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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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terça-feira, 28 de outubro de 2014

Marina, teologia e política

Marina Silva no culto em que foi ordenada como Evangelista da Assembleia de Deus


Ricardo Gondim, no seu site.
A dias da eleição em primeiro turno fui convidado, por via indireta, para um encontro de líderes evangélicos com Marina. A reunião aconteceu em plena avenida Paulista. Sem saber quem também compareceria, achei que deveria ir.
Estranhei, de princípio, os que encontrei: pastores-presidentes de denominações e líderes neopentecostais, alguns auto-proclamados apóstolos e apóstolas e vários bispos e bispas. A faixa etária me chamou a atenção: a maioria era semi-idosa – iguais a mim. Faltavam jovens. Observei que uma gerontocracia sacerdotal continua a dar as cartas entre os crentes.
Depois, não podia deixar de notar a baixa frequência. Os organizadores não conseguiram lotar as cerca de 500 cadeiras dispostas no clube Homs. Murmurei para mim mesmo em tom crítico: dá para promover um evento gospel, mas é muito pouco para eleger um presidente – no caso, presidenta – do Brasil.
Antes mesmo de cantarmos o hino nacional, eu já conseguia suspeitar as percepções de mundo que inspiravam o encontro. Vi expoentes de uma onda que se popularizou no final da década de 1980 pelo Brasil conhecida como teologia da guerra espiritual – que procura combater demônios que se encastelam, desde os ares, em áreas geográficas definidas. Com textos bem alegorizados da Bíblia hebraica – Antigo Testamento – esse pessoal afirma que há príncipes diabólicos e potestadesinfernais designadas pelo próprio Satanás para reger, aprisionar e destruir bairros, cidades, estados e até o Brasil. A percepção fica entre o primitivo e o medieval: uma batalha entre forças espirituais antagônicas – anjos versus demônios – exige que os crentes se engajem através da oração. Sem a força das preces, os demônios vencem, mas, quando a igreja ora, os anjos triunfam. Identifiquei esses teólogos (grandes aspas aqui) nos corredores do encontro. Constatei, inclusive, que alguns se dirigiram para a coxia do salão e não voltaram mais. Minha intuição evangélica me avisa que foram interceder por Marina.
A candidata evangélica estaria vulnerável não ao constante bombardeio de marqueteiros de outros partidos, sequer desgastada pelo assédio e intimidação de certos televangelistas, mas por ataques satânicos. A vitória de Marina se daria, portanto, com jejum e oração; jamais por sua capacidade de transmitir boas propostas políticas ao povo brasileiro. Marina aconteceria no cenário político como encarnação de saias de Dom Sebastião, vinda dos joelhos dobrados em oração para a salvação do Brasil. Ela é guerreira do Senhor. Ela é ungida por Deus e capacitada pela intercessão dos crentes para conquistar, nas esferas espirituais, os territórios, as cidades e a própria nação do domínio que Satanás conseguiu exercer.
Marina entrou na reunião, cumprimentou a todos e se sentou. Um apóstolo fez a prece da abertura. Antes de orar, discursou por uns 10 minutos – que pareceram uma hora. Deixou claro: ele empenhava os votos de sua comunidade com dois milhões de membros – exagero que, sem juízo, pode ser creditado como mentira. Expressou outro ponto teológico que explicava o primeiro e, talvez, mais importante porquê de os evangélicos apoiarem Marina: uma reivindicação moralista.
Ficou nítida a força que animava aquele auditório: eles queriam que Marina combatesse o avanço nas conquistas civis dos homossexuais, impedisse o aborto e, num conceito mais difuso, protegesse a família. Com a bancada evangélica, notoriamente, manchada por enormes desvios éticos, o grupo sabe da conveniência de enxergar, nessas causas, a ruína do Brasil. Algumas grandes igrejas nacionais – seus líderes estavam no encontro – já foram investigadas até por assassinato. Se contar o número de processos contra políticos evangélicos no STF, fica ridículo os próprios evangélicos identificarem nos homossexuais, e na insistência da comunidade LGBT de ter seus direitos civis reconhecidos, a desgraça do país.
Convidaram um pastor para representar o presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (ausente da reunião e que apoiou Aécio Neves). Lembro quase ipsis litteris de suas palavras: - A candidatura de Marina Silva nasceu no coração de Deus. Deus tem tudo, rigorosamente, sob seu controle. E ele levará sua serva à vitória. O ambiente, que vinha morno, se acendeu. Aleluia, glória a Deus e amém se repetiram entre mãos levantadas e salva de palmas. Minha reação imediata: E se ela não for eleita?
Eu acabava de escutar a tolice mais repetida em púlpitos, debates e nas frases de efeito que se espalham pelas redes sociais. Ela soa interessante, mas não passa de um disparate. Se Deus tem mesmo tudo sob seu mais absoluto e rigoroso controle e Marina perde, já no primeiro turno, restam duas alternativas: o pastor falou asneira ou os dois adversários que a suplantaram em votos – Dilma e Aécio – burlaram o Todo-Poderoso; isto é, foram mais astutos. O pastor e aquele auditório, com raríssimas exceções, não pensam nos desdobramentos de suas afirmações. A frase não se sustenta. E essa piedade mostra o quanto o movimento evangélico nacional prescinde de bom senso.
Além do mais, se Deus tem tudo sob seu mais absoluto e rigoroso controle e a candidatura de Marina nasceu no seu coração, aquela reunião devia ser uma celebração antecipada da posse. E todo o esforço do comitê de campanha, todo o dinheiro gasto e toda rouquidão da candidata não passavam de teatro, com o fim do espetáculo anteriormente definido.
Depois, o telão exibiu um pequeno vídeo com Marina em comícios, com um trecho de seu testemunho de menina pobre, sem comida em casa. A música da peça publicitária era, obviamente, gospel no melhor estilo triunfalista. Não lembro a letra toda, mas o refrão repetia sem parar a palavra vitória. Marina havia descido do palco para assistir ao vídeo de frente. Uma das protagonistas do movimento “O Brasil é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso” se pôs em pé, acenou com as mãos, pedindo palmas efusivas.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Congresso eleito é o mais conservador desde 1964, afirma Diap


Congresso_Nacional_BR_noite

Publicado no Estadão

Apesar das manifestações de junho de 2013 – carregadas com o simbolismo de um movimento popular por renovação política e avanço nos direitos sociais – o resultado das eleições do último domingo, 5, revelou uma guinada em outra direção. Parlamentares conservadores se consolidaram como maioria na eleição da Câmara, de acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

O aumento de militares, religiosos, ruralistas e outros segmentos mais identificados com o conservadorismo refletem, segundo o diretor do Diap, Antônio Augusto Queiroz, esse novo status. “O novo Congresso é, seguramente, o mais conservador do período pós-1964″, afirma. “As pessoas não sabem o que fazem as instituições e se você não tem esse domínio, é trágico”, avalia.

