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terça-feira, 5 de julho de 2011

Renovação de Mano Menezes muda o perfil do grupo da Seleção

Por Julyana Travaglia, Leandro Canônico e Márcio Iannacca Direto de Campana, Argentina
Publicado originalmente no GloboEsporte.com
  

Forte presença religiosa perde espaço na Copa América para uma geração de mais bate-papo, videogame e conectada ao mundo virtual


Ganso, Lucas, Neymar e Robinho durante treino da Seleção na academia (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)
Ganso, Lucas, Neymar e Robinho brincando no treino
da Seleção na academia (Foto: Rafael Ribeiro / CBF)
A renovação do técnico Mano Menezes na Seleção Brasileira após a derrota na Copa do Mundo de 2010 não trouxe apenas caras novas. O perfil do grupo também mudou. A forte presença religiosa na concentração deu lugar a um clima mais informal de bate-papos, brincadeiras, jogos de videogame e conectada ao mundo virtual.
Na Copa de 2010, disputada na África do Sul, o elenco tinha posições fortes. Uma delas era no quesito religião. Da comissão técnica, com a presença do assistente Jorginho, aos principais líderes do grupo, entre eles o zagueiro Lúcio e o apoiador Kaká. Os encontros religiosos eram comuns na concentração desde o Mundial de 2006. Na comemoração do título da Copa das Confederações, em 2009, os jogadores tiraram o uniforme e exibiram camisas com mensagens religiosas em campo. Isso fez a Fifa mudar as regras e proibir essas atitudes. E a figura marcante nesse período era o pastor Anselmo Alves, que costumava viajar com a ajuda dos jogadores e frequentar os hotéis onde o time canarinho ficava hospedado em competições oficiais ou amistosos internacionais.
Com a mudança da comissão técnica da Seleção, porém, o panorama mudou. A renovação implantada por Mano Menezes também colocou um freio na presença de agentes externos à delegação canarinho. Nos oito amistosos sob a batuta do novo comandante e neste início de preparação para a Copa América, que começa a ser disputada na Argentina nesta sexta-feira, Anselmo Alves não deu o ar da graça. O grupo, apesar da vocação religiosa de cada um, parece ter mudado de filosofia.
Diferentemente do que ocorria na Era Dunga, as reuniões nos quartos dos jogadores são muito mais constantes. Na Argentina, por exemplo, o local de concentração dos atletas é na “casa” de Fred. O atacante, alias, foi vítima de gozações quando os companheiros pegaram o celular do tricolor e mandaram uma mensagem duvidosa para outros jogadores. Neymar e Robinho são os líderes das brincadeiras e dos duelos de videogame. Mas outros, como Daniel Alves, André Santos, Paulo Henrique Ganso e Elias estão sempre por perto.
Sério, Mano não admite preferência por esse ou aquele estilo de grupo. Para o treinador da Seleção, as individualidades de cada jogador ou membro da comissão técnica devem ser respeitadas no período de concentração. Porém, “o limite de um começa quando acaba o do outro”.

Anselmo Alves (Foto: Globoesporte.com)
Pastor Anselmo Alves não seguiu para a Copa
América com a Seleção (Foto: Globoesporte.com)
- Não posso falar da mudança porque não acompanhei a parte anterior, mas posso deixar claro o que penso sobre isso. Essas coisas são particulares de cada um: religião, opção sexual... Isso pertence individualmente a cada um. E você deve saber se conduzir com elas dentro de um grupo maior. O mesmo direito que eu tenho de ser católico, você tem de ser evangélico. Não podemos querer que dentro de um grupo prevaleça a nossa vontade aos demais – afirmou o treinador ao GLOBOESPORTE.COM antes da apresentação para a Copa América.
O pastor Anselmo Alves, que trabalha na 1ª Igreja Batista de Curitiba, alega problemas de saúde para não estar na Argentina. Presença constante nas concentrações da Seleção entre 2002 e 2010, ele revelou que ainda não decidiu se vai viajar para conversar com os atletas e admitiu que não tem conhecimento se sua presença é proibida ou não na concentração do time canarinho, em Campana, durante a Copa América. Mas a filosofia de trabalho de Mano Menezes não admite interferência externa.
- Os meus encontros com os jogadores não eram para a realização de cultos. Isso eu faço na minha igreja. Nas viagens, eu conversava mais com os atletas sobre as questões da vida, da família. Tratava mais de questões humanas, como ser um bom homem, um bom pai, um bom marido. Depois que a comissão técnica (da Seleção) mudou não tive mais contato. Nem sei se é permitida a minha presença na concentração – explicou Anselmo.
Anselmo garante que os encontros com os jogadores eram sempre nas folgas, em dias em que não aconteciam treinos. E que todos os custos eram pagos com recursos próprios.
- Conversávamos, orávamos juntos. Atendia cada um deles de forma individual. O Lúcio e o Kaká são os que eu mais me relaciono. Ao longo desses anos, eu criei um laço de amizade com eles - disse Anselmo, que não considera o atual grupo diferente em relação à última Copa do Mundo.
- Conheço alguns desses meninos apenas pelo que eu vejo na televisão. Mas todos têm a mesma necessidade, independentemente da idade, da religião. Todos precisam de orientação. Não existe distinção. O papel de pastor eu cumpro na igreja. Aqui é diferente. Estou para servir qualquer pessoa que precise de ajude. Não falo de religião, falo dos valores da vida.

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