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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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sábado, 31 de agosto de 2013

Caio Fábio denuncia a persersão do Evangelho num discurso de Silas Malafaia em favor de pastores ladrões

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Fundamentalismo evangélico – ameaça à democracia

Cerca de 8 mil fiéis participam de concentração na Praça do Rádio (Foto: Yarima Mecchi/G1 MS)
Cerca de 8 mil fiéis participam de concentração na Praça do Rádio (Foto: Yarima Mecchi/G1 MS)
Carlos Eduardo Calvani, no Campo Grande News [via Pavablog]
Campo Grande não merecia, na comemoração dos seus 114 anos de emancipação, o desprazer de assistir a tal “Marcha para Jesus” organizada por pastores-políticos e políticos-pastores reunindo cerca de 40 mil fanáticos para ouvir o “mais do mesmo” – as bobagens retrógradas de Silas Malafaia, Robson Rodovalho e outros.
O movimento evangélico hoje é um dos maiores perigos para a sociedade brasileira e o Estado Laico por seu potencial fundamentalista Malafaia, Feliciano, Rodovalho, Macedo, R.R. Soares e outros nomes menores que estão despontando (e outros que ainda despontarão) são a pior espécie de fanatismo religioso possível. A única diferença entre esse grupo e o fundamentalismo islâmico está nos referenciais religiosos nos quais se apóiam.
É certo que a grande maioria dos muçulmanos não é fundamentalista; mas os poucos que alcançam o poder cometem barbaridades em nome de sua fé. O fundamentalismo evangélico caminha pelo mesmo rumo. Alguém em são consciência e com um mínimo de instrução ou sensibilidade consegue acreditar neles e em seus discursos? Somente os analfabetos funcionais, que pouco lêem (aliás, sequer a Bíblia lêem, ou lêem com olhares medievais) os apóiam.
Não nos iludamos. Os evangélicos têm um projeto de tomada de poder na sociedade brasileira. Os evangélicos têm um projeto político muito perigoso para o Brasil. Utilizam as Escrituras Sagradas do modo como lhes convém, para interferir na Comissão de Direitos Humanos, para propor ou alterar leis e infringir descaradamente as cláusulas pétreas da Constituição Federal. Eles se infiltram nos partidos e conseguem ser eleitos para cargos no executivo e no legislativo.
Mas eles não têm fidelidade partidária nem princípios sociais claros. São mesquinhos e egoístas. Seus princípios são os da promiscuidade “igreja-estado”. A bancada evangélica é, comprovadamente, a mais inútil do Congresso Nacional.
No fundo, seu projeto é acabar com as manifestações religiosas com as quais não compartilham, sejam elas católico-romanas, espíritas, do candomblé, umbanda ou de qualquer outra religião que não a deles; desejam interferir na orientação sexual privada das pessoas “em nome de Deus”; fazem acusações levianas de que o movimento LGBT deseja acabar com as famílias; querem dominar o Ensino Religioso nas Escolas Públicas e, se conseguirem tomar o poder, não hesitarão em se infiltrar nas forças armadas utilizando o potencial bélico brasileiro para seus objetivos.

Oração de Nietzsche: Ao Deus desconhecido

imagem: Internet

Muitos só conhecem de Nitzsche a frase “Deus está morto”. Não se trata do Deus vivo que é imortal. Mas do Deus da metafísica, das representações religiosas e culturais, feitas apenas para acalmar as pessoas e impedir que se confrontem com os desafios da condição humana. Esse Deus é somente uma representação e uma imagem. É bom que morra para liberar o Deus vivo. Mas não devemos confundir imagem de Deus com Deus como realidade essencial. Nietzsche estudou teologia. Eu pude dar uma palestra na Universidade de Basel na sala em que ele dava aulas, quando fui professor visitante em 1998 lá. Essa oração que aqui se publica é desconhecida por muitos, até por estudiosos do filósofo. Por isso no final indico as fontes em alemão de onde fiz a tradução. No original, com rimas, é de grande beleza. LB

Oração ao Deus desconhecido

Antes de prosseguir no meu caminho
E lançar o meu olhar para frente
Uma vez mais elevo, só, minhas mãos a Ti,
Na direção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas do meu coração,
Tenho dedicado altares festivos,
Para que em cada momento
Tua voz me possa chamar.

Sobre esses altares está gravada em fogo
Esta palavra: “ao Deus desconhecido”
Eu sou teu, embora até o presente
Me tenha associado aos sacrílegos.
Eu sou teu, não obstante os laços
Me puxarem para o abismo.
Mesmo querendo fugir
Sinto-me forçado a servi-Te.

Eu quero Te conhecer, ó Desconhecido!
Tu que que me penetras a alma
E qual turbilhão invades minha vida.
Tu, o Incompreensível, meu Semelhante.
Quero Te conhecer e a Ti servir.

A mais nova gafe de Maduro: ‘Cristo multiplicou os pênis’


publicado originalmente em O Globo

CARACAS - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, adicionou mais um item à sua lista de frases inesquecíveis. Autor de expressões curiosas e deliberadas (como quando comentou que seu antecessor e padrinho político, Hugo Chávez, havia reencarnado em um “pequeno passarinho”), na terça-feira ele cometeu um deslize ao afirmar que Cristo “multiplicou os pênis” ao invés de pães (panes, em espanhol).

Constrangido, Maduro se corrigiu logo em seguida. O ato falho aconteceu durante um compromisso de campanha, quando ele fez alusão a uma passagem da Bíblia.