Ele acredita que a tensão criada pelo debate de pautas como a legalização do casamento gay e a descriminalização do aborto deve se acirrar no Congresso, agora com menos influência de mediadores tradicionais, que não conseguiram de reeleger. “No caso da Câmara, muitos dos parlamentares que cuidavam da articulação (para evitar tensões) não estarão na próxima legislatura. Algo como 40% da ‘elite’ do Congresso não estará na próxima legislatura, seja porque não conseguiram se reeleger ou disputaram outros cargos. Houve uma guinada muito grande na direção do conservadorismo”, diz.

O levantamento do Diap mostra que o número de deputados ligados a causas sociais caiu, drasticamente, embora os números totais ainda estejam sendo calculados. A proporção da frente sindical também foi reduzida quase à metade: de 83 para 46 parlamentares. Junto com a redução desses grupos, o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a descriminalização das drogas – temas que permearam os debates no primeiro turno da disputa presidencial – têm poucas chances de serem abordados pelo Congresso eleito, que tomará posse em fevereiro de 2015.
“Posso afirmar com segurança que houve retrocesso em relação a essas pautas. Se no atual Congresso houve dificuldade para que elas prosperassem, no próximo isso será muito mais ampliado. Houve uma redução de quem defendia essa pauta no Parlamento e praticamente dobrou (o número de) quem é contra”, diz.

Parte consistente do conservadorismo, segundo Queiroz, virá da bancada evangélica. Ele estima que o número de religiosos desta corrente deve crescer em relação aos 70 deputados eleitos em 2010. “A bancada evangélica vai ficar um pouquinho maior, mas com uma diferença: nomes de maior peso dentro das igrejas para melhor coordenar e articular os interesses desse segmento junto ao Congresso”, diz. Entre essas lideranças, o Diap já identificou 40 bispos e pastores.
Militares

O Diap também estima um aumento consistente de policiais e militares eleitos. Queiroz prevê que o aumento de parlamentares com este perfil deve chegar a 30%. “Esse grupo, necessariamente, vai fazer parte da ‘bancada da bala’, porque defende a defesa individual”, diz, referindo-se ao lobby da indústria armamentista.

No segundo turno, um plebiscito


ilustração: Internet
ilustração: Internet
Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo
A doutora Dilma vai para o segundo turno sem uma plataforma clara. Em junho, durante a convenção do PT, ela anunciou um “Plano de Transformação Nacional” no qual, além de generalidades, prometeu uma reforma dos entraves burocráticos e um projeto de universalização do acesso à banda larga. Como? Não explicou. No seu lugar entraram autolouvações e manobras satanizadoras contra os adversários. Delas, a mais mistificadora é aquela que confunde os oito anos de Fernando Henrique Cardoso com uma ruína econômica e social. Foi o período de esplendor da privataria, época em que um hierarca do Ministério do Trabalho dizia que o aumento do número de brasileiros sem carteira assinada era uma boa notícia, mas deve-se ao tucanato algo muito maior: o restabelecimento do valor da moeda. Sem isso, Lula, Dilma e o PT não teriam conseguido quaisquer avanços sociais. Por questão de justiça, reconheça-se que o DNA demofóbico de parte do tucanato seria um obstáculo para que fizesse o que Lula fez.
A ideia segundo a qual o PT precisa continuar no poder porque no poder deve continuar é pobre e pode funcionar como uma armadilha. Na noite de domingo, a doutora Dilma afirmou que o “povo brasileiro vai dizer que não quer os fantasmas do passado de volta”. Pode ser, desde que se entenda que o Brasil de FHC foi um castelo mal-assombrado. Mesmo nesse caso, o PT faz sua campanha pretendendo continuar no governo pelos defeitos do adversário, e não pelas suas próprias virtudes. Colocando a questão dessa maneira, deu a Aécio Neves a oportunidade de responder: “O Brasil tem medo dos monstros do presente”.
O desempenho da doutora no primeiro turno foi o pior desde 1998. Ficou em terceiro lugar em São Bernardo, no coração do ABC paulista. A bancada petista no Congresso perdeu 18 cadeiras. Em Pernambuco, foi dizimada. Boa notícia o PT só recebeu de Minas Gerais, onde o eleitorado negou ao PSDB o mandato que lhe daria 16 anos de poder ininterruptos. É isso que o PT busca na esfera federal. Nunca na história deste país um grupo político homogêneo ficou no poder por 16 anos.
Dilma vai para o segundo turno com a arma do favoritismo de quem ganhou no primeiro. Contudo faltam-lhe dois amparos. Agora o tempo de televisão será o mesmo e os debates serão mano a mano. Aécio, como fez o petista Fernando Pimentel em Minas, falará em desejo de mudança. É o “Chega de PT”. Dilma defenderá o “Mais PT”. Darão ao pleito um tom plebiscitário. Seria melhor se discutissem propostas para os próximos quatro anos. O PT carrega êxitos e escândalos, porém o programa de Aécio é mais uma coleção de platitudes e promessas. Seus capítulos para a educação e a saúde não enchem um pires. Se Marina Silva obtiver dele a meta de implantar em

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Até que as eleições nos separem


