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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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sexta-feira, 7 de março de 2014

O dia em que parei de dizer “Anda Logo”

Por Rachel Macy Stafford, Revista Crescer
filha de Rachel se diverte com sombra (Foto: reprodução / Hands Free Mama)

Quando você leva uma vida distraída, cada minuto precisa ser contabilizado. Parece que você está sempre riscando alguma coisa da lista, olhando para uma tela ou correndo para o próximo compromisso. E por mais que tente dividir seu tempo e atenção de um jeito ou de outro, por mais deveres que tente equilibrar ao mesmo tempo, o dia nunca dura o suficiente para correr atrás do prejuízo.

Essa foi minha vida durante dois anos de correria. Meus pensamentos e minhas ações eram controlados por alertas eletrônicos, toques de celular e agendas abarrotadas. Apesar de cada gota do meu sargento interior me mandar chegar a tempo para cada compromisso em meus dias superlotados, eu não conseguia.

Acontece que seis anos atrás, eu fui abençoada com uma filha calma e despreocupada, daquelas que sabe relaxar um pouco e aproveitar o mundo.

Quando eu precisava já estar fora de casa, ela escolhia uma bolsa e uma tiara com todo o tempo do mundo.

Quando precisava estar em algum lugar cinco minutos atrás, ela insistia em colocar seu bichinho de pelúcia na cadeirinha do carro e apertar o cinto de segurança.

Quando eu precisava pegar um almoço rápido no Subway, ela queria conversar com a velhinha que parecia sua avó.
Quando eu tinha 30 minutos para dar uma corridinha, ela queria que eu parasse o carrinho para acariciar todos os cachorros do caminho.

Quando eu tinha um dia cheio que começava às seis da manhã, ela pedia para quebrar os ovos e mexê-los bem devagarinho.
filha de Rachel se diverte com flor (Foto: reprodução / Hands Free Mama) Minha filha calma e despreocupada foi uma dádiva para minha natureza workaholic e frenética, mas eu não enxergava isso. Não, nem de perto.

Quem leva a vida distraída está sempre usando viseiras, sempre de olho no próximo item da agenda. E tudo que não pode ser riscado da lista é pura perda de tempo.

Sempre que minha filha me forçava a desviar do meu cronograma, eu pensava “Não temos tempo para isso”. Por consequência, as duas palavras que mais dizia para minha pequena amante da vida eram: “Anda logo”.

Eu começava minhas frases com elas.
Anda logo, vamos chegar atrasados.

Eu terminava minhas frases com elas.
Vamos perder tudo se você não andar logo.

Eu começava meu dia com elas.
Anda logo e come esse café da manhã de uma vez.
Anda logo e vai se vestir.
Eu terminava meu dia com elas.

Anda logo e vai escovar os dentes.
Anda logo e vai dormir.
E apesar das palavras “anda logo” não fazerem nada para acelerar minha filha, eu as repetia ainda assim. Talvez até mais do que aquelas outras palavrinhas, “eu te amo”.

A verdade dói, mas a verdade cura... e me deixa mais próxima da mãe que quero ser.

Até que chegou o dia fatídico e tudo mudou. Havíamos acabado de buscar minha filha mais velha do jardim de infância e estávamos saindo do carro. Como a menor não estava saindo rápido o suficiente, a mais velha disse para a irmãzinha: “Você é tão lenta”. E então ela cruzou os braços e soltou um suspiro de frustração. Foi como me ver no espelho, e a sensação foi horrível.

Eu estava fazendo bullying com minha própria filha, pressionando e apressando uma criancinha que simplesmente queria aproveitar a vida.

Meus olhos se abriram. Eu enxerguei os danos que minha existência apressada estavam causando em minhas duas filhas.

Minha voz tremeu, mas eu olhei nos olhos da minha pequenininha e disse: “Desculpa por estar fazendo você se apressar tanto. Eu adoro que você faz as coisas com calma e queria ser mais parecida com você”.

Minhas duas filhas pareceram igualmente surpresas com minha admissão dolorosa, mas o rosto da mais novo tinha um brilho inconfundível de validação e aceitação.

“Prometo que vou ser mais paciente a partir de hoje”, eu disse, abraçando minha menininha de cabelo cacheado, que agora sorria com a promessa da mãe.

Foi fácil riscar a expressão “anda logo” do meu vocabulário. Mais difícil foi adquirir a paciência para esperar minha filha mais descansada. Para ajudar nós duas, comecei a dar a ela mais tempo para se preparar quando tínhamos que ir a algum lugar. Às vezes, ainda assim chegávamos atrasadas. Eram os momentos em que eu repetia para mim mesma que só teria mais alguns poucos anos de atraso, enquanto ela fosse jovem.

