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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

4 razões para abandonar as redes sociais

foto: flickr.com/todojuanjo/
foto: flickr.com/todojuanjo/
Carol Castro, no Ciência Maluca (via Pavablog)
Tudo começa com uma curiosidade. Seus amigos estão lá e não param de comentar sobre a novarede social do momento. Você entra, fuça e gosta. Instala no celular o aplicativo para não perder as novidades do seu feed de notícias. A todo instante, vai lá conferir quem curtiu seu post, suas fotos, seus comentários. Pronto: você está viciado.
E vai ficar mais viciado em redes sociais do que em cigarro. Foi o que mostrou um estudo de pesquisadores da Universidade de Chicago. Durante uma semana, 205 voluntários relatavam, a cada meia hora, quais eram os desejos mais fortes que sentiam naquele momento. Eles até resistiam aos impulsos consumistas e sexuais, mas não se aguentavam quando o assunto era checar o Facebook. A vontade de fuçar nas redes sociais era maior do que a de fazer qualquer outra coisa. Até fumar.
Aí você não se reprime e fuça mesmo. Não apenas confere as novidades alheias, como também posta um montão de fotos bacanas. E nessa corre o risco de perder amigos. Pois é. É que sempre vai ter alguém para sentir ciúmes – seus amigos que ficaram de fora ou o seu amor. E seu nível de intimidade com essas pessoas até cai.
Pelo menos foi o que disseram as 500 pessoas que participaram de uma pesquisa britânica. Eles contaram aos cientistas com que frequência alguns amigos lotavam o feed deles com fotos,como se sentiam, qual era o nível de intimidade com aquela pessoa. A maioria se afastava dos colegas que se exibiam muito nas redes sociais. Exceto, claro quando eram amigos muito próximos ou parentes.
Bem, se não bastava perder a simpatia de alguns conhecidos, você ainda corre o risco de engordar. E ficar pobre. A pesquisa da vez vem lá das universidades Columbia e de Pitsburgo. Eles convidaram 541 pessoas para uma brincadeira. Parte tinha acesso às redes sociais, enquanto os outros não. Depois de um tempo de espera, eles deveriam escolher entre um biscoito dechocolate e uma barra de cereal. Quem havia fuçado no Facebook costumava preferir a primeira opção. Esse grupo também se mostrava mais disposto a seguir impulsos consumistas e torrar todo o dinheiro desenfreadamente.
É um efeito colateral do seu bom relacionamento com os amigos que sobraram. “Quando as pessoas usam o Facebook elas ficam mais felizes com elas mesmas”, explica Andrew Stephen, co-autor do estudo. “E pessoas que se sentem bem tendem a se controlar menos. Eles se dão permissão para extrapolar em algumas coisas”, conclui.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Até que as eleições nos separem


Mariliz Pereira Jorge, na Folha de S.Paulo
charge: Internet
charge: Internet
Na contabilidade do barraco eleitoral, nesta guerra de farpas verbais, deixei de ler os posts de uma amiga, que virou uma maleta desbocada, e deletei dois colegas que se achavam cientistas políticos. Em época de eleição, todo mundo se acha e esfrega, sem cerimônia, sua estupidez, sua prepotência e sua ignorância na timeline alheia.
Quando vejo alguém panfletando, sempre penso: prefiro você bêbado às 5h da manhã, gritando “toca Raul”. Detesto Raul Seixas, mas não terminaria amizade com ninguém por causa do seu desgosto musical. Convivo com gente que curte pagode, sertanejo, funk. Nenhuma amizade desfeita. Uma vez peguei carona com uma amiga e vi no carro um adesivo escrito “sou chicleteira”. É pessoa do bem, apesar disso. Só não ando mais de carro com ela.
É claro que também caio na cilada de me achar bem mais sabida do que alguém que pensa diferente de mim. Não é raro ler um post e pensar: que imbecil. Eu mesma devo ter me revelado imbecil para algumas pessoas, apenas porque não penso, não voto e não quero para mim o mesma que elas. Todo mundo certo. Todo mundo errado. Todo mundo mordido pela mosquinha da vaidade de ter razão, de ser mais inteligente do que os outros.
Prometi que evitaria embates por causa das eleições. Que iria escolher bem as brigas e só gastar o latim se valesse a confusão, porque está difícil ficar do lado de qualquer candidato. Mas as discussões entre os apaixonados são piores que briga de torcedor de time que caiu pra série B. O sujeito insiste que “meu escolhido é menos ruim que o seu”.
A sua candidata é arrogante e incompetente. O seu é cheirador e baladeiro. A sua é pau-mandado de pastor. Só não arruma encrenca quem diz que vai votar no Eduardo Jorge porque ele é muito engraçado no Twitter. Ninguém fala do que interessa. Só observo a rinha.
Sempre gostei de política. Quis ser jornalista pra escrever sobre o assunto, mas meus chefes nunca botaram fé. Eles me achavam loira demais, alegre demais e baladeira demais para cobrir um assunto tão árido. Escalavam a loira para fazer o tricô, os assuntos menos nobres do jornal. Ainda bem. Talvez eu estivesse me engalfinhando pela internet se continuasse tão entusiasmada pela pauta.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Digão, do Raimundos, sobre Rodolfo: “100% arrependido e usufruindo 100% dos direitos autorais”