Mariliz Pereira Jorge, na Folha de S.Paulo
charge: Internet
charge: Internet
Na contabilidade do barraco eleitoral, nesta guerra de farpas verbais, deixei de ler os posts de uma amiga, que virou uma maleta desbocada, e deletei dois colegas que se achavam cientistas políticos. Em época de eleição, todo mundo se acha e esfrega, sem cerimônia, sua estupidez, sua prepotência e sua ignorância na timeline alheia.
Quando vejo alguém panfletando, sempre penso: prefiro você bêbado às 5h da manhã, gritando “toca Raul”. Detesto Raul Seixas, mas não terminaria amizade com ninguém por causa do seu desgosto musical. Convivo com gente que curte pagode, sertanejo, funk. Nenhuma amizade desfeita. Uma vez peguei carona com uma amiga e vi no carro um adesivo escrito “sou chicleteira”. É pessoa do bem, apesar disso. Só não ando mais de carro com ela.
É claro que também caio na cilada de me achar bem mais sabida do que alguém que pensa diferente de mim. Não é raro ler um post e pensar: que imbecil. Eu mesma devo ter me revelado imbecil para algumas pessoas, apenas porque não penso, não voto e não quero para mim o mesma que elas. Todo mundo certo. Todo mundo errado. Todo mundo mordido pela mosquinha da vaidade de ter razão, de ser mais inteligente do que os outros.
Prometi que evitaria embates por causa das eleições. Que iria escolher bem as brigas e só gastar o latim se valesse a confusão, porque está difícil ficar do lado de qualquer candidato. Mas as discussões entre os apaixonados são piores que briga de torcedor de time que caiu pra série B. O sujeito insiste que “meu escolhido é menos ruim que o seu”.
A sua candidata é arrogante e incompetente. O seu é cheirador e baladeiro. A sua é pau-mandado de pastor. Só não arruma encrenca quem diz que vai votar no Eduardo Jorge porque ele é muito engraçado no Twitter. Ninguém fala do que interessa. Só observo a rinha.
Sempre gostei de política. Quis ser jornalista pra escrever sobre o assunto, mas meus chefes nunca botaram fé. Eles me achavam loira demais, alegre demais e baladeira demais para cobrir um assunto tão árido. Escalavam a loira para fazer o tricô, os assuntos menos nobres do jornal. Ainda bem. Talvez eu estivesse me engalfinhando pela internet se continuasse tão entusiasmada pela pauta.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Em quem vou votar pra presidente?



Nunca na história desse país se viveu um momento tão crítico diante de uma nação dominada pelo engano de “um prato de comida na mesa”

Depois de tudo que assisti ontem (23.09.14) e da declaração da PresidentE Dilma Russef nas nações Unidas, ainda estou pasmo, acordei pasmo, vou passar o dia pasmo porque de alguma forma, o desabafo do israelita quanto ao nanismo diplomático do Brasil se mostra agora, um ato “profético” que se concretiza oficialmente nas palavras da PresidentE diante do plenário das Nações Unidas.
Aconselhar o diálogo com o grupo do “estado islâmico” é uma atitude tão esdrúxula e tão ignorante que não leva em consideração que de tudo já se foi tentado e que esse grupo não pretende dialogar com ninguém, que seu diálogo é degolar pessoas, crucificar cristãos em praças públicas, enterrar mulheres vivas ou faze-las de escravas sexuais para seus “soldados”. Que seu diálogo é um genocídio premeditado e que sua luta, não tem sequer uma fundamentação racional senão dominar o mundo com este tipo de desgoverno totalitário, teocrático e déspota.
    Com essa atitude, Dilma Russef entra definitivamente para o time de Hugo Chaves e de Mahmoud Ahamadinejad, desce a estatura da peronista Cristina Kirchner e envergonha a nação brasileira com sua atitude murista de ocasião. Ela destoou até do ditador Sírio Bashar al-Assad, que claro, com seus interesses apoiou as ações de combate, mas destoou também de Ban Ki-moon secretário geral da ONU, que apoiou a ação e apenas pediu que fossem minimizadas as baixas civis.
    Vergonha, Vergonha, Vergonha de minha representante, vou dizer a todos através de todos os meios, vou pedir desculpas e dizer aos cristãos de todo mundo que essa não é a posição do Brasil e que com muita esperança esse tipo de governo se encerrará no Brasil a partir de 5 de Outubro
Por isso venho a Público, depois dessa “gota d’água” dizer que...

