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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Em novo reality, pastor tem oito minutos para converter prostitutas


O pastor Greg Reese em rua do condado de Orange (Califórnia, EUA)
 antes de se encontrar com prostituta
por Daniel Castro, no nTV

Um novo reality show promete dar o que falar. Em 8 Minutes (8 Minutos, título provisório), o pastor norte-americano Greg Reese, de 44 anos, promete tirar prostitutas das ruas de uma cidade da Califórnia e transformá-las em fiéis protestantes. Sua missão será registrada pelas câmeras do produtor Tom Formam, criador de Extreme Makeover: Home Edition, que a exibirá no canal pago A&E.

Ex-policial, Reese já tem experiência no assunto. Uma reportagem sobre seu trabalho, publicada no ano passado pelo jornal Los Angeles Times, inspirou a criação do reality show. "Nós lemos aquilo e pensamos: alguém tem que colocar uma câmera nisso", disse Forman ao site Entertainment Weekly. "É a coisa mais incrível que eu já ouvi."

Durante 20 anos, Reese atuou na região do condado de Orange, vizinha a Los Angeles. Ele trabalhava no setor de vícios da polícia local e lidava com o mundo da prostituição diariamente, prendendo homens e atendendo ocorrências de ataques a garotas de programa.

Atualmente, em seu trabalho na igreja batista, Reese telefona para prostitutas se passando por cliente e marca um encontro. No local, ele logo entrega uma camisinha com um telefone e diz que não está ali para transar. O pastor explica a situação e espera uma reação.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Documento do Vaticano defende mudança da Igreja em relação a gays

Homossexuais têm 'dons e qualidades a oferecer', diz texto. 
Documento foi preparado após uma semana de discussões com 200 bispos.

Bispos em reunião matinal do sínodo da família, no Vaticano, nesta segunda-feira (13)
(Foto: Gregorio Borgia/AP)
publicado no G1

Numa grande mudança de tom, um documento do Vaticano declarou nesta segunda-feira (13) que os homossexuais têm “dons e qualidades a oferecer” e indagou se o catolicismo pode aceitar os gays e reconhecer aspectos positivos de casais do mesmo sexo.

O documento, preparado após uma semana de discussões sobre temas relacionados à família no sínodo que reuniu 200 bispos, disse que a Igreja deveria aceitar o desafio de encontrar “um espaço fraternal” para os homossexuais sem abdicar da doutrina católica sobre família e matrimônio.
saiba mais

Embora o texto não assinale nenhuma mudança na condenação da igreja aos atos homossexuais ou em sua oposição ao casamento gay, usa uma linguagem menos condenatória e mais compassiva que comunicados anteriores do Vaticano, sob o comando de outros papas.

A declaração será a base das conversas da segunda e última semana da assembleia, convocada pelo papa Francisco. Também servirá para aprofundar a reflexão entre católicos de todo o mundo antes de um segundo e definitivo sínodo no ano que vem.

"Os homossexuais têm dons e qualidades a oferecer à comunidade cristã: seremos capazes de acolher essas pessoas, garantindo a elas um espaço maior em nossas comunidades? Muitas vezes elas desejam encontrar uma igreja que ofereça um lar acolhedor”, afirma o documento, conhecido pelo nome latino de “relatio”.

“Serão nossas comunidades capazes de proporcionar isso, aceitando e valorizando sua orientação sexual, sem fazer concessões na doutrina católica sobre família e matrimônio?”, indagou.

John Thavis, vaticanista e autor do bem-sucedido livro “Os Diários do Vaticano”, classificou o comunicado como “um terremoto” na atitude da Igreja em relação aos gays.

“O documento reflete claramente o desejo do papa Francisco de adotar uma abordagem pastoral mais clemente no tocante ao casamento e aos temas da família”, disse.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Cid Moreira: ‘Você começa a ler a Bíblia e as coisas vão acontecendo’


“Estou na minha fase derradeira e gloriosa”, diz Cid Moreira
(foto: Alexandre Campbell - 21.ago.1998/Folhapress)
(foto: Alexandre Campbell – 21.ago.1998/Folhapress)
Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo (via Pavablog)
Cid Moreira, que apresentou o “Jornal Nacional” durante 27 anos, entre 1969 e 1996, diz que segue em sua “fase bíblica”. Ele falou com a Folha na noite de entrega do Prêmio Comunique-se, na terça-feira.
*
Folha – O que o senhor tem feito ultimamente? Tem trabalhado em projeto pessoal?
Cid Moreira - Olha, a minha vida é de fases. Tive fase do rádio, fase de cinema, fase de TV, e agora estou na fase bíblica. Estou divulgando a Bíblia. Tenho conseguido resultados maravilhosos. Por exemplo, a Bíblia que eu gravei, com trilha de cinema, efeitos, personagens, vamos dizer assim, o cego vê as imagens. A intenção é que as pessoas vejam. Essa Bíblia foi incluída num aplicativo que tem acesso de mais de cem milhões de pessoas no mundo.
Em várias línguas?
Não. Em português é a minha gravação. E é gratuito [o aplicativo], claro.
O senhor é muito religioso?
Não era, mas agora eu sou.
O que mudou?
Milagre da Bíblia. Você começa a ler a Bíblia, trabalhar com a Bíblia, e as coisas vão acontecendo.
Quando começou a ler?
No início da década de 1990, quando gravei salmos. A Globo me ajudou muito. Gravei vários clipes, trechos da Bíblia, enfim Começou a fase que vai ser a minha fase derradeira e gloriosa. Estou completando no final do mês 70 anos de carreira.
O que mais gostou de fazer?
O que estou fazendo agora.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Afinal, quem são “os evangélicos”?

De tanto que se falou sobre os evangélicos nas últimas semanas, nos jornais e nas redes sociais, talvez caiba uma pergunta: afinal, quem são “os evangélicos”?

Silas Malafaia e Martin Luther King: duas faces da mesma moeda?

por Ricardo Alexandre, na Carta Capital

Homofóbicos, cortejados pela presidente, fundamentalistas. Massa de manobra de Silas Malafaia, conservadores, determinantes no segundo turno das eleições. De tanto que se falou sobre os evangélicos nas últimas semanas, nos jornais e nas redes sociais, talvez caiba uma pergunta: afinal, quem são “os evangélicos”?

A resposta mais honesta não poderia ser mais frustrante: os evangélicos são qualquer pessoa, todo mundo, ou, mais especificamente, ninguém. São uma abstração, uma caricatura pintada a partir do que vemos zapeando pelos canais abertos misturado ao que lemos de bizarro nos tabloides da internet com o que nosso preconceito manda reforçar. Dizer que “o voto dos evangélicos decidirá a eleição” é tão estúpido quanto dizer a obviedade de que 22,2% dos brasileiros decidirão a eleição. Dizer que “os evangélicos são preconceituosos”, significa dizer o ser humano é preconceituoso. É não dizer nada, na verdade.

