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"Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história." Bill Gates

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quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ideias impossíveis para um mundo possível

imagem: google
Ricardo Gondim, no seu site

Espero pela aurora do imponderável. Como sentinela, anseio pelo sol da justiça, rompendo no horizonte e rios de paz, correndo nos vales. O raiar desse sol será menos abrasador; a estratosfera, cerzida e restaurada por uma nova consciência ecológica, deixará de ameaçar.

Espero a inauguração de uma era sem fronteiras; um novo mundo sem muralhas, sem cancelas e sem guichês de passaporte. Sonho com o livre acesso do pobre ao lagar das uvas.

Espero pelos experimentos com célula tronco. Os cientistas descobrirão como fazer o tetraplégico voltar a andar. O genoma mapeará a vida e se reduzirá o número de crianças com doenças genéticas. Em meu paraíso, haverá uma árvore cujas folhas serão para a cura das nações. Anseio por uma mentalidade que tornará os cassinos ridículos – a humanidade chegará ao consenso de que o dinheiro da aposta deve ser usado em vacinas. Espero que surjam muitas Madres Teresa de Calcutá, todas empenhadas em acolher os esquecidos – ninguém terá um fim indigno. Em minha esperança, os Martin Luther Kings não serão exceção.

Espero que chegue a época quando espadas serão derretidas em arados – e os trilhões de dólares gastos com bombas, mísseis, fuzis, se destinarão ao saneamento dos esgotos. Uma bolsa de plástico nunca custará dois anos de salário de um operário.

Os presídios políticos serão dinamitados – não se prenderá qualquer pessoa por pensar diferente e os instrumentos de tortura serão destruídos. Não sobrará ambiente para que se cometa qualquer maldade em nome de ideologia, religião ou sistema político.

Espero pela eliminação de grampos telefônicos, “drones”, satélites espiões. O Estado deixará de bisbilhotar a privacidade das pessoas. Viveremos sem duvidar do próximo. Todos assumirão o dever de tratar o outro como irmão. Orfanatos não precisarão manter nenhuma criança por mais de um mês, já que mais famílias desejarão adotar do que órfãos precisarão de adoção. Nenhum idoso experimentará a agonia da solidão.

Espero que orquestras se organizem por todos os lados. As praças terão coreto e bandinhas tocarão alguma marcha no crepúsculo. Filmes serão projetados em vilarejos. Bibliotecas ambulantes semearão poesia, ficção, romance, para que os tristes voltem a rir e os avarentos esqueceçam de contar. As escolas de circo ajudarão palhaços a cumprirem a missão de simplesmente alegrar; malabaristas encantarão a meninada em seus voos arriscados.

Espero a proscrição do turismo sexual; a desarticulação dos cartéis de droga – poucos necessitarão alterar o estado de consciência para tolerar a vida. Os êxtases virão da estética, da bondade e da solidariedade.

Espero pelo novo céu e pela nova terra. Reconheço: minha utopia repousa no além, onde moram os sonhos. Posso, todavia, deixar que meus sonhos me ponham a caminho e me salvem da complacência e do desdém. Com eles, posso arriscar iniciativas que mostrem, como réstias em um quarto escuro, o quanto anelo por esse novo amanhã. Deus sugere o impossível para que eu me sinta desafiado a construir um mundo possível. O futuro aporta no presente quando arregaço as mangas. Isso chamo de Esperança.

Soli Deo Gloria

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