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Publicado no Whiplash [via Pavablog]
Em entrevista à Trip publicada horas atrás, Rodolfo, ex-vocalista do RaimundoS, comentou estar 100% arrependido das letras que escreveu para o grupo. Leia aqui.
O guitarrista Digão postou no Facebook sobre o depoimento de Rodolfo:
Que pena que a base de sua vida seja a hipocrisia…
“100% arrependido” mas usufruindo 100% da sua parte dos direitos autorais e que não é uma “merreca” que ele gosta de falar para os desinformados… Se ele pode se dar ao luxo de sair de casa pra “trabalhar” e não receber nada, quem banca isso!? O Raimundos é claro, a sua eterna previdência privada, assim como o chamariz de seus testemunhos “Eterno EX-RAIMUNDOS”.
Sem contar o fato dele não ter respeitado os nossos direitos quando saiu da banda, o que me cansa é essa insistência em associar o Raimundos às coisas ruins e o seu uso de pó e outras drogas pesadas em sua vida! Amparado pela verdade e Deus é minha testemunha, isso foi FORA do Raimundos com as “nega” dele! Muito me admirei quando vi suas declarações, pois nunca tinha visto isso dentro da banda!
Dizer que estava com “Câncer” e se curou na fé é no mínimo CHARLATANISMO, pois ele nunca fez um exame para provar tal enfermidade, mas alegou que “se conhecia”… Se pelo menos fosse formado em medicina mas nem o 2º Grau terminou…

'Ninguém ajuda', diz família de casa demolida após exorcismo no RS


Federação espírita garantiu auxílio, mas mãe diz que não foi procurada.
Casa de família foi derrubada após relatos de fenômenos estranhos.


Garota de 11 anos voltou a apresentar comportamento incomum (Foto: Reprodução/RBS TV)Garota voltou a apresentar comportamento
incomum (Foto: Reprodução/RBS TV)
publicado originalmente no G1

Após ter a casa demolida por conta de supostos fenômenos incomuns, os pais da menina que passou por um ritual de exorcismo em um município da Região Norte do Rio Grande do Sul seguem em busca de ajuda espiritual para a filha de 11 anos. Há três dias, a garota voltou a apresentar um comportamento estranho durante a madrugada, diz a mãe da menina.

Conforme o relato da mãe, que prefere não ser identificada, o incidente teria ocorrido no domingo (8). A menina contorcia o corpo e mudava o tom de voz. “Faz três dias que aconteceu de novo. Foi de noite aqui em casa. Aí a gente rezou e foi passando. Depois não deu mais nada. Pelo menos lá na outra casa acontecia de tudo, era muito pior. Agora é só com ela mesmo”, relatou a mulher, que prefere não ser identificada.

A casa onde a família vivia foi demolida há cerca de uma semana por conta dos fenômenos. A residência ficava na zona rural de um município no Norte do estado, cujo nome também não foi revelado a pedido dos moradores. Além da mulher, moravam no local o marido dela e os três filhos, um menino de oito anos e duas meninas, de 11 e 15 anos.

Vizinhos, policiais e pesquisadores dizem que presenciaram acontecimentos estranhos na casa, como pedras caindo no telhado e dentro de casa, móveis e objetos se movendo e barulho de socos nas paredes. Além disso, uma das filhas do casal apresentava um comportamento considerado anormal. Por medo, a família decidiu abandonar o local, mas antes de ir embora a menina passou por um exorcismo.
Família presencia fenômenos no RS (Foto: Reprodução/RBS TV)Família presencia fenômenos em cidade do RS
(Foto: Fábio Almeida/RBS TV)
A mãe afirma que chegou a ir a uma curandeira na cidade, que a orientou a procurar um centro espírita que pudesse ajudar a menina. No domingo (8), em entrevista ao Teledomingo, da RBS TV, a Federação Espírita do Rio Grande do Sul disse que prestaria assistência à família. No entanto, a família conta que, até o momento, não foi procurada por ninguém.

“A gente quer resolver isso, tirar esse espírito dela de uma vez. Fomos a uma curandeira. Ela falou que a gente precisava procurar um centro espírita, mas aqui na região não tem nenhum. Ninguém dessa federação aí veio ajudar. Não sabemos mais o que fazer. Prometeram na TV e não vieram. E a prefeitura diz que não pode fazer mais nada porque já está pagando nosso aluguel na casa nova”, diz a mulher.
Ao G1, a Federação Espírita disse que está acompanhando o caso de uma “maneira diferente” e que não concederá novas entrevistas.
Entenda o caso

No domingo (8), o Teledomingo (veja o vídeo) mostrou a história da família que vivia em uma casa onde ocorriam fenômenos incomuns. Barulhos de socos nas paredes, pedras que caem no telhado e dentro da casa, mesmo com as portas e janelas fechadas, eram alguns dos relatos dos moradores. Policiais que foram chamados ao local também se assustaram com os acontecimentos.

Na residência vivia um casal com três filhos, um menino de 8 anos e duas meninas, de 11 e 15 anos. Vizinhos prestaram ajuda e chegaram a levar eles para outros locais, como um colégio próximo. No entanto, os acontecimentos teriam voltado a ocorrer. A casa, então, foi demolida e a família levada para outro local, custeado pela prefeitura.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Ter fé na ciência pode ser tão bom quanto acreditar em Deus

Já existe um movimento que prega a união do conhecimento com a crença (foto: Getty Images)
Já existe um movimento que prega a união do conhecimento 
com a crença (foto: Getty Images)

Marina Oliveira e Rita Trevisan, no UOL Mulher (via Pavablog)
No meio científico, o preconceito com a religião ficou no passado. Atualmente, há milhares de estudos que avaliam a influência da religiosidade no bem-estar físico e mental. E a conclusão é sempre a mesma: a de que os religiosos, ao darem significado ao que é caótico e aparentemente incontrolável, não só lidam melhor com os momentos de crise, como sofrem menos de ansiedade, depressão e estresse, assim como são menos vulneráveis adoenças diversas, a exemplo das cardíacas.
Há também quem defenda que não é preciso seguir uma religião para colher esses benefícios, mas apenas vivenciar a espiritualidade. E é desse movimento, que prega a união do conhecimento com a crença, que nasceu uma nova corrente de estudos, a que investiga a fé na ciência.
Deriva dessa vertente o estudo divulgado em 2013, conduzido pelo Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de Oxford, nos Estados Unidos, que apontou que os mesmos benefícios encontrados pelos religiosos nos cultos ou na vivência da espiritualidade também podem ser usufruídos por aqueles que acreditam na ciência, no poder explicativo e revelador da soma dos conhecimentos humanos.

