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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Esperança rotineira

fiho prodigo
Todos os dias ele faz a mesma coisa. Porque ele faz? Não sei.

O que ele não percebe é o quanto me magoa com isso. Não posso reclamar por falta de atenção. A gente trabalha junto, faz nossas refeições juntos e ele é sempre muito atencioso e carinhoso comigo.

Eu não deixo por menos. Me esforço sinceramente para agradá-lo. Faço tudo ao meu alcance para que tudo fique do jeito que ele gosta. Então, por que ele insiste em viver no passado? Essa rotina, muito me machuca o coração.

Tudo bem, amanhã será um novo dia…
…bom dia quarto! Vamos à labuta.


O que acontece se eu olhar pela janela? Claro, era óbvio. Lá está ele no portão, descascando uma laranja e olhando para o horizonte. É assim de manhã, na hora do almoço e no fim de tarde. Como se fosse seu momento de reflexão! De renovar uma esperança, inútil. Mas ele não enxerga toda essa inutilidade. Que perda de tempo.

O dia passa e o trabalho, como sempre, é volumoso, mas compensador! Quando mostro o resultado do dia, ele abre um belo sorriso e me puxa com seu braço direito em volta do meu pescoço! Como é bom saber que ele está satisfeito. O fim do dia se aproxima e com ele, nosso merecido descanço. Mas onde ele vai?

Novamente. A mesma coisa. Deus! Como isso me irrita! Por que? Para que!? Aaaahhhhh!!!!
Chega. Hoje eu não vou esperar ele voltar para jantar conosco. Hoje eu não testemunharei esse seu sofrimento desnecessário. Troco de roupa e vou até ele.
— Vou jantar na casa do Lucas.
— Vai? Por que? Jante conosco, querido.
— Não, hoje não. Mas volto para dormir em casa.
— Está bem. Mas tenha cuidado e volte cedo.

Sinceramente? Me passa pela cabeça a vontade de desobedecê-lo. Mas não quero desagradá-lo. Quero que ele sinta orgulho de mim.

Volto logo depois da janta e não o encontro no portão. Estranho! Acho que hoje, deveria estar mais cansado.

O que está acontecendo? Há mais luzes do que o normal na casa. E que música é essa? Aliás, o que os empregados estão fazendo na casa? Que bagunça é essa?

Um empregado me conta o que aconteceu, mas eu não acredito. Preciso ver com meus olhos.
Vou até a sala de estar e tento entrar me desviando das pessoas até que levo um choque com o que vejo! Lá está ele! O aproveitador! Aquele desgraçado que tanto entristeceu meu pai! O motivo para que ele todos os dias desses últimos anos esperasse no portão.

Que absurdo! Está vestindo roupas novas! E colocaram um anel, UM ANEL NO DEDO!
Meu Deus! Não sei se posso suportar tamanha dor.
Quando vou sair, percebo que meu pai está atras de mim.
—Filho! O que houve?
— Eu, EEEUUU SEEEMPRE fiz TUDO pelo senhor! E o senhor nunca me deu sequer um cabrito para comemorar com meus amigos! Mas este desgraçado … (eu choro) depois de gastar seu dinheiro e desonrá-lo, o senhor lhe dá uma festa!?
— Filho! Não diga isso! Você sempre esteve comigo e tudo que eu tenho é seu! Você pode usufruir de tudo o que tenho! É um filho maravilhoso do qual me orgulho. Mas este está em casa novamente. Venha, alegre-se conosco. Pois ele havia se perdido, mas agora achou-se e está de volta ao lar.

Do Blog do Cleber Sá 

/// A parábola da parábola

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