1.     Lamento quem o Brasil tenha chegado a esta situação, em que muitos estão votando, pelo menos uma classe mais esclarecida, não necessariamente em um candidato, mas em tirar o PT do poder.
2.     A decepção das tradicionais “esquerdas” do tempo ditatorial é muito grande, quando todos estavam “unidos” em torno de um projeto: acabar com a ditadura, mas que depois, ao que parece, “cada cá”, como dizia minha vovó, quis formar a sua própria ditaturazinha. A esponja ideológica que foi o MDB e depois o PMDB se tornou a grande prostituta, compõe com todos de acordo com seus interesses. E esse é um dos “canceres” da nação, aliado ao desvio ou o que me parece mais lógico, revelação das intenções do PT e seus “paladinos da justiça”.
3.     A Social Democracia, que parecia ser na origem, uma boa opção de centro esquerda em busca do equilíbrio, nunca saiu de cima do muro e se perde, como bem disse Luciano Pires, não sabe se comunicar com o povo, não tem a “manha” de um Lula e seus marqueteiros. Me impressiona a incompetência deles nessa área. E por fim, se couber julgamentos, escolhe um candidato dado às “noitadas” para não dizer outra coisa, para comandar uma nação. Mas até aí, fazer o quê? O iluminado graças a Deus EX presidente Lula é um adepto da cana destilada de marca maior, houve um governador em PE que se dizia que depois das 16h não atendia mais por conta do seu “sagrado” Whisky... isso não pode ser mais parâmetro!!
4.     Os demais candidatos não são dignos nem de uma análise, meu tempo é valioso demais para isso... meu Deus escutar aquela Gaúcha no debate me lembrou que a revolução farroupilha deveria ter sido bem sucedida...
5.    Surge Marina Silva e aqui me defronto com a “exclusividade dos inclusivos” os “libertários” e “democratas” que proclamam a liberdade mas execram quem se coloca em seu caminho, que não admitem “largar o osso” e que entram em uma disputa suja, mentirosa contra essa senhora, lançando calunias que me lembram o que Collor e sua equipe fizeram com Lula naquela primeira eleição, a arma é a mesma.
Nunca fiz e não faço campanha política, sou um Bispo da Igreja, pastor por vocação e profeta por ofício. Represento a fé que mais positivamente influenciou a humanidade desde que se tem conhecimento, o credo que lutou contra a escravidão, libertou nações, criou instrumentos dentro de seus monastérios que influenciaram revolução industrial, fez da Bíblia o livro que moldou a alma da civilização ocidental pelos seus princípios em prol da dignidade humana, enquanto no oriente muitos monges estavam meditando para esvaziar as suas mentes os monges cristãos estavam enchendo suas mentes de ideias que libertassem o povo. Esse é o meu credo, essa é a minha fé. Nunca usei minha posição de pessoa pública para ser cabo eleitoral de ninguém, não defendo qualquer candidato publicamente, no entanto, como líder cristão que sou, me coloco em denúncia de tudo que entendo ser corrupto, injusto e ameaçador da liberdade entre outras coisas. Tenho falado publicamente do atual governo, como falei de tantos outros (vide meu blog), porque entendo que eles traíram a confiança da nação e estão levando o Brasil para um Caos, mas, como disse não sou Cabo eleitoral, sequer revelo meu voto. Nesse sentido, sou profeta, teologicamente e historicamente, os profetas estavam ao lado do Rei nas decisões sábias e contra eles nas decisões sem sabedoria e que implicariam em prejuízo para a nação.
Não sou cabo eleitoral de Marina Silva, mas pelas circunstancias de minha atividade, tive a oportunidade, no início desse ano, de recebe-la em meu gabinete, conversar sobre vários assuntos e em seguida a entrevistei em uma conferência de líderes diante de mais de 500 pessoas durante 40 minutos. O tema não era política e sim, liderança diante das adversidades da vida. Li a Biografia de Marina e de fato me impressionou a sua história de vida.
O que posso dizer é que a campanha petista consegue fazer dela uma pessoa diferente do que ela é, a campanha petista é mentirosa isso posso garantir, é sanguinolenta pois se veem, pela primeira vez ameaçados de perder o poder. Antes de subir nas pesquisas Marina era tratada pelo PT como a boa moça que se desviou...
Alguém, recentemente colocou uma frase que me motivou a sair em defesa dessa senhora chamada Marina Silva. A frase mostra a percepção pessoal de alguém que respeito, mas que, democraticamente posso comentar pelo menos, sabendo que também sou respeitado.
A frase que menciono é essa:
Marina é uma carola, fundamentalista, preconceituosa, sem bancada e apoio parlamentar sem experiência e dominada por evangélicos como Malafaia. Um retrocesso para as conquistas que o Brasil alcançou.            
O que tenho a dizer sobre essa frase de alguém que já decidiu pelo voto nulo? Me permita:
Marina é uma carola, fundamentalista _ O fundamentalismo cristão é uma expressão que hoje se usa de forma deturpada. No início do século 20, com a chegada da teologia liberal, da alta crítica cristã e os escritos de Charles Darwin foi publicado um livro de muitos autores chamado “Os Fundamentos” que tratava de colocar claramente os fundamentos da fé cristã. Mas hoje se tem como fundamentalismo uma generalização sinônimo de intolerância e pelo que percebi em Marina Silva, nunca a enquadraria nesse rótulo pejorativo.
Essa expressão, me permita, está revelando sim preconceito. Por que carola? porque ela usa um pitó? um lenço, um vestuário diferente? Por que ela confessa uma fé? O Dalai Lama viaja o mundo com suas roupas exóticas para nossos costumes, fala de paz e justiça, tem seus fundamentos firmes na sua fé budista e se você perguntar a ele sobre a sua fé, o que ninguém faz, provavelmente se defrontará com alguém que não abre mão de seus fundamentos. Nesse sentido eu sou também carola e sei que não sou nem um pouco, porque carola é uma expressão preconceituosa para caracterizar aquelas senhoras católicas romanas, beatas, assíduas à igrejas e intolerantes fechadas em suas rezas e liturgias. Nesse sentido, posso dizer que Marina Silva não é nem carola, nem fundamentalista. Mas que como eu e como cristãos verdadeiros e mesmo como Dalai lama, não abre mão de seus fundamentos.
PreconceituosaPreconceito é algo que caminha numa linha tênue entre preconceito e ter um conceito. Seter um conceito é ser preconceituoso(a) Qualquer um é preconceituoso por não concordar com algo que o outro concorda. O preconceito, é uma ideia preconcebida de algo que não se conhece. É ai que entra o pré... o antes de saber. Por que Marina é preconceituosa? Porque ela tem um conceito formado por suas convicções, que se baseiam em um credo? Ela seria preconceituosa se não admitisse os direitos de quem quer que seja e isso, até onde sei, não aconteceu, pelo menos até onde eu saiba. Eu tenho dito que como cristão, eu tenho um conceito de mundo e, claro, procuro viver de acordo com ele e isso me leva a tomar posições bem definidas em relação aos aspectos sociais e morais da vida. O que faço baseia-se em meu conceito de mundo, respeitando quem pensa diferente, mas garantindo o meu direito de ter um conceito sem ser chamado de preconceituoso. Quem me chama de preconceituoso por isso, ai sim, manifesta preconceito. Não vi em Marina elementos que possam me levar a chama-la de preconceituosa. Como disse, pelo menos até aqui.
sem bancada e apoio parlamentar _ Sem bancada e apoio parlamentar por que? Porque as bancadas estão todas comprometidas com seus projetos de poder, se for por ter bancada, teríamos que votar mesmo em Dilma, e em seu congresso prostituto que levou o Brasil a ter 40 ministérios, quase um para cada partido da chamada base aliada do congresso. Acho que Marina Silva, em sendo eleita, em mantendo suas posições, encontrará sim dificuldades pois enfrentará o PT na oposição, que é outro partido, que voltará às origens do ser contra por ser contra, que não assinou a constituição e que foi contra o plano real por exemplo etc.
sem experiência_ é algo relativo, sua experiência como ministra e parlamentar não são consideradas. não há um curso para presidente, mas há uma história que dá lastro à vida de quem pleiteia e isso em  Marina Silva ninguém pode negar.

O respeitado cineasta Fernando Meireles no prefácio de sua biografia colocou-a como alguém voltada para o amanhã, alguém que enxerga a possibilidade de um outro futuro para o Brasil, mas principalmente para o mundo...


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Igreja sem rabo preso



“A política é a arte de obter dinheiro dos ricos e votos dos pobres, com o fim de proteger uns dos outros.” Noel Clarasó, escritor espanhol

Hermes Fernandes, no seu blog

Definitivamente, não há posição mais confortável do que a proporcionada pela isenção. Não ter rabo preso com ninguém, nem tampouco estar comprometido ideologicamente, me oferece as condições necessárias para poder avaliar cada candidatura e suas respectivas propostas sem paixões desmedidas. Comprometi-me com a minha consciência de que não usarei minha influência e liderança para induzir quem quer que seja a votar nesta ou naquela candidatura. Por mais que me sinta atraído por uma ou outra, não sairei em sua defesa. Mas não posso fazer vista grossa com os argumentos usados por alguns líderes para convencer os membros de sua igreja a apoiar seus candidatos.

Um dos mais usados é o que usa o exemplo de José de Arimatéia, membro do Sinédrio, que intercedeu junto a Pilatos para que liberasse o corpo de Jesus para ser sepultado. Não fosse sua intervenção, o corpo de Jesus teria tido destino semelhante aos dos outros crucificados: apodreceria na cruz até ser comido por urubus. De igual modo, a igreja, Corpo Místico de Cristo, necessitaria de quem representasse seus interesses nas esferas de poder.

Primeiro, não somos um corpo inanimado, um cadáver, como era, então, o corpo de Jesus. Não precisamos de quem nos carregue, nem mesmo de quem nos proteja. Estamos assentados nos lugares celestiais em Cristo, muito acima de qualquer autoridade, seja terrena ou espiritual (Ef.2:6). A posição de Advogado da igreja já está devidamente ocupada. Quem defende nossa causa é Cristo!