Acreditar que há uma hegemonia de pensamento, de comportamento ou de doutrina evangélica é, em parte, exatamente acreditar no que Silas Malafaia gosta de repetir, mas é, em parte, desconhecer a história. A diversidade de pensamento é a razão de existir da reforma protestante. E continuou sendo pelos séculos seguintes, quando as igrejas reformadas do século 16 deram origem ao movimento evangélico, estes aos pentecostais e estes aos neopentecostais, todos microdivididos até o limite do possível, graças, novamente, à diversidade de pensamento – sobre forma de governo, vocação e pequenos pontos doutrinários. Boa parte destas, sem organização central, sem “presidência” nem representante, com as decisões sendo tomadas nas comunidades locais, por votação democrática.

Assim como não existe “os evangélicos” também não existe “os pentecostais”, nem “os assembleianos”: dizer que Malafaia é o “papa da Marina Silva” como disse Leonardo Boff, apenas porque ambos são membros da Assembléia de Deus, é ignorar que, por trás dos 12,3 milhões de membros detectados pelo IBGE, a Assembleia de Deus é rachada entre ministérios Belém, Madureira, Santos, Bom Retiro, Ipiranga, Perus e diversos outros, cada um com seu líder, sua politicagem e sua aplicação doutrinária. A Assembleia de Deus Vitória em Cristo de Malafaia, aliás, sequer pertence à Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil.

Ignorância parecida se manifesta em relação ao uso do termo “fundamentalista”, como sinônimo de “literalista”, aquele incapaz de metaforizar as verdades morais dos textos sagrados. A teologia cristã debate há dois mil anos sobre a observação, interpretação e aplicação dos escritos sagrados, quais são alegóricos e quais são históricos, quais são “poesias” e quais são literais. O deputado Jean Wyllys, colunista daCarta Capital, do alto de alguma autoridade teológica presumida, já chegou à sua conclusão: o que não for leitura liberal, é fundamentalista e, portanto, uma ameaça às minorias oprimidas. (Liberalismo teológico é uma corrente teológica do final do século 19 que lançou uma leitura crítica das escrituras, completamente alegorizada, negando sua autoridade sobrenatural, a existência dos milagres, e separando história e teologia).

Só que isso simplesmente não é verdade. Dentro da multifacetação das igrejas de tradição evangélicas, há as chamadas “inclusivas”, mas há diversas igrejas históricas, tradicionais, teologicamente ortodoxas, que acreditam nos absolutos da “sola scriptura” da Reforma Protestante, mas que têm política acolhedora e amorosa com as minorias. Algumas criaram pastorais para tratar da questão homossexual, outras trabalham para integrá-los em seus quadros leigos; outros, como disse o pastor batista Ed René Kivitz, estão mais dispostos a aprender como tratar “uma pessoa que está diante de mim dizendo ter sido rejeitado por sua família, pelo meu pai, pela minha igreja” do que discutir a literalidade dos textos do Velho Testamento.

O panorama da questão pode ser melhor entendido em Entre a cruz e o arco-íris: A complexa relação dos cristãos com a Homoafetividade (Editora Autêntica), livro qual tive a honra de editar. Nele, o pastor batista e sociólogo americano Tony Campolo, ex-conselheiro do presidente Bill Clinton, diz: “Se você vai dizer à comunidade homossexual que em nome de Jesus você a ama (...) não teria que lutar por políticas públicas que demonstrem que você as ama? Pode haver amor sem justiça? Eu luto pela justiça em favor de gays e lésbicas, porque em nome de Jesus Cristo eu os amo.” Campolo, entretanto, faz distinção entre direitos e casamento: “O governo não deve se envolver nem declarar, de forma alguma, o que é casamento, quem pode ou não se casar”, ele disse. “Governo existe para garantir os direitos das pessoas. Casamento é um sacramento da igreja – governos não devem decidir quem deve ou não receber esse sacramento.” Campolo acredita que esta será a visão dominante entre cristãos americanos “em cinco ou seis anos”.

Entre os evangélicos brasileiros há quem pense desde já como Campolo – distinguindo união civil de casamento. Há quem pense de forma ainda mais radical: que a união civil, com implicações patrimoniais e status de família, deveria valer não apenas para casais homossexuais, mas para irmãos, primos ou quem quer que se entenda como família. Há quem defenda o acolhimento dos gays nas igrejas, mas o celibato para eles. Quem, embora sabendo que mais da metade das famílias brasileiras já não são no formato pai-mãe-filhos, ainda luta para restabelecer esse padrão idealizado. Há, sim, quem acredite que o seu conjunto de doutrinas e o seu modo de vida são fundamentais. Há aqueles que, enquanto estamos discutindo aqui, está mais preocupado se a melhor tradução do grego é a João Ferreira de Almeida ou a Nova Versão Internacional. E há quem acorde diariamente acreditando ser porta-voz do “povo de Deus”, pague espaço em redes de televisão para multiplicar esse delírio (mas, a julgar pelo 1% de intenção de voto do Pastor Everaldo, somente ativistas gays e jornalistas desmotivados acreditam nesse discurso). Esses são “os evangélicos”.

Na fatídica sexta-feira em que o PSB divulgou seu programa de governo, enquanto Malafaia gritava no Twitter em CAPSLOCK furibundo, o pastor presbiteriano Marcos Botelho, postou: “Marina, que bom que vc recebeu os líderes do movimento LGBTs, receba as reivindicações com a tua coerência e discernimento de sempre e um compromisso com o estado laico que é sua bandeira. Vamos colocar uma pedra em cima dessa polarização ridícula entre gays e evangélicos que só da IBOPE para líderes políticos e pastores oportunistas.”

Botelho não representa “os evangélicos” porque não existe “os evangélicos”. Mas Marcos Botelho existe e é evangélico. Assim como existe William Lane Craig, o filósofo que convida periodicamente Richard Dawkins para um debate público, do qual este sempre se esquiva; existe o geneticista Francis Collins vencendo o William Award da Sociedade Americana de Genética Humana; existe Jimmy Carter, dando aula na escola bíblica no domingo e sendo entrevistado para a capa da Rolling Stone por Hunter Thompson na segunda-feira; existe o pastor congregacional inglês John Harvard tirando dinheiro do próprio bolso para fundar uma universidade “para a honra de Deus” nos Estados Unidos que leva seu sobrenome; existe o pastor batista Martin Luther King como o maior ativista de todos os tempos; existe o jovem paulista Marco Gomes, o “melhor profissional de marketing do mundo”, pedindo licença para “falar uma coisa sobre os evangélicos”. E existe o Feliciano, o Edir Macedo, a Aline Barros, o Thalles Roberto, o Silas Malafaia e o mercado gospel. Como existe bancada evangélica, mas existem os que lutaram pela “separação entre igreja e estado” na constituição, e existem os que acreditam que levar Jesus Cristo para a política é trabalhar não para si, mas para os menos favorecidos.

