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sexta-feira, 27 de maio de 2011

Não importa se jogador tem namorado ou namorada, diz Bernardinho

Por Mariana Bastos

Acostumado a usar a palavra meritocracia quando se refere à sua seleção, Bernardinho afirma já ter trabalhado com muitos jogadores e jogadoras homossexuais ao longo de sua carreira como técnico. Um dos seus comandados foi Michael, meio de rede do Vôlei Futuro. Na semifinal da Superliga, o atleta foi alvo de ofensas homofóbicas por parte da torcida do Cruzeiro.
    Michael (centro) é jogador do Vôlei Futuro
    Michael (centro), em jogo do Vôlei Futuro
    "O Michael, que se declarou homossexual, trabalhou comigo na seleção B. Ele é um cara do bem, bacanérrimo. Adorei trabalhar com ele. O resto não interessa. Ponto. Se o jogador quer pintar o cabelo ou se tem um namorado ou namorada, tanto faz", afirma o treinador. "Aqui pouco importa se o cara é homossexual, bissexual, transexual, se é branco, preto, amarelo ou roxo. Se ele jogou bem, é um cara correto, vai ter espaço aqui."
    Bernardinho conta que já escutou xingamentos vindos das arquibancadas brasileiras até mesmo contra atletas que defendiam o Brasil. 

    "O Michael, quando estava na seleção brasileira juvenil, foi xingado pela torcida jogando no Brasil", relata "Tenho jogadoras de seleção brasileira que já saíram de quadra chateadas porque tinha gente gritando sapatão e eu sabia que eram homossexuais." 

    O técnico só se queixa de um certo oportunismo após o episódio em que Michael foi xingado de "viado" pela torcida mineira. Três dias depois da partida, o jogador assumiu publicamente sua orientação sexual e, seu clube, pediu punições severas ao rival Cruzeiro pela atitude dos torcedores. O Vôlei Futuro ainda promoveu ações de combate à homofobia, com seus jogadores usando uniformes de treino rosa e o líbero com uma camisa arco-íris. 

    "O que me preocupa naquela história toda é usar isso de uma forma excessiva e não discutir seriamente a questão do preconceito, transformar aquilo numa parada de apoio aos homossexuais. Vamos combater homofobia de verdade. Eu apoio totalmente. Ninguém pode sofrer preconceito de qualquer tipo. Isso tem a ver com falta de educação, de clareza de ideias. Mas confesso que, ao longo do processo, aquilo pareceu se transformar numa coisa de oportunidade. Usar uma pessoa tão bacana. Não é bem por aí. Será que ele realmente queria expor sua sexualidade naquele momento?", questiona. 

    O técnico, que comanda o Brasil na estreia da Liga hoje contra Porto Rico (21h30, de Brasília), ainda relata sua história para servir de exemplo contra o preconceito. Segundo ele, seu primeiro treinador era negro e ainda havia suspeitas sobre sua orientação sexual. 

    "A maior noção de igualdade que eu tive quando era garoto foi com meu primeiro treinador, um professor excepcional. Ele era negro e dizem também que era homossexual. E pouco importa. Ele queria me educar e mostrar caminhos. É o Bené. Foi o cara que formou Bernard, Fernandão, Badá. Vários da geração prata passaram por ele. Foi um cara que transformou vidas. O cara é um craque. Era preto, tinha fama homossexual. E aí? Vem falar comigo de preconceito?" 

    Publicado originalmente na Folha OnLine

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