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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Valdemiro pede com voz chorosa R$ 21 milhões para pagar dívida

imagem: Internet
publicado no F5

Com voz chorosa, desesperançoso e cabisbaixo, o apóstolo Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, iniciou nesta semana uma campanha para a arrecadar ao menos R$ 21 milhões para pagar dívidas da igreja, especialmente as referentes ao aluguel de horário do canal 21, do Grupo Bandeirantes.

A igreja arrendou a emissora praticamente por 24 horas por dia e agora está com dificuldades em cumprir a obrigação...


ALÉM DISSO...

Valdemiro afirma que há vários templos com aluguéis atrasados, além de atrasos no pagamento de outros horários locados em rádios e TVs Brasil afora. Um especialista em igrejas, ouvido por esta coluna, que pede para não ser identificado, afirma que dois fatores prejudicaram substancialmente a Igreja Mundial, e que esses fatores ameaçam até a existência da linha evangélica:

Motivo 1)

A tentativa de crescer rápido demais e sem controle algum sobre a contabilidade; ou seja, a igreja contou que podia crescer mais rapidamente até que a Igreja Universal, mas confiou demais na generosidade dos fiéis; acontece que os fiéis (classes C e D, principalmente) já estão com outras dívidas e pararam de colaborar tanto. A Igreja Mundial quis crescer mais e mais rapidamente do que o possível.


As quatro perguntas que Silas Malafaia não quis responder


O livro “Entre a Cruz e o Arco-íris” conversou com dezenas de líderes do Brasil e do mundo, mas não com o “defensor da fé cristã”
A autora Marília Camargo César, o pastor Silas Malafaia e o livro "Entre a cruz e o arco-íris": agenda disputadíssima impediu entrevista, alegadamente
A autora Marília Camargo César, o pastor Silas Malafaia e o livro “Entre a cruz e o arco-íris”: agenda disputadíssima impediu entrevista, alegadamente
Ricardo Alexandre
Gostaria de recomendar imensamente a leitura do livro Entre a cruz e o arco-íris: A complexa relação dos cristãos com a homoafetividade (Editora Gutenberg), mas não vou fazê-lo. É que Marília Camargo César, editora no Valor Econômico e também autora dos livrosFeridos em nome de Deus e Marina: A vida por uma causa, é minha amiga e, mais comprometedor ainda, eu editei de muito perto os originais, acompanhei todo o trabalho de apuração, dei vários pitacos e, de quebra, escrevi o prefácio que pode ser lido aqui.
Então, não acredite em nada do que eu disser sobre o livro-reportagem. Faça o seguinte: vá até a noite de autógrafos (na próxima segunda-feira, dia 14 de outubro, às 18h30, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional), compre seu exemplar, leia e envie um comentário aqui mesmo dando a sua opinião isenta.
O que eu gostaria de dividir com você é, como de costume neste blog, um pouco do “making of”. Mais especificamente, os meses de tentativas de entrevistas com o pastor Silas Malafaia, autodenominado “defensor da fé cristã e dos valores éticos, morais e espirituais da igreja de Cristo”. Marília entrevistou dezenas de pessoas durante o período de reportagem, incluindo pastores e leigos de diversas tradições cristãs, das chamadas igrejas “inclusivas” às mais tradicionais, no Brasil e no exterior, alguns inflexíveis diante da ortodoxia outros com casos de homossexualidade na própria família. Enfim. Por meio de sua assessoria, Malafaia primeiro disse que não poderia receber a jornalista, dada a agenda disputadíssima dele. Diante da insistência de Marília, o pastor disse que aceitaria responder apenas por e-mail. Claro que um encontro olhos-nos-olhos – como ele concederia logo depois a Sabrina Sato noPânico na TV ou a Luciana Gimenez no Super Pop – sempre renderia mais ao leitor, mas era a opção que tínhamos, então concordamos. Marília me pediu algumas sugestões de perguntas e eu enviei as quatro abaixo.
Depois de receber e ler as perguntas, entretanto, Silas Malafaia disse que não teria tempo de responder. Foi uma pena. Como Marília teve a elegância de não publicar o questionário que o pastor preferiu não responder, pedi a ela que me deixasse divulgá-lo aqui no blog. Quais seriam as respostas de Malafaia às perguntas abaixo, caso ele tivesse tempo de respondê-las? Jamais saberemos:
1. O teólogo Justino Mártir (100-165) dizia que uma das marcas da igreja cristã primitiva era o fato de os santos terem passado a “conviver com outros povos” com os quais antes não conviviam “por causa de seus costumes diferentes”. Ou seja, segundo ele, a mensagem de Jesus mudou sua maneira de relacionarem-se com os diferentes. O senhor enxerga esse mesmo espírito em seus discurso acerca dos ativistas homossexuais? Em caso negativo, como o senhor justifica essa aparente diferença de postura entre Justino Mártir e Silas Malafaia?
2. Pelo que entendo, boa parte do seu discurso contra a PL122 baseia-se no que ela fere dos direitos dos cristãos. Biblicamente, o cristão teria outro direito além de servir o próximo e ser, como diria Charles Spurgeon, “a bigorna do mundo”?