Existe o amor e existe a justiça, como existe o preconceito, o dogmatismo, o engano, o medo, a vaidade e a corrupção. Não porque somos evangélicos, mas porque somos humanos.


* Ricardo Alexandre é jornalista e escritor, radialista e blogueiro, Prêmio Jabuti 2010, ex-diretor de redação das revistas Bizz, Época São Paulo e Trip. E é membro da Igreja Batista Água Viva em Vinhedo, interior de São Paulo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

8 frases de Chaves que poderiam ter saído da Bíblia


8-Frases-do-seriado-chaves-que-poderiam-ter-saído-da-bíblia-profetirando-humor-gospel-cristão

publicado no Profetirando

Pra comemorar os 30 anos de CHAVES, confira 8 Frases do seriado que poderiam ter sido tiradas da Bíblia.

“A vingança nunca é plena, mata a alma e a envenena”
-Provérbios de Seu Madruga.

“Quem come tudo e não divide nada acaba com a barriga inchada.”
-Chaves, sobre amar o próximo.

“As mulheres são assim: começam ficando com o chapéu e acabam ficando com a carteira.”
-Mais um provérbio de Seu Madruga, sobre a mulher que não edifica a casa.

“Não há nada mais trabalhoso do que viver sem trabalhar!”
-Provérbios de Seu Madruga

As pessoas boas devem amar seus inimigos.
-Seu Madruga, sobre Mateus 5:44.

“Eu sei que o Homem Invisível está aqui!”
“Por quê?”
“Porque não estou vendo ele!”
– Chaves, a definição de fé

“Eu vou comprar roupas pra todo mundo que precisa de roupa, como aquelas pobres senhoras que aparecem naquelas revistas que o senhor lê…”
-Chaves, bondade e amor ao próximo

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Silas Malafaia, Israel e o direito de matar




Por Hermes C. Fernandes, no seu blog

Acabei de assistir ao pronunciamento do pastor Silas Malafaia acerca do conflito "Israel e Palestinos" e coincidentemente tratei do mesmo assunto no culto de ontem em nossa igreja. Apesar do meu amigo Danilo Fernandes, editor do Genizah, concordar 100% com o líder da AVEC, gostaria de apresentar as razões que me fazem discordar de seu posicionamento.

Silas faz coro com boa parte dos líderes evangélicos brasileiros, que por sua vez, estão afinados com o diapazão ideológico americano. 

A primeira coisa que me chamou a atenção na defesa que Silas faz dos ataques de Israel à faixa de Gaza foi dizer que, numa guerra, nenhuma reação é proporcional à ação. Portanto, Israel teria razão em lançar mísseis em escolas palestinas matando crianças inocentes para vingar a morte de três adolescentes judeus mortos por militantes do Hamas. Ora, se Israel se mantivesse fiel aos princípios esboçados na Lei do Senhor, saberia que um dos seus mandamentos diz respeito à proporcionalidade de nossas reações (olho por olho, dente por dente). E mais: um discípulo de Jesus jamais defenderia qualquer reação, uma vez que seu Mestre ensinou a amar a seus inimigos e oferecer-lhes a outra face. Partindo do argumento usado por Silas, o ataque dos EUA a Nagazaki e Hiroshima em reação ao ataque japonês a Pearl Harbor foi totalmente justificável. Enquanto 2403 pessoas morreram na base americana de Pearl Harbor, 220 mil pessoas morreram nas duas cidades japonesas (quase cem vezes mais!). Quantas crianças palestinas terão que morrer para vingar a morte dos três adolescentes judeus?

Porém, o que mais me incomodou em seu discurso pró-Israel foi a interpretação teológica dada ao fato e à posição supostamente privilegiada de Israel. 

De fato, Deus fez uma promessa a Abraão de que toda aquela terra seria dada à sua descendência (Gn.13:14-15). Esta mesma promessa foi confirmada a Isaque e a Jacó (Gn.26:2-24; 28:12-14). Todavia, Deus estabeleceu condições para que seus descendentes tivessem o direito de posse da terra. Se não as cumprissem, a terra os vomitaria e eles seriam espalhados entre as nações (Lv.20:22; 26:14-15, 27-28, 32-33). Portanto, a Diáspora Judaica nada mais é do que o cumprimento das sanções impostas por Deus a Israel, se seu povo não guardasse os seus mandamentos. Ainda mais grave do que rejeitar a Lei do seu Deus, os judeus também rejeitaram o Messias prometido. Portanto, a aliança entre Deus e eles foi quebrada. 

Entretanto, há promessas bíblicas de que Israel retornaria à sua terra. E com base nessas promessas, surgiu o movimento sionista. Sionismo é um movimento político e filosófico que defende a existência de um Estado nacional judaico independente e soberano no território onde historicamente existiu o antigo Reino de Israel. O sionismo é também chamado de nacionalismo judaico e historicamente propõe a erradicação da Diáspora Judaica, com o retorno da totalidade dos judeus ao atual Estado de Israel.  O termo "sionismo" é derivado da palavra  “Sião”, nome de uma das colinas que cercam a chamada Terra Santa. Durante o reinado de Davi, Sião se tornou sinônimo de Jerusalém. Em inúmeras passagens bíblicas, os israelitas são chamados de "filhos (ou filhas) de Sião".

O que este movimento parece ignorar é que para que Israel retornasse à sua terra, algumas condições precisariam ser preenchidas. Dentre elas, a mais importante é a conversão dos judeus.
“Porque, em vos convertendo ao Senhor, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericórdia perante os que os levaram cativos, e tornarão a esta terra; porque o Senhor vosso Deus é misericordioso e compassivo, e não desviará de vós o seu rosto, se vos converterdes a ele.” 2 Crônicas 30:9
Portanto, o atual Estado de Israel, fruto de um arranjamento político da ONU, nada tem a ver com o cumprimento da promessa de Deus de que seu povo retornaria à sua terra. E a prova disso é que não houve conversão. E converter-se a Deus é acolher a única oferta de salvação possível: JESUS CRISTO. Por isso os apóstolos eram tão enfáticos ao testificar que "tanto a judeus como a gregos devem converter-se a Deus com arrependimento e fé em nosso Senhor Jesus" (At.20:21). À parte de Cristo, todo judeu está tão perdido quanto qualquer gentio. 