Endeusamento da ciência

De acordo com o pesquisador Miguel Farias, líder desse grupo de estudos, a crença na ciência pode ajudar as pessoas não-religiosas a lidarem com a adversidade, oferecendo conforto e tranquilidade.
Para o especialista Ricardo Monezi, do Centro de Estudos em Medicina Comportamental da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o estudo condiz com a realidade. “Hoje em dia, temos uma pluralidade de religiões. Você tem até a liberdade de não ter uma, se não quiser”, diz. Isso possibilita que um agnóstico enxergue na medicina uma base onde pode depositar sua confiança. “Ao acreditar na ciência, o cérebro faz uma construção, entende o conhecimento como algo maior, que pode ajudar”, afirma.
Segundo Monezi, os avanços tecnológicos propiciaram, inclusive, um “endeusamento” da ciência, que passou a ser vista como algo que pode salvar o ser. “Quando alguém pergunta a um religioso o que dá segurança a ele, a resposta provável será ‘Deus’. Já para o ateu, o importante é saber que a medicina está tão avançada que poderá socorrê-lo em um momento complicado”, explica. “Os benefícios nas dimensões biológica, psicológica e social do indivíduo estão presentes em qualquer dessas situações, porque o que faz a diferença é acreditar”, diz.

A escolha de cada um

Ser religioso ou espiritualizado tem a ver com as experiências pessoais e individuais. Quem cresceu em uma família na qual a religião faz parte da tradição, por exemplo, poderá se influenciar por essa experiência. Da mesma forma, há pessoas que, por terem passado por vivências traumáticas, adotaram as práticas espirituais.
“Já quem não teve experiências dessa ordem, tende a crer mais no âmbito material das ocorrências, em algo que converse com métodos de investigação”, explica o psicólogo Julio Fernando Prieto Peres, que realizou o seu pós-doutorado no Centro de Espiritualidade e Mente da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Na China, jovens fazem amizade com repolhos para curar a solidão


Muitos jovens já tem seu repolho-amigo
Os jovens chineses encontraram uma nova forma de aliviar a solidão, levando um repolho parapassear. A ideia é simples: você pega um repolho, amarra em uma corda ou coleira e vai para a rua arrastando seu novo amigo.


De acordo com o tabloide inglês “Metro”, por mais sem noção que isso pareça (o que aconteceu com os bons e velhos cachorros?), um psiquiatra da China apoia a novidade. Ele explica que os jovens se sentem tão sozinhos e tão simples quanto um repolho que começam a agir como um e até fazem amizade com o vegetal, facilitando sua aceitação e sendo o estopim para uma mudança.

Lui Ja Chen, um rapaz de 17 anos que está habituado a passear com seu repolho, disse que se sente melhor depois de dar uma voltinha com seu amigo. “Eu posso transferir meus pensamentos negativos para o repolho e depois jogá-lo fora. É como se eu tivesse me livrado de todos esses sentimentos junto com o vegetal”, contou. O garoto ainda afirmou que é mais fácil conhecer outras pessoas quando você está carregando um repolho.


publicado no POP

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Doador anônimo salva menina afegã de seis anos de casamento forçado

Naghma Mohammad teve de ser vendida para saldar dívida de seu pai; empréstimo foi usado para cobrir despesas médicas do caçula da família, que morreu congelado aos 3 anos

NAGHMA MOHAMMAD, DE APENAS SEIS ANOS, FOI PROMETIDA A UM JOVEM DE 19, COMO FORMA DE PAGAMENTO DE UMA DÍVIDA FEITA POR SEU PAI (Foto: Reprodução / CNN)
NAGHMA MOHAMMAD, DE APENAS SEIS ANOS, FOI PROMETIDA A UM JOVEM DE 19,
COMO FORMA DE PAGAMENTO DE UMA DÍVIDA FEITA POR SEU PAI
(FOTO: REPRODUÇÃO / CNN)

A guerra no Afeganistão faz vítimas que vão além dos soldados e civis atingidos por tiros, bombas e granadas. Em 2009, amedrontado pela violência que rondava a província de Helmand, onde morava, Taj Mohammad foi obrigado a reunir a mulher, os nove filhos e seus poucos pertences e se instalar em um acampamento para refugiados, na capital Cabul. A falta de suprimentos básicos logo acometeu o caçula da família, Janan, de apenas três anos. Sem trabalho e com pouquíssimos recursos disponíveis, Mohammad fez um empréstimo de US$2.500 (cerca de R$5 mil reais) para cobrir as despesas médicas do menino.

Janan não sobreviveu ao inverno e morreu congelado. Mal tinha se recuperado da morte do filho e Mohammad se viu em mais uma situação difícil: a cobrança pelo empréstimo havia chegado. Sem dinheiro, a única saída seria oferecer a filha Naghma, de apenas seis anos, como pagamento. Ela deveria se casar com o filho do agiota, de 19.O credor aceitou e Naghma foi morar com a família de seu futuro marido."Foi uma decisão difícil. Senti como se tivesse sido jogado no fogo", contou Taj Mohammad para a reportagem do site do canal norte-americano CNN.

