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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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terça-feira, 3 de setembro de 2013

Média de registro de novas igrejas é de 1,7 por hora

Pessoas procura dois "sócios"
para abrir promissor "negócio"
Do dia 1º de janeiro até hoje (2 de setembro), foram registradas no Brasil 2.903 igrejas, o que significa cerca de 214 por dia ou 1,7 por hora. Quase a totalidade é evangélica. Há nomes muito parecidos entre si.

Se fosse contabilizada a abertura de “filiais” de igrejas já estabelecidas, o total seria mais expressivo, porque algumas denominações, como a Assembleia de Deus Vitória em Cristo, do Silas Malafaia, estão em frança expansão. Os pastor tem planos de abrir 250 templos nos próximos cinco anos.

De acordo com o “Empresômetro”, levantamento de índices do IBPT ( Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), houve no período mais registros de igrejas do que estabelecimentos do comércio, indústrias e serviços.

O número de condomínios, 2.370, foi o que chegou mais próximo da quantidade de novas igrejas.

Pelo cadastro de registros de nome de estabelecimentos e entidades, a única atividade que superou a abertura de igreja foi a de associações, com 5.685. E evolução desses números podem ser acompanhada diariamente pelo "Empresômetro".

O frenético ritmo de abertura de igrejas pode significar que o “mercado” de dízimo está saturado, o que seria a explicação das dificuldades financeiras de igrejas como a Mundial.


Mercadores de milagre

imagem: Internet

Ricardo Gondim, no seu site
Cursei o Programa de Mestrado da Universidade Metodista de São Paulo. As aulas aconteciam no edifício Capa, vizinho à Clínica de Fisioterapia. Não havia como evitar o entra e sai de veículos adaptados para o transporte de homens, mulheres e crianças portadores de deficiência como paralisia cerebral, paraplegia e tetraplegia. Enquanto estacionavam, era impossível virar o rosto. Apesar de alguns alunos parecerem insensíveis, notava-se a maioria nitidamente constrangida com a carências daquelas pessoas. No esforço de pais e enfermeiros empurrarem cadeira de rodas ou maca, testemunhávamos a resiliência de quem lutava pelo bem estar e saúde dos outros. Idosos, mesmo empunhando muleta, bengala ou andador, mantinham sua dignidade.
Nunca entrei  na clínica, apenas imaginei a delicadeza de médicos, enfermeiras e fisioterapeutas no trato de gente tão frágil. Sei também que alguns daqueles pacientes pingavam bastante suor para agarrar cavaletes e argolas e compensar seus impedimentos musculares. Dentro de clínicas semelhantes, espalhadas pela cidade, a vida segue numa toada diferente do resto do mundo.
Ao presenciar o movimento daqueles deficientes, liquidei com a possibilidade de acalentar qualquer encanto com bravata de milagreiro. Como iludir-me com os testemunhos de cura que televangelistas e pregadores de rádio anunciam em larga escala? Como continuar confundindo fé com credulidade?
Quem assiste ao trabalho de um pai descendo o filho pela rampa de uma ambulância, não se deixa intrigar com declarações estrondosas de falsos ministros do Evangelho. Não há como dar crédito a quem usa a Bíblia para prometer que serão curados “pela fé” todos os doentes que comparecerem “à vigília da segunda-feira”, “à corrente dos 348″ ou “à cruzada pró-salvação do mundo”.
Meu berço religioso foi a Igreja Presbiteriana Central de Fortaleza. Em meus primeiros passos, pouco escutei falar em cura divina. Os presbiterianos eram conhecidos como “tradicionais” - uma versão conservadora, porém fundamentalista, do movimento evangélico. Um evangélico “tradicional” acredita que milagre depende muito mais dos critérios unilaterais de Deus, que decide se  - ou quando – vai operar. Na necessidade de alguém, que adoece na comunidade, os crentes “tradicionais” preferem repetir: Seja feita a tua vontade.
Depois que passei pela experiência pentecostal e falei em línguas (tecnicamente chamada deglossolália), tornei-me um fiel fervoroso. Compareci a diversas conferências em que professores e teólogos demonstravam, na Bíblia, a atualidade das curas divinas. Estive em duas conferências patrocinadas por um conhecido televangelista de San Diego, na California: Morris Cerullo. Tornei-me evangelista associado da Cruzada Boas Novas, (hoje considero cruzada um termo horroroso ) de outro missionário norte americano: Bernhard Johnson. Interpretei Jimmy Swaggart, o maior expoente do pentecostalismo latino americano, em sua turnê pelo Brasil – Morumbi e Maracanã.  Antes de ser alijado pelos evangélicos por solicitar os serviços de uma prostituta, Swaggart cria e pregava sobre cura divina. Eu também preguei e me vali dos raciocínios que fundamentam a lógica de buscar solução milagrosa para as enfermidades. Em todas as minhas experiências, presencieiforçação de barra e nenhum milagre.
Portanto, não me considero neófito, sequer incrédulo quanto às declarações categóricas de qualquer evangelista sobre cura divina. Conheço todos os versículos bíblicos que sustentam a pregação de que intervenções divinas e sobrenaturais acontecem em reuniões e conferências evangélicas. Ninguém precisa me converter. Consigo citar de cor Isaías 53, Marcos 16, 1Coríntios 12.
Acontece que a dor que mexeu comigo na calçada da clínica de fisioterapia me ajudou a ver o mundo com outros olhos. Vi uma mãe encaixando a cabeça da filha em um amparador da cadeira de rodas e as escamas dos meus olhos caíram. De repente me lembrei dos inúmeros hospitais com crianças com câncer, das sessões de hemodiálise, do esforço de quem ensina Braile para deficientes visuais e dos professores de sinais para surdos.  A fortaleza daquela mulher escancarou para mim a angústia de milhões de outras mães. E assim o meu coração se fechou para as antigas lógicas milagreiras.
Mesmo que eu ainda fraquejasse, inclinado a acreditar nos pregadores de cura divina, teria que lembrar da multidão de meninos e meninas que agonizam com HIV/Aids no Congo, África do Sul, Moçambique e Angola. Se num deslize do bom senso, condescendesse com os Cerullos, com os Benny Hinns e com os R. R. Soares da vida e aceitasse suas interpretações literais da Bíblia, eu teria que lembrar do mal estar que muitos doentes sofrem, naquele exato momento, devido à quimioterapia.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Mercado de produtos eróticos se adapta para conquistar público evangélico