Paulo diz que eles eram os ramos naturais da oliveira (Abraão), mas devido à sua incredulidade e desobediência, foram quebrados e em seu lugar, nós, os que cremos dentre os gentios, fomos enxertados. Até que se convertam ao evangelho, eles são judeus apenas na carne, mas não na fé que teve seu patriarca. A igreja é, por assim dizer, a continuação do verdadeiro Israel. A árvore é a mesma, os ramos que foram substituídos. 

Ademais, a promessa de que os judeus retornariam à sua terra foi cumprida quando deixaram o cativeiro babilônico e voltaram para Jerusalém nos dias de Esdras e Neemias. Porém, por terem se mantido rebeldes, foram mais uma vez espalhados pelo mundo quando Jerusalém foi destruída pelo exército romano no ano 70 d.C. sob o comando de Tito.

A aliança feita com Abraão não caducou, mas foi devidamente cumprida em Jesus, seu Descendente (Gl.3:16). E os que são de Cristo são os verdadeiros descendentes de Abraão (Gl.3:29). De acordo com o próprio Jesus, o reino foi tirado dos judeus e entregue a outro povo, a saber, a Sua igreja, reunião de judeus e gentios que creem em Seu nome (Mt.21:43). 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Francisco é o 1º papa a visitar uma igreja evangélica pentecostal

Papa Francisco em sua chegada à Caserta para se reunir com amigo protestante (foto; Cesare Abbate/Efe)
Papa Francisco em sua chegada à Caserta para se reunir com amigo protestante (foto; Cesare Abbate/Efe)
Publicado na Folha de S.Paulo
O papa Francisco tornou-se, nesta segunda-feira (28), o primeiro líder da Igreja Católica a fazer visita a uma igreja evangélica pentecostal -ramo do protestantismo considerado grande “competidor” dos católicos na disputa por novos fiéis no mundo.
Francisco viajou de helicóptero à cidade de Caserta, no sul da Itália, e foi à Igreja Evangélica da Reconciliação, cujo prédio ainda está em obras. O papa também se reuniu privadamente com o pastor evangélico Giovanni Traettino, amigo de longa data.
No sábado (26), o papa já tinha estado em Caserta para celebrar uma missa em honra à padroeira santa Ana, evento que reuniu aproximadamente 200 mil católicos.
Falando nesta segunda a cerca de 350 fiéis na igreja evangélica, o pontífice pediu desculpas pela perseguição católica aos pentecostais durante o regime fascista na Itália (1922-1943), quando a prática de sua fé era proibida.
“Entre os que perseguiam e denunciavam pentecostais, quase como se fossem pessoas loucas tentando destruir a raça [humana], havia também católicos”, discursou.
“Eu sou o pastor dos católicos e peço o seu perdão por aqueles irmãos e irmãs católicos que não compreenderam e foram tentados pelo Diabo”, acrescentou o papa.
Francisco também citou o ineditismo da visita. “Alguém vai se surpreender: ‘O papa foi visitar os evangélicos?”. Mas ele foi ver seus irmãos.”
O papa defendeu ainda a “unidade na diversidade” dentro do cristianismo. “O Espírito Santo cria diversidade na igreja. A diversidade é bela, mas o próprio Espírito Santo também cria unidade, para que a igreja esteja unida na diversidade: (…) uma diversidade reconciliadora.”
Depois do ato, que durou cerca de uma hora e meia, o papa almoçou com a comunidade, divulgou a Santa Sé em comunicado.
Francisco aterrissou em Caserta às 10h15 (5h15 de Brasília), num heliporto no Palácio Real da cidade, após deixar a Cidade do Vaticano de helicóptero, pela manhã. Do palácio ele seguiu de carro até a casa do pastor Traettino.
Após a conversa privada, os dois religiosos foram de carro à igreja evangélica. Antes de entrar no templo, o papa cumprimentou fiéis católicos que aguardavam, curiosos, a sua chegada.
PEDIDOS DE PERDÃO
O protestantismo pentecostal é uma corrente surgida nos EUA, no início do século 20, com ênfase na experiência direta de Deus por meio dos dons do Espírito Santo, como os de curar e de falar línguas desconhecidas.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Para 30% dos americanos, religião está ultrapassada

A maioria dos que acreditam na religião caiu para 57%

Os Estados Unidos já não podem ser apontados como um dos países mais religiosos do mundo, porque ali, embora a quase totalidade acredite em Deus, a credibilidade as instituições que representam as crenças está em rápido declínio.

O Gallup apurou que 30% dos americanos pensam que a religião está ultrapassada porque, em muitos casos, pregam valores que não fazem sentido hoje em dia. Em 1957, o número de pessoas que não levavam a religião a sério era de apenas 7%.

Do total da população, 57% dos norte-americanos ainda acreditam que a religião pode resolver os problemas do país, mas não se sabe por quanto tempo essa maioria vai perdurar.

Outra pesquisa do Gallup feita no começo do ano, 41% dos norte-americanos são muito religiosos. O restante se divide entre pouco religioso e não religioso.

Entre os mais religiosos, destacam-se as pessoas com mais 65 anos de idade, os conservadores políticos e as pessoas que vivem no sul do país.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

O ensino de Jesus sobre dinheiro


Dinheiro não é força neutra. Ele conspira contra nós, semelhante a uma divindade má. Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e a Mamóm – dinheiro – Mateus 6.24.
A ansiedade do idólatra – de não saber o humor da divindade – não deve contaminar a oração. Não é necessário rastejar, fazer sacrifício, penitência, corrente de oração ou qualquer outro mecanismo para “conseguir” coisas de Deus. Por que vocês se preocupam com roupas? Vejam como crescem os lírios do campo… Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no fogo, não vestirá muito a vocês, homens de pequena fé? Portanto, não fiquem ansiosos, dizendo, “o que vamos comer?” ou o “que vamos beber?” “ou o que vamos vestir?” Pois os pagãos é que correm atrás dessas coisas… Mateus 6.28-32
Fé não consiste na disciplina de ficar horas e horas repetindo a mesma prece. Bombardear o céu com inúmeras petições ou amealhar uma multidão de intercessores para “alcançar” um milagre não condiz com a percepção de Deus como pai-mãe amoroso e bondoso. Quando orarem, não fiquem repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não sejam iguais a eles, porque o Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem – Mateus 6.7-8.
Seus discípulos não devem acumular riquezas nesta vida – uma das falsas seguranças do dinheiro consiste em garantir o futuro. Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões roubam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros nos céus, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não roubam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração – Mateus 6.19-20
Os seguidores de Jesus devem buscar não bênçãos, milagres, prosperidade, vantagem pessoal, mas um mundo justo, solidário, inclusivoBem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão fartos – Mateus 5.6. Deus não é meio de subir e passar pelas apertadas malhas sociais. Busquem em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, e todas as coisas lhe serão acrescentadas – Mateus 6.33
Riqueza é obstáculo para entender, viver e divulgar os valores do reino de DeusComo é difícil aos ricos entrar no reino de Deus. De fato, mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus. – Lucas 18.24.
Ostentação de roupas caras, jóias e supérfluos – comportamento dos falsos –  não condizem com seus seguidores. Cuidado com os mestres da lei. Eles fazem questão de andar com roupas especiais, e gostam muito de receber saudações na praças e ocupar os lugares mais importantes nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes. Eles devoram as casas das viúvas, e, para disfarçar, fazem longas orações. Esses homens serão punidos com mais rigor – Lucas 20.46-47.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Jesus é muito melhor do que nos contaram




Jesus é muito melhor do que nos contaram. Reconhecemos Sua inegável sabedoria, bem como Sua misericórdia ímpar, que O levavam a arguir doutores da lei com a mesma destreza com que atendia ao clamor de um párea da sociedade.

