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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Vaticano desmente a mídia: Nem o Sínodo nem o Papa Francisco tomaram decisões doutrinais

Sínodo da Família. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Digital
via ACI digital|

Após uma série de notícias difundidas ontem sobre uma suposta mudança doutrinal da Igreja a respeito dos casais homossexuais, o site oficial de notícias da Santa Sé, News.va, assinalou nesta terça-feira que as discussões que têm lugar no Sínodo da Familia não são “doutrina nem normas definitivas”, e sim propostas para um documento de trabalho que será enviado às dioceses para preparar o Sínodo de 2015.

“Em resposta às reacções e discussões que se seguiram à publicação da Relatio post disceptationem, e ao facto de que, muitas vezes, lhe tem sido atribuído um valor que não corresponde à sua natureza, a Secretaria Geral do Sínodo reitera que este texto é um documento de trabalho, que resume as intervenções e o debate da primeira semana e, agora, é proposto à discussão dos membros do Sínodo reunidos nos Círculos menores, como previsto pelo Regulamento do mesmo Sínodo”, esclareceu o News.va.

“Acima de tudo, é importante recordar uma vez mais que o que se fala no Sínodo não é nem doutrina nem normas definitivas: não haverá ‘resultados’ do Sínodo, pois o Sínodo só está preparando um documento de trabalho que será discutido em todas as dioceses do mundo para preparar o sínodo de outubro de 2015”.

“Será este segundo Sínodo o qual apresentará uma série de recomendações ao Papa e ele aprovará o que considere melhor para o povo de Deus. Mas no momento, não há nada definitivo em nenhum sentido, por isso as notícias que atribuem tal ou qual decisão ao Papa ou ao Sínodo não são certas”, assinalou também o portal em sua edição em espanhol.

Nesse sentido, diante a confusão gerada nos fiéis, News.va convidou a procurar “informação de primeira mão sobre o sínodo” nos meios da Santa Sé.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Mais da metade das pessoas se arrepende de divórcio


foto: Luciola Villela / EXTRA
foto: Luciola Villela / EXTRA
Camilla Muniz, no Extra

Decidir pelo divórcio é sempre difícil. Tanto que, passado o calor do momento, mais da metade das pessoas se arrepende. Foi o que mostrou uma pesquisa realizada no Reino Unido com 2 mil pessoas: nada menos do que 54% admitiram que ficaram se perguntando se fizeram mesmo a escolha certa, e a resposta foi “não”.

Para alguns, o arrependimento foi tão grande que 42% consideraram dar uma nova chance ao relacionamento. Desses, 21% estão juntos do ex-parceiro novamente.

Segundo a psicóloga e terapeuta de casais Daniela Ervolino, do Psicolink, situações como essas são comuns também no Brasil.

— Muitos casais se separam por impulso. Cada vez mais as pessoas querem resolver tudo instantaneamente e têm menos paciência para se dedicar ao relacionamento — avalia.

Para a especialista, em geral, o arrependimento no divórcio se deve à falta de flexibilidade e de abertura para o diálogo enquanto a relação existia — dois erros que levam à separação precipitada.

— As pessoas não conversam sobre os problemas por medo de iniciar uma discussão, por preguiça e por achar que o outro já deveria saber determinada coisa. Falar e ouvir é fundamental — afirma a psicóloga.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Sobre casamento e amor

“Não é bom que o homem esteja só. Far-lhe-ei uma companheira
que lhe seja suficiente. [Gênesis 2.18]

Ed René Kivitz
Venho me perguntando o que faz as pessoas optarem pelo casamento se contam com outras alternativas para a vida a dois. A justificativa mais comum para o casamento é o amor. Mas devemos considerar que amor é uma experiência cuja definição está em xeque não apenas pela quantidade enorme de casais que “já não se amam mais”, como também pelo número de pessoas que se amam, mas não conseguem viver juntas.
Talvez por estas duas razões – o amor eterno enquanto dura e o amor incompetente para a convivência – nossa sociedade providenciou uma alternativa para suprir a necessidade afetiva das pessoas: relacionamentos temporários em detrimento do modelo indissolúvel. Mas, mesmo assim, o número de pessoas que optam pelo casamento em sua forma tradicional, do tipo “até que a morte vos separe” cresce a cada dia.
Acredito que existe uma peça do quebra cabeça que pode dar sentido ao quadro. Trata-se da urgente necessidade de desmistificar este conceito de amor que serve de base para a vida a dois. Afinal de contas, o que é o amor conjugal? Para muitas pessoas, é confundido com a paixão. Paixão é aquela sensação arrebatadora que nos faz girar por algum tempo ao redor de uma pessoa como se ela fosse o centro do universo e a única razão pela qual vale a pena viver. Esta paixão geralmente vem acompanhada de uma atração quase irresistível para o sexo, e não raras vezes se confunde com ela. Assim, palavras como amor, paixão, desejo e tesão acabam se fundindo e tornando-se quase sinônimas.
Este conceito de amor justifica afirmações do tipo “sem amor nenhum casamento sobrevive”, “sem paixão, nenhum relacionamento vale a pena”, “é o sexo apaixonado que dá o tempero para o casamento”.
Minha impressão é que todas estas são premissas absolutamente irreais e falsas. Deus justificou a vida entre homem e mulher afirmando que “não é bom estar só”. Nesse sentido, casamento tem muito pouco a ver com paixão arrebatadora e sexo alucinante. Casamento tem a ver com parceria, amizade, companheirismo, e não com experiências de êxtase. Casamento tem a ver com um lugar para voltar ao final do dia, uma mesa posta para a comunhão, um ombro na tribulação, uma força no dia da adversidade, um encorajamento no caminho das dificuldades, um colo para descansar, um alguém com quem celebrar a vida, a alegria e as vitórias do dia-a-dia. Casamento tem a ver com a certeza da companhia do outro no dia do fracasso, e a mão estendida na noite de fraqueza e necessidade. Casamento tem a ver com ânimo, esperança, estímulo, valorização, dedicação desinteressada, solidariedade, soma de forças para construir um futuro satisfatório. Casamento tem a ver com a certeza de que existe alguém com quem podemos contar apesar de tudo e todos … a certeza de que, na pior das hipóteses e quaisquer que sejam as peças que a vida possa nos pregar, sempre teremos alguém ao lado.

