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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

"Somos um", uma mutilação na alma

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Foto do blog de Daniel Lucho

Vejo muitos casais cristão se orgulharem em ter um único perfil em redes sociais, compartilharem a mesma conta de e-mail, dividirem a mesma escova de dentes (hunng!). Nas redes, têm aquela fotinha padrão de rostinho colado e identificação tipo "Zé e Maria". Justificativa: "somos um". OK! Me respondam algumas perguntas:

- Vocês nasceram juntos?
- Moraram nos mesmos lugares antes de "serem um"?
- Tiveram e/ou têm os mesmos amigos (r)estritamente?
- Leram os mesmos livros?
- Gostam dos mesmos filmes?
- Pensam do mesmo jeito?

É obvio que são perguntas esdrúxulas, mas se suas respostas foram "SIM" para a maioria das perguntas há uma grande possibilidade que estejam se enganando ou se anulando, jogando parte de sua história, amigos e hábitos que haviam antes do "somos um".

Se suas respostas foram "NÃO", então não faz sentido terem um único perfil nem compartilharem a mesma conta de e-mail, em última instância até aceito a divisão da escova de dentes (hunnnnnnnnngggg!).

Vejo pastores e cristãos de uma maneira geral, atacando o facebook e a internet em toda sua pluralidade, como sendo a causa dos fracassos e conflitos nos casamentos e degeneração familiar, pergunto, não deveríamos nos preocupar em fortalecer as relações, a confiança e o respeito? Ah! Vendamos o sofá que foi testemunha da luxúria a fim de evitá-la (gritam os fariseus), faz sentido isso?
Compreendo plenamente que todos nós carregamos hábitos, experiências e até mesmo doutrinas que moldaram o que somos hoje, e compatibilizar esta convivência é a arte do casamento, que não vejo receita, não há padrão, e quem tentar padronizar isto acabará cometendo uma mutilação na alma, anulando-se ou anulando o outro.

"Somos um" alimenta na verdade um disfarce farisaico que insistem em chamar de cumplicidade, quando na verdade se tornou um "acordo" velado de "nos" vigiarmos, vigiarmos o sofá.

Devemos ser um vetor, apontar para o mesmo alvo, caminharmos a mesma estrada, mesmo que nem tudo que desperta atenção e interesse coincidam com o do outro. O amor não é anulação, é aceitação da individualidade, da personalidade e espaços um do outro.

Ser um, não é um sonoro "só vai se for comigo, afinal, somos um", se assim é, não esqueça de levar a coleira e focinheira.

Ser um, liga a alma, e não a mutila, constrói um amor que as diferenças não são ignoradas, são aceitas.

Ser um, cria um amor tão livre que você sabe que são um do outro, haja o que houver, estejam onde estiverem.

Ser um, entende que conflitos surgirão, mas também passarão.

Ser um, é ser como Deus.

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