Ademais, a igreja não carece de quem a enterre, lançando uma pá de cal sobre a sua credibilidade e relevância.

Segundo, precisamos de quem defenda o direito do pobre, dos excluídos, dos desfavorecidos deste sistema iníquo, e não de quem faça lobby em favor dos interesses eclesiásticos.

Leia atentamente:
"Abre a tua boca a favor do mudo, a favor do direito de todos os desamparados. Abre a tua boca; julga retamente, e faze justiça aos pobres e aos necessitados."
Provérbios 31:8-9


O sucesso da igreja no cumprimento de sua missão não depende da intervenção ou ajuda do Estado. Pelo contrário, ela geralmente prospera mais onde o Estado lhe faz oposição. Veja o exemplo da China, onde a igreja mantém-se na clandestinidade, reunindo-se em salas subterrâneas. Em nenhum outro lugar ela tem crescido tanto.

Quando Paulo se viu perante as autoridades do seu tempo, ele não fez lobby pela igreja, mas deu testemunho da verdade do Evangelho. “Nada podemos contra a verdade, senão em favor da verdade” (2 Co.13:8), dizia ele. Era em defesa do evangelho, e não da igreja, que o apóstolo militava (Fp.1:17).

Que Deus levante em nossos dias líderes e cristãos comprometidos com o Reino e com a causa dos necessitados, mesmo quando isso representar qualquer prejuízo às instituições a que chamamos de igrejas.

Não se trata de adotar uma postura apolítica, e sim de não se comprometer com qualquer partido ou ideologia. Que jamais saiamos em defesa deste ou daquele regime. Fomos chamados por Deus para pregar o Seu Reino e a Sua Justiça.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Afinal, quem são “os evangélicos”?

De tanto que se falou sobre os evangélicos nas últimas semanas, nos jornais e nas redes sociais, talvez caiba uma pergunta: afinal, quem são “os evangélicos”?

Silas Malafaia e Martin Luther King: duas faces da mesma moeda?

por Ricardo Alexandre, na Carta Capital

Homofóbicos, cortejados pela presidente, fundamentalistas. Massa de manobra de Silas Malafaia, conservadores, determinantes no segundo turno das eleições. De tanto que se falou sobre os evangélicos nas últimas semanas, nos jornais e nas redes sociais, talvez caiba uma pergunta: afinal, quem são “os evangélicos”?

A resposta mais honesta não poderia ser mais frustrante: os evangélicos são qualquer pessoa, todo mundo, ou, mais especificamente, ninguém. São uma abstração, uma caricatura pintada a partir do que vemos zapeando pelos canais abertos misturado ao que lemos de bizarro nos tabloides da internet com o que nosso preconceito manda reforçar. Dizer que “o voto dos evangélicos decidirá a eleição” é tão estúpido quanto dizer a obviedade de que 22,2% dos brasileiros decidirão a eleição. Dizer que “os evangélicos são preconceituosos”, significa dizer o ser humano é preconceituoso. É não dizer nada, na verdade.

Acreditar que há uma hegemonia de pensamento, de comportamento ou de doutrina evangélica é, em parte, exatamente acreditar no que Silas Malafaia gosta de repetir, mas é, em parte, desconhecer a história. A diversidade de pensamento é a razão de existir da reforma protestante. E continuou sendo pelos séculos seguintes, quando as igrejas reformadas do século 16 deram origem ao movimento evangélico, estes aos pentecostais e estes aos neopentecostais, todos microdivididos até o limite do possível, graças, novamente, à diversidade de pensamento – sobre forma de governo, vocação e pequenos pontos doutrinários. Boa parte destas, sem organização central, sem “presidência” nem representante, com as decisões sendo tomadas nas comunidades locais, por votação democrática.

Assim como não existe “os evangélicos” também não existe “os pentecostais”, nem “os assembleianos”: dizer que Malafaia é o “papa da Marina Silva” como disse Leonardo Boff, apenas porque ambos são membros da Assembléia de Deus, é ignorar que, por trás dos 12,3 milhões de membros detectados pelo IBGE, a Assembleia de Deus é rachada entre ministérios Belém, Madureira, Santos, Bom Retiro, Ipiranga, Perus e diversos outros, cada um com seu líder, sua politicagem e sua aplicação doutrinária. A Assembleia de Deus Vitória em Cristo de Malafaia, aliás, sequer pertence à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil.

Ignorância parecida se manifesta em relação ao uso do termo “fundamentalista”, como sinônimo de “literalista”, aquele incapaz de metaforizar as verdades morais dos textos sagrados. A teologia cristã debate há dois mil anos sobre a observação, interpretação e aplicação dos escritos sagrados, quais são alegóricos e quais são históricos, quais são “poesias” e quais são literais. O deputado Jean Wyllys, colunista daCarta Capital, do alto de alguma autoridade teológica presumida, já chegou à sua conclusão: o que não for leitura liberal, é fundamentalista e, portanto, uma ameaça às minorias oprimidas. (Liberalismo teológico é uma corrente teológica do final do século 19 que lançou uma leitura crítica das escrituras, completamente alegorizada, negando sua autoridade sobrenatural, a existência dos milagres, e separando história e teologia).

Só que isso simplesmente não é verdade. Dentro da multifacetação das igrejas de tradição evangélicas, há as chamadas “inclusivas”, mas há diversas igrejas históricas, tradicionais, teologicamente ortodoxas, que acreditam nos absolutos da “sola scriptura” da Reforma Protestante, mas que têm política acolhedora e amorosa com as minorias. Algumas criaram pastorais para tratar da questão homossexual, outras trabalham para integrá-los em seus quadros leigos; outros, como disse o pastor batista Ed René Kivitz, estão mais dispostos a aprender como tratar “uma pessoa que está diante de mim dizendo ter sido rejeitado por sua família, pelo meu pai, pela minha igreja” do que discutir a literalidade dos textos do Velho Testamento.

O panorama da questão pode ser melhor entendido em Entre a cruz e o arco-íris: A complexa relação dos cristãos com a Homoafetividade (Editora Autêntica), livro qual tive a honra de editar. Nele, o pastor batista e sociólogo americano Tony Campolo, ex-conselheiro do presidente Bill Clinton, diz: “Se você vai dizer à comunidade homossexual que em nome de Jesus você a ama (...) não teria que lutar por políticas públicas que demonstrem que você as ama? Pode haver amor sem justiça? Eu luto pela justiça em favor de gays e lésbicas, porque em nome de Jesus Cristo eu os amo.” Campolo, entretanto, faz distinção entre direitos e casamento: “O governo não deve se envolver nem declarar, de forma alguma, o que é casamento, quem pode ou não se casar”, ele disse. “Governo existe para garantir os direitos das pessoas. Casamento é um sacramento da igreja – governos não devem decidir quem deve ou não receber esse sacramento.” Campolo acredita que esta será a visão dominante entre cristãos americanos “em cinco ou seis anos”.