Dá pra perdoar?


Ivan Martins, na Época
Acho que foi a Miriam Palma, amiga desde os tempos do cursinho, quem me contou que, dentro de 10 anos, todas as fotos de nós mesmos que hoje nos parecem feias ficarão bonitas. É só uma questão de tempo para que a beleza apareça. Nosso olhar precisa mudar.
O mesmo se aplica, me parece, à questão muito mais grave do ressentimento e do perdão. As coisas que hoje nos parecem inaceitáveis, e, por decorrência, imperdoáveis, com o passar do tempo talvez se mostrem verdadeiramente irrelevantes. Nem é preciso esperar 10 anos. Talvez cinco bastem. Ou mesmo 12 meses. Nosso olhar só tem de mudar.
Estou falando, claro, da relação entre duas pessoas, das coisas que acontecem no interior dos casais. Imagino pessoas que se amam ou se gostam – ou têm pelo menos a lembrança desse sentimento. Essas relações nos são tão caras e tão próximas que, nelas, o ato de perdoar é essencial. Talvez seja o gesto mais necessário e o mais frequente de quem partilha a vida com alguém.
Perdoar é como apertar um inesgotável botão de reiniciar: foi ruim ontem à noite, dormimos com raiva um do outro, esta manhã reiniciamos. A conversa foi muito dura, agora estamos mais calmos, que tal reiniciar? Eu fiz algo que a magoou, você reagiu com brutalidade, reiniciemos, por favor.
Estar com alguém, viver com alguém, é sinônimo de afrontar e ser afrontado. A cada dia, quase a cada momento. Os nossos egos, as nossas suscetibilidades tornam difícil o outro se mover ao nosso lado sem que nos incomode. Ele precisa ser imensamente atento, ou infinitamente delicado, para não causar nenhum atrito. Mas então, coitado, não seria humano. Seria alguém apenas tentando nos satisfazer – e rapidamente nos encheria de tédio.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Na dor do suicídio


Dói lembrar o dia em que João correu ao meu lado. Ele tinha 25 anos de idade e era magro. Como João corria leve e sem esforço, mantinha o ritmo com fôlego para conversar. Súbito, meu companheiro confessou: - Estou deprimido. Perguntei se ele identificava alguma raiz para a tristeza. – Medo de fracassar - retrucou entre um passo e outro.
Gastei o restante do percurso procurando tranquilizá-lo. – João, descanse. Deus nos ama sem cobrar desempenho. Mesmo quando não alcançamos êxito, continuamos queridos. Acrescentei ainda: -Deus, ao contrário das pessoas, não desiste dos malsucedidos.
Duas semanas depois, a notícia me devastou: João cometeu suicídio. Sempre que alguém tira a própria vida, as ondas que o desespero produz arrastam muitos com ela. Toda a morte agride, mas aquela me abateu sobremaneira. Eu amava aquele rapaz. Meus conselhos e orações não ajudaram. Terapia e carinho de outras pessoas também foram inúteis. Nada reverteu o desânimo de um jovem apavorado com o porvir. Assim, João se puniu com um castigo irreversível. E, junto, maltratou família e amigos.
João receava o futuro. Por mais que se esforçasse, não conseguia reverter o pavor de enfrentar os possíveis fracassos que viriam em sua vida.
Angústia e depressão fazem parte da existência. Vários personagens da história – secular e bíblica – tentaram fugir da existência em cavernas escuras – caverna como metáfora do exílio que impomos a nós mesmos em tempo de melancolia. Abatidos, preferimos a solidão ao desgaste de enfrentar a crueza da vida. Desesperança solapa a última força que alimenta a resiliência. A apatia do angustiado rouba o sono e, à noite, fortalece um pessimismo vicioso. Depois que acorda, a depressão sugere a morte como saída.
No trágico suicídio do João, aprendi: as pessoas perdem a fobia de morrer quando a precariedade de viver os aterroriza. Para evitar uma vida sem sentido, optam pelo vazio. A noção de se arrastar no dia a dia, sem perspectiva, leva ao desejo de não mais existir.
Milan Kundera afirmou: Todo mundo tem dificuldade de aceitar o fato de que desaparecerá, desconhecido e despercebido, num universo indiferente. A frase, entretanto, só se aplica enquanto sobra ânimo para criar um amanhã diferente. Se o universo parece indiferente e, junto, a existência perde a razão de ser, a fúria da morte deixa de ameaçar.
Me contaram-me, meses depois, que João atravessou a infância sob o imperativo de agradar o pai. Por mais que se esforçasse, ele nunca achou que conseguiria. Sempre que jogava futebol, olhava para a arquibancada; queria ganhar um sorriso de aprovação – que jamais se esboçou. No dia em que se formou em engenharia, João não celebrou. Sem ser o melhor aluno, ele não via porquê na alegria. Assim, ao projetar a vida futura, o jovem engenheiro olhava em retrospectiva, hipertrofiava os erros e se deprimia, imaginando novos fracassos.
João cresceu em uma igreja rígida, conservadora. Em seu mundo, as exigências de um Deus, igualmente, difícil de ser agradado eram ressaltadas. Ele participava de um segmento em que oSenhor é rigoroso. Alguns se espantam quando Gilberto Gil canta: Se eu quiser falar com Deus/ Tenho que aceitar a dor/ Tenho que comer o pão/ Que o diabo amassou/ Tenho que virar um cão/ Tenho que lamber o chão. Contudo, a fé popular confirma o conteúdo da música. Daí se multiplicarem igrejas que não deixam ninguém esquecer as dívidas incalculáveis para com uma divindade implacável na defesa da sua própria honra, da lei e dos seus caprichos.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