- Buscaremos escola por escola, criança por criança, liceu por liceu, comunidade por comunidade e multiplicaremos a arte, assim como Cristo multiplicou os pênis” - afirmou. - Perdão, os peixes e os pães. Me perdoem a expressão. Assim como Cristo multiplicou os pães e peixes, devemos multiplicar a arte para que ela esteja em cada escola - tentou emendar.

O vídeo da gafe, postado na terça-feira, já havia superado as 100 mil visualizações na tarde de quarta-feira. O deslize do político foi bastante comentado nas redes sociais.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Homem abandonado vira celebridad​e com dicas antidivórcio

Foto do casamento de Gerald - Reprodução/Facebook(Gerald Rogers)
Foto do casamento de Gerald – Reprodução/Facebook(Gerald Rogers)
Fernando Moreira, no Page not Found 
O casamento de Gerald Rogers acabou. Na verdade, a mulher o deixou e pediu divórcio. Arrasado, Gerald foi desabafar no Facebook sobre as coisas que poderia ter feito diferente para salvar o casamento.
O depoimento na rede social se tornou viral e Gerald, americano de Minnesota, tornou-se celebridade na web. Até a tarde de domingo (25), 8.128 pessoas curtiram a postagem e 104.561 pessoas a compartilharam.
“Obviamente, não sou um especialista em relacionamentos. Mas há algo sobre o meu divórcio, que está sendo finalizado esta semana, que me dá uma perspectiva das coisas que eu desejaria ter feito diferente. Depois de perder a mulher que amava e um casamento de 16 anos, aqui estão conselhos que eu gostaria de ter tido:
1) Nunca pare de cortejar. Nunca pare de namorar. Nunca, nunca mesmo, tenha a sua mulher como conquistada. Ela escolheu você. Nunca se esqueça disso, e nunca se acomode no seu amor.
2) Proteja o seu coração. Da mesma forma que você se comprometeu a ser o protetor do coração dela, você deve manter o seu sob a mesma vigilância. Ame-se completamente, ame o mundo abertamente, mas há um lugar especial no seu coração onde ninguém deve entrar à exceção da sua esposa. Mantenha esse lugar sempre pronto para recebê-la e recuse caso alguém queira entrar nele”.

Padre larga batina e assume amor após engravidar jovem na Bahia

Gerônimo anunciou saída da igreja durante missas no último domingo. Ele leu uma carta para os fiéis falando sobre o sentimento e a gestação.

publicado no G1 Nordeste

Gerônimo atuava como padre no interior da Bahia
(Foto: Emília Carneiro/ Arquivo Pessoal)

Um padre do interior da Bahia surpreendeu os fiéis da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Gavião, ao anunciar que deixará a vida religiosa para assumir o amor por uma jovem da comunidade, que está grávida dele.

Durante as missas do último domingo (25), Gerônimo Moreira, de 32 anos, decidiu ler uma carta anunciando a decisão. "Com o tempo fui observando que na nossa amizade tinha algo a mais: o amor, mas sempre procuramos deixá-lo só no nível da amizade, pois dizia que, se por acaso eu percebesse que não conseguiria manter o celibato, deixaria antes o ministério para não escandalizar a comunidade. Mas por ironia do destino não aconteceu como eu pensava e nos envolvemos concretamente e hoje ela está grávida e eu quero assumir a paternidade", diz, em um trecho da carta.

Gerônimo conta que conheceu Emília Carneiro, hoje com 23 anos, em 2007, quando ainda era seminarista. "Eu a conheci dia 20 de setembro de 2007 em um encontro do grupo de jovens. A gente começou uma amizade e despertou algo diferente, mas eu pensava que seria padre e que não haveria essa possibilidade", lembra Gerônimo, que cresceu em uma família religiosa e desde garoto dizia que planejava ser padre na fase adulta.

Durante quatro anos, Gerônimo frequentou a comunidade onde Emília vivia para fazer pregações. Nesse período, a amizade entre os dois se fortaleceu e o contato era frequente por meio de ligações telefônicas e mensagens. "Eu ia lá uma vez por ano, falava às vezes por telefone, de vez em quando passava mensagem, mas não desconfiava que algo poderia acontecer ou que ela teria interesse em mim", revela.
Casal resolveu assumir romance após gravidez
(Foto: Emília Carneiro/ Arquivo Pessoal)
Vocação e conflito
Gerônimo se tornou padre em novembro de 2009 e diz que durante sua formação nunca teve dúvidas sobre sua vocação religiosa. "Minha família é religiosa, desde os 7 anos dizia que queria ser padre. Aos 13, 14 anos, comecei a namorar e parei de falar que queria ser padre, mas aos 20 anos terminei o segundo grau e resolvi que tinha que decidir o que faria e fui para o seminário em 2002", conta.

Foram seis anos de formação religiosa, entre estudos de filosofia e teologia com passagens pelos municípios de São Gonçalo dos Campos, Salvador e Feira de Santana. A primeira paróquia na qual Gerônimo atuou foi a de Valente, ainda como seminarista, em 2008. Em 2011, assumiu a paróquia de Gavião.

Ao perceber que o sentimento por Emília não era apenas amizade, Gerônimo diz que ficou em crise. Ele conversou com a moça, que revelou também se sentir envolvida por ele. "Quando aconteceu o primeiro beijo, a gente falava que aquilo não deveria ter acontecido. Ela ficava preocupada, ficamos assim alguns dias, mas não conseguíamos conter a vontade de ficar junto", declara.

Desde 2012, quando ocorreu o primeiro beijo, Gerônimo e Emília mantiveram o sentimento em segredo. "Ninguém desconfiou, e se desconfiavam, não falavam. Somente nós dois sabíamos", garante.

