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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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sábado, 23 de junho de 2012

São João - O Aniversário do Priminho de Jesus


Bispo Robinson Cavalcanti (in memoriam)
Sex, 22 de Junho de 2012 18:01 - Site da Diocese Anglicana do Recife (www.dar.org.br)
Reflexão Episcopal - Originalmente publicado em 20 de junho de 2010


Certa vez um garçom batista, em Sergipe, servindo no clube de um restaurante durante o ciclo junino, foi advertido pelo seu pastor para não comer das iguarias típicas da estação, pois “canjica é carne sacrificada aos ídolos”. Original essa igreja evangélica brasileira: desde quando canjica é carne e João Batista é ídolo? Questionado por uma criança vizinha pentecostal, por estar celebrando “uma festa do diabo”, responde o meu filho, carregando um saco de fogos de artifício: “São João não é do diabo. Estamos comemorando o aniversário do priminho de Jesus...”.
 
Sou um admirador dessa figura exótica que foi João (pelo menos em termos de modelito e de gastronomia...), como ponte entre a antiga e a nova aliança, nascido de um milagre, anunciador da chegada do Messias, profeta corajoso,  denunciando os pecados e conclamando ao arrependimento, que terminou com a cabeça em uma bandeja, por determinação real e capricho de uma mulher mau caráter. Fiquei emocionado quando, ao lado de uma Igreja Ortodoxa Russa, estive no provável braço do rio Jordão, onde batizou o Filho, se ouviu falar o Pai e o Espírito Santo desceu em forma de pomba, em singular teofania trinitária.
 
Passei a maior parte da minha infância e adolescência no interior do Nordeste, embalado pela voz de Luiz Gonzaga, o “rei do baião”, e, nesses 41 anos de casado, nunca Miriam e eu deixamos de acender uma fogueira em frente da nossa casa, comendo nossa pamonha, nossa canjica e nosso milho assado, sentindo pulsar a alma nordestina e sua identidade, diante de uma globalização que oprime e massifica, estrangeirizando.
 
Como crentes, devemos deixar de nos encabular, afastados desses festejos, privados do lícito lúdico e do folclore, ou apelando para eufemismos, como “festa junina”, “festa do milho” ou “festa Jesuína”. A festa é de João mesmo, e devemos resgatar o seu ensino, compartilhando-o com os festejantes, sem neuras, sem traumas, sem iconoclastias imaturas, sem buscar uma identidade por antagonismo.
 
Por uma igreja constituída de crentes sadios, brasileiros, reconciliados com a sua cultura, sem culpa pela alegria: Viva São João!

Olinda (PE), 20 de junho de 2010,
Anno Domini.
+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano (in memoriam)

/// Dica de Reynaldo.

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