A influência evangélica na política dos USA




Isabel e Fernando receberam do papa Alexandre VI o título de Los Reyes Católicos em 1494. Os soberanos espanhóis eram, de fato, profundamente religiosos. Os dois demonstravam ao mundo que viviam uma piedade pessoal admirável. O historiador Will Durant conta que em 1492, Isabel escolheu o cardeal Ximenes como confessor pessoal. Devido a proximidade que Ximenes dizia ter com Deus e com a rainha, ele se tornou tão importante e poderoso quanto o próprio rei. O cardeal pertencia a uma das mais severas ordens monásticas espanholas – os Franciscanos Observantes. Ascético, dormia no chão ou em tábua dura, jejuava frequentemente, flagelava-se e vestia uma bata de pelo de crina sobre a pele. Nenhuma dessas observâncias religiosas ajudou Ximenes a tornar-se um homem compassivo.
No reinado de Fernando e Isabel a Inquisição ganhou espaço. Na intolerância espanhola, milhões sofreram. Judeus, mouros, hereges – ou qualquer pessoa mal querida – podiam ser indiciados nos autos inquisitórios. Na Inquisição, não havia defesa. Uma vez indiciado, a pessoa já estava condenada. Ou morriam no torniquete, na fogueira ou abandonados nas masmorras imundas.
Os dois monarcas patrocinaram os Conquistadores que, sob o pretexto de levarem salvação saquearam a América. Quando os Conquistadores chegaram às nações do que se conhece hoje como América Latina, prometiam libertação. Fé no Deus verdadeiro abria o caminho para a salvação. Sob o pretexto de evangelizar, queriam ouro. E nessa voracidade, trucidaram e espoliaram. Dizimaram culturas milenares. Rapinaram uma prata limpa e deixaram o legado de uma cruz suja. Depois de séculos, quando se reviu a história, Isabel, a católica, foi responsável por mais horrores em nome da fé, do que Nero em nome dos vícios. Não sobrou nenhum bem espiritual da Inquisição, apenas vergonha. As incursões espanholas na América se desdobram em miséria mesmo depois de tantos anos.
Durante os anos de George W. Bush, a revista Newsweek publicou matéria de capa sobre a fé do presidente. O mundo tomou conhecimento dos conteúdos de sua devoção pessoal como crente nascido de novo. Bush frequentava grupos de oração e afirmava orar todos os dias. O mundo laico ficou estarrecido: para cada decisão, ele reunia uma pequena célula de oração e pedia que Deus o orientasse.
Criticou-se a influência de Dick Cheney, Donald Rumsfeld, Condoleezza Rice, Colin Powel e Paul Wolfwitz na política externa. Falou-se do poder que os militaristas do Pentágono exerceram sobre a Casa Branca. Especulou-se sobre a influência da cultura do Texas – sempre cowboy – nos momentos em que Bush definia doutrina geo-política para o mundo. Alguns acusaram, dizendo que a família Bush tinha interesses bilionários com petróleo.
Todavia, uma dimensão exige maior reflexão. Até que ponto a mentalidade evangélica influenciou Bush? Alguns anos depois, é preciso refletir sobre os desdobramentos dessa influência no Oriente Médio e no futuro da humanidade. Nenhum estadista advogaria uma guerra pelo simples desejo de invadir e matar. Como grupos de oração se formaram também no Congresso e no Pentágono, o fator religiosos tem que ser levado em conta. O preconceito contra muçulmanos, tratados como os responsáveis pelo eixo do mal, certamente vazou dos grupos religiosos para o presidente. Na véspera da invasão do Iraque, Bush se valeu de uma linguagem claramente religiosa para justificar a decisão: o bem contra o mal; quem não é por nós é contra nós, etc. A partir dessas frases, pastores, evangelistas e teólogos se revezaram em afirmar que a Bíblia chancela guerras justas. O Iraque foi bombardeado, milhares morreram, o povo americano gastou trilhões de dólares e a região se complica com o passar do tempo. É preciso entender a mentalidade evangélica para perceber o aval religioso que Bush e os falcões militares receberam para uma aventura bélica desastrada e sanguinária.
1. O mundo islâmico como obstáculo.
Por anos a comunidade evangélica enxergava no comunismo o inimigo a ser destruído. Eu ouvi inúmeros sermões sugerindo que o Anticristo viria de algum país marxista. A dificuldade de enviar missionários para o que se tratava como Cortina de Ferro era o maior desafio dos crentes. Quando o muro de Berlin caiu em 1989, muito da mobilização esvaziou. Para estrategistas missionários, restou um último obstáculo: o islamismo parecia inexpugnável. Como abrir uma brecha na hermética cultura árabe, nas práticas radicais do Islam? Ora, ora, a propaganda de guerra prometia um Iraque livre e democrático. Não é preciso muito exercício de imaginação para ver os olhos das lideranças evangélicas brilhando. Chegaremos, seremos recebidos como libertadores, podemos ganhar milhares de pessoas para Cristo; juntos conseguiremos minar o último obstáculo que impede a evangelização do  mundo. Imagino o frisson: que missão chegará junto com as tropas? No competitivo mercado religioso importa despontar como líder. Quem vai tirar as primeiras fotos de enorme cruzada evangelística? Sonhamos com milhares de iraquianos de mãos levantadas, atendendo ao apelo de salvação.  O padrão religioso se repetiu nos Estados Unidos, da mesma maneira que na América Latina. Muitas igrejas e líderes ficaram calados quando outros denunciavam tortura e assassinato nas ditaduras. A justificativa dos crentes brasileiros foi a mesma dos americanos: os militares combatem o comunismo e nos dão ampla liberdade para pregar o evangelho.
2. Demonologia territorial
Alguns escritores se notabilizaram nos Estados Unidos com uma teologia bizarra: demônios dominam continentes, países, cidades e até bairros – acreditam existirem príncipes satânicos governando sobre determinados hemisférios. Crêem, inclusive, que essas entidades retardam as ações históricas de Deus. Obviamente tais potestades precisam ser destronadas. Nas últimas décadas do século XX, conferências aconteceram ao redor do mundo alertando para o que chamavam Janela 10×40. Missiólogos identificaram entre latitude 10 e longitude 40 do mapa do mundo, as menores percentagens de cristãos. Repetiram até cansar que esses buracos com poucos cristãos eram devido à opressão de algum anjo demoníaco responsável pelo islamismo.  Ora, se conseguirmos ‘desdemonizar’ a Mesopotâmia, berço da civilização babilônica, escancaramos o que bloqueava a evangelização de todo aquele pedaço de mundo”.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

