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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Ser pastor


Cá entre nós: a maioria dos pastores controla, vigia e domina ao invés de cuidar. E não estou me referindo apenas aos Malas da vida, estou falando de você mesmo.
munch300_1Julio Zabatiero, no Facebook
Trinta e cinco anos ensinando teologia. Embora a cada ano as turmas se renovem, algumas perguntas sempre se repetem. Uma delas: como aplicar na igreja tudo o que aprendemos? Por trás desta útil e inocente pergunta há muitas ansiedades. Dentre elas, talvez a mais comum e importante seja: há uma diferença tão grande entre o que se estuda na Faculdade de Teologia e o que se vive na igreja, como conciliar esses dois mundos? No fundo, no fundo, mesmo quando não consegue expressar, a maioria dos estudantes de teologia desconfia da viabilidade prática do estudo teórico. Imaginam que, no final das contas, irão aprender a pastorear apenas na igreja, na prática, prática que irá enfim se provar verdadeira e comprovar a inutilidade das belas teorias estudadas no bacharelado. Permitam-me oferecer uma resposta possível à pergunta.
Em primeiro lugar, e falando francamente: o que se estuda na Faculdade de Teologia não é para ser “aplicado” na igreja. A mera noção de que teoria é algo que pode ser “aplicado” revela um dualismo epistêmico e metafísico insustentável. Dualismo epistêmico? Palavras misteriosas que traduzem o senso comum: “na prática, a teoria é outra”. O senso comum e o senso acadêmico, neste caso, estão ambos errados, até porque são duas versões para a mesma incompreensão. Teoria e prática não são duas realidades opostas, são os dois lados da mesma moeda, são as duas dimensões da ação intencional, são as duas metades do todo. O fato de estarem separadas no tempo e espaço durante o período da formação acadêmica não pode ser elevado a uma condição permanente essencial.
Durante o curso, a teoria estudada não deve ser recebida e apreendida como a verdade que revela a falsidade das crenças e práticas eclesiais. Seria mero trocar seis por meia dúzia, e eu já cansei de ver essa história: ingressante “fundamentalista”; torna-se crítico, progressista na Faculdade; volta ao primeiro amor no pastorado. Moral da história: não aprendeu nada, o tempo de curso teológico foi desperdiçado. Teoria não é “verdade” é desafio de aprendizado, proposta de reflexão, possibilidade de auto-conhecimento, abertura para o discernimento. Prática e tradição eclesiásticas também não são a “verdade”, são hábitos acumulados, teorias esquecidas, práticas reprisadas. A prática não é “laboratório”, é lugar de repetição, mas não de replicação de experimentos. Em outras palavras: não adianta copiar o modelo de igreja bem-sucedido do vizinho. Na prática, a prática é outra.
Em segundo lugar, e falando candidamente: o trabalho do pastor não é transformar a igreja, não é consertar os seus erros, não é levar a verdade aos confusos leigos, não é promover uma nova e derradeira Reforma (ou Revolução). O trabalho da pastora é cuidar das pessoas. (Você ficou confuso? Cuidar é trabalho da pastora, ou do pastor, ou de ambos? Antes de responder, seu trabalho é aprender a lidar com a diversidade sem reduzi-la a hábitos “universais” de linguagem.) Todas as atividades formais e informais do pastorado têm como único objetivo, como única natureza, como verdadeira essência (ai de mim! usando tais termos tão metafísicos): cuidar das pessoas. Quem ama, cuida. Nem todos os que cuidam, porém, amam.
Uma pista para rejuntar teoria e prática: estudamos teorias na Faculdade de Teologia para, na hora H, perceber e construir a diferença entre: “cuidar e controlar”, “cuidar e vigiar”, “cuidar e dominar”. “Ah! Agora estou vendo por que o prof. insistiu em ler Foucault com a gente” (diria eu, imagino, um ex-estudante consciente, formado há algum tempo. Hoje em dia, a leitura preferida seria Agamben, “Foucault” italianizado e atualizado).
Cá entre nós: a maioria dos pastores controla, vigia e domina ao invés de cuidar. E não estou me referindo apenas aos Malas da vida, estou falando de você mesmo, de pastoras e pastores “normais”, que “dão a vida pelo rebanho”. Se você tivesse estudado comigo, também teria lido Habermas, e a distinção entre “ação comunicativa” e “ação estratégica” cairia no seu colo e dominaria a sua oração de confissão de pecado pastoral. Se você pastorear estrategicamente, jamais será capaz de cuidar, apenas de controlar, vigiar e dominar.