Sede imitadores dele

O espírito de Cristo não habita na nossa justiça própria. 
O espírito de Cristo não habita no nosso orgulho em dizer "sou evangélico". 
O espírito de Cristo não reside na nossa renúncia em ir a um show. 
O espírito de Cristo não mora no fato de alguém ser abstêmio, celibatário, dizimista, leitor diário da Bíblia ou músico do grupo de louvor.

O espírito de Cristo habita na sensibilidade.

Que todos nós, independentemente do deus a quem (não) servimos - possamos levá-la adiante.



Priscila, escreve no Bússola Cristã e aqui.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Salmos chilenos

Catedral_of_stgoLuiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo [via Pavablog]
Dias atrás entrei na catedral de Santiago do Chile. Minha mulher, discípula de Guimarães Rosa, para quem “quanto mais religião melhor”, adora todo e qualquer santo.
Eu, mais miserável nesse assunto, apesar de não religioso, sou facilmente capturado pelo aspecto estético e sublime de templos sagrados. Foi um prazer ver e ouvir aquela missa “en chileno”.
A catedral silenciosa, discreta e com pouca luz, com sua altura gigantesca, nos ajudava a lembrar nosso lugar no mundo -que não me venham os inteligentinhos fazer o blá-blá-blá da crítica à religião, porque a conheço desde o jardim da infância.
Sentir-se “em seu justo lugar no mundo” é parte clássica de toda boa espiritualidade, contra esse narcisismo dos “direitos do Eu total” de hoje, essa coisa “ninja brega”.
Este “justo lugar no mundo” é parte daquilo que o historiador das religiões Mircea Eliade chama de perceber que não somos o “axis mundi” (o eixo do mundo). Toda verdadeira espiritualidade deve nos ajudar a vivenciar este “descentramento” de nosso próprio valor.
O mistério me encanta e me faz sentir menos banal. A sensação da banalidade de tudo me esmaga continuamente. Sou um peregrino da falta de sentido. Uma testemunha da noite escura da alma de San Juan de la Cruz e Terrence Malick. Não levo a sério ateus militantes que ainda acham que ateísmo é “evolução espiritual”. Para mim, ateísmo é, apenas, o modo mais óbvio de ser e um estágio elementar em filosofia.
Fiquei ateu com oito anos. Alguém poderia dizer que com os anos me tornei um ateu encantado pelo “personagem” Deus e pela possibilidade de existir o perdão no mundo, justamente porque, no fundo, não o merecemos. Sou cego, mas pressinto o espaço à minha volta.
O padre em sua homilia falava da alegria da vida. O papa Francisco quando cá esteve tocou neste tema, falando da “religião da alegria”. Não se trata de autoajuda, como pode parecer aos desinformados, mas da mais fina teologia moral cristã (e judaica também). O que é essa alegria? Vejamos.
A vida é precária. A pobreza (material, espiritual, psicológica) é como a gravidade, na hora em que relaxamos, ela nos consome. É uma questão de tempo. Nosso caminho é “para baixo”. Não é à toa que tomamos antidepressivos o tempo todo, cada um se vira como pode. A solidariedade na melancolia devia nos unir a todos. O que não perdoo na autoajuda é que ela mente para nosso justo desespero dizendo que ele é mera questão de incompetência.
É aqui que começa a consistência da teologia da alegria a qual se refere o papa Francisco: temos todas as razões “materiais” do mundo para sermos tristes, o milagre é não sermos tristes todo o tempo.

Jornalista diz que Globo está fazendo merchandising Pró-aborto

Com dados reais o colunista da Veja mostra que o aborto não está entre as principais causas das mortes de mulheres brasileiras.jornalista-diz-que-globo-esta-fazendo-merchandising-pro-aborto-320x180O jornalista Reinaldo Azevedo, da revista Veja, contestou o episódio da novela “Amor à Vida”, da Rede Globo, em que os personagens fazem apologia a descriminalização do aborto.
Azevedo mostra diversos dados que comprovam que a conversa entre a enfermeira e o médico da novela fornecem informações mentirosas aos telespectadores.
O jornalista chega a dizer que o episódio ofende sua inteligência por tentar convencer os telespectadores de que o aborto precisa ser aprovado para impedir que mulheres, na visão da enfermeira mulheres pobres, morram vítimas de procedimentos mutiladores em clínicas clandestinas de aborto.
“O número de mortes maternas, no Brasil, está abaixo de 2.000 por ano! Atenção! Estou me referindo à morte de mulheres em decorrência da gravidez. O aborto, segundo dados do DataSUS, corresponde a 5% dessas mortes”, esclarece o jornalista.
Para Azevedo o autor da novela e a emissora tentaram fazer um merchandising ideológico pró-aborto, mas essa não seria a única ideologia que a Globo estaria com interesse de difundir. A outra ideologia seria a demonização da religião, já que na cena um médico que é muçulmano se negou a atender a mulher.
“Aquele médico que se negou a atender a paciente que chegou morrendo, exibido na novela, não existe. Criou-se uma caricatura para, no fundo, demonizar o discurso religioso”.
O colunista da Veja lembra que o discurso entre os personagens jamais aconteceria na vida real o que deixa claro a intenção da emissora carioca em ridicularizar pessoas religiosas.
“Existem médicos às pencas que são agnósticos, mas que se recusam a praticar o aborto mesmo nos casos em que ele é legalmente permitido. O Código de Ética Médica lhes assegura o direito de alegar objeção de consciência.” Quando isso acontece, o médico encaminha o paciente (autorizado a fazer o aborto) para um outro médico que não tenha objeções em praticar tal ato. Leia o artigo na íntegra aqui.
Assista a cena: 

Diplomata católico e senador evangélico: "Ouvi a voz de Deus"

Título original: Afastado, diplomata que trouxe senador boliviano faz ameaça
publicado originalmente na Folha de S.Paulo

Diplomata Eduardo Saboia chora ao falar que 'ouviu a voz de Deus'
Alan Marques/ Folhapress

Afastado de suas funções por tempo indeterminado por ter conduzido a operação que trouxe ao Brasil o senador boliviano Roger Pinto Molina, o diplomata Eduardo Saboia, 45, disse ontem (26) à Folha que assumiu o risco de sua decisão e fez uma ameaça à chancelaria brasileira.

