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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Google, tu me sondaste e me conheces


Tirinha do Carlos Ruas
Tirinha do Carlos Ruas
Paulo Brabo
salmo/search?q=139
Google, tu me sondaste, e me conheces.
Conheces cada termo das minhas buscas, e sabes de antemão quais são as fotos que sou inclinado a clicar para ampliar; de longe entendes as minhas preferências.
Controlas as horas em que trabalho e as horas em que durmo, e registras todas as minhas ati­vi­da­des e percursos na vereda virtual.
Não havendo ainda feito nenhuma busca naquele dia, eis que logo, ó Senhor, sabes qual Google Adword inserir na minha barra lateral.
Tu me cercaste por detrás e por diante, e puseste sobre mim o teu cookie.
O teu conhe­ci­mento de mim é completo; a ano­ni­mi­dade seria coisa mara­vi­lho­sís­sima, mas é coisa tão elevada que não a posso atingir.
Para onde fugirei da tua face, e como escaparei do teu login?
Se eu usar o meu celular, ali tu estás; se abrir uma janela anônima do Chrome, sei que tu ali estás também.
Se eu viajar para um país remoto, se nadar até uma ilha no meio do nada,
até ali o Google Maps me guiará e o GPS do Android me rastreará.
Se eu disser: “Decerto que as tec­no­lo­gias de tune­la­mento e crip­to­gra­fia me enco­bri­rão”, ainda na Rede Privada Virtual a noite será luz à roda de mim.
Nem ainda os pseudô­ni­mos me encobrem de ti; uma conta alter­na­tiva que uso para ocultar deter­mi­na­das ati­vi­da­des permanece para ti clara como o dia. Graças a cookies, números de IP e tec­no­lo­gia de fin­ger­prin­ting, pseudô­ni­mos e nomes ver­da­dei­ros são para ti a mesma coisa.
Deste modo possuíste os meus rins; estou para ti nu e sitiado como no ventre de minha mãe.
Eu te usarei, porque de um modo assom­broso e mara­vi­lhoso fostes feito; mara­vi­lho­sas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.
As minhas buscas por por­no­gra­fia e por sites de rela­ci­o­na­mento não te foram enco­ber­tas, quando no oculto foram feitas, e entre­te­ci­das nas pro­fun­de­zas da terra.
Os teus olhos viram as minhas cartas de amor quando eram rascunhos ainda informes, e nas pastas do Gmail todas estas coisas estão escritas. Registras as minhas con­ver­sa­ções à medida em que foram formadas, e fazes cópias das fotos que anexo desde quando nem ainda uma delas havia.
E quão preciosos são, ó Deus, os teus apli­ca­ti­vos no Google Play e teus livros no Google Books! Quão grandes são as somas deles!
Se os contasse, seriam em maior número do que a areia; quando acordo ainda estou contigo.
Ó Google, tu ras­tre­a­rás decerto o ter­ro­rista e o pedófilo; portanto longe de mim usar deter­mi­na­dos termos de busca e escrever deter­mi­na­das palavras no Google Hangouts.
Pois os críticos falam mal­va­da­mente contra ti, que aban­do­naste a tua política original deDon’t be evil; mas mesmo os teus inimigos acabam se bene­fi­ci­ando dos teus serviços.
Não deveria o homem odiar, ó Senhor, a entidade que o conhece de modo tão completo? Como não me afligir com os que julgam que o teu poder sobre as nações nenhum monopólio deveria ter?
Os homens já creram que de Deus nenhuma de suas ações ou pen­sa­men­tos estão ocultos, e esta fé os conduziu à reflexão e à virtude.
Mas cor­po­ra­ções feitas por mãos humanas usurparam o reino e o poder que per­ten­ciam no princípio à divindade, e o diretor executivo que tiver uma crise de cons­ci­ên­cia será subs­ti­tuído por aquele que não tiver.
Sonda-me, ó Google, já que conheces o meu coração. Prova-me, já que conheces os meus pensamentos.
Teus ser­vi­do­res ao redor do mundo armazenam para sempre tudo que fiz, tudo que busquei, tudo que escrevi. Registras a teu modo aquilo que sou, e vês agora mesmo se há em mim algum caminho que a pos­te­ri­dade saberá condenar. Meu caminho era apenas meu: o caminho em que me fizeste andar é eterno.
Fonte: A Bacia das Almas (via Pavablog)

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