O que o amor significa para crianças de 4 até 8 anos


Todo mundo fala dele, todo mundo o quer, mas, afinal, o que é o amor? Para o poeta português Luís de Camões, é o fogo que arde sem se ver, já para o sertanejo, amor é o que mexe com a cabeça, é o que faz pensar no outro e esquecer de si. Faz sentido?

publicado no Hypeness

Educadores resolveram, então, fazer essa pergunta a um grupo de crianças que tinham de 4 a 8 anos. E as respostas são de deixar poeta, sertanejo, nós e você arrepiados.

Confira algumas delas e, como dizem os muros por aí, mais amor, por favor!

Crianças definem o amor

Crianças definem o amor

Crianças definem o amor

Crianças definem o amor

Crianças definem o amor

Crianças definem o amor

Crianças definem o amor

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Podemos ver a casa de Fidel?


O que oprime o pobre insulta àquele que o criou, mas o que se compadece do necessitado o honra. Provérbios 14:31

Bispo Miguel Uchoa, no seu blog

Foi essa a pergunta que minha esposa Valéria fez à guia turística que nos mostrava a cidade de Havana em Cuba a cerca de duas semanas atrás. A resposta veio de imediato “ no señora nadie los sabe !” (Não senhora, ninguém sabe)

Estivemos em Cuba para uma missão especial sobre o que não vou me deter nesse artigo para preservar a segurança daqueles que estão envolvidos no trabalho que ali realizamos e que está sendo realizado pela graça de Deus, apesar do regime cubano.

Inicialmente passamos 3 noites e dois dias na bonita cidade de Havana. Como turistas tivemos acesso a tudo de belo que a cidade tem, nossa guia era de uma agencia turística que pertence ao Governo, assim como o hotel que estávamos, o taxi que alugamos e o restaurante que usamos. Mas, nosso contato não foi apenas com essa simpática e “revolucionária” guia turística. A Moça era competente em florir a realidade Cubana, mas não pode omitir que o que ganhava não permitia que ela vivesse o mês e tinha que fazer outras coisas para sobreviver e os 20 dólares que demos de presente para ela, com certeza ajudou bastante no complemento da renda mensal.


Ela nos levou para ver o bairro aristocrata de Mira flores, a praça da revolução e outros locais que se assemelham às construções dos países da antiga “Cortina de Ferro” da Europa oriental, sempre imponentes. Além de termos visto o centro histórico onde uma pequena parte está restaurada. Perguntar não ofende e assim perguntamos se existem pobres ou ricos aqui em Cuba? Ao que ela, com veemência e quase iniciando um discurso político disse “ não, aqui não há pobres nem ricos” achei que não devia insistir perguntando sobre os mendigos que cruzaram nosso caminho. Entendemos que dali, não sairia nada mais do que um discurso pronto, para turista ver e, sendo nescio, se encantar. Mas até ali conclui que não há pobre em Cuba na mesma proporção em que os governos Petistas têm divulgando pelo mundo que o Brasil tem uma maioria de classe média.

Minhas fontes extra oficiais, gente da rua e do dia a dia me mostraram uma outra Cuba, vigiada de perto, temente de que uma dessas “primaveras” chegue por lá, o que espero não demore muito. Essas fontes me mostraram a realidade de uma pobreza institucionalizada e, que se vende para o mundo como o paraíso do caribe. De fato, existe um paraíso natural, um polo turístico dominado pelo Estado que apresenta o que muitos querem ver, prostitutas por todo lado, shows e belas praias, locais esses que os cubanos têm acesso proibido. Em conversa com alguns me foi dito que as mães introduzem as filhas nesse mundo pois essa é a única fonte de renda da família.
Os médicos cubanos se esforçam para entrar em uma missão como essa que está no Brasil, que mesmo recebendo uma mínima parte do ganho que o Governo Brasileiro paga, ainda assim é muito mais do que recebem no dia a dia de seu trabalho em Cuba, em torno de 28 dólares americanos, por isso ser camelô ou pedalar em uma bicicleta taxi nas horas extras faz parte da rotina de um pediatra ou dentista que precisa colocar comida na mesa de sua casa. Direitos humanos é algo que ninguém quer comentar e imaginei porquê.

A fé cristã cresce em Cuba, a igreja, mesmo diante de imensas limitações financeiras, estruturais, cresce nas ruas e se espalha. Ninguém detém, é obra santa. Células, pequenas congregações e um fenômeno que nunca havia visto, uma igreja na rua que congrega em uma praça mais de 600 pessoas em um domingo com chuva ou com sol, para ambos existe a sombrinha/guarda chuva e que nada possui senão o mais importante a fé no poder do Espírito Santo. Parabéns ao Pastor das ruas e a esse povo vibrante.

Seguimos para o interior, voamos em um Antonov 158, confesso que me preocupei, mas era um avião aparentemente novo e os voos de ida e volta foram tranquilos. Nossa missão no interior foi realizada com êxito, deixamos a liderança da igreja ali estabelecida, mas tudo teve que ser feito por detrás das cortinas, sob risco de detenção, mas o que seria isso depois de tanto ver a fé vibrante daquele povo.
Estivemos em um culto onde nos foi dito, “você não pode falar, pregar ou dirigir”, existem olheiros e nunca sabemos onde eles estão. Mas ver a fé daquele povo sofrido já nos foi suficiente para fortalecer ainda mais a nossa.

Vimos em Cuba o que estamos acostumados a ver nas periferias de qualquer cidade brasileira, mas aqui, assumimos isso, com exceção dos governantes, que por sermos a 7ª economia do Mundo parecem esquecer que estamos entre os piores índices de distribuição de renda deste mesmo mundo, e que as vezes disputamos fortemente com países como a Botswana.

