Elverson Cardozo, no Campo Grande News [via Pavablog]
“Precisando de dinheiro? Compro sua alma! Pago à vista. 9666-6966. Tratar com tinhoso”. O recado, que tem como ilustração um capetinha, segurando um tridente, foi deixado em um cartaz, do tamanho uma folha sulfite A4, no poste, na esquina das ruas Bahia e da Paz, no Jardim dos Estados, mas também pode ser visto em outros cantos de Campo Grande, como a Avenida Afonso Pena, próximo à prefeitura.
Ninguém sabe quem está fazendo a proposta indecorosa, até porque o número de telefone, que seria a única forma de obter mais informações, não existe, mas a propaganda fez muita gente fazer cara de espanto, ficar arrepiada ou simplesmente rir.
Criatividade para tentar desvendar o mistério, que pode ser apenas uma brincadeira, uma intervenção urbana ou uma espécie de campanha publicitária, tem de sobra. O Lado B foi às ruas ouvir o que o povo está dizendo. As reações foram do “vixi” ao “Deus me livre!”. “Sem comentários”, disparou a auxiliar administrativa Ivanir Bermanaschi, de 41 anos, ao saber do caso pela reportagem.
Como trabalha em um restaurante, do outro lado da esquina, na mesma rua onde o recado foi colado, ela já tinha ouvido o “falatório” de clientes, mas não encontrou coragem para verificar o feito de perto. “Até acredito que alguma seita esteja querendo comprar a alma de alguém”, disse, ao comentar que, se for brincadeira, é de muito mau gosto.
“De mau não. De péssimo gosto”, enfatizou. Mas hoje em dia, prosseguiu, a situação financeira anda tão complicada que pode aparecer algum tentando vender.
A encarregada administrativa Ana Carolina Bonalume, de 32 anos, não encontrou outra expressão a não ser o “vixi” para dizer o que pensou na hora que foi informada do recado, mas foi a única das entrevistadas que cogitou uma possibilidade que foge da interpretação religiosa.
“Pode ser uma jogada de marketing, de outra coisa, ou uma campanha do tipo: ‘não venda seu voto. Você está vendendo sua alma’, algo mais relacionado à política”.
Para ela, a mensagem é engraçada e não deve ser traduzida de maneira literal. “Só alguma pessoa muito leiga, muito fantasiosa, para acreditar nisso”, afirmou. Ana espero que a intenção de quem fez o cartaz não seja a de comprar almas, mas ela se despediu dizendo que “hoje em dia não dá para duvidar de nada”.