Entre os evangélicos brasileiros há quem pense desde já como Campolo – distinguindo união civil de casamento. Há quem pense de forma ainda mais radical: que a união civil, com implicações patrimoniais e status de família, deveria valer não apenas para casais homossexuais, mas para irmãos, primos ou quem quer que se entenda como família. Há quem defenda o acolhimento dos gays nas igrejas, mas o celibato para eles. Quem, embora sabendo que mais da metade das famílias brasileiras já não são no formato pai-mãe-filhos, ainda luta para restabelecer esse padrão idealizado. Há, sim, quem acredite que o seu conjunto de doutrinas e o seu modo de vida são fundamentais. Há aqueles que, enquanto estamos discutindo aqui, está mais preocupado se a melhor tradução do grego é a João Ferreira de Almeida ou a Nova Versão Internacional. E há quem acorde diariamente acreditando ser porta-voz do “povo de Deus”, pague espaço em redes de televisão para multiplicar esse delírio (mas, a julgar pelo 1% de intenção de voto do Pastor Everaldo, somente ativistas gays e jornalistas desmotivados acreditam nesse discurso). Esses são “os evangélicos”.

Na fatídica sexta-feira em que o PSB divulgou seu programa de governo, enquanto Malafaia gritava no Twitter em CAPSLOCK furibundo, o pastor presbiteriano Marcos Botelho, postou: “Marina, que bom que vc recebeu os líderes do movimento LGBTs, receba as reivindicações com a tua coerência e discernimento de sempre e um compromisso com o estado laico que é sua bandeira. Vamos colocar uma pedra em cima dessa polarização ridícula entre gays e evangélicos que só da IBOPE para líderes políticos e pastores oportunistas.”

Botelho não representa “os evangélicos” porque não existe “os evangélicos”. Mas Marcos Botelho existe e é evangélico. Assim como existe William Lane Craig, o filósofo que convida periodicamente Richard Dawkins para um debate público, do qual este sempre se esquiva; existe o geneticista Francis Collins vencendo o William Award da Sociedade Americana de Genética Humana; existe Jimmy Carter, dando aula na escola bíblica no domingo e sendo entrevistado para a capa da Rolling Stone por Hunter Thompson na segunda-feira; existe o pastor congregacional inglês John Harvard tirando dinheiro do próprio bolso para fundar uma universidade “para a honra de Deus” nos Estados Unidos que leva seu sobrenome; existe o pastor batista Martin Luther King como o maior ativista de todos os tempos; existe o jovem paulista Marco Gomes, o “melhor profissional de marketing do mundo”, pedindo licença para “falar uma coisa sobre os evangélicos”. E existe o Feliciano, o Edir Macedo, a Aline Barros, o Thalles Roberto, o Silas Malafaia e o mercado gospel. Como existe bancada evangélica, mas existem os que lutaram pela “separação entre igreja e estado” na constituição, e existem os que acreditam que levar Jesus Cristo para a política é trabalhar não para si, mas para os menos favorecidos.

Existe o amor e existe a justiça, como existe o preconceito, o dogmatismo, o engano, o medo, a vaidade e a corrupção. Não porque somos evangélicos, mas porque somos humanos.


* Ricardo Alexandre é jornalista e escritor, radialista e blogueiro, Prêmio Jabuti 2010, ex-diretor de redação das revistas Bizz, Época São Paulo e Trip. E é membro da Igreja Batista Água Viva em Vinhedo, interior de São Paulo.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Porque não voto em Marina


Rogério Brandão Ferreira, no site da Ultimato

Não voto nela e digo porque:

Marina, todos sabemos, não tem nada de semelhante com o PSDB de FHC e Aécio que trouxe em dado tempo boas melhorias para a economia do Brasil.

Marina que se distanciou do PT, também se assemelha pouco a Lula. Que também contribuiu bastante para a sociedade brasileira, especialmente na questão de redistribuição de renda.

Marina é cristã confessa, evangélica, crente.

A ênfase de seu programa está na sustentabilidade. Ou seja a conjugação harmônica e quase impossível do trinômio economia, ecologia e social, visando a segurança das futuras gerações.

Para atingir esse fim, ela se mostra não somente programática, mas também pragmática.

Marina é poço de contradições. Uma mulher de fibra, humilde na origem e no caráter, foi alfabetizada no Mobral. Tem um tom de voz agradável, um olhar intrigante de alguém que já foi candidata à freira, companheira de Chico Mendes e o pessoal das CEBs e depois chegou a ministra do meio ambiente, já foi tanto empregada doméstica como senadora do Brasil.

Temo que os que não votam nela, não o fazem por desejarem o pior para o Brasil, mas por ignorarem as riquezas contidas no coração dessa pessoa da Amazônia brasileira.

Não voto em Marina porque na cidade onde moro, na Alemanha, não tem local de votação. Porque se tivesse, eu iria lá correndo votar.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Eleições: Metade da internet não quer entender o que lê. E a outra…