Todavia, o que mais me faz saltar os olhos é a maneira como Ele é capaz de enxergar bondade em quem todos só viam vilania. Atender ao pedido de um centurião romano, representante da força invasora, já era um insulto aos Seus patrícios. Mas elogiar sua fé, a ponto de afirmar jamais ter visto igual nem mesmo entre os mais fervorosos judeus, já era demais.  E o que dizer da vez em que concordou publicamente com um escriba por haver identificado em sua fala sinceridade e verdade? Não estaria Ele dando corda a um integrante de um dos grupos que mais lhe fizeram oposição?

E que tal introduzir um Samaritano em Sua parábola, não como vilão ou figurante, mas como mocinho? Logo um samaritano? Aquela gente considerada asquerosa!

Para Jesus, pouco importava se estava do Seu lado ou do lado oposto. Onde quer que a verdade e o amor fossem encontrados, Ele fazia questão de ressaltar sem o menor pudor. Mas também não hesitava em admoestar um dos Seus mais chegados discípulos, quando sua fala ou comportamente não condiziam com a verdade em amor. 

A bondade de Jesus era tão grande que não negou atender nem o inusitado pedido de uma legião de demônios. Quão escandalizador seria isso caso o levássemos a sério. Preferimos acreditar que aquilo foi apenas uma exibição de poder e uma demonstração do que os demônios são capazes. Pobres porcos!

Nem mesmo o meliante crucificado ao Seu lado foi poupado de Sua bondade. Dizem até que o paraíso foi inaugurado por ele, que adentrou-o de mãos dadas com o Salvador dos homens. 

Jesus jamais subestimou ninguém. Todos eram tratados com o devido respeito e gentileza. Meretrizes, mendigos, cobradores de impostos corruptos, traidores da pátria, e até religiosos hipócritas que o procuravam na calada da noite, eram acolhidos como seres humanos, portadores de uma dignidade intrínseca. Por mais moralmente deformado que estivesse, o mestre galileu era capaz de enxergar os resquícios dos traços fisionômicos do Pai Celestial. Em vez de ressaltar o que havia de pior nas pessoas, Ele preferia extrair delas o que tinham de melhor. Seu discurso não destilava ódio, rancor, nojo, mas os sentimentos mais nobres que poderiam habitar o coração humano. Jamais fez piadinha da condição de ninguém, nem ridicularizou quem quer fosse. Antes, encorajava-os a acreditar no maravilhoso destino que o Pai Celestial lhes havia provido.

Em vez de sair em defesa própria, como muitos de nós fariam sem titubear, Ele era a voz dos indefesos e oprimidos.

Caso Se preocupasse com Sua própria imagem, certamente não aceitaria a companhia de gente de vida pregressa duvidosa e reputação maculada. Ele não estava nem aí...

Ria quando tinha que rir. Chorava quando tinha que chorar. Comovia-se com o sofrimento humano, a ponto de sublimar o Seu. Não Se deixava impressionar pelos louvores de quem, no fundo, queria pressioná-lo a romper com Sua agenda e submeter-se a outros interesses. O único louvor que o enternecia era o das crianças, sem segundas e terceiras intenções.

Quanto mais medito acerca d’Ele, mais O admiro e sinto-me impulsionado a adorá-lo e submeter-me às demandas de Sua revolucionária mensagem.


Que diferença entre este Jesus e aquele forjado pela indústria religiosa, garoto propaganda de impérios, ícone de moralismos anacrônicos. De fato, como Ele mesmo nos advertiu, não é possível servir a dois senhores. Ou servimos ao Cristo que emerge das páginas dos evangelhos, ou nos submetemos à figura insólita a quem nos acostumamos a chamar de Cristo, mas que está na posição oposto à d’Ele. Eu, particularmente, optei pelo primeiro. O outro que me esqueça. 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Padre é suspenso por dar uma bênção na casa de um casal gay em Goiás


O padre Cesar Garcia (à esquerda) com Leo Romano (de branco) e Marcelo Trento durante evento na residência do casal, onde aconteceu a bênção Foto: Arquivo pessoal

publicado em O Globo


O padre César Garcia, de 53 anos, de Goiânia, foi afastado de suas funções religiosas - suspensão de ordem - pelo arcebispo da cidade, dom Washington Cruz, por ter dado uma benção na residência do casal homossexual Léo Romano, de 43 anos, e Marcelo Trento, de 38, no dia 20 de maio. O padre foi comunicado na terça-feira pelo bispo de sua decisão. Em entrevista ao GLOBO na manhã desta quarta-feira, o padre Garcia contou que não estimulou a união homoafetiva e nem simulou o casamento entre o casal, que já está junto há onze anos. Já Léo Romano e Marcelo Trento defendem a atitude do religioso. A Arquidiocese de Goiânia confirmou o afastamento, mas diz que ele é "temporário" e que vai apurar o ocorrido.

O padre César Garcia disse que fez uma celebração da palavra, como uma forma de abençoar a nova casa do casal. O religioso, que não vestia qualquer paramento e usava roupa comum na ocasião, classificou a atitude de dom Washington Cruz como uma truculência, diz que não feriu qualquer lei canônica e que comunicou previamente ao bispo que compareceria nesta celebração.

- O bispo se deixou guiar por interpretações fantasiosas, como se eu estivesse estimulado a união entre os dois. Não celebrei nenhum casamento. Sou muito prudente, quem me conhece sabe disso. Respeito os sacramentos e as pessoas. Tenho lisura nos meus atos. Não contrariei as leis canônicas - disse o padre César Garcia.

Com a decisão, César Garcia está proibido de executar os ritos sacramentais, como casamento e batizado, celebração de missa. Ele também deve ser julgado por um tribunal eclesiástico. O padre foi ordenado há 30 anos e atua na paróquia São Leopoldo, no bairro Jaó.