sexshop-gospel
O casal Andrei Marsiglia e Thais Plaza, sócios da Doce Sensualidade, loja erótica que não usa o termo “sexshop”
Publicado na Folha de S. Paulo
“REALIZE SEUS SONHOS. PERGUNTE-ME COMO” — é o que se lê na camiseta vermelha de Mônica Alves, 45. Quem “pergunta como”, no caso, são mulheres evangélicas em busca das novidades que ela traz numa bolsa com 18 letrinhas bordadas no canto: “A Sós – Vocês Podem Tudo”.
Mônica já foi revendedora de produtos da Avon e da Natura. Hoje, a adepta da igreja Renascer sai da casa em São Bernardo do Campo (SP) carregada com 6 kg de itens bem diferentes, que vão de calcinhas comestíveis de chocolate (alguns maridos degustam com uísque) ao kit “50 Tons de Prazer”, com chicote, vela e venda.
Para as vendas, usa o codinome “Munik”. Como Mônica, quer emplacar carreira musical (canta em igrejas e centros espíritas, de Ivete Sangalo a repertório gospel).
Num salão de beleza no Sumaré (zona oeste), é Munik quem mostra à manicure Frances do Nascimento, 45, a “camisolinha da Nicole Bahls, a moça da ‘Fazenda’” (modelo semitransparente com estampa de oncinha).
Sua melhor freguesa aprova: “Não é porque a gente vai pra igreja todo dia que precisa ser santa”.
“As irmãs a-do-ram os produtos”, diz Frances sobre colegas do culto. Ela frequenta “todos os dias” a Igreja Mundial do Poder de Deus, do pastor Valdemiro Santiago, aquele que aparece na TV com chapéu de cauboi. Contribui com cerca de R$ 300 de dízimo por mês à igreja. Calcula dar até mais dinheiro para a revendedora.
“Ela gasta bem”, confirma Mônica.
Recém-separada do segundo marido, com um filho de um ano, Frances a-do-ra o “Boca Loca” – minivibrador em formato de batom (R$ 33).
Ela faz parte de uma legião de consumidores que vem chamando atenção do mercado. O censo do IBGE aponta que, entre 2000 e 2010, a porcentagem de evangélicos na população subiu de 15% para 22% (de 26 para 42 milhões de pessoas).
As consultora Tarciana Valente e Estela Fuentes vendem
produtos eroticos na casa das clientes
MERCADO QUENTE
Bom exemplo do apetite gospel está nos livros: a média de leitura dos fiéis é de 7,1 obras por ano, estima a entidade Sepal (Servindo aos Pastores e Líderes), enquanto a nacional não passa de 4,7.
Vendido na Feira Literária Cristã, em junho, “Celebração do Sexo“, do americano Douglas Rosenau, declara a que veio na dedicatória: “Obrigado, Senhor, pelo gozo íntimo e pela união calorosa do companheirismo sexual”.
Descrito como um guia para o “presente de Deus no casamento: o prazer sexual”, o livro traz ilustrações de posições sexuais e um capítulo inteiramente dedicado ao sexo feito “sem tirar a roupa”.
O autor, que se identifica como terapeuta sexual cristão, não economiza adjetivos em sua tese. Para Rosenau, a “diversão erótica” entre companheiros vestidos é “um prelúdio amoroso sutil, penetrante, espontâneo, eletrizante e sensual”.
Fiel da igreja Arca Sagrada, em Diadema (SP), a atendente de petshop Nilza Antunes, 29, é casada há seis anos, tem dois filhos, cabelo pintado de loiro platinado, aparelho dental com elásticos laranjas, piercing no nariz e uma curiosidade.
“Pode usar no corpo inteiro?”, ela questiona Mônica/Munik sobre o desodorante íntimo com essência de morango (R$ 20,70).