O cristianismo como gnosticismo de doutrina e informação

ceuluzCaio Fábio
Nunca consegui entender que sentimento era aquele que fazia os homens declararem que outros humanos estavam no inferno porque não são da sua religião ou da sua cultura, ou mesmo por nunca terem ouvido uma dada informação gnosticamente salvadora.
E quando você vê uma certa alegria vitoriosa na cara da criatura que faz a condenação?…
Provavelmente trate-se da mais profunda expressão de sadismo, da mais horrenda forma de ânsia de poder, da mais desumana manifestação de arrogância, e da mais satânica de todas as afirmações auto-glorificantes!
Dizer que alguém foi para o inferno porque não conheceu uma certa informação ou doutrinação é a maior expressão do mais DOGMÁTICO GNOSTICISMO!
Sim, é salvação pela iluminação de certo conhecimento objetivo, com nome, endereço, geografia, histórica, moral, cívica, e um bocado de outras coisas! …
Então alguém diz: Mas é pela fé! Não pelo Conhecimento!
Claro que é! Mas se a fé tem que ser produzida por uma Informação histórica, então essa fé é apenas conhecimento, ou seja, gnosis; e, portanto, sendo doutrina que ilumina, é gnosticismo, e não fé.
A fé precede a Informação, embora a fé venha pelo ouvir; e o ouvir a Palavra de Deus!
E como pode ser então?
Ora, a Palavra de Deus não é uma Informação apenas. Informação ela até pode ser, e é também, mas numa escala infinitamente inferior ao que ela é de fato. Sim, pois a Palavra de Deus é Deus, é Pessoa, é Amor, é tudo o que Deus é.
Assim como tudo o que existe, existe da e pela Palavra, do mesmo modo tudo o mais é Palavra de Deus, e somente Deus pode dizer o que não é Palavra Dele.
Eu vejo a Palavra muito mais do que a ouço. Sim, pois ela sempre é mais encarnação do que explanação.
Foi tendo essa noção de Palavra que Paulo usou o Salmo 19 em Romanos 10 ao fazer a Natureza/Criação [salmo 19] proclamar a Palavra de Deus salvadora até aos confins do mundo. De tal modo que até os sem informação não ficariam sem noção.
Ora, quem tem a informação tem que confessar a fé com a boca, crendo no coração, conforme Paulo declarou. Mas quem tem a Palavra sem a informação, esse manifesta a sua fé pelas suas obras, posto que ele não tenha a informação que o faça dar explicação à força de suas certezas imponderáveis e inexplicáveis. Então, por suas obras e prudências e manifestações de amor, ele declara a sua fé, conforme Tiago declarou.