 (Foto: Reprodução / CNN)
(FOTO: REPRODUÇÃO / CNN)
Quando grupos de direitos humanos descobriram a situação de Naghma, imediatamente entraram em contato com Kimberley Motley, uma advogada norte-americana que trabalha  no Afeganistão há cinco anos em prol dos direitos das mulheres no país. Kimberley organizou uma assembleia formada por afegãos anciãos, conhecidos como Jirga, e os convenceu de que Naghma não poderia se casar. Eles a liberaram para voltar para sua casa. Em seguida, um doador anônimo pagou a dívida de Taj Mohammad e livrou a menina da obrigação do casamento, de vez.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Deus (deus?) de Einstein

Einstein na fase gatinho, só pra variar um pouco. 
(Crédito: Reprodução)

Reinaldo José Lopes, no blog Darwin e Deus

“Sem religião, a ciência é manca; sem ciência, a religião é cega.” A frase, caso você não saiba, é de autoria do físico alemão Albert Einstein(1879-1955), e as pessoas adoram usá-la para 1) mostrar como o pai da teoria da relatividade defendia a conciliação e o meio-termo entre visões científicas e religiosas do mundo e 2) usar a suposta crença de Einstein em Deus como a arma definitiva contra cientistas ateus radicais. A verdadeira visão do mais famoso gênio do século 20 sobre o tema, porém, é bem mais complicada.

De origem judaica, Einstein nem chegou a fazer o bar-mitzvah, a iniciação social e religiosa pela qual todo adolescente judeu deveria passar, lendo trechos das Escrituras na sinagoga ao completar 13 anos. Mais ou menos nessa idade, vivenciou uma breve fase de fervor religioso, estudando hebraico bíblico e tudo o mais. Mas passou rapidinho, e ele passou o resto da vida sem praticar os rituais do judaísmo.

Deixemos que o próprio Einstein explique, afinal de contas, qual sua visão sobre aexistência/inexistência de Deus:

“Não posso provar para você que não existe um Deus pessoal, mas, se eu fosse falar dele, seria um mentiroso. Não acredito no Deus da teologia, que recompensa o bem e pune o mal. Meu Deus criou as leis que resolvem esse problema. O Universo dele não é regido por nossos pensamentos e desejos, mas por leis imutáveis.”

Ao mesmo tempo, Einstein se dizia um sujeito extremamente religioso — mas no sentido de que era tomado por um “sentimento religioso cósmico”, que ele comparava ao pensamento de São Francisco de Assis (erradamente, desconfio) e do filósofo judeu holandês Baruch Spinoza (1632-1677). O indivíduo que adota essa perspectiva, diz Einstein, “sente a futilidade dos desejos e objetivos humanos e a sublimidade e maravilhosa ordem que se revelam tanto na natureza quanto no mundo do pensamento”, chegando ao desejo de “experimentar o Universo como um todo único e significativo”. Esse estado de espírito seria a “evolução” máxima das religiões primitivas, desde que se permitisse que a ciência “purificasse o impulso religioso do peso de seu antropomorfismo”, ou seja, da tentação de enxergar o divino com características humanas.

Com base nessa visão, Einstein chegou até a afirmar, de modo aparentemente paradoxal: “Se você reza e pede benefícios a Deus, não é um homem religioso”.

E AQUELE PAPO DOS DADOS?
É verdade que, muitas vezes, o físico curtia fazer referências misteriosas e com ar profético a Deus que podiam ser mal interpretadas. O que será que ele queria dizer com frases como “Deus não joga dados”, “Sutil é o Senhor, mas malicioso ele não é” ou, pior ainda, “Quero saber como Deus criou este mundo. Não estou interessado neste ou naquele fenômeno, no espectro deste ou daquele momento. Quero conhecer os pensamentos divinos, o resto é detalhe”?

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Propaganda promete dinheiro à vista para quem vender a alma ao “tinhoso”


Placa foi fixada no cruzamento da Bahia com a Rua da Paz. (Foto: Elverson Cardozo)
Placa foi fixada no cruzamento da Bahia com a Rua da Paz. (Foto: Elverson Cardozo)
Elverson Cardozo, no Campo Grande News [via Pavablog]
“Precisando de dinheiro? Compro sua alma! Pago à vista. 9666-6966. Tratar com tinhoso”. O recado, que tem como ilustração um capetinha, segurando um tridente, foi deixado em um cartaz, do tamanho uma folha sulfite A4, no poste, na esquina das ruas Bahia e da Paz, no Jardim dos Estados, mas também pode ser visto em outros cantos de Campo Grande, como a Avenida Afonso Pena, próximo à prefeitura.
Ninguém sabe quem está fazendo a proposta indecorosa, até porque o número de telefone, que seria a única forma de obter mais informações, não existe, mas a propaganda fez muita gente fazer cara de espanto, ficar arrepiada ou simplesmente rir.
Criatividade para tentar desvendar o mistério, que pode ser apenas uma brincadeira, uma intervenção urbana ou uma espécie de campanha publicitária, tem de sobra. O Lado B foi às ruas ouvir o que o povo está dizendo. As reações foram do “vixi” ao “Deus me livre!”. “Sem comentários”, disparou a auxiliar administrativa Ivanir Bermanaschi, de 41 anos, ao saber do caso pela reportagem.
Como trabalha em um restaurante, do outro lado da esquina, na mesma rua onde o recado foi colado, ela já tinha ouvido o “falatório” de clientes, mas não encontrou coragem para verificar o feito de perto. “Até acredito que alguma seita esteja querendo comprar a alma de alguém”, disse, ao comentar que, se for brincadeira, é de muito mau gosto.
“De mau não. De péssimo gosto”, enfatizou. Mas hoje em dia, prosseguiu, a situação financeira anda tão complicada que pode aparecer algum tentando vender.
Recado provocou a curiosidade de muita gente. (Foto: Elverson Cardozo)
Recado provocou a curiosidade de muita gente. (Foto: Elverson Cardozo)
A encarregada administrativa Ana Carolina Bonalume, de 32 anos, não encontrou outra expressão a não ser o “vixi” para dizer o que pensou na hora que foi informada do recado, mas foi a única das entrevistadas que cogitou uma possibilidade que foge da interpretação religiosa.
“Pode ser uma jogada de marketing, de outra coisa, ou uma campanha do tipo: ‘não venda seu voto. Você está vendendo sua alma’, algo mais relacionado à política”.
Para ela, a mensagem é engraçada e não deve ser traduzida de maneira literal. “Só alguma pessoa muito leiga, muito fantasiosa, para acreditar nisso”, afirmou. Ana espero que a intenção de quem fez o cartaz não seja a de comprar almas, mas ela se despediu dizendo que “hoje em dia não dá para duvidar de nada”.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Juiz quebra sigilo bancário e fiscal de pastor das BMWs