We (L) Tattoo: aliança é coisa do passado

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 Publicado no IdeaFixa -  [via Pavablog]
Os maravilhosos anos 10 estão colocando em cheque várias tradições. A velha aliança dourada está sendo substituída por algo bem mais definitivo por muitos casais…
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Ler para fugir da vida – ou para mergulhar nela

O que as memórias de um editor e a doença de sua mãe nos ensinam sobre a leitura e a solidão
Danilo Venticinque, na revista Época - [via Livros e Pessoas]
A leitura é um dos métodos mais eficientes e aceitáveis para evitar pessoas. Talvez por isso eu goste tanto dos livros e tenha decidido me dedicar a eles. Não sou o único. Já vi muitos leitores dizerem que têm mais livros que amigos, ou que gostam mais de livros do que de pessoas. Costumo concordar com eles e me considero um homem de sorte. Enquanto meus colegas jornalistas conversam constantemente com fontes, pessoalmente ou ao telefone, escolhi uma área que é o paraíso dos introvertidos. A maior parte do meu trabalho é feita em silêncio, diante de um livro ou da tela de um computador. Mesmo fora do trabalho, basta dizer que quero ler ou escrever e todos ao meu redor me deixam em paz (talvez para o meu azar). Seria a receita perfeita para a reclusão. Mas, como todo leitor com ideias descabidas e alguma curiosidade, vez ou outra deparo com livros que mostram o tamanho da minha ignorância – sobre a vida e sobre a leitura. Este texto é sobre um desses livros.
Para quem enxerga a leitura como uma forma de isolamento ou fuga da realidade, O clube do livro do fim da vida (Objetiva, R$ 37,90, 296 páginas, tradução de Rafael Mantovani) é um convite a repensar essa visão de mundo. Para quem acredita na leitura como uma experiência coletiva, é um livro que merece ser discutido em grupos e passado de mão em mão. Uma declaração de amor à vida, à leitura e à família.

No livro, o americano Will Schwalbe, ex-executivo de uma editora, narra a vida ao lado de sua mãe, Mary Anne, uma pioneira no trabalho voluntário no Afeganistão. Há muitas páginas dedicadas ao belo trabalho humanitário de Mary Anne, e aos bastidores do mercado literário revelados por Will. Mas o tema central de O clube do livro do fim da vida são os últimos dois anos da vida de Mary Anne, e a maneira como os livros transformaram o convívio entre mãe e filho.

Ao descobrir que sua mãe recebera um diagnóstico de câncer no pâncreas em estágio avançado, Will decide acompanhá-la nas sessões semanais de quimioterapia. Na primeira, sua mãe lhe pergunta o que ele estava lendo. Ele acha graça – foi-se o tempo em que podíamos pressupor que alguém estava lendo algo, mas ela insistia em fazer aquela pergunta a todos. Os dois passam a trocar opiniões e indicações de leitura, e os livros viram o principal assunto entre os dois na sala de espera do hospital. As conversas se repetem, com livros e opiniões diferentes a cada semana. “Tínhamos criado, sem saber, um clube do livro muito insólito, com apenas dois participantes. Como acontece em muitos clubes de leitura, nossas conversas transitavam entre as vidas dos personagens e as nossas próprias”, diz Will. “Não líamos apenas ‘grandes livros’, líamos de forma casual, promíscua e impulsiva.” Na lista de leituras, há desde autores clássicos como Shakespeare e Dante a best-sellers recentes e livros de autoajuda.