A TV Cubana aberta é uma lástima de manipulação e a daqui não é? Perguntaria alguém, não, não como a de Cuba. TV Oficial que reproduz um canal da Venezuela e notícias do Equador e que todo tempo fala na Grande nação Sul Americana, uma neurose de Hugo Chaves e seus colegas, que tentam recriar o que se chamava da Grande nação (Equador, Venezuela e Colômbia) Não há nada do Brasil senão a Copa do Mundo, mas claro ninguém fala dos protestos.


terça-feira, 3 de junho de 2014

Entre lamento e júbilo


Cedo aprendi: a vida não acontece debaixo de uma blindagem. Logo intui que minha senda seria difícil, íngreme, esburacada. Ainda na adolescência, perdi uma irmã caçula. Ela só viveu dois dias. Pouco depois desse trauma, passei pelo constrangimento de estar na sala do tribunal militar que julgou – e absolveu – meu pai. Eu sempre soube que viver é aventura perigosa, e delicada.
Para muitos, morte e doença tardam chegar. Por falta de experiência, a maioria não sabe lidar com grandes dramas. Pouquíssimos se preparam para o dia mau, que Paulo se referiu na epístola aos Efésios.
Decididamente, eu jamais me converteria à neurolinguística. Reconheço, parece mais cômodo esperar que frases prontas e pensamentos positivos alterem a realidade. Há sempre a fantasia de que a fortuna nos surpreenda – talvez ela esteja de tocaia em alguma esquina. Quem ainda não fantasiou achar a lâmpada de Aladim? As religiões se entopem de fieis no aguardo da grande bênção - aquela que resolve todos os problemas. Não alimento a alma de ilusões. Não acredito numa maldade pontual. Ela se espalha em sistemas –  o mal se entranha em igrejas, clubes, famílias, governos, escolas.
Nunca reclamei da sorte por reconhecer que outros sofreram muito mais do que eu. Não me indispus com Deus. Preferi não organizar a vida imaginando que uma divindade aplainaria minha jornada feito um mar de almirante. Sei que nossa navegação se dá em meio a pororocas. Insisto na frase: viver não é para amadores.
Ninguém se iluda: a existência pode ser cruel. Perceber que não estamos imunes, dói como uma alfinetada e traz um sofrimento que parece não caber no peito. Vez por outra me flagro gritando igual a mamãe quando se sentia angustiada: Deus, dá-me coragem de viver, já que de morrer não tenho. Seu desabafo reflete um dos ganhos que a idade traz, ficamos menos iludidos com os hologramas projetados desde a juventude.
A proximidade da morte ilumina a vida. Aqueles que contemplam a morte nos olhos veem melhor, porque ela tem o poder de apagar do cenário tudo aquilo que não é essencial. Os olhos dos vivos tocados pela morte são puros. Eles veem aquilo que o amor tornou eterno. [Rubem Alves]
Sem pender para os extremos do otimismo e do pessimismo, encaro a realidade crua com certo estoicismo. Antecipo a dor da velhice, prevejo a perpetuidade cínica dos políticos e protesto contra a decadência comercial da religião. Sentimentos que jamais produziram em mim sensação de vazio; Viktor Frankl os responsabilizou por vácuos existenciais. Não tenho pressa de morrer. Des-engesso, portanto, a minha história da expectativa lúgubre dos eventos ruins. Recuso o pessimismo mórbido. Sei que nem tudo caminha inexoravelmente para uma tragédia.
Celebro alegrias mínimas. Gosto de dormir cansado e sonhar voando. Não há como descrever a alegria de acordar tarde em feriado. Celebro correr na chuva, comer chocolate, comprar quebra-queixo em feira livre, contar a história de Davi e Golias para os netos, derramar lágrimas pelo atleta que canta o hino nacional no pódio de campeão.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Jesus e os pecadores, a Igreja e as pessoas (i)morais

