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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Casamento e independência financeira: o desafio do convívio

Escrito por @Navarro do Dinheirama.com
Publicado originalmente  na sua coluna "Você mais rico" na Você/SA

Estou gostando muito do feedback dos leitores e leitoras sobre o especial envolvendo dinheiro e casamento. Escrever de forma tão sincera e receber de vocês opiniões e contribuições tão especiais só faz aumentar a certeza de que o melhor da vida são as experiências que vivemos, as tentativas de fazer mais e melhor e o prazer de criar seu próprio caminho. Acertar e errar são possibilidades. Decidir e agir são escolhas.

São muitos os casais que apontam o convívio como um dos principais desafios do casamento. Muita gente concorda com esta visão, mas sequer conseguem definir claramente o que o convívio significa. Intrigado com esta realidade, decidi abordar alguns casais de amigos, em conversas informais, questionando-os:
  1. Qual o principal desafio do relacionamento?
  2. O que você considera ser o convívio na relação de vocês?
  3. Se você pudesse melhorar alguma coisa, o que seria?
Duas respostas apareceram com certa frequência na primeira questão: o “dia a dia” (ou convívio, se você preferir) e “lidar com as expectativas e cobranças do outro e da família”. Ou seja, o desafio parece ser o simples fato de relacionar-se com o(a) parceiro(a). Impossível tirar qualquer conclusão sem entrar na segunda questão.

O convívio, como eu já imaginava, ficou longe de um consenso. Palavras como “responsabilidade”, “compromisso” e “diálogo” surgiram nas mais diversas opiniões. Se não há uma resposta única, há um norte: o convívio é subjetivo e representa o estado do relacionamento, o que não tem, necessariamente, relação com a decisão de se casar ou viver juntos. Aqui percebi algo interessante: o casamento se transforma em uma “muleta”, servindo de justificativa para outras questões.

O que melhorar, afinal? As respostas voltaram a convergir: “Passar mais tempo ao lado da família”, “Dialogar mais e melhor” e “Trabalhar por uma melhor situação financeira” foram afirmações comuns em muitos discursos. A justa busca por melhores condições de vida e felicidade também está presente no mea culpa dos casais. Ainda bem.

Vamos interpretar melhor tudo isso?


O desafio do relacionamento e as necessidades de melhoria foram abordados de forma parecida, o que deixa claro uma coisa: temos consciência dos problemas que nos cercam e sabemos o que fazer para corrigi-los. Temos? Então por que tanta gente reclama da vida conjugal e questiona tanto seus detalhes?

Como corrigir aquilo que sequer pode ser explicado? A segunda questão, “O que é convívio?”, aponta para a fragilidade das definições que cercam o relacionamento, o que nos leva a crer que experimentos e materiais tipo “faça isso, receba aquilo” ou “como ser feliz no casamento” são, na melhor das hipóteses, uma leitura agradável. Ora, não é exatamente isso que você está fazendo aqui, neste blog, ao meu lado?

Uma sucessão de decisões, a vida.
A questão é que construímos nosso futuro a partir de decisões que tomamos tendo como base nosso padrão de vida, nossa educação e nossos valores. A decisão tomada, seja ela fruto de uma noite triste ou construída ao lado de nossa família depois de uma notícia fantástica, implica consequências que interessam mais a você que a ninguém

Enquanto nos preocupamos demais com “o que os outros pensam”, agimos exatamente como eles. Achamos que temos a saída para nossos problemas e que eles poderão ser resolvidos a qualquer hora, bastante para isso nosso desejo. Estamos no controle, é o que gostamos de pensar. Em um misto de presunção, arrogância e hipocrisia, simplesmente ignoramos o mais importante: e eu? O que eu quero? O que é importante para mim?

Você deve estar confuso(a). Como é que a discussão sobre o convívio foi parar na importância do eu? Ora, nossa discussão sobre casamento nos colocou diante de uma realidade assustadora: lidamos diariamente apenas com as responsabilidades e consequências de nossas ações e decisões:
  • Se o relacionamento chegou a um ponto em que o diálogo não existe mais, é porque decidimos, individualmente, falar mais que ouvir. Decidimos não ouvir o outro, não importando quão alto ele grite;
  • Se a situação financeira do casal é lastimável, triste e de endividamento excessivo é porque decidimos, individualmente, ignorar o padrão de vida possível.
  • Se o convívio é tão subjetivo, é porque, todos os dias, tomamos pequenas decisões capazes de afetá-lo.
Felizmente, podemos escolher. Podemos decidir acordar com um sorriso, telefonar durante o expediente para dizer “te amo”, fazer pequenas surpresas, fazer questão de externar aquilo que nos incomoda, ouvir e prestar atenção quando o outro fala e muito mais.

Certa vez ouvi alguém dizer: um relacionamento não acaba, nós é que acabamos com ele. É tão óbvio, não é mesmo? Ainda assim insistimos em viver “contos de fadas” e belas histórias românticas. Isso não existe. Desafios, cumplicidade, sinceridade, fracassos e frustrações são sentimentos e situações mais intensos. Facilita compreender que: 1) Você tem defeitos; 2) Casar não significar só ser feliz; e 3) O problema (e a solução) não está no outro, está em cada um de nós.

O que acontece com você?
Experimente olhar para seu próprio relacionamento e tente responder de forma sincera as três questões levantadas no início deste texto. Peça que seu(sua) parceiro(a) faça o mesmo. Compare as respostas e publique no espaço de comentários suas conclusões.

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