Joelma grava vídeo para tentar neutralizar fama de homofóbica

Joelma
Cantora tinha dito que não
aceitaria um filho gay
A cantora e dançarina Joelma (foto), da banda Clypso, gravou um vídeo [ver abaixo] para dizer que a comparação entre gay e drogado, atribuída à ela por uma revista, foi um mal entendido.

Joelma contou que, na entrevista à Época, relatou o caso de uma pessoa que deixou de ser gay e que também se livrou das drogas. E que, segundo o testemunho dessa pessoa, uma coisa foi tão difícil quanto a outra. 

A cantora, que é evangélica, disse que respeita os gays e os gays respeitam a religião dela. “Devo muito a eles, me ensinaram muitas coisas”, disse ela, que tem, ou tinha, muitos gays entre seus fãs. 

No vídeo, Joelma não fez nenhuma referência a outras suas afirmações polêmicas sobre os homossexuais. Exemplos: “Conheço muitas mães que sofrem por terem filhos gays”, e “Se tivesse um filho gay, lutaria até a morte para fazer a sua conversão”. 

As afirmações da Joelma continuam tendo forte repercussão nas redes sociais e imprensa. 

O novelista Aguinaldo Silva disse que Joelma é a Lady Gaga do Recôncavo: “Canta mal, dança mal, rebola mal, se veste mal e quando abre a boca… Só fala besteira”. 

Os negócios da Clypso, que já não iam bem, pioraram, porque alguns contratos de apresentação foram cancelados. 

A produtora que estava interessada em filmar a trajetória de Joelma e Chimbinha, seu marido e parceiro na banda, desistiu de levar o empreendimento adiante, embora já estivesse escalado Debora Secco para fazer o papel da cantora. 

E Chimbinha, que sofre de depressão há anos, teve uma recaída, de acordo com um jornal do Rio. Ele discorda da mulher em relação aos gays.

Pela avaliação da maioria dos comentários do vídeo da Joelma, no Facebook, a cantora não conseguiu convencer que não é homofóbica. 