O clube do fim da vida (Foto: Divulgação)

Aos poucos, os livros passam a servir como apoio para que mãe e filho conversem sobre assuntos difíceis de abordar. Falar da doença ou da morte de um personagem é uma maneira de falar do câncer sem tocar no assunto diretamente. “Eles nos ajudam a falar. Mas também nos dão algo sobre o qual todos podemos falar quando não queremos falar sobre nós mesmos “, diz Will. “Ainda podíamos compartilhar livros, e enquanto estivéssemos lendo esses livros não seríamos a pessoa doente e a pessoa saudável; seríamos apenas uma mãe e um filho adentrando um novo mundo juntos.” Os livros também serviam como uma maneira sutil de demonstrar esperança no futuro. Num verão, os dois começaram a escolher livros longos, como A montanha mágica, de Thomas Mann. Acreditavam, mesmo sem chance de cura da doença, que ambos conseguiriam ler até a última página. Terminaram muitos grandes livros assim.
Mais do que uma forma de unir-se à mãe, Will vê a leitura como uma maneira de vencer a morte. “Nunca serei capaz de ler os livros preferidos da minha mãe sem pensar nela – e quando os passo adiante e os recomendo, saberei que parte daquilo que a formava vai junto com eles”, diz ele. O clube do livro do fim da vida divide esse legado com todos os leitores.

"Obama quer transformar a Síria em um novo Iraque", diz cineasta que se tornou porta-voz contra intervenção

publicado originalmente na Folha de S.Paulo

Impedida de voltar à Síria por perseguição religiosa, a cineasta Halla Diyab se tornou uma das principais vozes na Europa contra a intervenção militar em seu país.

Ela diz ainda acreditar numa saída pacífica para o conflito e afirma que uma ação armada, além de não garantir o fim do uso de armas químicas, vai agravar o sofrimento da população civil.

Diyab acusa o ditador Bashar al-Assad de cometer atrocidades contra seu povo e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de querer transformar o país em um novo Iraque.

Em entrevista à Folha, ela também falou sobre as consequências de ter produzido uma série de TV com críticas à opressão das mulheres no islã. Acusada de pregar valores ocidentais, foi perseguida por clérigos e escapou para não ter um braço cortado como punição.
Arquivo pessoal
A cineasta síria Halla Diyab, que escapou de ter o braço cortado por criticar opressão do Islã às mulheres no país
A cineasta síria Halla Diyab, que escapou de ter o braço cortado por criticar
opressão do Islã às mulheres no país
Folha - Você se tornou uma das principais vozes contra a intervenção na Síria. Por quê?

Halla Diyab - Porque eu acredito na paz. Acredito que a Síria pode voltar a ser um país pacífico e que os sírios podem recuperar seu orgulho e voltar a ser cidadãos, em vez de refugiados.
Intervenção militar significa guerra. Não acredito no uso da força para implantar a democracia nem na violência para garantir a paz. Uma ação militar transformará a Síria no campo de batalha de uma guerra maior envolvendo Irã, EUA e Rússia.

Um dia, vão perguntar o que as pessoas que tinham voz fizeram para defender o país neste momento da história. Para mim, a opção pelo silêncio é covarde e imoral.

É nossa responsabilidade mostrar ao mundo que a intervenção militar pode agravar a crise humanitária.

Assad é arrogante e orgulhoso, vai continuar lutando para se manter no poder. Os rebeldes querem impor a ideologia do islamismo.

Ninguém diz nada sobre a população síria.

Há crianças fora da escola há dois anos. Uma guerra não vai resolver isso.

Acredita que os EUA vão atacar a Síria, como defende o presidente Obama?

Obama disse que Bashar al-Assad seria punido caso ultrapassasse a linha vermelha [o uso de armas químicas]. Agora precisa manter sua palavra perante a comunidade internacional. É por isso que ele quer ir à guerra.

Acho que Obama não se importa com o povo sírio, e sim com o risco de que armas químicas caiam nas mãos de jihadistas, que poderiam usá-las contra o Ocidente.

Os EUA deveriam esperar o fim da investigações das Nações Unidas. Em vez disso, Obama está repetindo o que George W. Bush fez no Iraque. É a mesma ideologia de supremacia mundial, de que os EUA podem fazer o que quiserem no mundo.

A intervenção militar não será tão limitada como ele diz. Será um pontapé na porta que pode levar a um conflito maior em toda a região.

Assad é acusado de cometer um genocídio no país. Deixar de intervir não significa lavar as mãos sobre isso?
Em dois dias, o Ocidente fez mais do que nos últimos dois anos, ao se unir para viabilizar uma guerra contra a Síria. Por que os países não se uniram antes para encontrar uma saída política que possa salvar o país?

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