em atendimentos clínicos, quanto na área acadêmica. Doutora em Desenvolvimento Humano e Estudos da Família da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, é a autora do livro Leaving the Fold: A Guide for Former Fundamentalists and Others Leaving their Religion, ainda sem edição em português. Trata-se de um guia sobre como identificar e se livrar de problemas desencadeados por religiões fundamentalistas. Marlene cunhou o termo Síndrome do Trauma Religioso para classificar os sintomas de pacientes que sofrem de transtornos mentais em decorrência da doutrinação dessas crenças. Para ela, religião é algo que não deve ser ensinado para crianças e o fundamentalismo rouba a identidade das pessoas.
Extra Classe − O que é a Síndrome do Trauma Religioso e como você desenvolveu sua teoria?
Marlene Winell
 – É a condição vivida por pessoas que estão lutando para sair de uma religião autoritária, dogmática e sofrendo os danos dessa doutrinação. Eles podem estar passando por um momento de quebra de conceitos e de paradigmas pessoais ou rompendo com uma comunidade ou estilo de vida controlador. Os sintomas dessa síndrome podem ser mais facilmente comparados com o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, que resulta da experiência de ser confrontado com a morte ou lesões graves que provocam sentimentos de terror e impotência. Como no Transtorno de Estresse Pós-Traumático, o impacto da Síndrome do Trauma Religioso é de longa duração, com pensamentos intrusivos, estados emocionais negativos, convivência social deficiente e outros problemas.
Eu mesma sofri com isso por algum tempo. Foi quando comecei a escrever sobre minha recuperação de uma religião cristã fundamentalista, que me dei conta que não estava sozinha. Muitas pessoas também estavam ansiosas para falar de seu sofrimento. Desde então, tenho trabalhado com clientes na área de “recuperação da religião” e escrevi um livro. Meus estudos têm como base resultados clínicos de 20 anos de atendimento psicológico.
foto: Igor Sperotto
foto: Igor Sperotto
EC − Como a Síndrome do Trauma Religioso pode ser reconhecida em uma pessoa?
Marlene
 – A Síndrome do Trauma Religioso é vivida de diferentes maneiras e depende de uma variedade de fatores. Alguns sintomas-chave são confusão mental, dificuldade em tomar decisões e pensar por si mesmo, falta de sentido ou direção na vida, baixa autoestima, ansiedade de estar no mundo, ataques de pânico, medo da condenação, depressão, pensamentos suicidas, distúrbios do sono e alimentares, abuso de substâncias, pesadelos, perfeccionismo, desconforto com a sexualidade, imagem corporal negativa, problemas de controle de impulso, dificuldade de desfrutar o prazer ou estar presente aqui e agora, raiva, amargura, traição, culpa, sofrimento e perda, dificuldade em expressar emoções, ruptura da rede familiar e social, solidão, problemas relacionados com a sociedade e questões de relacionamento pessoal.
Os sintomas podem variar de acordo com os ensinamentos e práticas específicas de determinadas igrejas, pastores ou dos pais. As pessoas mais sensíveis à síndrome são aquelas que foram criadas dentro de uma determinada religião, protegidas do resto do mundo ou de uma religião muito controladora. A Síndrome do Trauma Religioso é uma realidade. Embora possa ser mais fácil de entender os danos causados por um abuso sexual ou um desastre natural, as práticas religiosas podem ser tão prejudiciais quanto esses traumas. Mais e mais pessoas precisam de ajuda e o tabu sobre criticar as religiões precisa ser questionado.
EC − Como é o tratamento? É possível comparar com a recuperação da dependência de drogas?
Marlene − Essa é uma questão muito profunda e eu estou no processo de escrever e fazer pesquisas sobre as melhores práticas. Há alguma semelhança com o vício de drogas no sentido em que as pessoas tentam encontrar formas de evitar a responsabilidade por suas vidas, e a recuperação é difícil porque requer que você enfrente este problema. No entanto, eu prefiro comparar com o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, especialmente se a doutrinação ocorreu na primeira infância. O medo do inferno incutido nas crianças, por exemplo, pode criar um trauma de longa duração.
EC − Como as vítimas do fundamentalismo religioso podem se reconhecer e, depois disso, o que devem fazer?
Marlene − Esta é uma pergunta difícil, porque é como uma esposa maltratada reconhecer que é vítima de violência doméstica e se separar. Em ambos os casos, a vítima sente que a culpa é sua pelos problemas e tende a insistir para permanecer na situação. Essas pessoas normalmente também têm pouco conhecimento de outras opções de vida. Por isso, a melhor maneira de começar é se informar. Não tenha medo de questionar o que lhe foi ensinado ou descobrir o que outras pessoas podem fazer para ajudá-lo.
entrevista_3EC − Você diz que quem “sair do rebanho” geralmente perde a identidade individual e tem problemas de autoestima. Por quê?
Marlene − Na verdade, a pessoa passa por um período de confusão sobre isso porque ela foi ensinada a formar sua identidade pessoal afim de identificar-se com Deus e considerar apenas Deus como algo bom e valioso. Normalmente, eles acreditam que são pecadores desde o nascimento e precisam ser salvos, portanto, não veem nenhum valor além da graça de Deus. Quando deixam sua fé e suas crenças precisam reconstruir a autoestima e senso de identidade. Eu não diria que eles perdem a identidade quando deixam sua fé, pelo contrário, a religião já roubou sua identidade e outros aspectos do seu desenvolvimento pessoal. Então, quando eles saem, eles têm muito trabalho para descobrir quem são, aprender o amor próprio, autocuidado e autoconfiança, tudo que era considerado pecado e orgulho, de acordo com suas religiões.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Tarefas do lar tiram tempo de estudo de meninas, aponta pesquisa

imagem: Internet

Sabine Righetti, na Folha de S.Paulo

Quase 40% das meninas brasileiras discordam que são tão inteligentes quanto os meninos. E mais de 10% delas não se orgulha e nem se sente feliz por ser menina.