Casal defende o padre

Diante do afastamento do padre, Léo Romano e Marcelo Trento saíram em defesa do religioso. Romano também nega que a cerimônia tenha tido o sentido de confirmar uma união e sabe que o direito canônico proíbe celebração de casamento entre pessoas do mesmo sexo.

- Foi um lamentável episódio que ocorreu em virtude de uma bênção dada pelo padre César em uma celebração em nossa casa, onde festejávamos onze anos de união - disse Romano.

Em uma rede social, o arquiteto afirmou que o padre é conhecido da família e que falou “de amor” durante a visita:

“Padre César compareceu como amigo da família, que já celebrou casamentos de irmãos, cunhados e batizou sobrinhos. Ele falou de amor e abençoou nossa casa”, escreveu Romano na rede social.

O arquiteto classificou a atitude do bispo Washington Cruz de homofóbica.

"Sofremos essa reação homofóbica e retrógrada da igreja. Foi uma ação excludente e que não permite sequer que um ser humano manifeste seu afeto e carinho por outro", escreveu.

De acordo com Romano, cerca de 120 pessoas participaram da festa em que o padre estava presente, e que comemorava onze anos da união do casal. Eles estavam inaugurando a casa nova, no condomínio Aldeia do Vale, de classe média alta em Goiânia.

Para o padre, caso teria tido tratamento legalista

O padre César Garcia diz acreditar que o bispo Washington Cruz foi pressionado por setores religiosos para adotar uma punição para a sua conduta:

- Fiz uma comunicação prévia. Por que então tomou essa atitude posterior? Com essa atitude, ele está matando a Igreja, o direito de ir e vir das pessoas aos encontros. Quem sou eu para julgar. Sua santidade o Papa Francisco deixou isso claro no início do seu pontificado a ser questionado sobre os homossexuais. Houve um pré-julgamento.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Dawkins surpreende ao afirmar que se considera 'cristão laico'

Richard Dawkins
Ateu britânico se comparou aos
judeus que não creem em Deus
Apontado como o mais radical dos ateus famosos dos atuais dias, Richard Dawkins (foto), 73, causou chamou a atenção da imprensa britânica, como o The Guardian, e de sites cristãos ao afirmar em uma feira literária no País de Gales que se considera um “cristão cético”. “Se vocês quiserem, podem me chamar assim."

O biólogo britânico admitiu ser “como aqueles judeus laicos que têm um sentimento de nostalgia apreciação pelas cerimônias”.

O site católico português Aleteia se manifestou surpreso porque, afinal, Dawkins “escreveu e disse as piores coisas sobre o cristianismo em geral e sobre o catolicismo em particular”.

O americano Christian Post, que procura ser menos opinativo, dedicou um texto de 500 palavras à notícia. The Telegraph deu destaque à nostalgia de Dawkins, criado em família anglicana, pelos cerimoniais da igreja. “O biólogo evolucionista afirmou que, embora não acredite nos elementos sobrenaturais cristãos, ele valoriza o lado cerimonial da religião.”

Diferentemente do que muitos cristãos gostariam que houvesse, não está ocorrendo o milagre da reconversão de Dawkins ao cristianismo.

Dawkins, de fato, tem feito críticas duras às crenças e aos religiosos, mas  talvez na média (por assim dizer) de suas manifestações ele não seja tão intransigente como acusam seus adversários.

Apesar da surpresa da imprensa, não é a primeira vez que ele diz estar sob a influência do cristianismo, até porque, tem ressaltado, não há como escapar desse caldo cultural quando se nasce e é criado em uma família e país cristãos. Assim como acontece com os judeus ateus.

Dawkins elogia com frequência a Bíblia, a qual, segundo ele, por conter histórias mitológicas, é uma riqueza cultural que foi sequestrada pelos religiosos.

Na recente feira literária do País de Gales, o biólogo apresentou o primeiro volume de sua memória (ainda sem previsão de lançamento no Brasil). No livro, ele conta que se tornou ateu na adolescência quando tomou conhecimento da teoria da evolução de Darwin.

Afirmou que lamenta ter dado o nome de “O Gene Egoísta” a um de seus livros. "Gene egoísta dá a ideia errada de que eu estava dizendo que as pessoas são egoístas ou deveria ser egoísta. Mas são os genes que são egoístas, e não os indivíduos.”


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Podemos ver a casa de Fidel?


O que oprime o pobre insulta àquele que o criou, mas o que se compadece do necessitado o honra. Provérbios 14:31

Bispo Miguel Uchoa, no seu blog

Foi essa a pergunta que minha esposa Valéria fez à guia turística que nos mostrava a cidade de Havana em Cuba a cerca de duas semanas atrás. A resposta veio de imediato “ no señora nadie los sabe !” (Não senhora, ninguém sabe)

Estivemos em Cuba para uma missão especial sobre o que não vou me deter nesse artigo para preservar a segurança daqueles que estão envolvidos no trabalho que ali realizamos e que está sendo realizado pela graça de Deus, apesar do regime cubano.

Inicialmente passamos 3 noites e dois dias na bonita cidade de Havana. Como turistas tivemos acesso a tudo de belo que a cidade tem, nossa guia era de uma agencia turística que pertence ao Governo, assim como o hotel que estávamos, o taxi que alugamos e o restaurante que usamos. Mas, nosso contato não foi apenas com essa simpática e “revolucionária” guia turística. A Moça era competente em florir a realidade Cubana, mas não pode omitir que o que ganhava não permitia que ela vivesse o mês e tinha que fazer outras coisas para sobreviver e os 20 dólares que demos de presente para ela, com certeza ajudou bastante no complemento da renda mensal.


Ela nos levou para ver o bairro aristocrata de Mira flores, a praça da revolução e outros locais que se assemelham às construções dos países da antiga “Cortina de Ferro” da Europa oriental, sempre imponentes. Além de termos visto o centro histórico onde uma pequena parte está restaurada. Perguntar não ofende e assim perguntamos se existem pobres ou ricos aqui em Cuba? Ao que ela, com veemência e quase iniciando um discurso político disse “ não, aqui não há pobres nem ricos” achei que não devia insistir perguntando sobre os mendigos que cruzaram nosso caminho. Entendemos que dali, não sairia nada mais do que um discurso pronto, para turista ver e, sendo nescio, se encantar. Mas até ali conclui que não há pobre em Cuba na mesma proporção em que os governos Petistas têm divulgando pelo mundo que o Brasil tem uma maioria de classe média.