A roupa nova do imperador e a igreja brasileira


“Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles; e é o que deseja o meu povo. Porém, que fareis quando estas coisas chegarem ao seu fim?” Jeremias 5.30-31. (grifo nosso) Leia ainda Jeremias 23.9-33; 28.1-4; Ezequiel 13 e 14.
Você já ouviu falar de Hans Christian Andersen (1805 – 1875), autor de inúmeros contos infanto-juvenis? Não? Ele escreveu “A Roupa Nova do Imperador”, você lembra dessa história? Não? Tudo bem, eu sei que faz tempo que você deixou de ler histórias infantis. Vou tentar refrescar a sua memória. A história é mais ou menos esta:
Há muitos anos havia um Imperador que era apaixonado por roupas novas e gastava todo o dinheiro que possuía com elas. Tinha um traje para cada hora do dia. Certo dia chegou a sua província dois vigaristas. Fingiram-se de tecelões e disseram que possuíam um tecido especial. Esse tecido possuía a qualidade de ser invisível a todos que não seriam capazes de exercer as suas funções. Como também, distinguia os tolos dos inteligentes. Logo, o imperador entregou-lhes muitas sedas e ouro para a confecção do traje. Os vigaristas guardavam todo o material e sempre pediam mais ao monarca. No entanto, nem um só fio era colocado no tear, embora eles fingissem continuar trabalhando apressadamente. O Imperador mandou súditos para examinarem a roupa, e ele, embora não vendo nada, temiam relatar o que estava acontecendo, para não serem tachados de tolos e incapazes de exercerem as suas funções.
Sempre diziam: “Que traje maravilhoso, é de uma beleza fenomenal”. Quando ficou pronta o imperador foi participar de um cortejo onde queria exibir sua mais nova roupa – já que em toda a província a fama do suposto tecido havia se espalhado. De repente, alguém grita: “O imperador está sem roupa!” Houve o maior frisson no império. Só ai o monarca percebeu o quão tolo havia sido.
Mas o que isso tem a ver com a igreja brasileira? Há muito que aprender com esse conto. Muitas das inovações no seio da eclesiologia brasileira não passam de histórias fantasiosas. Seria até cômica se não fossem trágicas. Há muitas heresias e “espiritualismo” travestido de roupa nova. Vigaristas da fé estão espalhados aos borbotões. Pessoas, até mesmo sinceras, dizem estar vendo algo que não existe. Prega-se uma “espiritualidade sensitiva”, onde o sentir é mais importante que o saber. Isso é espantoso, é horrendo.
Jó disse: “bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido. – 42.2. Bem sei (hb yada‘), ou seja, conhecer por experiência, perceber, ver, descobrir e discernir. Infelizmente, os cristãos, hoje, não querem saber, querem sentir. Muitos, a semelhança dos súditos, continuam dizendo: “Que traje maravilhoso, é de uma beleza fenomenal”. O povo quer espetáculo? Vamos dá espetáculo! Como nos diria Jeremias: “… profetizam falsamente”. Prometem o que não podem cumprir.
Precisamos usar de honestidade ministerial. As tentações para transformar o nosso culto em “roupas novas” são muitas. Afinal, “… é o que deseja o meu povo”; diz o Senhor. Precisamos parar de ver espiritualidade onde, na realidade, só há carnalidade e culto narcisista. Deus é o único que merece toda a nossa honra, glória, louvor e adoração.

Brasil é o segundo maior “exportador” de missionários no mundo

O fortalecimento do cristianismo nos países do hemisfério Sul tornou o Brasil a segunda maior fonte de “exportação” de missionários na última década, sendo ultrapassado somente pelos evangelizadores norte-americanos.

publicado em ALC Notícias

imagem: google
Ao interpretar dados publicados pelo Centro de Estudos do Cristianismo Global da Universidade Gordon-Conwell e publicados pela BBC Brasil, o teólogo e professor da Faculdades EST, Roberto Zwetsch, enfatizou a necessidade de acompanhar criticamente essa onda missionária. “Quem envia esses missionários, com que objetivos e qual a teologia da missão que fundamenta as suas ações?” - questionou.

Segundo Zwetsch, a proximidade linguística e cultural é um fator que pode, pelo menos em parte, explicar a presença massiva de missionários católico-romanos e também evangélicos em comunidades latino-americanas dos Estados Unidos. A crescente consciência missionária também desafia as igrejas a se engajarem na missão.

A pesquisa liderada pelo professor da Gordon-Conwell, Todd Jonhson, constatou que 34 mil missionários brasileiros foram enviados ao exterior em 2010, 70% a mais do que no ano anterior. “A quantidade de missionários enviados pelo Sul global supera o declínio do cristianismo na Europa”, frisou o estudioso.

Na avaliação de Zwetsch, a melhoria das condições de vida no Brasil repercutiu diretamente no seio das igrejas, estimulando, em parte, o interesse por ações missionárias no exterior.

Ao citar a missionária presbiteriana dos Estados Unidos, Sherron George, o professor da EST esclareceu que muitos missionários seguem a estratégia paulina dos “fazedores de tendas” e, quando enviados em missão, garantem o seu sustento a partir do exercício de seus ofícios de origem, seja como médico, professor, assistente social, entre outras. “Outra possibilidade é o caminho das parcerias com igrejas do hemisfério Norte que colaboram em projetos, financiando o trabalho missionário em outros países com missionários da América Latina”, pontuou.