Ed René Kivitz, no Facebook
Passando por ali, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: “Siga-me”. Levi levantou-se e o seguiu.
Durante uma refeição na casa de Levi, muitos publicanos e “pecadores” estavam comendo com Jesus e seus discípulos, pois havia muitos que o seguiam.
Quando os mestres da lei que eram fariseus o viram comendo com “pecadores” e publicanos, perguntaram aos discípulos de Jesus: “Por que ele come com publicanos e ‘pecadores’? ”
Ouvindo isso, Jesus lhes disse: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores”.
[Marcos 2.14-17]
Fariseus, escribas, publicanos e pecadores. Os fariseus, nome que significa “separados”, eram o mais ortodoxo e rigoroso segmento do judaísmo dos dias de Jesus. Eles se consideravam “o verdadeiro Israel”. Os escribas, também chamados doutores da Lei, eram estudiosos e mestres da Torah, o texto sagrado dos judeus. À época os judeus eram colônia romana e pagavam impostos exorbitantes a Roma. Os publicanos eram os coletores de impostos nas províncias e colônias romanas. Além de serem considerados traidores de Israel, eram repudiados pelos fariseus e mestres da Lei, pois não apenas faziam o serviço sujo para Roma, como também estavam envolvidos em corrupção, cobrando impostos abusivos em benefício próprio.
Jesus estava à mesa com os pecadores e publicanos. O que surpreende, entretanto, não é que Jesus esteja à vontade na companhia de gente mal falada, mas que pessoas de reputação duvidosa e moral escandalosa se sintam perfeitamente à vontade na mesa de Jesus. Há razões para este aparente paradoxo.
Jesus não usava sua autoridade para se distinguir, mas para seduzir. O biógrafo de Jesus, Marcos, parece desenvolver sua narrativa de modo a nos conduzir propositadamente a essa cena. Apresenta Jesus ensinando com uma autoridade jamais vista anteriormente, e contrapondo seu ensino ao modelo dos religiosos escribas e fariseus. Admiradas, as pessoas se perguntavam a respeito de Jesus: o que é isso? Um novo ensino? De onde vem essa autoridade?” (Marcos 1.22,27). Os mestres de Israel formavam uma casta iniciada na Torah, e por isso se julgavam acima do povo simples, com quem falavam assentados “na cadeira de Moisés”. Jesus se misturava entre as gentes, e enquanto falava compartilhava os mistérios do reino de Deus a quem estivesse de coração aberto. Geralmente os pecadores estavam mais prontos a ouvir, pois não se sentiam intimidados nem menosprezados por Jesus. Sim, Jesus revela mistérios espirituais aos simples.
Jesus não usava seu poder para destruir, mas para promover libertação. Os demônios devem temer a Jesus. Os seres humanos, não. Diante de Jesus os espíritos maus davam passos para trás, em tom suplicante para que não fossem destruídos (Marcos 1.23-26). Jesus não ameaça os seres humanos com seu poder espiritual. Não é um feiticeiro gerando medo, adulação indevida e subserviência. Diferentemente dos neofariseus, Jesus coloca os homens em pé, os ensina a andar com suas próprias pernas e os conduz à autonomia responsável e reverente a Deus. Sim, Jesus expulsa demônios e liberta seres humanos.
Jesus não usa sua pureza para segregar, mas para abraçar os excluídos. O leproso que de Jesus se aproxima sabe que pode ser purificado. Na tradição de Israel, o leproso era impuro, e todo aquele que com ele tivesse contato se tornaria igualmente impuro. Mas Jesus, ao tocar o leproso, purifica o leproso. Com o seu toque, em vez de ser maculado pela lepra, transfere sua pureza ao leproso (Marcos 1.40-42). Sim, Jesus abraça os impuros.
Jesus não usava seu crédito para condenar, mas para oferecer perdão. O paralítico que lhe é apresentado tem seus pecados perdoados (Marcos 2.5-7). Os religiosos, partindo do princípio que perdoar pecados é prerrogativa divina, expressam sua contrariedade. Jesus poderia lhes estender a mão: “Muito prazer, Deus em carne e osso”. Sabedor de seu direito e do débito dos homens, Jesus estende a mão como oferta de aproximação, pacificação e reconciliação. O olhar de Jesus não é condenatório. Sua voz não é acusadora. Seu tom não é moralista. Sua mensagem não é de juízo, mas de salvação. Não vem para promover “o dia da vingança de Deus”, mas para anunciar “o ano da graça do Senhor”. Sim, Jesus perdoa pecados.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Antes de morrer, pai grava vídeo emocionante de despedida para filha de 7 meses


publicado no Razões para Acreditar

Essa é uma daquelas histórias que nos fazem repensar na vida e em nossas atitudes. , a gravar uma mensagem de adeus para sua filha Austin, de 7 meses.
Nick Magnotti, 27 anos, de Washington, EUA, já vinha lutando contra um câncer no apêndice há quase 3 anos, e as sessões de quimioterapia já não estavam mais melhorando seu quadro clínico e sua cirurgia de remoção do câncer não havia saído como o previsto. Durante esse momento dramático, Nick e sua esposa resolveram encarar tudo de uma forma mais forte e corajosa e resolveram ter um filho, que 9 meses depois nasceu com o lindo nome da menina Austin.
Seu câncer continuou agindo internamente, então Nick resolveu parar com a quimioterapia, pois a doença estava espalhando-se mais rápido que a cura, e decidiu aproveitar todos os momentos possíveis com sua família: “cada dia que posso passar com ela, é a maior de todas as bênçãos”, diz Nick.
Nick se sente abençoado, pois ele pôde deixar um vídeo de despedida para sua filha e conseguiu aproveitar intensamente de forma intensa, verdadeira, plena e com muito amor. Vale a pena assistir(ative a legenda em português):

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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Não desista de si mesmo


Publicado por Lucas Lujan, via Pavablog
Era uma conversa por telefone. Amigo de longe, ser humano bonito. Duvidava de sua coragem para viver. Eu, ao contrário, o julgava forte e seguro. Admirável. Era sensível e sabia tratar as pessoas com carinho.
Enquanto conversávamos, me confundi várias vezes com ele. Enfrentávamos dramas, não semelhantes nas circunstâncias, mas nas dores. Todos que sofrem, não importa o motivo, têm em comum a dor. Esse deveria ser um convite à solidariedade e à compaixão mas, egoístas, insistimos em sofrer sozinhos e ignorar o sofrimento alheio. Tão pequeno de nossa parte.
O remédio para o sofrimento não é deixar de sofrer, é ter com quem reparti-lo. Não sofrer é uma impossibilidade, dividi-lo é empreendimento do amor. Descobrir que alguém sente nossa ferida é o caminho para curá-la, porque a dor se dilui nos corações envolvidos. Quem tem companhia anda pelo vale da sombra da morte sem temer.
Contava-me que pensara em desistir da vida. Tão breve e frágil, muitas vezes perdia o sentido e nem sempre era fácil reencontrá-lo. Divagava sobre todas as inseguranças e incertezas da existência. Ele tinha razão, suas palavras me atingiam e encontravam em mim cabimento.
Tantas vezes pensei em desistir. Entregar-me à correnteza dos dessabores e me afogar no mar do esquecimento. Já quis mesmo me esquecer de mim. Por isso fui honesto e disse a ele que muitas vezes sentia o mesmo, e acreditava que todos, em algum momento, se sentiriam assim. É a inevitável angústia de viver, o desespero humano que nos visita hora ou outra. Legítimo.
Contei para ele sobre quando meu pai deixou minha família. Enfrentamos dias difíceis e amargos. Muitas vezes ouvi minha mãe chorar no banho, porque tentava nos proteger de seu sofrimento e desespero. Falei que ela tinha motivos para desistir.
Mas não desistiu.
Para o desespero humano, um salto de fé. Minha mãe não sucumbiu porque tinha fé. Acreditava que a angústia e o desespero não eram maiores que o amor; que os próximos dias seriam melhores, porque a felicidade era possível. E de fato a vi feliz nos anos que se seguiram.
Então passei a acreditar no futuro também. Vi que ele traz motivos para querer viver. E porque acredito, não desisto. O segredo é reunir forças nos dias bons para enfrentar os ruins.
A vida é bonita, mesmo quando faz careta.  Falei para ele sobre as infinitas possibilidades que estaria perdendo e sobre todos os amores que não viveria se entregando. Falei dos amigos que não faria, da família que não teria e dos vinhos que não experimentaria.