guerra cibernética
Publicado por Leonardo Sakamoto (via Pavablog)
É fácil escrever o que o senso comum deglute com facilidade e que está guardado nos instintos mais animais que não abandonamos nem com milhares de anos de convivência.
Coisas do tipo: “Mata a vadia, mata!”
Difícil mesmo é redigir algo com a certeza absoluta de que apenas uma minoria vai ler até o final, embutindo uma provocação que gere uma reflexão ao final.
Em um assunto considerado polêmico, boa parte das pessoas passa o olho de forma transversal em um texto, capta algumas palavras como “direitos humanos”/ “traficantes”/ “Estado” / “maioridade penal” / “aborto” / “evangélico” / “casamento gay” / “Palmeiras” e sem nenhuma intenção de expor ideias ou debater, pinça um capítulo de sua Cartilha Pessoal de Asneiras e posta como comentário.
É a vitória da limitada experiência individual sobre a necessidade coletiva, da emoção do momento sobre a racionalização necessária para que não nos devoremos a cada instante.
Não existe observador independente e imparcial. Isso até pode e deve ser almejado, mas não será obtido. Quem te falar o contrário, tá de zoeira.
Você vai influenciar uma realidade e ser influenciado por ela. E vai tomar partido, consciente ou inconscientemente. Se for honesto e/ou corajoso, deixará isso claro ao leitor.
Pois mais vale a transparência de dizer quem você é e o que pensa do que a arrogância de se afirmar acima de qualquer suspeita.
Sei que há colegas de profissão que discordam, que dizem que é necessário garantir a pretensa imparcialidade. É necessário, sim, ouvir todos os lados com honestidade para entender e explicar o assunto, mas a sua tradução já sofrerá influência de quem você é e onde você está – socialmente, profissionalmente, politicamente, culturalmente.
Zerar essa influência só seria possível se nos despíssemos de toda a humanidade. Há quem tente ferozmente e ache bonito. Sinceramente, o resultado fica muito ruim.
Tomar posição se reflete na escolha da pauta que você vai fazer, sob a ótica de quem.
Concordo com Robert Fisk, o lendário correspondente para o Oriente Médio do jornal inglês Independent, que diz que em situações de confronto, de limite, deve-se tomar opção pelos mais fracos, ou seja, os empobrecidos e marginalizados, no que se refere à realidade política, econômica, social, cultural e ambiental.
Tomar partido não significa distorcer os fatos, pelo contrário, é trazer o que historicamente é jogado para baixo do tapete, agindo conscientemente no sentido de contrabalançar, junto à opinião pública, o peso dos lados envolvidos na questão.
Distorcer é má fé, preguiça ou incompetência – coisa que muito jornalista que se diz imparcial faz aos montes, aplaudido por quem manda. Aqui ou lá fora.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Dilma faz ‘terrorismo social’ contra Marina Silva



publicado no blog do Josias
O comitê eleitoral de Dilma Rousseff decidiu combater Marina Silva com uma arma semelhante à que foi utilizada contra Lula no passado: o terrorismo político. Contra Lula, o terror era ideológico. Contra Marina, é social.
Na sucessão de 1989, o empresário Mário Amato, então presidente da Fiesp, disse que 800 mil industriais deixariam o país se Lula chegasse à Presidência. Levariam com eles suas indústrias e os empregos.
Hoje, a equipe de campanha de Dilma sustenta que, eleita, Marina instalará no Planalto a “incerteza de uma aventura”. Pior: passará na lâmina programas sociais como o Mais Médicos.
Para instilar o medo no eleitor, o comitê de Dilma valeu-se de uma edição do debate presidencial promovido pela Band, na terça-feira. Pinçou um trecho no qual Marina debate com Dilma e declara que o Mais Médicos não resolve as mazelas da saúde, é um “paliativo”.
Apegando-se ao vocábulo “paliativo”, o marketing da campanha petista, comandado por João Santana, pôs-se a insinuar que Marina interromperia o Mais Médicos se fosse eleita. Na internet, Marina é mencionada explicitamente, em vídeo e texto.
Na propaganda veiculada no rádio, a alusão a Marina é indireta. Ouve-se na peça uma resposta de Dilma à tese da rival segundo a qual um presidente tem de ser mais do que mero gerente.
Dilma diz: “Um presidente da República, principalmente se ele lida, como deve lidar, com todos os problemas do país, ele não lidará só discursando. Ele terá de tomar posições, ele terá de fazer gestão, ele tem de agir…”
Na sequência, sem citar Marina, um locutor investe contra ela: “…Já pensou, rapaz, se entra outro aí e pára um programa importante como o Mais Médicos. Quem é que vai atender a população nos postos de saúde nas periferias da grandes cidades e nas regiões mais distantes?”
Uma voz feminina emenda: “…Ninguém quer a incerteza de uma aventura nem a volta ao passado. Hoje o povo está tendo a tenção que sempre sonhou.” A “aventura” é munição contra Marina. A “volta ao passado”, contra Aécio Neves.
Curiosamente, a perspectiva de vitória de Marina Silva parece entusiasmar omercado financeiro. Desde a morte de Eduardo Campos, há duas semanas, o principal índice da Bolsa, o Ibovespa, subiu 7,99%. Os papeis da Petrobras valorizaram-se em 16,12%.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Políticos frequentam drive-thru de oração em Brasília, diz pastor




publicado no Page Not Found

O músico Júlio Duarte de Souza, de 30 anos, enviou ao PAGE NOT FOUND o relato abaixo. O morador de Brasília registrou com câmera a atividade em umdrive-thru de oração na capital federal. Ele chegou até a entrevistar um pastor no local:

"Que sanduíche, que nada! A moda agora na nossa capital federal é o Drive-Thru de oração. Tudo porque a Igreja Universal do Reino de Deus de Brasília resolveu inovar nos serviços prestados aos fiéis. Desde o início do mês, quem passa de carro pela EQS 212/213, Área Especial, na Asa Sul do Distrito Federal, pode receber bênçãos ali mesmo, sem sair do veículo. É coisa rápida: você para o carro, o pastor se aproxima, pede pra você colocar a cabeça pra fora da janela, ele te benze, te entrega um papel com umas orações e você segue o seu caminho. Tudo isso sem pagar nada!"

"De acordo com um pastor que não quis se identificar, a tenda do Drive Thru de Orações funciona das 8h às 20h, de domingo a domingo, atende a mais de 400 motoristas por dia e por enquanto o serviço ainda não é cobrado. 'É uma promoção para os fiéis', disse ele. Ainda segundo informações do pastor, em horário de pico rolam até uns engarrafamentos. Vários parlamentares já foram vistos no local recebendo suas bênçãos, mas o tal pastor achou melhor não citar o nome de nenhum".

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Eleitores americanos preferem candidato mulherengo a ateu

Para americanos, candidato mulherengo
à Casa Branca é menos grave que ser ateu
Apesar de constituírem uma sociedade com características moralistas, colocando em desvantagem nas eleições candidatos com vida amorosa maculada, por exemplo, ainda assim os norte-americanos preferem ter um presidente mulherengo a um ateu. É o que revelou sondagem feita pelo Centro de Pesquisa Pew entre 23 e 27 de abril de 2014.

Dos 1.501 adultos entrevistados em todos os 50 estados americanos e no Distrito de Columbia, 35% afirmaram ser menos provável que votem em 2016 em um candidato à Presidência que tivesse tido um caso extraconjugal. 

Já em relação a um suposto candidato descrente, 53% declararam não ter intenção de apoiá-lo. Apenas 5% demonstraram mais propensão em votar em um ateu.

A sondagem mostrou, assim, que, para a grande maioria dos eleitores norte-americanos, em uma lista de 16 características, o ateísmo é a mais negativa que um pretendente à Casa Branca pode apresentar. 