O professor da EST lembrou o trabalho desenvolvido junto a comunidades pobres de Moçambique pela diaconisa luterana brasileira Doraci Edinger, assassinada em 2004 por razões até hoje desconhecidas, com o intuito de apontar dificuldades da inserção missionária em outros contextos culturais, eclesiais e políticos.

“Missão tem a ver com contextualização e inculturação, o que evidencia a necessidade de um duro e paciente trabalho de inserção na cultura hospedeira, sem o qual se pode comprometer o anúncio do evangelho e a própria presença missionária”.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Reação evangélica: “pregação de Feliciano é racista”, diz teólogo


Pastor Ricardo Gondim – cenj.org.br
A entrevista abaixo é uma preciosidade nesses tempos em que querem “de joelhos e orando” um Estado que é laico e assim deve permanecer.
A lucidez do teólogo entrevistado merece aplauso. Sem paixões, sem arroubos.
São opiniões necessárias e esclarecedoras nesse momento em que um pastor deputado faz da tribuna do Parlamento um púlpito para teses radicais e preconceituosas, colocando dogmas religiosos acima de demandas civis. Confira:
A permanência do pastor Marco Feliciano no cargo de presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara desgasta a imagem do mundo evangélico no País, provoca constrangimentos e rejeições.
A  atitude mais lúcida diante do impasse seria a renúncia imediata.
Quem faz essas afirmações é o também pastor evangélico Ricardo Gondim, teólogo, mestre em ciências das religião e líder da Igreja Betesda.
Na entrevista abaixo, ele também critica as declarações feitas por Feliciano de que a África e seus habitantes seriam amaldiçoados por Deus.
Tal tipo de  teologia, segundo Gondim, é racista e fundamentalista na sua essência.
Gondim, que tem 58 anos, passou pelas igrejas Presbiteriana e Assembleia de Deus, antes de se vincular à Betesda, que em hebraico significa “lugar da misericórdia de Deus”.
No ano passado ele rompeu com parte do movimento evangélico, após ter sido atacado e chamado de herege, por suas críticas à chamada “teologia da prosperidade”.
Ele tem dito que o Deus da Bíblia não deve ser visto como um sádico que se compraz em amaldiçoar os homens, mas sim como parceiro deles.
O pastor também defende o direito dos gays ao casamento civil: “Numa sociedade que se pretende laica, é assim que deve ser.”  Do Estadão (Blog de Roldão Arruda – publicada no dia 30.03.13).
Como pastor, de que maneira analisa a polêmica que envolve Marco Feliciano e a Comissão de Direitos Humanos?
Fico muito constrangido com o que está ocorrendo.
Acha que as críticas a ele são dirigidas a todo os evangélicos? Ele fala em cristofobia.
O Marco Feliciano se apresenta como representante não só do mundo evangélico, mas de todo o protestantismo. Na verdade, ele pouco representa das tendências protestantes. Foi eleito por um segmento muito alienado politicamente. Candidatos como ele são eleitos, geralmente, para se tornarem os representantes de sua igreja no parlamento. Eles se preocupam mais com os interesses da igreja do que com as questões que dizem respeito a todo o País.
A que atribui o antagonismo com grupos que defendem os direitos humanos?
Ele se antagonizou com o Brasil porque expressou pelo Twitter e, depois, num culto, opiniões sobre a questão dos negros. Disse que são descendentes da parte amaldiçoada dos filhos de Noé, os filhos de Cam. É interessante observar ele não criou nada ao fazer tais afirmações. Essa teologia é muito antiga, muito anterior a ele, persistindo até hoje em alguns poucos segmentos fundamentalistas. Ela tem origem entre os colonialistas, que dividiam o mundo em três áreas – o ocidente, o oriente e o sul. Nesta última teriam ficado os possíveis descendentes do personagem bíblico, os amaldiçoados. O Feliciano lucra em cima dessa teologia, fatura em cima dela, mas não acrescenta nem desenvolve nada. É apenas o porta-voz de um grupo que, no atual contexto religioso, ainda replica argumentos usados por países colonialistas para a dominação e exploração dos mais pobres, especialmente na África. Isso é muito triste.
Diria que é uma teologia superada, fora de uso?
Não. Ainda é usada por setores de direita, ultraconservadores. Em 2010, o tele-evangelista americano Pat Robertson, dono de um canal de televisão, disse que a grande tragédia provocada pelo terremoto no Haiti naquele ano era decorrente de um pacto que os haitianos haviam feito com o diabo, quando lutavam para se livrarem do jugo da França e se tornarem independentes. Em outras palavras, em 1804 eles venderam a alma ao demônio, que veio cobrar a dívida agora, dois séculos depois. A manifestação de Robertson foi uma asneira, uma estupidez que provocou manifestações de repúdio em amplos setores da sociedade americana. Mas ele não estava falando sozinho. Ainda existem segmentos, dos quais Marco Feliciano faz parte, que repetem esse tipo de coisa, que defendem a relação entre causa e efeito, a maldição das pessoas pela divindade que tudo ordena e orquestra, como se nossas escolhas, decisões e articulações sociais não interferissem nos resultados. Trata-se de um simplismo cruel e inútil.