A arte de não adoecer


por Dr. Draúzio Varella, via Ed René Kivitz

Se não quiser adoecer – “Fale de seus sentimentos”.
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna… Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar,confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia..

Se não quiser adoecer – “Tome decisão”
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

Se não quiser adoecer – “Busque soluções”
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.

Se não quiser adoecer – “Não viva de aparências”
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso… uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer – “Aceite-se”
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos,destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Conte comigo


Ivan Martins, em Época
Outro dia, em circunstâncias suaves e domésticas, lembrei de um poema do Mario Benedetti que costumava me comover até os ossos. Chama-se Hagamos un trato -Façamos um trato, em português – e fala dos sentimentos de um homem por uma militante política, que ele chama de compañera.

Em linguagem simples e direta, o poema diz, essencialmente, que ela pode contar com ele “não até dois ou até dez”, mas contar com ele, em qualquer circunstância. É um poema de amor que expressa um compromisso político. Ou talvez seja um poema épico suavizado por um toque de amor. Não sei. Vocês leiam e me digam.

Mas é evidente, para mim, que qualquer que tenham sido as intenções do Benedetti, seu poema resume uma verdade essencial: afeto é compromisso. Os problemas do outro passam a ser parte dos meus problemas, minhas dores são em alguma medida as dores dele. Eu cuido dele e ele cuida de mim. Não deixei de ser eu, ele tampouco deixou de ser ele, mas há um projeto que nos vincula e nos torna responsáveis um pelo outro. Voluntariamente. Talvez temporariamente. Mas, enquanto estivemos ligados, será assim.
Se isso parece consistir um fardo, não é. Dividir é bom. Cuidar também é bom. Andamos tão acostumados a pensar de forma egoísta que a ideia de ser responsável pelo outro nos apavora. Temos medo também de depender da atenção e dos cuidados alheios. Mas tem sido assim por alguns milênios e acho bom que continue. Somos indivíduos, inescapavelmente, mas algo em nós anseia por ligar-se e partilhar de uma forma que não seja superficial ou declaradamente provisória. Quando isso acontece, nos sentimos parte de algo maior que o mercado ou as redes sociais. E há um profundo conforto nisso.

Talvez essa seja o sentido atual do “conte comigo” de Benedetti. Ele expressa uma forma de amor que não está na moda. É algo que se manifesta não apenas como partilha de prazer e hedonismo, mas como potencial de sacrifício. O poema nos lembra que não estamos nessa apenas pelo riso e pela noite inesquecível. Às vezes será inevitável sofrer, fazer coisas chatas, deixar de lado vontades e interesses imediatos. Às vezes será necessário abrir mão. Seremos capazes? Espero que sim.

Quando li Hagamos un trato pela primeira vez, por volta de 1995, ele me pareceu uma promessa de amor em meio à guerra. Benedetti, afinal, era um homem de esquerda. Fora exilado pela ditadura militar em seu país, o Uruguai, e sempre voltara seu arsenal de palavras contra ela. Hoje, com outros olhos, o poema me sugere outros sentimentos, que vão além do contexto político.

Lições que nascem com a simplicidade


Ricardo Gondim, no seu site
Quantas vezes perdemos o encanto de certos momentos por não sabermos valorizar os processos singelos da vida. Não entendemos uma existência perpassada pela simplicidade.
No enfrentamento dos pequenos medos, a vida se prepara para a grande coragem.
Perseverança depende do desânimo.
Esperança se anima na frustração.
Resiliência acontece desde as derrotas mais amargas.
Desestímulo alheio convida à ousadia.
Aprende-se ternura com as feridas.
Desprezo educa para o perdão.
Para ser simples, a virtude precisa andar quando outros, afobados, correm; sussurrar, quando outros, presunçosos, gritam; sorrir, quando outros, raivosos, destilam ranho; pensar, quando outros, iludidos, mistificam.
Quem deseja subir um degrau na existência, precisa descer dois. Humildade, o contrário de autocomiseração, significa apenas a capacidade de perceber as sombras com a mesma sensibilidade que a luz.
Perfeição não aparece nas simetrias extraordinárias. Perfeição se esconde no ordinário – no dia a dia – e só pede um olhar simples. Por isso alguém já disse que a camisa que tremula no varal pode conter a vela que empurra o navio; o fio que a aranha estende entre os galhos da árvore pode preceder a ponte suspensa sobre o abismo; a chaleira que chia no fogão pode inspirar o mecanismo da locomotiva; a maçã que despenca da árvore pode explicar a lei da gravidade; o pardal que voa no entardecer pode lembrar o cuidado universal de Deus, que ama a todos.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Bozo cheirava até o nariz sangrar