Quando saíamos para caminhar ou íamos ao mercado, eu deixava minha filha determinar o ritmo. E quando ela parava para admirar alguma coisa, eu tentava esquecer minha agenda e simplesmente assistia o que ela estava fazendo. Vi expressões no rosto dela que nunca tinha encontrado antes. Estudei as covinhas em suas mãos e o jeito que seus olhos se enrugavam quando ela sorria. Vi o modo como as outras pessoas reagiam quando minha filha parava para conversar com elas. Vi o modo como ela encontrava insetos interessantes e flores bonitas. Ela era uma Percebedora, e logo descobri que os Percebedores são dádivas raras e belas. Foi quando finalmente entendi que ela era um presente dos céus para minha alma frenética.


Campanha da Fraternidade: A nossa responsabilidade pelo tráfico de pessoas

Trabalhadores libertados no Pará (Foto: :João Ripper/Imagens humanas)
Trabalhadores libertados no Pará (Foto: :João Ripper/Imagens humanas)
Leonardo Sakamoto, na Gazeta do Povo [via UOL]
Escrevi com Xavier Plassat, frei dominicano e coordenador da campanha pela erradicação do trabalho escravo da Comissão Pastoral da Terra, ligada  à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, um texto para o lançamento da Campanha da Fraternidade 2014, nesta quarta (5), cujo tema é o combate ao tráfico de seres humanos. 
Independente de concordar ou não com as políticas e posições da Igreja Católica, o fato é que uma campanha com essa temática merece o nosso apoio. Ainda mais com a capilaridade com que conta a instituição, podendo levar e discutir a mensagem, alertando milhões de pessoas sobre as redes de tráficos de seres humanos para o trabalho escravo, a exploração sexual, a remoção forçada de órgãos, entre outras aberrações. Para uma mudança concreta, é claro que não basta informação sem uma real melhoria da qualidade de vida das potenciais vítimas, sejam elas brasileiras ou estrangeiras. Mas este é um passo importante. Segue o texto:
Filho do patriarca Jacó, José é a primeira figura bíblica vítima do tráfico humano. José ainda pode ser encontrado em qualquer esquina do nosso mundo global. Seu nome é Sikandar, Miriam, Juan, Pedrito, Luizinha, Jerry. Seu exílio (ou inferno) chama-se Doha, Belo Monte, Dacca, Brás, Codó, Barcelona, General Carneiro, Guarulhos, Lampedusa.
José está vivo. Escondido, invisível, traficado feito mercadoria, acorrentado pelo medo, instrumentalizado para o lucro fácil, preso nos tentáculos de um velho-novo crime. Tráfico e escravidão permaneceram vivos, transformando-se e ganhando novas características que os diferenciam do passado. A finalidade é a mesma: alguém lucra, alguém é explorado. Intermediários viabilizam o sistema. Cúmplices garantem sua sustentabilidade. As modalidades são variadas: exploração sexual, trabalho análogo ao de escravo, servidão, remoção ilegal de órgãos, casamento forçado, entre outras.
A escravidão tem na atualidade um peso nunca visto na história da humanidade. Não por acaso: aprendemos a transformar tudo em mercadoria e nos conectamos globalmente, transformando o mundo em um único e grande supermercado. A Organização Internacional do Trabalho estima em 21 milhões o número de vítimas, tanto homens como mulheres, um em cada quatro com menos de 18 anos.
No Brasil, para onde foram traficados 5 milhões de africanos, com o amparo da lei e a bênção da religião, a forma mais visível deste tráfico ainda é o trabalho escravo, presente sob as modalidades do trabalho forçado, da servidão por dívida, da jornada exaustiva e do trabalho em condições degradantes. As vítimas são aliciadas em bolsões de pobreza, dentro e fora do país. Nos últimos 20 anos foram libertadas 47 mil delas, em dois mil estabelecimentos de mais de 600 municípios. No campo, destaque para a pecuária, as lavouras do agronegócio e carvoarias. Nas cidades, a construção civil e oficinas de confecção. Para a exploração sexual, as informações quantitativas são precárias. O Brasil é tido como um dos grandes exportadores de mulheres a serem exploradas sexualmente, particularmente na Europa.
Por aqui, a mobilização contra a escravidão contemporânea iniciou-se nos anos 1970, destacando-se a figura do bispo Pedro Casaldáliga e a atuação incansável da Comissão Pastoral da Terra. Acolheram fugitivos e tornaram públicas denúncias de trabalhadores escravizados em plena floresta amazônica. A pressão em fóruns nacionais e internacionais acabou obrigando o Estado a assumir, em 1995, a causa da erradicação. A partir da ratificação do Protocolo de Palermo, tratado internacional sobre o tráfico de pessoas, em 2004, o Brasil adotou uma política nacional de enfrentamento a esse crime.