Casal Maria Lúcia e Paulo Sérgio abraça o presidente da Assembleia de Deus,
Lucas Martins

Allan de Abreu, no Diário Web [via Pavablog]
Justiça determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do pastor Paulo Sérgio Dutra de Moraes, ex-presidente da Assembleia de Deus em Catanduva, e de outros cinco membros da igreja, incluindo a mulher dele, Maria Lúcia Machado de Moraes, e o atual presidente, Lucas Martins.
O grupo é investigado em inquérito do 2º Distrito Policial do município pelos crimes de apropriação indébita, sonegação fiscal, estelionato e enriquecimento ilícito. O delegado que comanda o inquérito, Pedro Luís de Senzi Carvalho, havia pedido a quebra dos sigilos em novembro, mas o juiz Alceu Corrêa Júnior determinou que o delegado especificasse o período em que desejava analisar as movimentações financeiras dos investigados.
No caso de Paulo Sérgio e da mulher, o período será de 15 anos, desde que ele assumiu a igreja no lugar do pai, morto em 1999. Na época, segundo pastores da Assembleia, ele tinha um veículo Fiat 147 e morava no Gabriel Hernanes, periferia da cidade. Desde então, o pastor se tornou colecionador de BMWs – do ano passado até agora, teve cinco, todas de luxo, quatro delas zero quilômetro. É dono ainda de dois imóveis em bairros nobres de Catanduva, incluindo uma mansão que ocupa cinco terrenos, avaliada em R$ 1,5 milhão.
A suspeita é de que o patrimônio milionário tenha origem em desvios do dízimo da Assembleia, a maior igreja evangélica da cidade, com 6 mil fiéis espalhados em 38 templos, e arrecadação mensal estimada em R$ 300 mil mensais. Além disso, três cheques entregues como dízimo à igreja de 2012 para cá foram depositados diretamente nas contas de dois pastores, entre eles o atual presidente Lucas, sem passar pela conta bancária da entidade.
Outros seis cheques foram depositados em lojas de eletrodomésticos, pneus e um supermercado da cidade, conforme o Diário revelou com exclusividade em novembro. Procurados, os advogados do casal, Jean Carlo Abreu de Oliveira, e de Lucas, Gustavo Pedroni Carminati, disseram ontem que não tiveram acesso à decisão do juiz, e por isso não poderiam comentar o assunto.
Paulo Sérgio (na foto) sai da sua mansão de BMW
Pobreza
Em agosto deste ano, Paulo Sérgio renunciou à presidência da Assembleia, e sua mulher assumiu o posto. No mês seguinte, Maria Lúcia deu lugar a Lucas, então segundo tesoureiro da igreja e homem de confiança de Paulo Sérgio.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O Tea Party à brasileira