"Se vierem para cima de mim, tenho elementos de sobra para me defender e para acusar", afirmou. "Tenho os e-mails das pessoas, dizendo olha, a gente sabe que é um faz de conta, eles fingem que estão negociando [a saída do senador da embaixada] e a gente finge que acredita.'

O Itamaraty preferiu não comentar as declarações.

Católico praticante, ele chorou ao dizer que "ouviu a voz de Deus" para tirar Molina da embaixada.

Saboia contou detalhes da tensa viagem de La Paz até a fronteira com o Brasil, na qual Molina vomitou e todos começaram a rezar quando a gasolina do carro estava quase acabando.

O diplomata conversou com a reportagem em três ocasiões diferentes, todas antes do anúncio da saída de Patriota --após a queda, Saboia não foi localizado. Leia abaixo os principais trechos da entrevista:

A decisão


Eu vinha avisando [o Itamaraty] que a situação estava em franca deterioração, e a gente tinha que pensar em contingências, como levá-lo para a residência [oficial da embaixada], para uma clínica na Bolívia, para o Brasil. Vim a Brasília duas vezes para dizer: "A situação está ruim, estou sob pressão." Mandei uns 600 telegramas, falei que era insustentável. Não sou médico nem psiquiatra, mas, diante de uma situação limite, tomei essa decisão. O médico boliviano atestou dias antes que ele estava num estágio perigoso de depressão. Ele [o senador] estava com um papo de suicídio. Aí podem dizer: "Ah, é uma manipulação". Pode ser, mas é preciso correr esse risco?

Não me arrependo e aceito as consequências. Ouvi a voz de Deus. Estou amparado pela Constituição e pelos tratados internacionais assinados pelo Brasil. Fiz uma opção por um perseguido político, como a presidente Dilma fez em sua história.



'Faz de conta'

Eu perguntava da comissão [bilateral, para resolver a questão do senador], e as pessoas me diziam: "Olha, aqui [no Brasil] é empurrar com a barriga." Ninguém me disse isso por telegrama, porque não são bobos. Mas tenho os e-mails das pessoas, dizendo "olha, a gente sabe que é um faz de conta, eles fingem que estão negociando e a gente finge que acredita". A comissão não tinha prazo para terminar, era um faz de conta.

Ameaça

O Itamaraty quer saber o que aconteceu. Vou prestar os esclarecimentos, e espero que haja sensatez. Se vierem para cima, tenho elementos de sobra para me defender e para acusar: a questão da omissão... Se a gente entrar numa questão legal, vai ser uma lavação de roupa suja que todo mundo vai sair prejudicado. Se quiserem me crucificar, vai ser uma burrice. Não sou da oposição, votei na Dilma. Mas não podia me omitir. E foi resolvido um problema político. A situação envenenava as relações [Brasil-Bolívia], impedia uma viagem da presidente. Tiramos o bode da sala. Mas, se você me perguntar, "fez bem para minha carreira?", vou dizer: "Não".

Na embaixada

Você imagina ir todo dia para o seu trabalho e ter uma pessoa trancada num quartinho do lado, que não sai? E você é quem a impede de receber visitas. Aí vem o advogado e diz que, se ele se matar, você será o responsável. O senador estava havia 452 dias sem tomar sol, sem receber visitas. Eu me sentia como se fosse o carcereiro dele, como se eu estivesse no DOI-Codi [centro de repressão do Exército durante a ditadura]. O asilado típico fica na residência [do embaixador], mas ele estava confinado numa sala de telex, vigiado 24 horas por fuzileiros navais.

Araruama: Igreja investe dízimos e ofertas na construção de casas para membros sem moradia

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Publicado no O Cidadão RJ - via Pavablog
Sargento da Polícia Militar da 25ª CIA em Cabo Frio, Fábio Mendonça é o pastor da Assembleia de Deus Ministério Lagoinha no bairro Outeiro, em Araruama. Uma congregação com cerca de 200 membros, que tem surpreendido a muitos revertendo dízimos e ofertas em moradias para membros em condições de vulnerabilidade social, sem nenhum tipo de custo. A igreja também possui dois veículos van, que servem para o transporte de membros que moram em localidades como Regamé, Km 30, Rio do Limão e Fazendinha.
“Fui amparada na hora que mais precisei, hoje tenho a segurança de um lar”, disse Andréa Silva Rocha, benificiada com uma das casas.
Confira a seguir a entrevista com Pastor Fábio Mendonça.
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JOC – Como surgiu o projeto?
Da observação e convivência com pessoas com dificuldades. Do desejo de assisti-las. A igreja a princípio se assustou com a ideia, mas eu tinha que ser o primeiro a mostrar que poderia acontecer. Na Polícia Militar eu trabalho com manutenção, usei minha experiência na área no projeto. Por isso, eu mesmo fiquei de frente, inclusive, ajudando a cavar a fundação das casas.
JOC – Qual o critério de escolha dos beneficiados?
A prioridade é o grau de dificuldades das pessoas.
JOC – O projeto já recebeu críticas?
Sim, alguns pastores me perguntaram se eu não estava “arrumando” muito trabalho. Se Deus pensasse no trabalho que o ser humano dá a Ele em relação à desobediência a seus princípios, não teria feito o mundo. Tudo que fazemos na vida pode nos gerar problemas, você não compra um carro, por exemplo, pensando que o pneu pode furar um dia, mas no benefício que você vai ter com o veículo.
JOC – Qual o maior desafio na concretização do projeto?
O maior desafio era não desperdiçar material e economizar com mão de obra. Foram construídas quatro casas em apenas quatro meses, os dízimos e ofertas foram revertidos para a obra. Além de mim, mais três pedreiros ajudaram na realização das construções trabalhando voluntariamente aos finais de semana.