Manicure vive amor com ex-mendigo viciado em crack

Ediana e Augusto, juntos há quase sete anos (foto: Jorge Araujo/Folhapress)
Ediana e Augusto, juntos há quase sete anos (foto: Jorge Araujo/Folhapress)
Rogério Pagnan, na Folha de S.Paulo
A manicure Ediana Aparecida dos Santos Legieri, 35, conheceu seu marido, o atendente do McDonald’s Augusto Cesar Legieri, 29, em 2006 em Jundiaí (a 60 km de SP) quando ele pedia comida na casa vizinha. Augusto era morador de rua, viciado em crack. Ediana enfrentou família, amigos e vizinhos para viver esse amor. Os dois têm um filho, de quatro anos.
Foi numa manhã de outubro. Passava pouco das sete da manhã quando escutei palmas na frente de casa.
Ao abrir a porta, vi um morador de rua na casa vizinha. Não era comigo, mas perguntei se precisava de ajuda.
Ele me pediu comida e R$ 2 para o crack.
Havia tanta sujeira naquele homem que era possível raspá-la com uma colher. Seu corpo, cheio de manchas, exalava um cheiro insuportável.
De tanta magreza, usava uma calça toda torta com um nó no canto da cintura.
Não dei o dinheiro, mas dei atenção a ele. Conversamos muito. Percebi que ele tentava esconder de mim as unhas sujas dos pés. Ainda lhe restava algo de amor próprio.
Ele voltou nos dias seguintes para conversarmos. Viramos amigos. No quarto dia, deixei que tomasse um banho quente na minha casa. “Você deixa?”, espantou-se.
Cortei suas unhas. Foram as primeiras unhas que fiz na vida. Hoje sou manicure. Dei algumas roupas a ele.
Eram momentos difíceis para mim também. Eu tinha ficado desempregada por um tempo, acumulei dívidas e sofria uma ação de despejo. Morava comigo uma irmã (desempregada e grávida) e a filha dela, de seis anos.
No dia do banho, por exemplo, havia apenas um ovo na geladeira. Dei comida a ele, mas deixei minha família sem nada até o outro dia.
Ninguém aprovou minha amizade. Meus vizinhos pararam de me cumprimentar. Na igreja, tiraram meu lugar de destaque como cantora.
Isso piorou quando, quatro meses depois, começamos a namorar. Ele continuava com os moradores de rua.
No sexto mês, decidimos morar juntos. Era meu segundo namorado.
Minha família ficou desesperada. Chamaram minha mãe em Minas Gerais para que desse um jeito na situação, porque a “filha estava andando com um indigente”.
ELE
Comecei a usar drogas aos 15 anos. Amizades. Do álcool pulei para maconha, depois para cocaína e ainda aos 16 abracei o crack.
Sou filho único. Meus pais tentaram me ajudar, da maneira deles, mas eu não queria ajuda. Queria curtir, ser feliz, estar com meus amigos e, nesse pacote, estavam também as drogas.
Logo perdi o controle de dizer não a elas.
Ainda tinha 16 quando meu pai morreu. Foram me procurar para avisar.
Foi triste. Resolvi aceitar internações para tratamento.
Passei por quatro delas e, aos 19 anos, consegui ficar limpo por oito meses.
Comecei a trabalhar como modelo. Fiz desfiles, festas de debutantes, programas de auditório e figuração em uma novela na TV Globo. Tudo ia bem, mas tive uma recaída.
Tinha 21 anos quando minha mãe morreu. Ela chegou a ficar dez dias internada no hospital, mas nunca a visitei.