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Protesto contra o aborto e o casamento gay em Brasília. / VALTER CAMPANATO (EFE)
Por Juan Arias, no El País [via Pavablog]
No Brasil, o reino de Deus é cada vez mais deste mundo. Como ocorre em outras partes da América Latina, o poder das igrejas evangélicas e pentecostais, que funcionam como um tea party à brasileira, está alterando a política. A tal ponto que a classe dirigente, mesmo se estiver a anos-luz da sua ideologia conservadora, entoa suas melhores preces quando tem de negociar assuntos espinhosos com seus representantes no Congresso Nacional, algo muito frequente.
Conhecedores de seu crescente poder, todos os partidos sonham em ter candidatos evangélicos nas suas listas eleitorais, porque sabem que seus seguidores, na maioria pobres e pouco instruídos intelectualmente, são muito mais obedientes na hora de seguir as ordens de seus pastores nas eleições do que, por exemplo, os católicos. “As forças políticas procuram ter evangélicos em seus quadros porque eles são um componente substancial do eleitorado. Essa religião está crescendo e interessa como massa eleitoral”, afirma João Paulo Peixoto, professor titular da Universidade de Brasília. Por exemplo: a própria presidente Dilma Rousseff, quando disputou a eleição presidencial de 2010 com o apoio de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, teve de apresentar um documento aos evangélicos no qual se comprometia a não defender, caso vencesse, a liberação do aborto. Do contrário, é muito provável que tivesse perdido.
A teologia da libertação foi substituída pela teologia da prosperidade. O teólogo Leonardo Boff, pelos pregadores televisivos, dizem os democratas, preocupados com a expansão dessas igrejas entre a classe C – as camadas médias que se incorporam ao consumismo, muito conservadoras politicamente, e às quais se promete algo melhor do que o paraíso: a cura das enfermidades mortais aqui na terra. Já são 42 milhões de fiéis (uma progressão incontrolável desde 1977, um em cada quatro brasileiros), distribuídos, sobretudo, entre a Assembleia de Deus e a Igreja Universal do Reino de Deus. No total, contam com 71 congressistas (68 deputados e 3 senadores) e, desde março, com a presidência da emblemática e importante comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, para cuja direção foi escolhido um personagem considerado homofóbico e racista. Mas as cadeiras parlamentares não são suficientes; eles aspiram a ter o primeiro presidente evangélico da história.
“Deus tem um grande projeto de nação elaborado por ele mesmo, e é nossa responsabilidade colocá-lo em prática”, confessou o bispo Edir Macedo, fundador da poderosa Igreja Universal, em seu livro Plano de Poder. Ao estilo norte-americano, Macedo é dono da Rede Record, segunda em audiência, depois da Rede Globo, e possui o quarto maior grupo de comunicação do país. Sua igreja tem ainda 23 emissoras de televisão, 40 rádios e uma dúzia de editoras próprias.
“Meu Deus, os cristãos e a política neopentecostal do bispo Macedo dão medo”, afirma o jornalista Plinio Bortolotti, diretor do grupo de comunicação O Povo. “Ele está obcecado com o poder e tem um plano para tomá-lo. Parece um novo Moisés que está convencido de atuar sob as ordens diretas de Deus.”
Carlos Eduardo Calvani, da Igreja Anglicana no Brasil, vai além. Segundo ele, os evangélicos brasileiros pregam uma política muito parecida com a dos fundamentalistas islâmicos, com a única diferença de que atuam dentro de uma democracia. Com seu sonho de chegar ao poder, poderiam, nas palavras de Calvani, levar o Brasil a uma espécie de “regime talibã evangélico”. Em um país aparentemente aberto, embora de um conservadorismo latente, os evangélicos se opõem, por exemplo, à laicidade do Estado, ao aborto, ao casamento gay, ao uso de células-tronco e à descriminalização do uso de drogas. Seus membros conseguiram estar presentes em 16 formações políticas e criaram três partidos próprios: o Partido Republicano do Brasil (PRB), o Partido Social-Cristão (PSC) e o Partido da República (PR). Às forças evangélicas se une uma série de deputados alinhados à Frente Parlamentar em Defesa da Vida e Preservação da Família, com 192 parlamentares, ou cerca de 40% do Congresso – uma força que até agora vem sendo capaz de paralisar qualquer abertura na aprovação de leis progressistas a respeito desses temas. O Congresso ainda não conseguiu, por exemplo, aprovar a regularização do aborto, e a aprovação do casamento entre homossexuais foi obra do Supremo Tribunal Federal, que o considerou constitucional.
Mas o maior êxito dos evangélicos foi sem dúvida a nomeação para a presidência de uma das comissões mais emblemáticas e sensíveis do Congresso, a de Direitos Humanos e Minorias, do pastor evangélico Marco Feliciano, 40 anos, figura polêmica e inimigo número 1 do movimento gay. Feliciano defende, de Bíblia na mão, que Deus criou o ser humano “macho e fêmea” e que não pode existir um “terceiro sexo”. O pastor chegou a afirmar que os africanos carregam sobre si uma “maldição divina” desde os tempos de Noé, o que os faz serem negros e pobres. A conquista da Comissão de Direitos Humanos da Câmara simboliza, segundo o colunista político Janio de Freitas, da Folha de S.Paulo, “o primeiro embate relevante em que os evangélicos se põem como um novo bloco orgânico, ideologicamente bem definido e poderoso” no Congresso. “Estamos no caminho para uma república teocrática”, diz o escritor Luiz Manfredini.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Um Deus que odeia Seus inimigos não pode exigir que eu ame os meus



Por Hermes C. Fernandes, no Cristianismo Subversivo

Alguém, por favor, ajude-me a entender a desconcertante contradição entre a exigência do evangelho para que amemos aos nossos inimigos e a ira de Deus contra Seus próprios inimigos. Não devemos “imitar a Deus como filhos amados”? Como posso amar e perdoar a meus inimigos se Deus odeia os seus? Se isso não é uma contradição, então, temos que admitir que nossa interpretação é que deve estar equivocada. Ou será que Deus é do tipo que diz “faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço” Como poderia exigir que déssemos de comer ao nosso inimigo, mas ao mesmo tempo ameaçar enviar Seus inimigos para serem torturados eternamente?

Quero propor que deixemos de lado a paixão, e examinemos friamente a questão.

Muitos de nossos pressupostos são frutos de equívocos passados de geração em geração, mas que ninguém tem coragem de confrontar e revisar. Jesus abriu-nos um importante precedente no Sermão da Montanha ao propor a revisão de alguns deles. Ao todo, são seis interjeições de Cristo que começam com “Ouvistes que foi dito (...) Eu, porém, vos digo”( Mt.5:21,27,31,33, 38,43). Jesus não propõe uma mudança nos mandamentos em si, mas na interpretação que se fazia deles. Uma coisa é o que lemos, outra é como lemos. Uma tem caráter objetivo, a outra, subjetivo. Por isso, Jesus perguntou ao doutor da lei: Que está escrito na lei? Como lês?” (Lc.10:26).

Numa das interjeições, Jesus diz:

 “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus.” Mateus 5:43-44

De fato, em lugar algum das Escrituras encontramos instrução direta sobre “odiar os inimigos”. O mais próximo disso é o que lemos em Deuteronômio 33:27: O Deus eterno é a tua habitação, e por baixo estão os braços eternos; e ele lançará o inimigo de diante de ti, e dirá: Destrói-o.” Deduziu-se daí que Deus estivesse instruindo Seu povo a odiar a seus inimigos. Como poderíamos destruir a quem não odiássemos? Foi provavelmente baseado nisso que Davi compôs seu hino: “Persegui os meus inimigos e os destruí, e nunca voltei atrás sem que os consumisse” (2 Sm.22:38). Tenho a impressão que é também baseado nisso que muitos pregadores contemporâneos insistem com sua teologia revanchista, instigando o povo a desejar ver seus inimigos sob seus pés. Todavia, há que se levar em conta o contexto em que tanto Moisés quanto Davi se expressaram de tal maneira. Em ambos os casos, o povo de Israel estava envolvido em campanhas militares, e precisava de garantias de que seria bem-sucedido. Não se pode tomar tais palavras e aplicá-las num contexto pessoal. Sem contar que hoje vivemos sob a égide de uma nova aliança, onde o “olho por olho” foi substituído pelo “ofereça a outra face”.