Um olhar de um peregrino sertanejo



João Euler, no Eu, ler? Poder ser!
“Minha vida era andar por esse país...” era a canção que eu mais gostava. Trabalhava viajando de uma cidade para outra. Às vezes, sem descanso, só pra dar tempo de chegar logo na outra cidade bem cedim. Eu achava muito bom essa vida que eu tinha mesmo doendo a saudade da minha família.

Mas tenho que contar “procês” um “causo” que mexeu com minha vida, com a vida desse sertanejo "véi" da Judéia. Aprendi uma coisa que escola nenhuma me ensinou. O que é de verdade um próximo. Aquilo que as Escrituras Sagradas falavam através dos nossos avós. Eu tava vindo de Jerusalém pras bandas de Jericó. Sempre fazia isso, era costumeiro. Pois num é que apareceu um bando “servergonhe” de ladrão. Eu não sei daonde aqueles cão saíram. Não é assim? Do nada, as desgraças aparecem? Só sei que me pegaram de jeito, levaram meu jumentim que carregava as coisas tudo. Meu material de venda, meu mostruário, minhas malas, meu dinheiro... Ainda me bateram, me bateram, me bateram... Quando pedi pra parar... aí, que me bateram mais. Nunca senti tanta dor.

No chão, me senti humilhado. Só lembrei da minha família. Como ia voltar pra casa. E se eu ia, como ia levar o sustento... Pedi tanto a Deus a morte. Mas nada... Só silêncio. Sem força, só tinha a saída de esperar alguma coisa caído naquele sol quente. Nunca me senti tão só em toda a minha vida. Nem um pé de gente naquele fim de mundo.

Quando de repente vem alguém. Tava com a vista ruim, mas deu pra ver que era alguém importante. Acho que era um sacerdote, um líder da igreja certamente. Pela roupa, dava mais ou menos pra ver. Eu vi que ele me viu. Talvez tenha me reconhecido, mesmo eu não sendo da religião dele. Quem sabe, eu tinha até visitado lá o lugar dele. Tentei falar, fiquei com vergonha. Afinal... eu tava quase nu. Quem é que vai ajudar alguém sem nada, não é mesmo? O que pude ver mesmo, foi ele passar meio que “arrudeando” por onde eu tava. Quando ele se foi, só me deu vontade de chorar... de tristeza, de dor, de sofrimento...

Depois de um tempim, deu pra notar no meio dos raios do sol, outro homem vindo. Era conhecido? Era sim... Era cantor! Eu tinha comprado os LP’s dele! Eu não ia reconhecer aquele chapéu dele de longe? Oura não?! Esse eu vou chamar. Na verdade, eu vou cantar a música mais famosa dele. Não dá, não tenho forças. Ele passou tão rápido, que... deixa pra lá! Não valho nada mesmo. Não tenho nada. Devo morrer. Ninguém se importa comigo.

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