Minhas fontes extra oficiais, gente da rua e do dia a dia me mostraram uma outra Cuba, vigiada de perto, temente de que uma dessas “primaveras” chegue por lá, o que espero não demore muito. Essas fontes me mostraram a realidade de uma pobreza institucionalizada e, que se vende para o mundo como o paraíso do caribe. De fato, existe um paraíso natural, um polo turístico dominado pelo Estado que apresenta o que muitos querem ver, prostitutas por todo lado, shows e belas praias, locais esses que os cubanos têm acesso proibido. Em conversa com alguns me foi dito que as mães introduzem as filhas nesse mundo pois essa é a única fonte de renda da família.
Os médicos cubanos se esforçam para entrar em uma missão como essa que está no Brasil, que mesmo recebendo uma mínima parte do ganho que o Governo Brasileiro paga, ainda assim é muito mais do que recebem no dia a dia de seu trabalho em Cuba, em torno de 28 dólares americanos, por isso ser camelô ou pedalar em uma bicicleta taxi nas horas extras faz parte da rotina de um pediatra ou dentista que precisa colocar comida na mesa de sua casa. Direitos humanos é algo que ninguém quer comentar e imaginei porquê.

A fé cristã cresce em Cuba, a igreja, mesmo diante de imensas limitações financeiras, estruturais, cresce nas ruas e se espalha. Ninguém detém, é obra santa. Células, pequenas congregações e um fenômeno que nunca havia visto, uma igreja na rua que congrega em uma praça mais de 600 pessoas em um domingo com chuva ou com sol, para ambos existe a sombrinha/guarda chuva e que nada possui senão o mais importante a fé no poder do Espírito Santo. Parabéns ao Pastor das ruas e a esse povo vibrante.

Seguimos para o interior, voamos em um Antonov 158, confesso que me preocupei, mas era um avião aparentemente novo e os voos de ida e volta foram tranquilos. Nossa missão no interior foi realizada com êxito, deixamos a liderança da igreja ali estabelecida, mas tudo teve que ser feito por detrás das cortinas, sob risco de detenção, mas o que seria isso depois de tanto ver a fé vibrante daquele povo.
Estivemos em um culto onde nos foi dito, “você não pode falar, pregar ou dirigir”, existem olheiros e nunca sabemos onde eles estão. Mas ver a fé daquele povo sofrido já nos foi suficiente para fortalecer ainda mais a nossa.

Vimos em Cuba o que estamos acostumados a ver nas periferias de qualquer cidade brasileira, mas aqui, assumimos isso, com exceção dos governantes, que por sermos a 7ª economia do Mundo parecem esquecer que estamos entre os piores índices de distribuição de renda deste mesmo mundo, e que as vezes disputamos fortemente com países como a Botswana.

A TV Cubana aberta é uma lástima de manipulação e a daqui não é? Perguntaria alguém, não, não como a de Cuba. TV Oficial que reproduz um canal da Venezuela e notícias do Equador e que todo tempo fala na Grande nação Sul Americana, uma neurose de Hugo Chaves e seus colegas, que tentam recriar o que se chamava da Grande nação (Equador, Venezuela e Colômbia) Não há nada do Brasil senão a Copa do Mundo, mas claro ninguém fala dos protestos.


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Malafaia e C.S. Lewis


        

por Ricardo Alexandre, no seu blog

No Facebook, sou alertado pelo Livan Chiroma a respeito do programa de Silas Malafaiado último sábado, 20 de abril. Entre bravatas, “desafios a toda a nação” autopropagandas, televendas de todo tipo, aplausos da plateia para qualquer espirro mais “ungido”, e vários malafaias sendo vendidos em diversos ramos do entretenimento gospel, há o que parece ser um encontro de líderes da Associação Vitória em Cristo. Alguns trechos do sermão:
“Hoje eu levo minha família toda (a hotéis quatro estrelas) e não tô nem aí. Não tô roubando. Não tô nem aí pra você, ô mané, que tá me assistindo (…) Eu não vou deixar de usufruir do lugar vitória porque eu sei o preço que eu paguei e que eu tenho pago”. “Aqui tem três mil pessoas que o hotel e a pensão completa é bancada pelo meu ministério. Quer falar, fale”. “Você quer saber o valor do meu anel? Quatro mil dólares. Com meu dinheiro”. “Tá vendo o Mercedes e500, blindado na Alemanha? Foi um parceiro meu que me deu de presente de aniversário”.
Longe de mim confrontar o célebre comunicador gospel, até porque os que assim o fazem são definidos por ele como “ímpios travestidos de crente”, e não quero essa pecha. Só faria um parêntese para recomendar esse estudo do pastor americano Mark Driscoll a respeito de mordomia cristã. O conceito de “mordomia”, basicamente, defende que o que temos não é nosso – é de Deus, que nos incumbiu de administrar, não para o nosso usufruto, mas de acordo com os interesses do reino dele.
Mas longe de mim dizer que o Malafaia está completamente fora de 2 mil anos de teologia cristã.
Malafaia dispensa opiniões, e seus seguidores parecem ser imunes a elas. Assim, para não desperdiçar meu tempo nem o seu, o que queria é contar uma história a respeito de Clives Staples Lewis (1898/1963) que me veio à mente assistindo aquele espetáculo religioso-televisivo. Lewis, como se sabe, é considerado o maior pensador cristão do século 20, professor da universidade de Oxford, colega de JRR Tolkien, autor da sagaCrônicas de Nárnia e de um dos maiores best-sellers de todos os tempos, Cristianismo Puro e Simples.
No livro póstumo Letters to american Lady, de 1967, há uma troca de cartas entre Lewis e uma mulher americana a quem o escritor tentava ajudar financeiramente. Depois de muito insistir, e depois de conseguir achar meios tributários de enviar o dinheiro, finalmente, a mulher aceitou a ajuda, dizendo: “Bem, eu vou aceitar então, e muito obrigada. Não me admira que Deus tenha te abençoado tanto lhe dando tanto dinheiro.”

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Jesus e os pecadores, a Igreja e as pessoas (i)morais