Quando Jesus foi rejeitado em uma aldeia samaritana, dois dos Seus discípulos, Tiago e João, que também haviam sido discípulos de João Batista, propuseram que se orasse para que Deus derramasse fogo do céu e consumisse aquela gente. Eles chegaram a citar Elias, justificando nas Escrituras o seu espírito revanchista. Mas Jesus os repreendeu, dizendo: Vós não sabeis de que espírito sois. Porque o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las” (Lc.9:55-56). Não somos discípulos de Moisés, Davi ou Elias. Somos discípulos de Jesus, e compete ao discípulos buscar assemelhar-se ao seu mestre.

Ao denunciar o espírito revanchista do Seu povo e propor uma nova via, Jesus corria o sério risco de ser chamado de herege.  Jesus estava questionando uma pseudo-verdade que se estabelecera naquela cultura por vários séculos. Em vez de odiar os inimigos, Seus discípulos deveriam amá-los, caso contrário, jamais se pareceriam com Seu Pai que está nos céus.

Ora, se Deus requer que amemos a nossos inimigos, podemos inferir que Ele igualmente ame a Seus inimigos, sem exceção.  Se Deus ama somente aqueles que O amam, então Ele não é melhor do que o mais vil pecador. Pelo menos, esta é a conclusão inevitável a que chegamos ao lermos: Se amardes aos que vos amam, que mérito há nisso? Pois também os pecadores amam aos que os amam. E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que mérito há nisso? Também os pecadores fazem o mesmo” (Lc.6:32-33)?

O que dizer, então, do provérbio que diz “eu amo os que me amam” (Pv.8:17)? Trata-se, na verdade, de uma alegoria, onde a sabedoria é apresentada de maneira personificada. É a sabedoria que declara amar os que a amam. Não se pode colocar isso nos lábios de Deus.

O problema não termina aí. Há ainda outras passagens que parecem dizer que Deus só ame os que o amam. Veja, por exemplo, João 14:21, onde Jesus diz: Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.” O que Jesus, de fato, está dizendo aqui é que aquele que O ama, o faz justamente por ser amado por Seu Pai. Logo, nosso amor a Deus resulta de Seu amor por nós, e não vice-versa.  Ou não é isso que as Escrituras claramente dizem?: Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro” (1 Jo.4:19). O que nos confunde um pouco é o fato de que o grego tem certos tempos verbais que se perdem quando o texto é traduzido para o nosso idioma. Um deles, por exemplo, é o aroisto. Uma tradução possível para esse versículo seria: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama, e aquele que me ama é o que é amado de meu Pai...”

O fato inegável é que nada fizemos para merecer o Seu amor. E nada podemos fazer para alterar o que Ele sente por nós. Segundo Paulo, todos éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (Ef.2:5-6). Apesar de merecermos Sua justa ira, Ele ainda assim nos amou.

Em outra passagem, Jesus diz: “O Pai mesmo vos ama; visto que vós me amastes e crestes que eu saí de Deus” (Jo.16:27). Pode parecer que Ele estivesse afirmando que o amor do Pai por nós se deve ao fato de amarmos a Seu Filho. Porém, a verdade é exatamente o oposto. O amor que temos por Jesus é tão somente a evidência do amor com que o Pai nos ama.

Seu amor por nós independe de nosso amor por Ele. Paulo parece ter compreendido as implicações éticas por trás desta revolucionária verdade. Constrangido por este amor, o apóstolo decidiu igualmente amar às últimas consequências. Por isso, confessou: Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado” (2 Co.12:15). Será que o amor de um simples mortal superaria o amor de Deus? Se Paulo pôde amar mais do que o próprio Deus, então, passemos a cultuá-lo no lugar de Deus. É claro que isso não é possível. Ninguém jamais amou como Ele nos amou, ama e amará. Ainda que seja menos amado... Ainda que não O correspondamos.
E quanto à ira justa de Deus? A Bíblia parece clara ao afirmar que Deus ama a justiça, mas abomina a iniquidade. Sua ira é destinada a todos os que praticam a injustiça. Concluímos, precipitadamente, que Deus seja incapaz de amar àqueles sobre quem repousa a Sua ira.

Para corrigir nossa perspectiva, temos que entender que o termo “ira” não é antônimo de “amor”. O contrário de amor é indiferença. Mesmo a ira divina nada mais é do que uma faceta do Seu amor. Há mais amor numa única gota da ira divina do que em todo o oceano de amores humanos.

Por ser amor, Deus é incapaz de manter-se indiferente a qualquer uma de Suas criaturas. Amor não é apenas um dos Seus atributos, mas Sua essência. Ele não tem amor. Ele é amor! Mesmo na ira, Ele se lembra da misericórdia (Hc.3:2), razão pela qual não somos consumidos por Sua justa indignação contra o pecado (Lm.3:22). E Seu “ódio” pelo pecado é proporcional ao Seu amor pelo pecador. Ele odeia o pecado justamente por causa do mal que causa à Sua criatura.

Enquanto Sua ira dura só um instante (Sl.30:5), Sua misericórdia dura para sempre. Tenho a impressão de que esta verdade foi invertida. Na compreensão de muitos, a misericórdia dura um ínfimo momento, enquanto Sua ira dura para sempre.

Iurd é condenada por derrubar casas de patrimônio histórico

Pastores demoliram as casas na calada da noite

A juíza Maria Aparecida Consentino Agostini, da 34ª Vara Cível de Belo Horizonte (MG), condenou a Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus) a pagar a indenização de R$ 33.768.243,63 por ter demolido na cidade três casas de valor histórico, para construir o estacionamento do seu templo na rua Aimóres.