Edir Macedo conta em novo livro que pensou em suicídio

Primeiro livro da trilogia vendeu
1,4 milhões de exemplares
Em seus piores momentos, nos anos 90, quando se sentiu pressionado pela Ministério Público, Justiça e Rede Globo, Edir Macedo (foto), líder da Igreja Universal, contou que pensou em se suicidar,

Essa revelação está no segundo livro da trilogia da vida e obra de Macedo, “Nada a perder 2”. 

Os depoimentos apresentados no livro foram colhidos e escritos por Douglas Tavolaro, vice-presidente de Jornalismo da Record. O tempo verbal do livro é primeira pessoa.

O primeiro livro da trilogia já vendeu 1,4 milhão de exemplares. Uma parte significativa deles foi para fiéis da Igreja Universal..

Ele contou que a sua mulher foi sequestrada em um assalto e foi quando resolveu andar armado, portanto uma calibre 38 inclusive no púlpito,

“Mais tarde fui tocado pelo Espírito Santos, que me convenceu que andar armado era falta de confiança em Deus.”

No livro, ele retomou à compra da TV Record de Sílvio Santos e da família Machado de Carvalho. 

“Não imaginava que viveria um inferno a partir do dia em que decidi comprar a Record”, disse.

Mas, mesmo assim, demonstrou não estar arrependido do negócio.

Ele contou que o negócio parecia inviabilizado quando os proprietários da emissora descobriram que o deputado Laprovita Vieira não era o verdadeiro interessado pela Record e que só estava defendendo os interesses de Macedo.

Disse que, por um golpe de sorte, tinha sido beneficiado pelo Plano Collor, que tinha congelado todos os depósitos bancários acima de determinado valor.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Monique Evans: ‘Eu sigo a Jesus, oro muito, leio muito a Bíblia’

Monique Evans diz estar adorando a atenção que tem recebido desde que resolveu procurar um namorado na TV, fala sobre sua depressão e diz acreditar na conversão de Bárbara Evans após deixar A Fazenda
Monique Evans fala sobre a busca de um namorado na TV: Deixei de ser Titia para ser Monique
Monique Evans fala sobre a busca de um namorado na TV: Deixei de ser Titia para ser Monique
Publicado originalmente na CARAS Online - via Pavablog
Desde que o programa A Fazenda começou, Monique Evans passa a maior parte do seu tempo em função da filha, Bárbara Evans, que está confinada no reality show. Apesar de todo o suporte que vem prestando à modelo, a apresentadora de 57 anos também tem arranjando um espaço na sua agenda para rever sua vida amorosa.
Monique está participando de um quadro no programa O Melhor do Brasil, da TV Record, em que tentará arranjar um namorado. Em entrevista à CARAS Online, ela falou com franqueza sobre sua depressão, disse que percebeu uma mudança nos olhares dos homens na rua e afirmou acreditar na conversão de Bárbara após o reality show. “A Bárbara está mais desgastada psicologicamente do que eu“, afirmou. Leia abaixo os melhores trechos da entrevista:
- Desde que A Fazenda começou, você tem passado bastante tempo nas redes sociais fazendo campanha para a Bárbara. Como está sua vida nesse período?
Eu mal durmo, mal como, fico o tempo todo acompanhando, com o coração na mão. No dia em que ela brigou com a Denise e a Andressa, ficamos até as 9 horas da manhã pedindo para o diretor do programa mostrar se ela estava bem. Vários fãs dela, que são crianças, viraram a noite, não foram ao colégio no dia seguinte. Muitas mães deles ficaram comigo, deixaram os filhos faltarem na escola, elas são umas gracinhas. Estou pasma com todo esse carinho.
- A entrada da Bárbara em A Fazenda foi uma idéia sua?
Não! Para mim foi uma surpresa. Ela só me contou com tudo assinado e eu chorei por dias, e choro até hoje. Ela sabe o quanto o programa me deprimiu, o quanto estou mal por ele até hoje. Fiquei arrasada com essa história dela ir, porque eu sei o que é aquilo lá.
- Foi o fato de ter sua vida tão exposta que te deixou mal ao sair da Fazenda?
Não, não foi isso. É que você percebe como o ser humano é, me deu medo das pessoas, eu vi um lado delas que me enoja. Ninguém nunca sai normal de lá de dentro.  Sofro até hoje.  Você é humilhada pelos seus concorrentes, a pressão é imensa, o trabalho é brutal, coisa para homem. Lá a Bárbara tem o Mateus, eu estava sozinha, tenho depressão… nunca me recuperei.
- Você acha que a Bárbara foi para lá como uma maneira de vingar o prêmio que você não ganhou?
Não sei… Acho mais que ela sabe como eu estou com essa coisa de não poder trabalhar, eu nunca mais procurei trabalho, só fico dentro do meu quarto. Acho que é uma maneira dela tentar ganhar dinheiro para ter uma grana e se sustentar, uma segurança para ela e para mim. Eu não tenho marido, não tenho pensão. Mas acho que ela vai precisar do dinheiro para um tratamento.
- Como assim?
A Bárbara está desgastada psicologicamente, mais do que eu.  Lá dentro, eu fui massacrada, mas eu tenho religiosidade, nada me atingia. A Bárbara não conhece a palavra, não se converteu, fica mais vulnerável. Eu acho que ela vai sair e vai querer se converter.