Os dados são da ONG britânica Plan International, que entrevistou 1.948 meninas de seis a 14 anos nas cinco regiões do Brasil.

O estudo mostra que as garotas se enxergam de modo diferente dos meninos –e que são tratadas de maneira desigual por suas famílias.

Entre as entrevistadas, 76,8% disseram que lavam a louça em casa, mas que só 12,5% de seus irmãos meninos fazem a mesma tarefa.

“Eu arrumo a minha cama e a dos meus dois irmãos”, conta L., 14, uma das meninas atendidas pela Plan em São Luís do Maranhão.

Ela diz que gasta uma hora e meia todos os dias com as tarefas do lar. No tempo que sobra, ela estuda “bastante”, pois quer ser médica.

“As meninas se ocupam mais de tarefas do lar e acabam tendo menos tempo que os meninos para brincar ou estudar”, explica Célia Bonilha, assessora de gênero da Plan. “Isso pode ser muito prejudicial na escola.”

Segundo a pesquisa, 76,3% das brasileirinhas revelaram que são cuidadas principalmente pela mãe. O pai está presente nos cuidados de uma em cada quatro delas.

“O ‘cuidar’ ainda é tido como atividade especialmente feminina”, diz Bonilha.

Os dados mostram ainda um possível quadro “mascarado” de violência em casa.

Apesar de a maioria das meninas dizer que se sente “bem” em casa, cerca de 60% delas não quiseram responder se recebem castigos.

“O fato de não responderem não significa que não saibam a resposta. O silêncio diz muito”, analisa Bonilha. 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Professores da vida

Fábio Porchat, no Estadão [via Livros e Pessoas]
Policial lança jato de gás de pimenta em professores em greve - Marcos de Paula/Estadão
Policial lança jato de gás de pimenta em professores em greve – Marcos de Paula/Estadão
Eu estudei a minha vida toda numa mesma escola, o Nossa Senhora do Morumbi. Da primeira série ao terceiro colegial. (Nem sei mais como chama hoje, “colegial” mudou pra “nono ano”, sei lá, to me sentindo que nem minha mãe que falava que estudou no científico. Às vezes, a gente não envelhece, envelhecem a gente. Enfim…) Tenho as melhores lembranças possíveis de lá. A começar pelo ambiente, um pedaço de mata Atlântica no meio da cidade. Fazíamos passeios pelo meio do mato dentro da própria escola, olha que legal! Soube que estão querendo destruir a mata para a construção de condomínios e afins. Sou contra e fica aqui o meu apoio aos que lutam pra manter o verde de pé.
Lembro da minha primeira professora. Tia Itamara. Ela era ótima. Lembro que a turma toda gostava dela e ela era uma pessoa muito doce. Na segunda série, veio a Tia Ingrid (que dizia que não era nossa tia). Era severa, mas eu adorava. Talvez porque eu e o Alexandre (meu grande amigo até hoje) éramos seus preferidos. Lembro que de vez em quando, no finzinho da tarde, a Ingrid ficava fitando o horizonte com um olhar perdido, como se lembrasse de alguém, ou estivesse feliz por existir. Era nesse dia que a classe podia fazer a maior bagunça que ela nem ligava.
A Vivian (não mais tia agora) foi nossa professora na terceira e na quarta série. Ela era perfeita. Divertida, boa professora, atenciosa, propunha atividades, nos ouvia, nos aguentava, era rígida no ponto certo, coroou o fim do primeiro grau. Quando entrei pra quinta série, aconteceu o pior. Passei a estudar de manhã. Acordar às seis e quinze da manhã em São Paulo é o que eu chamo de punição/tortura/porquê. É um frio cão. Uma tristeeeeeza. No lugar de um professor, vários. Da quinta a oitava me lembro de muitos. Dona Lídia, de História, era uma das minhas favoritas. Muito por causa dela, que era divertida sem saber que o era, porque falava com um sotaque muito curioso de paulistana da Mooca, mas que ensinava muito bem, e muito também porque História sempre foi minha matéria preferida.
Dona Tereza (não sei se era com ‘s’ ou com ‘z’) foi uma professora de português que me marcou muito. Ela me ensinou como ler contos e poesias. Lembro até hoje o do Café com Pão. Ela me incentivou muito a ler. Nos deixava ler, entre um clássico e outro, o livro que quiséssemos e isso foi uma maravilha. Ela era super séria, firme, mas precisa. Dona Beth me fez odiar menos a matemática. Miss Vivian era divertidíssima. Newton, meu professor de educação física era um cara boa gente, bom de papo e que adorava misturar futebol com outros esportes. Trivelato, meu professor de Ciências, era imbatível. Ótimo, e de tão fechado, hilário. Um dia jogou um apagador na parede. Todos ficaram mudos e ele: isso é velocidade e atrito. Fiquei amigo de seu filho Guilherme (cadê você?) e íamos pro seu sítio, onde passei parte da minha adolescência.
Esses e muitos outros foram responsáveis por me tornar quem eu sou hoje. E eu tenho certeza de que você também é muito daqueles seus professores. Hoje, os professores, estão nas ruas do Rio de Janeiro reivindicando um aumento de salário, melhores condições e mudanças (necessárias) na área

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