O fiel da balança

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Publicado no Estadão
Preterindo medicina ortomolecular, personal trainers, diet shakes milagrosos e dietas esdrúxulas, 13 mulheres, 1 menino e 1 menina pedem a Deus que os liberte de quilos em excesso. Não são os únicos em busca de leveza física e espiritual nessa noite. Na unidade da igreja evangélica Cristo Verdade que Liberta, de São Roque do Canaã, cidadezinha com algumas casas e poucos prédios a 110 km de Vitória, no Espírito Santo, havia também quem quisesse resolver nó no pescoço, coluna travada, mal-estar geral. Esperavam por “cirurgias divinas”, intervenções sobrenaturais que, além de aliviar suas almas, resolvessem, por assim dizer, dores da carne.
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Gabriel Lordello/Mosaico Imagem/Estadão
O “cirurgião” é Cesar Peixoto, pastor carioca radicado no município capixaba de Cariacica. Fazia uma “campanha sobrenatural” a convite da pastora Enedina Ribeiro, com dificuldades para atrair fiéis a sua Casa da Bênção, construída no primeiro andar da própria casa, em São Roque. Além da adoração a Deus, a ação é uma estratégia de marketing: visitas programadas em que Peixoto realiza “libertações”: do tabagismo, da obesidade e de outras doenças, prometidas por um panfleto distribuído na cidade uma semana antes – às vezes, de porta em porta. No papel, “Emagrecimento na hora” em letras garrafais e um texto dando fé sobre os milagres do pastor Peixoto. Ao pé do anúncio, uma parte destacável em que o fiel escreve o nome e entrega aos realizadores do culto. É assim que se tem o controle de quem e quantos são os novatos.
Naquele domingo, quando Enedina terminou o louvor, Peixoto se apresentou, anunciando os milagres do dia, entre eles a “lipoaspiração divina”. Explicou que o primeiro exemplo de um procedimento como esse se encontrava já em Gênesis: Deus, quando arrancou a costela de Adão para criar Eva, fizera a primeira operação espiritual. A partir de então, mantendo suspense hitchcockiano, o pastor lançaria pequenos vislumbres do que aconteceria logo mais, contando histórias e pedindo testemunhos de fiéis que, da noite para o dia, tiveram suas medidas reduzidas.
Após uma fala sobre casamento, incluindo a promoção de um CD (de R$ 15 por R$ 10) sobre sexualidade no matrimônio, com orações de quebra da “maldição sentimental” que acomete a vida conjugal de tantos casais, Peixoto dá início aos procedimentos. Convida os presentes à sala vazada em que ministra e os dispõe em três fileiras voltadas para ele. De pé, os fiéis fecham os olhos enquanto Cesar invoca os poderes de Deus e seus auxiliares. “Quem vai te operar é o Espírito Santo”, grita o pastor. “Preciso de anjos para realizar a lipo espiritual. Cura a hipófise, o hipotireoidismo, os hormônios desequilibrados, quebra a maldição genética que faz essas pessoas gordas, meu Deus! Emagrece! Emagrece!”.
Peixoto então assopra, expirando sobre as filas à sua frente. “Recebe o sono profundo!”, brada. A princípio, todos permanecem de pé. Só quando ele passa de pessoa em pessoa, entoando palavras baixinho, com as cabeças dos “pacientes” seguras entre suas mãos, é que nove fiéis desabam, amparados por dois auxiliares que se antecipavam às pernas bambas. Quando uma das moças torce a cabeça para trás, pescoço alongado e coluna arqueada, Peixoto explica que ela dormia em pé, tão forte era seu transe.
Os desacordados, na verdade, não dormem apenas, Peixoto explica. Passam por uma espécie de anestesia celestial, um pré-operatório para as cirurgias que viriam a seguir. E, como o resultado do procedimento é fruto de um encontro de fés – a do fiel e a do pastor – têm mais chance de acordarem mais magros: por estarem inconscientes, não há espaço para a dúvida que os impediria de receber o milagre, afirma Peixoto.
As moças e o menino, que acordam de um “sono profundo” de 15 minutos, estão convictos de ter emagrecido. E quando todos os outros que pediam milagres saem do altar, são rapidamente entrevistados pelo pastor. Embora a promessa de emagrecimento instantâneo seja um tanto espantosa, os fiéis agradecidos a tratam com naturalidade: algumas mulheres dizem ter as calças mais frouxas, puxando o cós das roupas; outras asseguram que as dobras da barriga desapareceram; o menino, com a camiseta um pouco folgada, jura que ela antes estava justíssima.
Sempre que alguém se apresenta com calça legging ou segunda pele, o pastor reclama. Avisa que não se deve vir de roupas colantes porque desse jeito é mais difícil sentir o emagrecimento.
Marta Gonzalez, a estudante de biologia que dormiu em pé, tivera a cintura modelada no dia anterior como um bônus. Na verdade, fora ao culto para resolver uma dor na lombar, mas sentiu sua blusa se mexer inexplicavelmente, envolvida por uma força estranha. “Queria emagrecer pouco, só uns três ou quatro quilos, mas cheguei em casa depois do culto e uma calça que antes nem fechava, me coube. Daqui a pouco fico lisinha, com barriga tanquinho!”, ri. Já a cozinheira Rosilda Rodrigo fora ao culto na noite anterior com propósitos estéticos bastante claros. Tomava Fluoxetina e Rivotril para controlar a ansiedade e a gula, e já tentara queimar gorduras até com chá de berinjela e noni. Só Jesus a salvou. Relatou ter emagrecido seis quilos na noite anterior, e quando chegou sua vez de dar o testemunho à frente dos outros fiéis, puxava a blusa e a calça, mostrando quão frouxas ficaram.
Diet dom. Pastor há 30 anos, Cesar Peixoto conta que se tornou evangélico por causa de incongruências entre o que a Bíblia e o catolicismo pregam. Era essa a religião que seguia aos 19, quando começou a namorar uma moça evangélica que acabou chamando sua atenção para a adoração de imagens e de santos, proibida no Livro Sagrado e tão característica do catolicismo. Não teve respostas satisfatórias quando resolveu levar questões como essa a um frade e decidiu sair da igreja. Ex-torneiro mecânico, trabalhou na Fábrica de Escovas Suissa enquanto fazia o curso de teologia no Instituto Teológico Monte Calvário, no Rio de Janeiro. Até o dia em que sentiu um chamado divino e resolveu se tornar pastor.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Universitário se recusa a fazer trabalho sobre Marx e escreve carta