A vasilha das tirinhas de Bíblia

imagem: Internet
Oswaldo Luiz Ribeiro, no Peroratio

Miguel acabara de recortar a Bíblia em tiras, tipo biscoitos da sorte. Gabriel terminou de dobrar os papeizinhos e de os pôr na vasilha. Um dos serafins aproximou-se de Deus e lha entregou.

_ E agora, Deus?

_ Vamos começar. Peguem os nomes de todos os crentes. Você pega um nome e eu tiro um versículo o que sair, é destino dele.

_ Mas e se sair coisa ruim?

_ Sou soberano.

_ Mas e se sair maldição?

_ Sou soberano.

_ Mas e saírem aquelas pragas todas?

_ Está dito.

_ Mas e se sair condenação?

_ Também.

_ Mas e se sair ordens de matar?

_ Saia o que sair, cumpra-se...

_ Mas por que o Senhor decidiu fazer isso?

_ Você quer dizer, além do fato de seu ser eu?

_ Sim, desculpe-me...

_ Enchi o saco. Os crentes pegam a Bíblia, cortam elas em tirinhas, selecionam uns para si e outros para os outros. Para eles, o mel, para os outros, o fel. Cansei. E ainda fazem isso em meu nome. Decidi dar a eles a chance de receberem, por sorte, o que aplicam aos outros. Talvez, assim, aprendam...

Um Deus implacável

igreja-católica
Getty Images Brasil
 Por João Mellão Neto, no Estadão
Tive a oportunidade de ler, uns 20 anos atrás, uma história que, por seu significado, muito me impressionou. Um dentista francês que fora tentar a sorte na América teve como um de seus primeiros clientes um cidadão que se trajava de modo austero e parecia homem de poucas palavras. O tratamento ia ser caro e demorado. Quando o odontólogo apresentou uma prévia do orçamento, o cliente abriu um sorriso amigável, passou-lhe um cartão de visita e foi logo dizendo: “Sou membro da Igreja Presbiteriana da Main Street e o senhor, se quiser, poderá tomar informações a meu respeito por lá”.
Nada mais disse, o que deixou o francês intrigado. Ao reportar o ocorrido a um colega mais afeto aos costumes locais, foi tranquilizado: o que o cidadão quis dizer foi: não se preocupe quanto ao pagamento. Tudo foi quitado religiosamente em dia e com isso o gaulês teve sua primeira aula de América. Ele pôde perceber que os americanos honravam, como se sagrada fosse, a palavra que empenhavam.
No início do século passado, em 1904, o sociólogo alemão Max Weber esteve na América. Seu objetivo era claro: desejava conferir pessoalmente algumas características do povo local que já desconfiava que existissem e de suas pesquisas tirou conclusões inéditas e surpreendentes, que não só elevaram sua obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo à condição da mais importante do século 20, como também transformou de vez toda a estrutura da sociologia até então existente – antes lastreada unicamente no marxismo e no conceito materialista de “luta de classes”.
Para Weber, a visão de Marx, apesar de seu potencial mobilizador – tanto que perdura até hoje -, nunca deixou de ser um whishful thinking, uma forma marota de atribuir ao próximo a responsabilidade por todas as nossas mazelas. Se a culpa é sempre dos outros, podemos todos nos eximir dos problemas. Nem sequer nos cabe fazer uma autocrítica sincera acerca de nossas eventuais deficiências.
Weber, que posteriormente escreveria um tratado sobre todas as principais religiões, chegou a conclusões opostas. Ao contrário de Marx, entendia que as raízes das nossas misérias, longe de ser materialistas, tinham todas elas um severo componente espiritual. Dependiam da nossa idealização de Deus.
Ao estudar o protestantismo, Weber notou que havia em quase todas as suas denominações um lugar-comum: Deus não perdoava as almas em função de sua vida aqui, na Terra; todos nós já teríamos um destino predeterminado antes mesmo de nascer e não teríamos nenhuma pista a respeito dele. O único indício sobre esse destino seria o grau de sucesso e prosperidade que viríamos a alcançar em nossos empreendimentos. Os ensinamentos de Weber extraídos do protestantismo inspiravam-se em suas vertentes mais radicais, representadas pelas palavras de João Calvino e alastradas pela América. Não por coincidência, foram os seguidores europeus e norte-americanos do teólogo franco-suíço os que lograram alcançar maior êxito na vida.
Segundo Weber, as virtudes associadas à honestidade, solidariedade, cumprimento fiel da palavra dada, somadas a trabalho duro e a padrões austeros de acumulação de riquezas, explicavam esse fenômeno: se todos agissem conforme tais normas, adquiririam já de início uma vantagem comparativa insuperável em relação aos demais.
A ética protestante, ademais, associava-se ao racionalismo na ciência, à jurisprudência, à observação somada à sistematização racional da administração pública. Era, por assim dizer, um desenvolvimento do Iluminismo. Essa ética ajudava, e muito, esse processo.
Paradoxalmente, foi a intransigência quanto aos usos e costumes o que mais contribuiu para seu êxito: aos cidadãos não era tolerado nenhum deslize. Qualquer escorregão ético era visto como um sinal evidente de que quem o cometera não estava entre os agraciados com a bênção divina. E isso não só torturava intimamente o pecador, como acarretava consequências sociais terríveis. As mais suaves implicavam o banimento do convívio em sociedade.