Desse total, R$ 15 milhões se referem aos danos morais coletivos e R$ 18.768.243,63 às perdas patrimoniais.

O dinheiro terá de ser depositado em conta judicial, para ser aplicado na recuperação e preservação de bens culturais de Belo Horizonte.

O caso está longe de terminar, porque a Universal vai recorrer dessa decisão de primeira instancia. 

De acordo com o Ministério Público, em 2004 a Universal entrou com pedido de demolição das casas junto à Prefeitura. 

O pedido foi negado porque os imóveis dos anos 40 estavam em início de processo de tombamento.

Mesmo assim, a Universal derrubou em agosto de 2005 os imóveis, transformando-os em local em estacionamento. E o Ministério Público entrou com Ação Civil Pública contra a Igreja. 

Ao final de 2008, o então pastor responsável por aquela templo de Belo Horizonte foi condenado pela Tribunal de Justiça de Minas a dois anos, oito meses e 12 dias de prisão em regime semiaberto por ter determinado a demolição.

A sentença, contudo, foi substituída por prestação de serviços à comunidade e ao pagamento de um multa. 


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

“Não tinha ideia que se tornaria viral”, diz criador do desafio da girafa

girafa6Guilherme Tagiaroli, no UOL
O Facebook está cheio de fotos de girafas atualmente e tudo isso é culpa do neozeolandês Andrew Strugnell. Após criar um desafio por meio de um vídeo no YouTube, a ação de Strugnell se transformou em uma modinha na internet, com adesões de pessoas de vários países.
“Não tinha ideia que se tornaria viral”, disse Strugnell, em entrevista por e-mail ao UOL Tecnologia. O neozelandês conta que a ideia de fazer o desafio veio de um amigo. Depois disso, ele passou a charada para alguns familiares, até que a situação saiu do controle e atingiu internautas de todo o mundo.
Publicado em um vídeo (em inglês) no sábado (26), o desafio diz: “São 3h00, toca a campainha de sua casa e você acorda. Visita inesperada. São seus pais e eles vieram para o café da manhã. Você tem geleia de morango, mel, vinho, pão e queijo. O que você abre primeiro?”. A resposta tinha de ser dada via mensagem privada no Facebook ao Strugnell. Quando a brincadeira se tornou viral, ele criou um texto para os participantes copiarem e colarem em seus próprios perfis – assim, a resposta poderia ser dada a qualquer uma dessas pessoas. Com isso, o neozelandês criou a corrente que se espalhou pelo mundo.
Questionado se ele achava que todas aquelas “girafas” tinham mesmo errado o desafio, Strugnell ressaltou que o importante foi a adesão dos internautas. “O legal de tudo isso é que as pessoas queriam se envolver com a brincadeira, compartilhar o desafio e dizer aos amigos se eles acertaram ou não.”
Na entrevista, Strugnell falou sobre o alto nível de engajamento de brasileiros no desafio, as próximas charadas e a surpresa ao ver que uma campanha sua ganhou notoriedade internacional. Veja abaixo os principais trechos da conversa.
Neozeolandês Andrew Strugnell criou o "desafio da girafa"; ação se tornou viral na web
Neozeolandês Andrew Strugnell criou o “desafio da girafa”; ação se tornou viral na web
UOL Tecnologia: De onde surgiu a ideia de criar esse desafio? Lembra um pouco esses testes lógicos usados por companhias durante processos seletivos…
Andrew Strugnell: Eu simplesmente compartilhei algo divertido que foi passado para mim por um amigo daqui da Nova Zelândia. Eu recebi o enigma na manhã de sábado [26] e o encaminhei para familiares e amigos. Tive 80 repostas na minha caixa de entrada do Facebook em poucas horas.
Na sequência, criei um vídeo no YouTube pensando que outras pessoas poderiam também aderir a uma brincadeira que é simples e divertida. Jamil, meu amigo, sugeriu a criação de uma página no Facebook para compartilhar e reunir informações sobre o enigma.
Na manhã seguinte [domingo], comecei a perceber um tráfego bem grande de usuários na página do Facebook. Minha caixa de entrada começou a receber milhares de mensagens de pessoas enviando a resposta do desafio. Com isso, eu e meu amigo Mak desenvolvemos a página The Great Giraffe Challenge para nos ajudar a lidar com o número de requisições sobre o enigma.
UOL Tecnologia: Você imaginava que o desafio se tornaria viral?
Strugnell: Eu não tinha a menor ideia que isso poderia se tornar um viral. Eu e meus amigos ainda estamos tentando digerir o que aconteceu com a gente. Tem sido muito emocionante fazer parte de algo positivo, divertido e global.
Temos vários planos legais para o futuro, envolvendo a girafa, e não vemos a hora de poder compartilhar isso com os nossos seguidores. Estamos trabalhando em um vídeo musical.
Eu quero também mencionar o grande fluxo de brasileiros. Os usuários do país já são os que mais acessam a página.
UOL Tecnologia: Por que você escolheu a girafa para o desafio? Por que não gatos (que são bem famosos na internet) ou cachorros?
Strugnell: Eu adoro o fato de a girafa ser um animal desengonçado e quase não se fala muito dela. Nesse mês, tinha a música da raposa que fez sucesso, agora acho que é a vez da girafa!
Segundo um artigo da “CNN”, o meme da girafa foi buscado 1,6 milhão de vezes, contra 450 mil da raposa nos Estados Unidos durante um período de 24 horas. Esse fato me deixou muito surpreso, pois nas últimas semanas todos têm falado da música “What does the fox say?” [vídeo feito por humoristas noruegueses e cantado em inglês. O título traduzido significa: o que a raposa diz?].

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