Ser usuário de drogas, ter traído a mulher ou não ter nenhuma experiência legislativa é menos grave.

Para os eleitores, a melhor credencial de um candidato é ter prestado o serviço militar. Essa mesma tendência foi verificada em pesquisas que antecederam as eleições de 2008 e 2012.


terça-feira, 13 de maio de 2014

Templo de Salomão: insulto a Deus, monumento à ignorância




Por Hermes C. Fernandes, no Cristianismo Subversivo

O Templo de Salomão, nova sede mundial da Igreja Universal, será inaugurado no dia 31 de julho, com a presença de diversas autoridades políticas, dentre elas, a presidente Dilma Rousseff.

Erguido no bairro do Brás em São Paulo, o maior templo da Igreja Universal do Reino de Deus terpa capacidade  para mais de dez mil pessoas sentadas,numa área de 70 mil m2, o equivalente a 16 campos de futebol, e com um custo estimado de mais de 400 milhões de reais, a construção consumirá 28 mil m³ de concreto e duas mil toneladas de aço, o bastante para construir duas vezes o Palácio do Planalto que é a sede do gabinete presidencial localizado na cidade de Brasília.

O Templo de Salomão, como tem sido chamado, pretende ser a réplica do templo construído pelo monarca israelita e contará com 126 metros de comprimento, 104 metros de largura, 55 metros de altura com dois subsolos, que corresponde a de um prédio de 18 andares, quase duas vezes a altura da estátua do Cristo Redentor.  Uma Arca da Aliança de efeito tridimensional será colocada no meio do altar.

A construção entrou em controvérsia com Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo e pela Receita Federal por causa de 40.000 metros quadrados de pedras vindas da antiga capital do reino de Davi, Hebrom, em Israel. O Estado cobrou um total de 1,8 milhão de reais de ICMS e 615 mil reais em outros impostos, entre eles o IPI. Segundo a IURD, são rochas sagradas. De clara coloração, e é trazido a sua semelhança com as do Muro das Lamentações, lugar sagrado por judeus em Jerusalém. As pedras colocados terão um acabamento lapidado, menos rústico e poroso. Sua importação custou cerca de 10 milhões de reais, e revestirão as colunas e a fachada do lado externo do templo, o corredor central e o altar no interior do novo templo também serão revestidos. A função é deixar que as pessoas toquem nessas pedras durante suas orações, igual o que acontece no Muro das Lamentações. Edir Macedo teria dito durante um culto que quem tocasse nestas pedras, seria como se tocasse no próprio Deus. 

Algumas organizações judaicas do mundo classificaram a obra como "blasfêmia". A atriz israelense Yael Bartana fez uma paráfrase em 2013 ao Templo de Salomão no filme Inferno, onde ele sofre um incêndio. 



Em resposta às várias críticas que têm recebido, principalmente de judeus e outros segmentos cristãos, a Igreja Universal publicou nota divulgada no blog de Edir Macedo.

Quero aproveitar o ensejo para expor o que penso após cada uma das respostas oferecidas pela denominação.

Veja uma lista com algumas das principais questões a respeito da obra:

1 – A obra não trará benefícios para o povo.

"Pelo contrário. O Templo se tornará um ponto turístico e, consequentemente, atrairá investimentos que beneficiarão a população. Mas o maior benefício já está sendo alcançado: avivar a fé de quem se envolve com a construção."

Que o templo tem potencial turístico, não há dúvida. Porém, infelizmente poderá se tornar numa espécie de Meca para os seguidores da IURD e de igrejas que vivem à sombra de seus ensinamentos. Já não basta o santuário nacional de Aparecida? Por que incentivar as pessoas a cultuar espaços físicos, se Jesus mesmo declarou que o Pai procura quem O adore em Espírito e em verdade, sem importar-se se no monte ou no templo em Jerusalém? Acreditar que uma peregrinação a um local sagrado é capaz de avivar a nossa fé é, no mínimo, um retrocesso à superstição barata que alimenta a indústria religiosa. O dinheiro gasto nessa obra faraônica poderia ser investido em pesquisas científicas, por exemplo. Imagine uma igreja evangélica que financiasse pesquisas para a cura do câncer ou da aids! Quantos não seriam beneficiados? 

2 – Muitas outras coisas precisam ser construídas no Brasil, por que um investimento tão alto?

"O Templo não está sendo construído com dinheiro público, logo, não compete com nenhuma obra que deveria ser feita pelo Governo. O investimento é alto porque a Universal crê que tudo o que é feito para Deus deve ser o melhor."

Apesar de não ser com dinheiro público, é com dinheiro isento de impostos. Portanto, indiretamente, é subsidiada pelo governo. Dizer que o templo de Salomão é "feito para Deus" revela total desconhecimento da vontade de Deus. De acordo com Jesus, o que é feito para Deus é o que se faz ao pobre, ao faminto, ao necessitado, ao desalojado. No último dia, quando formos julgados, ouviremos de Seus lábios: O que fizeste a um dos pequeninos, foi a mim que fizeste. 

3 – Milhões passam fome, não era melhor gastar com eles?

"Ao ver Judas usar esse argumento para criticar a alta oferta de uma mulher, Jesus o repreendeu, dizendo: "... os pobres, sempre os tendes convosco..." (Marcos14:7) Não construir o Templo não acabará com a pobreza. Milhares de pessoas já estão sendo ajudadas com os empregos gerados, mas o principal são as vidas que serão, de fato, tiradas de todo tipo de pobreza pelo trabalho no Templo após sua inauguração."

Difícil acreditar que milhares de vidas serão tiradas de todo tipo de pobreza pelo trabalho que será realizado no templo após sua inauguração. A menos que ele se torne num centro distribuidor de renda, e não captador de recursos. Quanto àquela mulher, sua oferta não foi entregue no templo em Jerusalém, mas derramada em Jesus, preparando-o para o sepultamento. E ao dizer "os pobres, sempre os tendes convosco", Jesus não estava dizendo que não deveriam se importar com eles; pelo contrário, o que não lhes faltaria seria oportunidade de estender as mãos aos necessitados deste mundo. O que fizemos a eles, estamos fazendo a Ele. Pelo menos, foi o que Ele garantiu em Mateus 25. Alguém ousa contestá-lO?

4 – A Universal quer construir o Terceiro Templo.

"Desde o início está claro que o projeto é uma réplica do Templo de Salomão, e não o Terceiro Templo. A réplica é baseada no original, com adaptações para a nossa época e local, sem intenção de tirar de Israel a legitimidade da construção do Terceiro Templo. Para que se cumpram as Escrituras, o Templo será reconstruído em Jerusalém, onde hoje está a mesquita de Omar."

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