Deus foi criado pelo senso de moralidade, diz pesquisador


O biólogo Frans Wall afirma que os chimpanzés e
bonobos têm empatia com indivíduos que sofrem

Características inatas do comportamento do homem resultaram no que hoje se chama de "moralidade", e esta criou Deus e a religião, diferentemente, portanto, da pregação dos religiosos de que os valores morais vêm de seres divinos, sobrenaturais. .

Essa conclusão é do biólogo americano Frans Waal (foto), um dos principais estudiosos do mundo de primatas.

Por duas décadas ele estudou o comportamento dos bonobos e chimpanzés, que são os primos mais próximos do homem no reino animal, e percebeu neles a existência de uma “semente do comportamento moral”, precedendo o surgimento do homem em milhões de anos.

No livro “O Bonobo e o ateu”, ele afirma que chimpanzés e bonobos e outros primatas mostram claramente que têm empatia com indivíduos que sofrem. Os primatas demonstram ter um senso de Justiça. Cuidam de indivíduos fragilizados e partilham a comida que têm.

Isso não significa — adverte o biólogo — que os primatas sejam animais morais, porque os chimpanzés, por exemplo, observa, às vezes podem ficar muitos violentos. 

"Os chimpanzés estão prontos para matar seus rivais. Eles às vezes matam seres humanos, ou mordem seu rosto. Então, é relutante chamar um chimpanzé de ser moral.”

De qualquer foram, diz Wall, existem nos primatas “blocos básicos de construção para uma moralidade”. “[Esse] blocos são mais velhos que a humanidade, e nós não precisamos de Deus para explicar aonde chegamos.”

No livro, ele relata alguns exemplos de empatia de primatas. Um desses casos ocorreu em um zoológico quando Lody, um bonobo, mordeu a mão acidentalmente de um veterinário que lhe estava dando pílulas de vitaminas.

Dias depois, o veterinário voltou ao zoológico e ergueu a mão esquerda enfaixada. Lody olhou para a mão e retirou-se para um canto, baixou a cabeça e passou os braços em torno de si, dando sinais de sofrimento e culpa. As mesma cena se repetiu 15 anos depois, quando o veterinário lá retornou.

A pregação do medo

rj2Michel Alecrim, na IstoÉ [via Pavablog]
Preso desde maio em uma cela isolada do presídio de Bangu 9, no subúrbio do Rio de Janeiro, o pastor Marcos Pereira, 56 anos, continua falando para multidões. Com sua pregação exaltada, segue angariando convertidos na cadeia. Ergue as mãos para fora das grades e, em voz alta, comanda a reza, que é acompanhada por detentos em celas próximas. Pereira não usufrui do banho de sol junto dos outros presos porque se recusa a tirar a camisa, alegando motivos religiosos. Está mais magro e perdeu um dos dentes da frente. “Ele vai ser absolvido. Ofereceram dinheiro para as supostas vítimas”, diz Luiz Carlos da Silva Neto, advogado do pastor.
O pastor Marcos Pereira, fundador e líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias (Adud), é acusado de uma série de crimes, como associação ao tráfico e lavagem de dinheiro. Suspeito de ter praticado mais de 20 estupros contra mulheres, foi denunciado à polícia por oito delas, mas apenas dois dos casos viraram processos. Quatro prescreveram e outros dois ainda estão sendo investigados. Agora, surge uma nova acusação: uma testemunha disse à polícia que viu o assassinato da fiel Adelaide Nogueira dos Santos, 25 anos, em 2006, na Baixada Fluminense, e aponta Pereira como mandante. Adelaide foi estrangulada porque estaria preparando um dossiê contra o pastor. A testemunha acaba de pedir proteção policial. Ela reconheceu às autoridades que na época evitou apontá-lo como responsável por medo. Mas agora decidiu contar tudo o que sabe e responsabiliza Pereira pelo crime. Segundo a testemunha, que pede anonimato, “Adelaide citou orgias” e disse que Pereira “recebia de traficantes para fazer cultos”. A mãe da vítima, Amélia Pinheiro Batista, 65 anos, confirma as acusações e contou que foi vigiada por seguidores da igreja. Ela desconfia de um homem que bateu em sua porta pedindo comida, “mas esticou o pescoço” para olhar dentro de casa. “Era uma ameaça, tenho certeza.”
Amélia não é a única a se sentir ameaçada pelos fiéis seguidores do pastor Pereira. ISTOÉ entrevistou duas mulheres que dizem ter sido estupradas pelo pastor. Elas pediram para não ser identificadas. Uma sofreu represália após um depoimento: disse que um grupo tentou arrombar a porta de sua casa e foi impedido por vizinhos. Todos da família se mudaram para casa de parentes. “Pensei em entrar para o Programa de Proteção à Testemunha, mas desisti por causa das crianças, que seriam obrigadas a mudar de escola. Todo dia eu penso: ‘Hoje eu não morri, graças a Deus’”, conta. A outra testemunha, também sob anonimato, diz, igualmente, viver com medo. “Estava numa loja e um homem da igreja chegou perto do caixa e começou a armar uma confusão. Era para me intimidar”, afirma. Pereira foi acusado, junto com dois integrantes da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, Lúcio Oliveira Câmara Filho e Daniel Candeias da Silva, de coação a testemunhas. Mas, devido a erros de procedimento do Ministério Público, esse processo foi suspenso e aguarda, agora, o procurador-geral de Justiça do Estado, Marfan Vieira, encaminhar de novo a denúncia à Justiça. “Com todas as vítimas, o pastor usava de seu poder como líder religioso e fazia ameaças, caso elas viessem a acusá-lo”, diz a promotora Luciana Barbosa Delgado, que atua num dos processos. “Por esse motivo, não me surpreende que muitas desistam de testemunhar.”
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TRAJETÓRIA
O pastor, que ficou famoso por converter bandidos, foi preso em maio.
Abaixo, a sede da igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias, no Rio