Jovem diz que foi uma forma de protesto por universidade sem doutrinação.
Universidade na qual ele estuda não vai ser pronunciar sobre o caso.
Géssica Valentini, no G1
Aluno estuda Relações Internacionais (foto: Paula Meira/Arquivo Pessoal)
Aluno estuda Relações Internacionais
(foto: Paula Meira/Arquivo Pessoal)
Um estudante universitário de Santa Catarina se recusou a fazer um trabalho sobre cientista político e economista alemão Karl Marx e resolveu escrever uma carta ao professor do curso de Relações Internacionais e divulgar o conteúdo na internet.
A carta, segundo João Victor Gasparino da Silva, de 22 anos, foi uma forma de protestar. “Queria uma universidade com o mesmo espaço para todas as ideias e ideologias, sem proselitismo, sem doutrinação”, explicou. A Universidade do Vale do Itajaí (Univali), na qual o jovem estuda, disse que não vai se pronunciar sobre o assunto.
Segundo João Victor, que estuda Relações Internacionais, o pedido do professor foi para que os estudantes respondessem três questões sobre a teoria de Marx. Ele contou que chegou a pensar em responder de forma neutra, mas mudou de ideia. “Algo me segurava, nem cheguei a considerar dar a minha opinião no trabalho. Até que veio a ideia da carta”, disse.
Conforme o estudante, o protesto não foi contra o professor, mas foi uma forma de demonstrar descontentamento em relação à academia. “Faz tempo que estou indignado com o que vem acontecendo em nosso país. Os meios acadêmicos e culturais cada vez mais fechados, os intelectuais de direita cada vez mais lançados ao ostracismo. Resolvi ser a voz de brasileiros que não encontravam espaço para se manifestar, seja por falta de meios, seja pelo próprio medo”, disse.
Ao escrever a carta, o estudante disse que já sabia que iria divulgar na internet, não seria apenas destinada ao professor da disciplina. “Uma amiga blogueira do Maranhão sugeriu divulgar na internet, ela se encarregou disso. Se nosso país realmente tivesse um meio acadêmico e cultural ideologicamente equilibrado, não seria tão necessária esta carta”, argumentou.
Confira abaixo a íntegra da carta
Caro professor,
Como o senhor deve saber, eu repudio o filósofo Karl Marx e tudo o que ele representa e representou na história da humanidade, sendo um profundo exercício de resistência estomacal falar ou ouvir sobre ele por mais de meia hora. Aproveito através deste trabalho, não para seguir as questões que o senhor estipulou para a turma, mas para expor de forma livre minha crítica ao marxismo, e suas ramificações e influências mundo afora. Quero começar falando sobre a pressão psicológica que é, para uma pessoa defensora dos ideais liberais e democráticos, ter que falar sobre o teórico em questão de uma forma imparcial, sem fazer justiça com as próprias palavras.
Me é uma pressão terrível, escrever sobre Marx e sua ideologia nefasta, enquanto em nosso país o marxismo cultural, de Antonio Gramsci, encontra seu estágio mais avançado no mundo ocidental, vendo a cada dia, um governo comunista e autoritário rasgar a Constituição e destruir a democracia, sendo que foram estes os meios que chegaram ao poder, e até hoje se declararem como defensores supremos dos mesmos ideais, no Brasil. Outros reflexos disso, a criminalidade descontrolada, a epidemia das drogas cujo consumo só cresce (São aliados das FARCs), a crise de valores morais, destruição do belo como alicerce da arte (funk e outras coisas), desrespeito aos mais velhos, etc. Tudo isso sintomas da revolução gramscista em curso no Brasil. A revolução leninista está para o estupro, assim como a gramscista está para a sedução, ou seja, se no passado o comunismo chegou ao poder através de uma revolução armada, hoje ele buscar chegar por dentro da sociedade, moldando os cidadãos para pensarem como socialistas, e assim tomar o poder. Fazem isso através da educação, o velho e ‘’bom’’ Paulo Freire, que chamam de ‘’educação libertadora’’ ou ‘’pedagogia do oprimido’’, aplicando ao ensino, desde o infantil, a questão da luta de classes, sendo assim os brasileiros sofrem lavagem cerebral marxista desde os primeiros anos de vida. Em nosso país, os meios culturais, acadêmicos, midiáticos e artísticos são monopolizados pela esquerda a meio século, na universidade é quase uma luta pela sobrevivência ser de direita.

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