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Publicado no F5
“Alô criançada, o Bozo chegou / Trazendo alegria pra você e o vovô…”
Quem não se lembra da clássica música de abertura de um dos programas infantis mais vistos da TV brasileira nos anos 80? O palhaço Bozo, criado pelo americano Alan W. Livingston, em 1946, fez sucesso em mais de 40 países, em especial no Brasil, onde foi ao ar pelo SBT de 1982 a 1992.
Arlindo Barreto calça sapato do palhaço Bozo
Arlindo Barreto calça sapato do palhaço Bozo
Por aqui, o personagem foi interpretado por cinco atores diferentes. A seção “Saiu no NP” traz hoje a louca história de vida de um desses intérpretes. Arlindo Barreto, um dos mais aclamados no papel, atingiu o auge da fama como Bozo, mas também conheceu o gosto amargo de chegar ao fundo do poço…
A trajetória de Barreto, que envolve dinheiro, drogas, mulheres e redenção através da religião, será em breve contada no filme “Vida de Palhaço”, que está em pré-produção e marca a estreia de Daniel Rezende (montador de “Robocop”, “A Árvore da Vida” e “Cidade de Deus”) como diretor, além de ter o ator Wagner Moura como protagonista.
Mas, muito antes de tudo isso, em 24 de novembro de 1998, o “Notícias Populares” já revelava em sua capa o lado triste do “palhaço mais famoso do mundo”. A manchete daquele dia estampava em letras garrafais: “Bozo era movido a cocaína na TV”.
O jornal trazia depoimento dado por Arlindo Barreto à repórter Keila Jimenez, durante sua ordenação como pastor da Igreja Batista da Vila Primavera (zona leste de SP) no dia 21 do mesmo mês.
Na ocasião, Arlindo Barreto abriu o jogo e contou que a cocaína era o “segredo” para manter toda aquela alegria, mesmo com oito horas de gravações diárias. “Eu tinha um pique incrível. O calor infernal dos estúdios, aquela roupa, a gritaria das crianças, tudo aquilo era desgastante, e, mesmo assim, eu ficava com a corda toda.”
Fora a rotina desgastante, o ator citou outros fatores que o levaram ao vício. “Eu tinha 30 anos na época e já gostava de beber. Para contrabalançar o efeito da bebida, que me deixava devagar, eu comecei a cheirar cocaína. Para piorar, minha mãe (a atriz Márcia de Windsor) morreu. Quando percebi, estava completamente dependente da droga.”

terça-feira, 11 de março de 2014

Distimia

vela-apagandoMarília César, no Pavablog
Prefiro os caídos aos altivos
Prefiro os machucados
Os feridos de guerra
Quero os pecadores
Quero os pessimistas
Os que nada sabem
E não pertencem a lugar nenhum
Que peregrinam, atônitos e sedentos,
Nesta terra devastada
Prefiro os inseguros
Os calados – os que não interpretam nem julgam
Prefiro os que sofrem aos que festejam
Ter os dois pés fincados
Na realidade dos fatos
Quero hospitais, velórios

segunda-feira, 10 de março de 2014

Papa quer que Igreja estude união homossexual

2014-695922170-20140309084007173rts.jpg_20140309Publicado em O Globo
Papa Francisco quer estudar as uniões homossexuais para entender por que algunspaíses optaram por sua legalização, afirmou neste domingo o cardeal de Nova York, Timothy Dolan, em mais um movimento de abertura em relação a um tema tabu para a Igreja. Em entrevista ao programa “Meet the Press”, da emissora americana NBC, o cardeal ressalvou que o Pontífice não disse ser a favor do matrimônio gay, mas que “a Igreja deve buscar e ver as razões que levaram alguns Estados a aprovar uniões civis entre pessoas do mesmo sexo em vez de condená-las”.
Para Dolan, o casamento entre um homem e uma mulher não é algo que se refere somente à religião e ao sacramento, mas representa “um elemento de construção da sociedade e da cultura”.
- E se retirarmos o significado sagrado do casamento, temo que não só a Igreja sofra, temo que a cultura e a sociedade também sofram – pontuou.
Na semana passada, o Papa Francisco disse em uma entrevista ao jornal “Corriere della Sera” que é preciso analisar caso a caso as uniões civis para casais homossexuais, mas reiterou que “o casamento é entre um homem e uma mulher”.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Não é minha culpa: as consequências do fatalismo religioso brasileiro

Três anos atrás, quando tive a oportunidade de ler a fantástica obra do cientista políticoAlberto Carlos de Almeida intitulada A cabeça do brasileiro, no qual o autor procurou descobrir o que o povo brasileiro realmente pensa sobre determinados assuntos polêmicos, um termo em especial me chamou a atenção, o chamado Fatalismo Religioso.
Resumidamente, Almeida entrevistou 2.363 pessoas, em 102 municípios, incluindo todas as capitais, e identificou que 1/3 dos brasileiros adultos entrevistados acreditam que apenas Deus decide o destino dos homens, sem espaço para a mão humana, ou seja, 33,3% da amostra analisada acredita que “nosso destino a Deus pertence” e nada podemos fazer quanto a isso.
Em outras palavras, isso significa dizer que uma considerável quantidade de pessoas acredita que seu provável sucesso ou fracasso está baseado exclusivamente no talento divino, e não no trabalho. Essas pessoas definem o talento como algo estático, que não muda. Graças a Deus, ou à biologia, você tem o que tem e pronto.
Para essas pessoas, empenhar-se profundamente em algo é inútil, pois ou elas possuem ou não possuem a habilidade de exercer uma determinada tarefa. Dessa forma, passam a desistir precocemente, ou o que é pior, nem mesmo começam a exercer atividades das quais não possuem o pleno domínio. O medo do fracasso as domina e elas passam a criar desculpas para não tentarem.
Sem saber, essas pessoas ficam presas ao que a renomada professora e pesquisadora de Stanford, Carol Dweck, chamou de mentalidade fixa. Essa forma de pensar nos faz acreditar que nascemos dotados de determinado conjunto de habilidades e aptidões e que não podemos fazer muito para mudar isso.
A autora afirma que o principal problema enfrentado pelas pessoas de mentalidade fixa é não saber lidar com dificuldades, pois estas tendem a recuar e a arranjar desculpas diante dos problemas e incertezas que fatalmente irão encontrar durante a vida. Para elas, se uma atividade não deu certo é porque “não era para ela” ou porque “não iria dar certo mesmo”.
Obviamente, é muito mais cômodo fazer-se de vítima e jogar toda a responsabilidade, que deveria ser sua, em alguém. Mais cômodo ainda é se esse alguém tratar-se de uma entidade espiritual superior, dotada de toda sua benevolência divina. Como o comodismo é uma prática constante na cultura brasileira, o fatalismo religioso identificado por Almeida não me causou nenhum espanto.
A pesquisadora ainda afirma que é um grande erro acreditar que não é possível desenvolver-se e aprimorar-se com base em treinamentos, paixão e esforço.

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