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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Antropologia e Absorventes Femininos

Minoru Raphael, no Minourolandia


Assisti a um comercial de absorvente feminino que mexeu comigo. Homens, tratava-se de um pedaço bem pequeno de algo branco que enxugou um copo de “água azul”. Um copo! Achei genial, fiquei impressionado! Porque não fazem desses maiores, para secar louça, lavar carro, drenar quadras de esportes!? Pensei em mil utilidades! Fui perguntar pra minha mãe e minha avó como era no tempo delas, pois aquilo parecia uma tecnologia nova. Minha mãe disse apenas que “há alguns anos eram grandes” e minha avó disse que elas usavam panos. É, panos. Ok.


Pesquisando na internet vi que desde a Idade Média as tais toalhinhas existem. O que me chamou a atenção foi a semelhança dos costumes da minha avó com Joana D’Arc, ao mesmo tempo que da minha mãe para a minha irmã essa diferença já é brutal! É incrível como dos anos 30’ para meados do século XV quase nada mudou, ao passo que de hoje para o ano que vem tudo pode ser diferente.
Perguntando outras coisas, fui vendo a prova de que a curva de desenvolvimento humano deu uma guinada absurda nos últimos anos. Meu bisavô, em Piracicaba, viajava a pé e quando anoitecia ele limpava um canto no mato e dormia ali, no caminho. Como você acha que faziam os Bandeirantes do Brasil Colonial em suas investidas na terra nova?! O pai da minha avó caçava coelhos para comer e fazia armadilhas. Doenças eram tratadas de maneiras rupestres e até a religião tinha e permitia coisas medievais! Incrível e fascinante. Parece que de 20 anos para cá a Terra mudou mais que em 5, 6 séculos! Conversando com meu avô ainda soube de coisas, literalmente dos homens das cavernas, que eles tinham de fazer por não terem luz elétrica (em plena cidade de São Paulo). Instituições também entram nesta conta. Relacionamentos interpessoais, comércio e política também mudaram muito pouco até o início do século XX. Pode se dizer que existia escambo no porto de Santos até algumas décadas atrás!

Por outro lado, tomei nota de coisas que permanecem as mesmas. Imagine o Coliseu, criado no século III, onde 50 mil pessoas se deliciavam vendo dois homens se esbofetearem sujos de sangue. Qual a diferença para um casino atual em Las Vegas que cedia uma grande luta de UFC? Gostar disso é tão antigo e tribal quanto rezar para chover. Olhar as estrelas na busca de direção ou esperança é tão ancestral quanto comer frango com as mãos. Assassinar alguém é tão neolítico quanto rogar a Deus com cânticos. Não é tão difícil achar hoje homens que tratam sua mulher com a mesma delicadeza de um homo erectus a sua fêmea.

Ousado afirmar isso, mas parece que o que evoluiu foram as tecnologias, os bens de consumo, as prestações de serviço, os absorventes... A natureza do homem permanece intacta. A impressão é que nossa personalidade e ímpetos, nossas vontades e as coisas que nos enchem os olhos seguem as mesmas. Ainda não sei se isso é bom ou ruim. O homem que hoje usa Bluetooth é o mesmo que mata, muitas vezes por ainda não saber resolver dialogando. O presidente do conselho da Ambev, Paulo Lehemann, tenho certeza que ao dormir sonha os mesmos sonhos ambiciosos que outrora culminaram no Império Otomano..

Diante da maravilha e armadilha de nós mesmos, me agarro ao mestre Neruda quando diz, "Se nada nos salva da morte, que ao menos o Amor nos salve da vida".

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