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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Aprovada na Câmara Municipal de BH venda de ruas para Igreja Batista da Lagoinha

Trecho da  rua Ipê com ruas Samuel Salles e Serra Negra, na Região Nordeste,  que deve dar lugar a um novo templo da Igreja Batista da Lagoinha. (Jair Amaral/EM/D.A Press)
Trecho da rua Ipê com ruas Samuel Salles e Serra Negra, na Região Nordeste,
 que deve dar lugar a um novo templo da Igreja Batista da Lagoinha.

Alice Maciel, no Estado de Minas - capturado no Pavablog
Os vereadores de Belo Horizonte autorizaram a venda de trechos de três ruas no Bairro São Cristóvão, na Região Nordeste, para dar lugar a um novo templo da Igreja Batista da Lagoinha. Com 23 votos favoráveis, a proposta foi aprovada na Câmara Municipal em segundo turno e caberá agora ao prefeito Marcio Lacerda (PSB) sancioná-la. Se o projeto virar lei, duas casas localizadas da Rua Ipê ficarão ilhadas com a construção da igreja. O autor da matéria, que recebeu 21 assinaturas, vereador João Oscar (PRP), lavou as mãos e jogou para a prefeitura a responsabilidade de definir a situação dos moradores, contrariando o compromisso que havia assumido de só colocar o texto em votação depois de resolvida essa questão.
A intenção é construir no trecho da Rua Ipê e nas ruas não implantadas Serra Negra e Samuel Salles Barbosa um novo templo da Igreja Batista da Lagoinha, com capacidade para 30 mil pessoas. Na justificativa do texto, João Oscar alega que as ruas “estão totalmente inseridas no perímetro de área particular de propriedade da Igreja Batista da Lagoinha”, ignorando, no entanto, a existência dos imóveis de número 514 e 498, localizados na Rua Ipê. “Esse é um projeto autorizativo. A prefeitura é que terá de resolver com os moradores, caso ache conveniente”, ressaltou o parlamentar, justificando que foi informado da possibilidade de os imóveis terem saída para outra rua.
O engenheiro Raickson Costa, que há 51 anos mora na via, ficou surpreso ao saber da aprovação da matéria. “É um absurdo. O vereador se comprometeu com a gente a não votar”, ressaltou. Ele e seu primo Edvaldo Costa, que mora na casa ao lado, já sofrem com a invasão da igreja. O fato é que o espaço público – onde há inclusive postes demonstrando a existência de ruas – já virou estacionamento da igreja antes mesmo de ser vendido. Raickson nasceu na casa da Rua Ipê, onde morava com o pai, artista plástico. Para Edvaldo, que foi para lá com 21 anos, o imóvel tem um significado ainda mais especial: ele faz do espaço ateliê para a confecção de peças sacras.
O projeto de lei que vai beneficiar os evangélicos estabelece o parcelamento do pagamento, com correção pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e juros de 1% ao mês. A proposta de João Oscar também autoriza o município a receber como pagamento pelo terreno ocupado um imóvel de valor menor, desde que a diferença em relação ao preço da área vendida seja paga pelo comprador.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Expansão ou retraimento

Simone Weil, foto obtida aqui
Ricardo Gondim, no seu site
Ainda adolescente, Simone Weil impressionou o mundo acadêmico francês. De Albert Camus à sua xará, Simone Beauvoir, filósofos que conviveram com ela reconheceram: a menina era de fato um prodígio. Simone não se confinou na academia, mas se engajou em causas sociais. Lutou para denunciar as engrenagens opressoras da indústria, indo trabalhar  na linha de montagem de uma fábrica de automóveis. Depois,  em solidariedade aos judeus que padeciam nos campos de concentração nazistas, passou a comer uma ração igual aos que o seu povo dispunha. Ela era judia, mas simpatizou com o cristianismo. Suas conversas com o padre Joseph-Marie Perrin, que se tornou um grande amigo e conselheiro, a tornou uma cristã bem diferente dos membros de qualquer igreja.
Aos 34 anos, em 1943, com a saúde debilitada por tanto sacrifício auto imposto, Simone Weil morreu em um sanatório inglês. Alguns anos depois, no pós guerra, Camus afirmou: “Parece-me impossível imaginar um renascer para a Europa que não tenha em conta as exigência definidas por Simone Weil”.
Ao questionar as construções conceituais que os judeus desenvolveram sobre Deus, Simone Weil enfatizou que era preciso pensar a fé a partir do Cristo da cruz. Ele, crucificado, era o eixo fundamental para se compreender Deus. Na apresentação do livro “Espera de Deus”, José M. Pacheco Gonçalves descreve assim a contribuição de Simone Weil para uma espiritualidade centrada na cruz: “Simone Weil encontra no Crucificado a chave do conhecimento, a via da verdade, a porta da alegria interior…”
Simone Weil, como poucos, encarnou até a morte o que considerava a sua fé; e soube esvaziar-se, doar-se, com uma radicalidade comovedora. Dois parágrafos expressam o pensamento de Simone Weil sobre o esvaziamento (kenosis) da Encarnação. Eis, para ela,  o ponto máximo da revelação: no retraimento e não na manifestação do poder está a maior grandeza do amor.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Campanha na internet prega começo da vida sexual só após o casamento e ganha milhares de adeptos


Paula Fernandes, no Extra
“Eu escolhi esperar”: casais esperam a confirmação divina
“Eu escolhi esperar”: casais esperam a confirmação divina
Foto: Nina Lima / Extra

