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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Estudo sugere que religião encolhe o cérebro

religious experiences shrink part of brain 1 Estudo sugere que religião encolhe o cérebroA pesquisa intitulada “Religious factors and hippocampal atrophy in late life” [Fatores religiosos e a atrofia do hipocampo na terceira idade], feita pelo Centro Médico da Universidade Duke (EUA) pode representar um importante avanço na compreensão da relação entre o cérebro e a religião.

O estudo, publicado em março revela que pessoas que se identificam com determinados grupos religiosos apresentaram uma maior atrofia do hipocampo, algo comum em doenças como Alzheimer.

É um resultado surpreendente, considerando que muitos estudos anteriores mostraram que a religião tem efeitos benéficos sobre a função cerebral, em especial no que se relaciona com a ansiedade e a depressão. Muitos estudos sérios já avaliaram os efeitos de práticas religiosas como a meditação e a oração no cérebro humano.

Um número menor de estudos avaliou os efeitos da religião no cérebro a longo prazo. Esse tipo de está centrado nas diferenças do volume do cérebro ou da função cerebral nas pessoas fortemente envolvidas em práticas espirituais comparadas às que se definem como não religiosas. E um número ainda menor de estudos tem explora os efeitos das práticas de meditação ou outra atividade espiritual, avaliando indivíduos em dois momentos diferentes.

No estudo da Duke, publicado por Amy Owen, foi usada a ressonância magnética para medir o volume do hipocampo, parte do cérebro que está relacionado com a emoção e a formação da memória. Foram examinados 268 homens e mulheres, entre 58 e 84 anos. A ideia original era medir os resultados neurocognitivos da depressão em idosos, mas que também estava ligado às suas crenças religiosas. O estudo publicado pela professora Owen é o único que foca especificamente as pessoas religiosas em comparação com indivíduos não-religiosos. No artigo, mostra que existe uma diferença na estrutura cerebral das pessoas que se consideram cristãos “nascidos de novo” ou que tiveram alguma mudança de vida por causa da religião.

Os resultados mostraram uma atrofia (encolhimento) significativamente maior entre os protestantes nascidos de novo e os católicos, em comparação com os protestantes nominais, que não se consideram “nascidos de novo”.


A hipótese levantada pelos estudiosos é que essa atrofia maior do hipocampo em determinados grupos religiosos podem estar relacionados com o estresse. Eles argumentam que alguns indivíduos da minoria religiosa, ou aqueles que lutam com suas crenças, registram níveis mais elevados de estresse. Isto provocaria uma liberação de hormônios ligados ao estresse que são conhecidos por diminuir o volume do hipocampo ao longo do tempo. Isto também poderia explicar porque os não-religiosos e algumas pessoas religiosas têm um hipocampo menor.

Existem estudos que mostram os efeitos negativos da religião e da espiritualidade na saúde mental. Há evidências que membros de grupos religiosos que são perseguidos ou que são minoria experimentam um maior estresse e uma ansiedade acentuada. Em alguns casos, uma pessoa pode entender que Deus a está punindo e, portanto, ter um aumento significativo de estresse causado por sua “luta religiosa”. Outros passam por conflitos internos por causa de idéias que contrariam sua tradição religiosa ou a de sua família. Um mudança radical no estilo de vida pode ser difícil para alguém incorporar ao seu sistema de crença religiosa vigente o que também pode gerar estresse e ansiedade. As transgressões religiosas (pecados) reconhecidamente podem causar angústia psicológica e emocional. Esta dor “religiosa” e “espiritual” pode ​​ser tão real quanto a dor física. E todos estes fenômenos podem ter efeitos potencialmente negativos sobre o cérebro.

Assim, Owen e seus colegas apresentam uma hipótese plausível, emb0ra reconheçam as limitações do seu estudo, como o tamanho pequeno da amostragem. Mais importante ainda, não conseguem determinar até onde os fatores que levam alguém a ter uma mudança de vida são importantes e não apenas a experiência em si. É possível também que as pessoas mais religiosas sofram de um estresse inerente, mas que sua religião as ajuda a se proteger.

Os autores do estudo advertem que não ainda há conhecimento suficiente e detalhado sobre a mecânica de como o estresse afeta a atrofia do cérebro. A religião é frequentemente citada como um mecanismo de enfrentamento importante para lidar com o estresse. Este novo estudo é intrigante e importante para esse campo de estudo, chamado neuroteologia, e pode colaborar para uma compreensão mais ampla de como a religião (ou a espiritualidade) gera mudanças no cérebro.

via PavaBlog da Agência Pavanews, com informações de Scientific American

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