Novelas

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Carlos Ruas, em Um Sábado Qualquer

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Jovens americanas alegam ter o poder de curar pessoas possuídas por demônios

Trio anti-Harry Potter percorre os Estados Unidos praticando “exorcismo” em pessoas possuídas por “demônios sexualmente transmissíveis”
Trio anti-Harry Potter percorre os Estados Unidos praticando "exorcismo" em pessoas possuídas por "demônios sexualmente transmissíveis"
Trio anti-Harry Potter percorre os Estados Unidos praticando “exorcismo”
em pessoas possuídas por “demônios sexualmente transmissíveis”
Publicado no IG Notícias
Três garotas percorrem os EUA em nome de Jesus expulsando demônios dos corpos de pessoas condenadas pelas forças do mal. Poderia ser um spin-off de “Instrumentos Mortais” , nova saga teen onde Lily Collins interpreta uma caçadora de demônios em NY, mas é a história real de Brynne ,Tess e Savannah , as texanas conhecidas como “teenage exorcists” , ou exorcistas adolescentes.
Lideradas por Bob Larson , conhecido televangelista norte-americano e pai de Brynne, elas alegam ter desenvolvido uma habilidade de identificar (e curar, claro) pessoas possuídas.
Para isso, elas passam diariamente por um treinamento oferecido pelo reverendo, que diz já ter curado 15 mil pessoas dessas entidades em todo o mundo.
Reprodução: Anderson Cooper / Marie Claire / Vice
Reprodução: Anderson Cooper / Marie Claire / Vice
“As pupilas dilatam esporadicamente. Você olha nos olhos da pessoa, e depois do treinamento, você consegue ver o mal”, disse Tess, explicando o processo de se tornar uma exorcista, em entrevista ao talk show de Anderson Cooper , no último ano.
Um vídeo conhecido no YouTube mostra as “teenage exorcists” em sessão, expulsando um demônio chinês do corpo de uma mulher chamada Cynthia.
Quem tem medo de um dia acordar possuído, no entanto, pode dormir tranquilo: de acordo com o trio, o satanás não pode simplesmente entrar no corpo de qualquer pessoa. “Ele tem que ter o direito legal” para fazer isso, disse Brynne à revista “Vice”.
A filha do reverendo aponta que, para ser possuída por um demônio, a pessoa geramente sai debaixo do “guarda-chuva de proteção de Deus” e comete pecados como usar drogas, fazer sexo, fazer sexo com prostitutas ou até mesmo quando um indivíduo é abusado sexualmente. “Assim como você pega doenças sexualmente transmissíveis, você pode pegar demônios sexualmente transmissíveis.”
teenage-exorcists2

Xô, Harry Potter
Apesar dos supostos poderes sobrenaturais, elas condenam e passam bem longe de sagas fantásticas como “Harry Potter” ou “Crepúsculo”, já que estas seriam “instigadoras do mal”. Segundo Savannah, elas não têm tempo para essas coisas pois estão “muito ocupadas lutando contra o diabo.”
O, digamos, despertar do exorcismo para Brynne surgiu cedo, quando ela tinha 13 anos. A jovem conta que fez sua primeira “cura” em uma igreja na África durante um culto do pai para 3 mil pessoas. Já Tess começou aos 15, quando uma amiga estava dormindo em sua casa e reclamou de uma “severa dor de cabeça por nenhum motivo.” A amiga era uma garota cristã, mas que recentemente tinha saído do caminho de Jesus.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Infiéis da própria vida


Arte de Jean Cocteau

Carpinejar, no seu blog

Nossa vida está perdendo consistência. Espessura. Segurança. Estamos mais sujeitos a mudar do que a insistir.

Estamos mais sujeitos a nos separar do que a permanecer casados.

Estamos mais sujeitos a ir embora do que a voltar para casa.

O mundo está tomado de mutantes, zeligs, camaleões, transformers.

Se algo incomoda, se algo atrapalha, o botão Desapego é rapidamente acionado.

Como não pretendemos sofrer, caminhamos para a total insensibilidade. Deixa-se o começo por outro começo. Não há mais meio ou fim, o que vigora é a desistência.

Substituímos a responsabilidade pela ideia de liberdade.

Experimentar é a lei – fazer patrimônio e futuro não tem sentido.

Anteriormente, nos dedicávamos à família. Agora, nossa obsessão é o prazer pessoal. Danem-se as complicações.

A aparente leveza se assemelha a desenraizamento.

Buscamos chegar logo, não olhar a paisagem. A velocidade é o que nos provoca. Buscamos desembarcar logo num novo destino, não nos vale a estrada. A viagem deve ser curta e indolor, jamais reflexiva e longa.

Não estou sendo dramático. Na infância, tínhamos três canais de tevê. Hoje, são mais de 300. A variedade nos conduz a não nos fixarmos em nada durante grande tempo.

Ter um romance longo é quase uma insanidade, assim como ler um livro de 400 páginas ou assistir a um filme de três horas.

Não oferecemos chance para permanência, para a rotina, para a confirmação das expectativas.

Não toleramos o desgaste, o tentar o possível antes de se despedir. Sacrifício e renúncia são expressões banidas do vocabulário, significam burrice. “Perder tempo com alguém, com tanta gente interessante por aí?” é o que nos dizem.

O oi já é um convite, o tchau já é um adeus, não existe relacionamento seguro e firme que suporte a tempestade de contradições.

São muitos apelos para biografias imaginárias. São muitas opções de ser diferente, que nem descobrimos quem somos.

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