Ed René Kivitz, no Facebook
Passando por ali, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria, e disse-lhe: “Siga-me”. Levi levantou-se e o seguiu.
Durante uma refeição na casa de Levi, muitos publicanos e “pecadores” estavam comendo com Jesus e seus discípulos, pois havia muitos que o seguiam.
Quando os mestres da lei que eram fariseus o viram comendo com “pecadores” e publicanos, perguntaram aos discípulos de Jesus: “Por que ele come com publicanos e ‘pecadores’? ”
Ouvindo isso, Jesus lhes disse: “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim para chamar justos, mas pecadores”.
[Marcos 2.14-17]
Fariseus, escribas, publicanos e pecadores. Os fariseus, nome que significa “separados”, eram o mais ortodoxo e rigoroso segmento do judaísmo dos dias de Jesus. Eles se consideravam “o verdadeiro Israel”. Os escribas, também chamados doutores da Lei, eram estudiosos e mestres da Torah, o texto sagrado dos judeus. À época os judeus eram colônia romana e pagavam impostos exorbitantes a Roma. Os publicanos eram os coletores de impostos nas províncias e colônias romanas. Além de serem considerados traidores de Israel, eram repudiados pelos fariseus e mestres da Lei, pois não apenas faziam o serviço sujo para Roma, como também estavam envolvidos em corrupção, cobrando impostos abusivos em benefício próprio.
Jesus estava à mesa com os pecadores e publicanos. O que surpreende, entretanto, não é que Jesus esteja à vontade na companhia de gente mal falada, mas que pessoas de reputação duvidosa e moral escandalosa se sintam perfeitamente à vontade na mesa de Jesus. Há razões para este aparente paradoxo.
Jesus não usava sua autoridade para se distinguir, mas para seduzir. O biógrafo de Jesus, Marcos, parece desenvolver sua narrativa de modo a nos conduzir propositadamente a essa cena. Apresenta Jesus ensinando com uma autoridade jamais vista anteriormente, e contrapondo seu ensino ao modelo dos religiosos escribas e fariseus. Admiradas, as pessoas se perguntavam a respeito de Jesus: o que é isso? Um novo ensino? De onde vem essa autoridade?” (Marcos 1.22,27). Os mestres de Israel formavam uma casta iniciada na Torah, e por isso se julgavam acima do povo simples, com quem falavam assentados “na cadeira de Moisés”. Jesus se misturava entre as gentes, e enquanto falava compartilhava os mistérios do reino de Deus a quem estivesse de coração aberto. Geralmente os pecadores estavam mais prontos a ouvir, pois não se sentiam intimidados nem menosprezados por Jesus. Sim, Jesus revela mistérios espirituais aos simples.
Jesus não usava seu poder para destruir, mas para promover libertação. Os demônios devem temer a Jesus. Os seres humanos, não. Diante de Jesus os espíritos maus davam passos para trás, em tom suplicante para que não fossem destruídos (Marcos 1.23-26). Jesus não ameaça os seres humanos com seu poder espiritual. Não é um feiticeiro gerando medo, adulação indevida e subserviência. Diferentemente dos neofariseus, Jesus coloca os homens em pé, os ensina a andar com suas próprias pernas e os conduz à autonomia responsável e reverente a Deus. Sim, Jesus expulsa demônios e liberta seres humanos.
Jesus não usa sua pureza para segregar, mas para abraçar os excluídos. O leproso que de Jesus se aproxima sabe que pode ser purificado. Na tradição de Israel, o leproso era impuro, e todo aquele que com ele tivesse contato se tornaria igualmente impuro. Mas Jesus, ao tocar o leproso, purifica o leproso. Com o seu toque, em vez de ser maculado pela lepra, transfere sua pureza ao leproso (Marcos 1.40-42). Sim, Jesus abraça os impuros.
Jesus não usava seu crédito para condenar, mas para oferecer perdão. O paralítico que lhe é apresentado tem seus pecados perdoados (Marcos 2.5-7). Os religiosos, partindo do princípio que perdoar pecados é prerrogativa divina, expressam sua contrariedade. Jesus poderia lhes estender a mão: “Muito prazer, Deus em carne e osso”. Sabedor de seu direito e do débito dos homens, Jesus estende a mão como oferta de aproximação, pacificação e reconciliação. O olhar de Jesus não é condenatório. Sua voz não é acusadora. Seu tom não é moralista. Sua mensagem não é de juízo, mas de salvação. Não vem para promover “o dia da vingança de Deus”, mas para anunciar “o ano da graça do Senhor”. Sim, Jesus perdoa pecados.

Convulsão Calvinista



No ano de 2009 conheci a favela. Um menino pobre de apenas quinze anos de idade, que não tinha envolvimento com o tráfico de drogas, havia sido morto com um tiro na testa desferido por um policial do BOPE numa operação na favela Mandela, na Zona Norte do Rio.
Decidi, naquele dia, fazer um protesto dentro da comunidade pobre, numa região que, devido ao histórico de violência, chamava-se Faixa de Gaza. Terror dos policiais cariocas. Conseguimos levar toda a imprensa para lá, procurando dar voz ao pobre e combater o abuso de poder. Não tardou que, após chegarmos ao local, viesse a notícia de que estávamos autorizados a entrar na favela. Naquele dia passei pela minha segunda conversão.

Ao colocar os pés naquela aberração social, infestada de esgoto e ratazana, repleta de crianças vivendo em estado de miséria aviltante, sem mencionar aquilo sobre o que só poderei falar daqui a 20 anos, minha teologia convulsionou. Lá estava eu, -pastor de uma igreja presbiteriana, plantada por mim na década de 90, num bairro de classe média alta do Rio de Janeiro, herdeiro consciente de uma tradição teológica do cristianismo chamada calvinismo, à qual abraçara apaixonadamente na minha juventude-, num mundo novo e perturbador.

Cumpriu-se a profecia. A cabeça pensa a partir de onde pisamos. Perguntas emergiram à minha mente.

1. O que o meu calvinismo tem a dizer sobre essa realidade? Quê leitura fazer sobre a miséria desse povo? Como chegou aqui? O que se pode fazer para livrá-lo dessa condição? Como manter meu antigo modelo ministerial, inspirado na vida de pregadores que até hoje amo, caracterizado pela dedicação à preparação de sermões, aconselhamento pastoral, pregação?

2. Como posso manter-me atrelado a um modelo de ministério pastoral que me impede de viver a vida que o próprio Cristo viveu, que é apresentado na Bíblia, andando? Andando! Estando presente sempre onde mais havia demanda de compaixão. Em busca de gente que gemia de dor sem ser ouvida.

3. Pode-se conceber à luz das Escrituras igreja que não se sinta chamada para cuidar dos miseráveis da terra, para os quais Cristo dedicou quase a totalidade da sua vida? É concebível igreja que não tenha chamado para o pobre?

4. Como resumir o exercício do amor à evangelização e à filantropia nas ocasiões em que a ação política é imprescindível para livrar vidas humanas do seu estado de petição? Qual igreja pode trazer saneamento básico para essa favela? Como evitar que crianças levem tiro na cabeça em tiroteio entre policiais e traficantes? Como reformar esse mar de barracos? Como cuidar das suas doenças respiratórias e de pele? Como manter esses jovens na maior parte do tempo em escolas que os encantem? Deus, existe, portanto, o amor político?

5. O evangelho tem que ser proclamado por um igreja santa. Certo! Mas, o que é ser santo? Pode o santo tomar conhecimento desse cenário de horror na sua cidade e permanecer indiferente? Milhões não ouvem cristãos adúlteros, mentirosos, mercenários. Sabemos disso! Mas, o que falar daqueles que se escandalizam com a omissão da igreja face a tamanha desgraça social?

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