Dispositivo inusitado promete transformar água em vinho com ajuda de app


por Maven Costa, no TechTudo

Um curioso gadget promete trazer uma revolução para os amantes de vinho. Chamada de The Miracle Machine, a "máquina de milagre" trabalha em conjunto com um aplicativo para dispositivos móveis que sugere os ingredientes necessários para fabricação de diversos tipos da bebida.

the-miracle-machine
The Miracle Machine: um dispositivo inusitado que promete transformar água em vinho
(Foto: Divulgação/The Miracle Machine)

Criada pelos inventores Kevin Boyer e Philip James, a The Miracle Machine é uma câmara termoplástica de fermentação que contém um aquecedor termoelétrico, um monitor de temperatura, um motor para mistura dos ingredientes, um microprocessador e uma antena Bluetooth utilizada para ser conectar com smartphones.


Após receber informações sobre todos os ingredientes necessários e acrescentá-los a receita, o aplicativo passa a monitorar o andamento do preparo do vinho assim que ele amadurece. A bebida fica pronta entre três ou mais dias de acordo com o tipo escolhido.


Com funcionamento simples, o dispositivo precisa ser sincronizado via Bluetooth com seu aplicativo para smartphones onde o usuário escolherá o tipo de vinho que deseja fabricar.

Site do The Miracle Machine mostra como o protótipo funciona (Foto: Reprodução/The Miracle Machine)
Site do The Miracle Machine mostra como o protótipo funciona
(Foto: Reprodução/The Miracle Machine)

Não é minha culpa: as consequências do fatalismo religioso brasileiro

Três anos atrás, quando tive a oportunidade de ler a fantástica obra do cientista políticoAlberto Carlos de Almeida intitulada A cabeça do brasileiro, no qual o autor procurou descobrir o que o povo brasileiro realmente pensa sobre determinados assuntos polêmicos, um termo em especial me chamou a atenção, o chamado Fatalismo Religioso.
Resumidamente, Almeida entrevistou 2.363 pessoas, em 102 municípios, incluindo todas as capitais, e identificou que 1/3 dos brasileiros adultos entrevistados acreditam que apenas Deus decide o destino dos homens, sem espaço para a mão humana, ou seja, 33,3% da amostra analisada acredita que “nosso destino a Deus pertence” e nada podemos fazer quanto a isso.
Em outras palavras, isso significa dizer que uma considerável quantidade de pessoas acredita que seu provável sucesso ou fracasso está baseado exclusivamente no talento divino, e não no trabalho. Essas pessoas definem o talento como algo estático, que não muda. Graças a Deus, ou à biologia, você tem o que tem e pronto.
Para essas pessoas, empenhar-se profundamente em algo é inútil, pois ou elas possuem ou não possuem a habilidade de exercer uma determinada tarefa. Dessa forma, passam a desistir precocemente, ou o que é pior, nem mesmo começam a exercer atividades das quais não possuem o pleno domínio. O medo do fracasso as domina e elas passam a criar desculpas para não tentarem.
Sem saber, essas pessoas ficam presas ao que a renomada professora e pesquisadora de Stanford, Carol Dweck, chamou de mentalidade fixa. Essa forma de pensar nos faz acreditar que nascemos dotados de determinado conjunto de habilidades e aptidões e que não podemos fazer muito para mudar isso.
A autora afirma que o principal problema enfrentado pelas pessoas de mentalidade fixa é não saber lidar com dificuldades, pois estas tendem a recuar e a arranjar desculpas diante dos problemas e incertezas que fatalmente irão encontrar durante a vida. Para elas, se uma atividade não deu certo é porque “não era para ela” ou porque “não iria dar certo mesmo”.
Obviamente, é muito mais cômodo fazer-se de vítima e jogar toda a responsabilidade, que deveria ser sua, em alguém. Mais cômodo ainda é se esse alguém tratar-se de uma entidade espiritual superior, dotada de toda sua benevolência divina. Como o comodismo é uma prática constante na cultura brasileira, o fatalismo religioso identificado por Almeida não me causou nenhum espanto.
A pesquisadora ainda afirma que é um grande erro acreditar que não é possível desenvolver-se e aprimorar-se com base em treinamentos, paixão e esforço.

