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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ex-facebook: O cansaço da cultura da hipervisibilidade




Ricardo Neves, na Época Negócios capturado no Pavablog
Senti falta de uma pessoa que estava sempre presente no meu cotidiano do Facebook.
Dei uma procurada e a resposta veio assim:

Será um bug? Pensei.
Liguei para ela perguntando o que tinha acontecido.
“Cansei”, disparou minha amiga.  “Cheguei à conclusão que estava gastando um tempo excessivo da minha vida e das minhas energias. “Sabe do que mais?”
Ela seguiu elaborando: “Comecei a me sentir uma bisbilhoteira da vida alheia. Dei por mim fuçando coisas das pessoas de um jeito que eu não gostaria que fizessem comigo. Por outro lado, comecei a perceber como minha própria vida estava exposta. Por fim, conclui que é melhor investir tempo em cultivar meia dúzia de bons amigos na vida real do que 884 ‘amigos’ online!”
Tenho notado vários outros casos semelhantes. Outras pessoas me falam de conhecidos fazendo “suicídio virtual”.
Será a “fadiga do Facebook” começando a acontecer?  Isso já está sendo problematizado por profissionais que estudam comportamento humano, como psicólogos, antropólogos e sociólogos. (Quer saber mais sobre a ‘cultura da hipervisibilidade’ ou do ‘vício em facebook’? Procura que você vai achar coisas bem legais sobre isso!)
Tenho um pressentimento de que existem dois fatores negativos na ‘cultura de hipervisibilidade’ das redes sociais que poderão fazer com que o número de pessoas se desligando cresça de forma significativa.
O primeiro fator negativo é a sensação de perda de intimidade. As redes sociais digitais disponíveis até aqui criam uma sentimento de que seus participantes estão todos, simultaneamente, em espaço público.

Isso tem um lado negativo considerável. Por exemplo, aumenta exponencialmente a probabilidade de ficamos expostos à abordagem pelos tipos mais chatos e inconvenientes. Isso para não falar da possibilidade de sermos roteados por psicóticos perseguidores, voyeurs e outros tipos de predadores sociais.
O segundo fator negativo ainda é menos tangível para os que são mais jovens. Mas vai se revelar nos anos à frente. Com crueza. Os jovens acham que a vida não muda. E sabemos que muda. E muitas vezes com rupturas.
Nossas vidas são feitas de fases. Navegando por essas mudanças de fase existem muitos fatos e memórias que preferiríamos superar e até mesmo esquecer. E o registro que involuntariamente vai sendo feito de nossas vidas na rede vai ficar lá. Público e cada vez mais difícil de gerenciar e apagar.
A linha de tempo do Facebook é um verdadeiro desastre neste sentido.
Casamentos, namoros, amizades que são desfeitos, assim como fatos, comentários, fotos, vídeos que ficam públicos e que, eventualmente, preferiremos no futuro que estivessem deletados.
O tempo é o senhor da razão. E na medida em que ele passa muitos dos jovens das gerações Y e Z vão descobrir que foram recusados em empregos porque departamentos de recrutamento e seleção fuçando seus perfis nas redes descobriram em seus históricos, lá trás, razões para negar boas oportunidades.
Todo mundo, em algum momento da vida, necessita de novas opções de reconstruir a vida em outra direção.
Ainda tem outra coisa negativa que começa a ficar evidente: FB é altamente viciante. E a atividade excessiva no Facebook rouba tempo do relacionamento pessoal direto com os verdadeiros amigos e família.
Faça uma contabilidade objetiva e constate. Veja se, em sua casa, o tempo coletivamente investido no Facebook já não supera o tempo de conversa entre os membros da família!
Será que o login no FB vai vir com avisos parecidos com os de cigarros e bebidas? Tipo assim:

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