“Deus tem uma bênção específica para cada um de nós, no momento certo. Se formos precipitados, atrapalhamos o processo”, repete o missionário Felipe Augusto Medeiros, da Igreja Congregacional de Bento Ribeiro. Aos 27 anos, o jovem conta que deu o primeiro beijo somente aos 22, em sua única namorada, com quem permaneceu por um mês. Desde o fim do relacionamento, garante que permaneceu sozinho, sem qualquer envolvimento com outra mulher.
- Não tenho vergonha de dizer que sou virgem. Escolhi aguardar no Senhor, que colocará no meu caminho a pessoa certa, na hora certa. A banalização do amor causou em mim o desejo de fazer algo contrário – diz Felipe, convicto da escolha.
“A banalização do amor causou em mim o desejo de fazer algo contrário”, revela Felipe Medeiros, da da Igreja Congregacional de Bento Ribeiro. Foto: Nina Lima / Extra
Os princípios são bíblicos, a escolha é natural e a espera, inevitável, segundo muitos. Baseados nessas questões, jovens de todo o país têm encontrado na internet uma ferramenta para propagar o ideal de iniciar a vida sexual somente após o casamento. Criada em abril do ano passado pelo pastor Nelson Junior, de Vitória, Espírito Santo, a campanha “Eu Escolhi Esperar” já conta com a adesão de mais de 500 mil pessoas no Facebook. No Twitter, já são mais de 120 mil seguidores, enquanto que, no Orkut, são quase 20 mil.

A prece

publicado originalmente no G1



O rabino Dov Baer estudava as Escrituras, enquanto seu filho de um ano dormia ao lado de sua mesa de trabalho.

Em dado momento, a criança acordou e começou a chorar. Dov Baer, concentrado no que lia não prestou a menor atenção.

A criança chorou horas seguidas, até que o rabino Zalman, veio correndo do seu quarto e colocou-a no colo. Quando os gritos do menino cessaram, Zalman virou-se para o Dov Baer e disse:

“Admiro a sua concentração no trabalho; se quisermos entender Deus, é importante o estudo das Escrituras. Mas se quisermos nos aproximar de Deus, temos que primeiro consolar aqueles que choram”.

Religião no brejo


capturado no Pavablog

“Ensina o girino na lagoa que deve pular e, ainda que se metamorfoseie, não se desviará dela.”
“Ainda o coachar não me saiu à boca e tu já conheces Senhor.”
“O coração do batráquio pode fazer planos, mas o Senhor lhe dirige os pulos.”
“A mosca nossa de cada dia nos dai hoje.”
“Em verdade, em verdade te digo: se o sapo não virar girino de novo, não poderá ver a lagoa de Deus.”
“E Sapoisés levantou a vara e o deserto se abriu e todos os sapos e pererecas atravessaram no meio de um lençol freático a pés ensopados aquele deserto…”
“Há lagoas que para o sapo parecem perfeitas, mas o fim delas é uma usina hidrelétrica.”
“E Sapim matou a Sapel…”

Vale a pena?


por Antonio Prata*, na Folha de São Paulo
foto: Internet
Vendo esses atletas ganharem medalhas, quebrarem recordes, suarem a camisa e botarem os bofes pra fora na terra, na água e no ar, oscilo entre a admiração e a pena.

Admiração pelo talento, e, principalmente, pela força de vontade. Ó o Phelps: o cara tá nadando desde os sete anos de idade, tá há 12 competindo em Olimpíadas, querendo se tornar o maior medalhista de todos os tempos e então, pronto, tornou-se. Bonito. Mas essa mesma força de vontade, tão desproporcional quanto as coxas do Robert Förstemann --aquele ciclista alemão que parece primo do He-Man-- me dá certa pena.

Coitados desses caras! O Thiago Pereira disse que chega a vomitar após alguns treinos. Cesar Cielo falou que sai das provas quase desmaiando. Esse pessoal tá se preparando desde criancinha, atravessou a adolescência focado, deixou de namorar, de viajar com os amigos, de passar mal depois de beber Campari com Fanta Uva, enfim, deixou de fazer todas as besteiras fundamentais da juventude para conseguir encostar numa parede 0,2 s antes, pular 1 cm mais alto, levantar 1 kg a mais. Valerá a pena tanta dedicação?

Veja, não é a inutilidade dos feitos que me incomoda. Pelo contrário. Acho que, num mundo sem Deus e sem sentido, é uma postura nobilíssima dedicar a vida a um jogo. Que bela vingança contra a morte, que elegante desdém diante do vazio é especializar-se em meter uma bola entre três traves, em rebater uma peteca por cima da rede, em dar piruetas e depois cair numa piscina. Mas só vale se for possível extrair dessas atividades algum prazer --e, com o nível de exigência que o esporte alcançou, acho difícil que os atletas estejam se divertindo.

Quando Phelps chegou em quarto, na sexta-feira passada, muitos se perguntaram se ele teria realmente treinado menos do que o necessário e se, depois de duas Olimpíadas de glória, Londres seria um fiasco. Secretamente, torci por isso. Não porque queira mal ao nadador, mas porque achei que veríamos então, finalmente, no meio de tantos super-heróis, um espetáculo humano, demasiado humano: um homem que tinha tudo para ser o maior de todos os tempos e deixou a chance escapar --por preguiça, por tédio, por irresponsabilidade ou qualquer outra fraqueza comum a todos nós. Esse fracasso seria uma lição bonita, mais bonita que suas vitórias.

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