quinta-feira, 6 de março de 2014

A evolução da música cristã #SQN


via Púlpito Cristão

10 considerações sobre 12 Anos de Escravidão, ou como a realidade supera a ficção

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Douglas Eralldo, no Listas Literárias [via Livros e Pessoas]
O Blog leu 12 Anos de Escravidão, o livro que inspirou o filme. Os relatos de Solomon Northup nesta edição de clássicos da Penguin/Companhia das Letras ainda apresenta a particularidade de manter o projeto gráfico que marca o estilo deste selo, mas também aproveitando o sucesso do filme nos cinemas com uma sobrecapa com a imagem do filme. Neste post as 10 considerações do Listas Literárias sobre o livro:
11 – 12 Anos de Escravidão, o relato do negro liberto que se torna escravo, Solomon Northup, é arrebatador a tal ponto que impede que o leitor se desgrude de suas páginas; com uma lucidez impressionante o autor nos leva a acontecimentos inexplicáveis e que tanto envergonha a história da humanidade, expondo os fatos com clareza e esmiuçando os verdadeiros sentimentos dos escravos americanos;
2 – Fosse escrito por qualquer outro autor 12 Anos de Escravidão, por si só já mereceria estar entre as melhores ficções já publicadas. No entanto, o que Solomon Northup revela se torna tão mais assustador porque longe de ser uma ficção, seu relato nos apresenta um drama real e sombrio que só mesmo com muitas virtudes, o que era o caso de Solomon, ele consegue enfrentar o problema de frente; muitas vezes até mesmo esperançoso durante os doze anos que sua liberdade foi extirpada por ladrões escravagistas;
3 – O relato revela Solomon Northup um homem culto e muito inteligente, e seu texto conciso permite o leitor compreender os verdadeiros dramas da escravidão, e de uma forma poucas vezes vista, já que a condição de ser negro, liberto, e letrado, acaba desta forma permitindo que como raramente ocorreu os próprios escravos tivessem voz, o que torna seu relato muito mais impressionante pois Solomon transcreveu para o papel aquilo que os negros sentiam, diferentemente do que seria qualquer outra pessoa escrevendo;
4 - Além do valor histórico dos relatos de Solomon Northup seria impossível também não falar de suas qualidades literárias, especialmente pela forma de que ele descreve sua jornada épica, colocando sempre mais curiosidade no leitor. É como se ele próprio, Solomon, junto conosco numa roda noturna ao redor de uma fogueira e ele nos contasse seu período de aprisionamento, onde toda sua humanidade foi negada por causa da cor de sua pele. E num grande exemplo, sua narrativa e a forma com qual ele lida com “seus proprietários” e a falta de liberdade é de uma grandiosidade raramente vista nos homens, independente de seus credos ou cor;
5 - Ainda assim, sofrendo demasiadamente como a qualquer outro escravo a mercê dos caprichos ou das ordens de seus senhores, Solomon muitas vezes é condescendente com aqueles que minimamente se mostram dignos (se é que isso seja possível em alguém que realmente acredite que uma pessoa por causa de sua raça possa ser comparada aos cavalos ou porcos da fazenda) para com ele. Ele geralmente acaba culpando mais o sistema vigente por criar e possibilitar a escravidão como algo normal e de maneira alguma indecente, do que diretamente as pessoas que usufruíam desse mesmo sistema;
6 – Solomon Northup de certa forma também apresenta sua jornada como uma jornada de fé. Isto está presente em muitas referências religiosas em seu texto, bem como a fé que manteve ao longo dos seus 12 anos de escravidão;
7 – Outra preocupação evidente no texto de Northup é sua persistente tentativa de tornar o mais real e plausível seu relato. E isto não é algo difícil de entender, pois somente os excluídos e os realmente esquecidos e maltratados podem saber o quanto é difícil fazer crer que há coisas terrivelmente ruins no mundo, que para aqueles cujos jardins são floridos os problemas dos outros não passam de mera especulação;
8 – Por isso em determinadas partes do texto, Northup não se priva de algumas divagações explicando nos mínimos detalhes o trabalho envolvido em determinadas culturas; como a do algodão e do açúcar, onde a mão-de-obra escrava produzia a riqueza de um país inteiro que cresceu “bebendo” do sangue e da alma de homens que tiveram destinos ainda mais sombrios que o de Northup;

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